Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos Mensais: julho 2013

Vôo Noturno

No dia 31 de julho de 1944, Antoine de Saint-Exupéry, piloto de guerra, embarcou no seu último vôo, em missão de reconhecimento. Instantes depois, o seu avião desapareceu nas águas do Mediterrâneo. O seu corpo jamais foi encontrado.

Foi poeta, escritor e aviador pioneiro do correio aéreo, na heróica época em que os aparelhos eram precários e tinham poucos instrumentos. Sobrevoou a Europa, a África, o Atlântico e os Andes, sempre com risco de vida. Uma vez teve uma pane no Saara e quase morreu. “O deserto… Um dia me aconteceu chegar ao coração do deserto. Durante um reide à Indochina, em 1935, eu me vi no Egito, nos confins da Líbia, preso às areias como a um visgo, e pensei que fosse morrer.” O piloto de O Pequeno Príncipe, perdido no deserto, é uma lembrança deste episódio.

Morou mais de 2 anos nos Estados Unidos, tempo em que lutou para convencer os americanos a entrar na guerra contra os nazistas. Lá, em 1943, publicou O Pequeno Príncipe, um dos mais importantes livros já escritos.

A sua capacidade de extrair verdades universais a partir de cenas corriqueiras é a sua melhor marca. Em Terra dos Homens, escreveu uma passagem antológica ao aterrisar na cidade de Punta Arenas, extremo sul do Chile, observando pessoas comuns em suas atividades do dia a dia.

“Aterrissei na doçura da tarde. Punta Arenas! Fico parado junto a uma fonte e olho as moças. Assim, tão perto da beleza dessas moças, sinto ainda melhor o mistério humano. Em um mundo em que a vida se une tanto à vida, em que as flores amam as flores no próprio leito dos ventos, em que o cisne conhece todos os cisnes, só os homens constroem a sua solidão.

“Entre um e outro homem o espírito reserva um estranho espaço. Um sonho de moça a distancia de mim. Como atingi-la? Que posso saber dessa moça que volta para casa a passos lentos, os olhos baixos, sorrindo para si mesma, cheia de descobertas e mentiras adoráveis? Com os pensamentos, a voz e os silêncios de seu amado ela construiu um Reino – e desde então, para ela, fora desse Reino todos são bárbaros. Mais do que se estivesse em outro planeta, ela está isolada de mim em seu segredo, em seus costumes, nos murmúrios encantados de sua memória. Nascida ontem dos vulcões, da relva, do sal dos mares, essa moça já é meio divina.

“Punta Arenas! Fico parado junto a uma fonte. Velhas chegam para apanhar água: de seus dramas nada conhecerei além desse trabalho de servas. Um menino, junto ao muro, chora em silêncio. Nada ficará dele em minha lembrança a não ser a imagem de um belo menino, inconsolável para sempre. Sou um estranho. Não sei nada. Não penetro em seus Reinos.”

No dia 31 de julho de 1944, em missão de reconhecimento, Saint-Exupéry desapareceu sem deixar traços.

Em 1998, o seu bracelete de prata foi encontrado na ilha Riou, sul de Marselha.

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O Senhor dos Anéis e o Senhor da Maleta

J.R.R. Tolkien criou um mundo fantástico em O Senhor dos Anéis, com homens e hobbits, elfos e anões, magos e cavaleiros negros, homens-árvore e homens-pedra, orcs e trolls. Os elfos desenvolveram a arte de fabricar os anéis de poder, e Sauron, o Senhor dos Anéis, dominou o fabrico e forjou O Anel, o mais poderoso de todos, o qual usava para subjugar as criaturas. Derrotado numa batalha, perdeu O Precioso, e a saga mostra a sua luta desesperada para recuperá-lo e a caminhada de Frodo, o hobbit, para destrui-lo no Vulcão da Condenação, local onde havia sido forjado e a única fonte de energia capaz de consumi-lo.

Na minha opinião, Sauron e O Anel representam a tentação humana em direção à ambição e ao orgulho, em direção à vontade de dominar os outros. O ambicioso trata o outro como coisa, manipula-o, escraviza-o e rouba-lhe a dignidade de pessoa humana, no caminho inverso do ensinamento cristão, no qual Deus é um Deus de amor pessoal, o Criador de cada homem – único! – e cada mulher – única! – à Sua imagem e semelhança, que quer amar e ser amado, como um pai ama e quer ser amado pelo filho, como uma moça ama e quer ser amada pelo namorado. Deus é um Deus pessoal, a ponto de Se entregar e morrer por mim, só por mim.

Na carta encíclica Luz da Fé, o uso repetido da palavra “pessoa”, utilizada 50 vezes, ensina e enfatiza a importância da relação amorosa entre Deus e o homem. Foi escrita a quatro mãos por Bento XVI e Francisco – este, o Senhor da Maleta. A surpreendente visão de um Papa carregando os seus próprios pertences fez todos conjecturarem sobre o conteúdo da maleta papal. Se o Senhor dos Anéis, em sua ânsia por ser servido, personifica o mal, o Senhor da Maleta, não se deixando servir quando pode ele mesmo fazer as coisas, representa o bem.

O trato amoroso de pessoa a pessoa – a caridade – foi o tema central da viagem do Papa ao Brasil. A ausente caridade dos pastores por suas ovelhas, a falta de caridade dos leigos por seus irmãos, a caridade esquecida por todos, esfriada em nosso coração, substituída por um conjunto de regras pelos que acreditam ser isto a doutrina – não, a doutrina não é isto, a doutrina é a tentativa de explicar a fé numa pessoa – a pessoa de Cristo; a negligenciada caridade, o núcleo do ensinamento cristão: “nisto conhecerão que sois Meus discípulos: que vos amei uns aos outros”. Se Deus nos ama com amor pessoal, também quer que nos amemos uns aos outros, pois “quem não ama os seus irmãos a quem vê, como pode amar a Deus a quem não vê?”

O Senhor dos Anéis, símbolo do demônio, é ódio puro; o Senhor da Maleta, Vigário de Cristo, é mensageiro do amor. Aquele não consegue sorrir – no máximo, exibe um esgar sádico; este, sorridente, responde com bom humor aos curiosos indagadores do conteúdo da enigmática maleta:

– Não trago o código da bomba atômica!

Contas a Deus

No dia 29 de julho de 1979, o filósofo alemão naturalizado americano Herbert Marcuse prestou contas a Deus. Certamente, a conversa foi longa, pois o homem foi um dos pensadores marxistas mais influentes do século XX.

Marcuse nasceu em Berlim, em 1898. Foi um dos maiores expoentes da Escola de Frankfurt – para quem não sabe, esta entidade foi o berço do marxismo cultural. Em 1934, fugindo da perseguição nazista, chegou aos Estados Unidos, onde lecionou e escreveu, e é cultuado até hoje pela esquerda. A sua obra mais conhecida é Eros e Civilização. Foi um dos ideólogos da revolução sexual dos anos 1960.

Quando o marxismo se mostrou impraticável no ocidente, Marcuse, em vez de se render à realidade, procurou um jeito de substituir o proletariado como classe revolucionária. Cabeça de marxista é assim mesmo; se a realidade não se ajusta ao seu pensamento, dane-se a realidade; procuram fazer a realidade se ajustar à sua teoria. Em vez de um substituto, encontrou três:

1) Os intelectuais e estudantes revoltados, inconformados com a falta de reconhecimento da sua alta importância (segundo eles) pela sociedade;

2) Os revoltados com qualquer coisa, principalmente no âmbito sexual e

3) Os marginais em  geral: bandidos, viciados, estupradores etc.

São estes os verdadeiros revolucionários, são eles quem devem destruir a sociedade ocidental, cristã, e não os proletários; a nova classe revolucionária é definida pelas frustrações psicológicas, não pela desvantagem econômica.

Você entende agora de onde vem o incentivo à criminalidade e a tudo o que não presta?

Os canais por onde esta linda teoria se espraia são a mídia de massa, o sistema educacional e o show bizz – evidentemente, há muita gente boa nestes três segmentos, mas estão à mercê das lideranças comunistas e pouco podem fazer. Alguns exemplos, no Brasil: desarmamento da população civil, criminalização da ação policial, leniência com a delinquência juvenil, tolerância com a violência escolar e muitas outras porcarias, tudo para destruir a sua família. Fique de olho, analise bem os acontecimentos e você conseguirá identificar a influência deste filósofo no seu dia a dia.

Para as pessoas de bem, desejosas de fazer alguma coisa pela sociedade e por sua família, só há uma saída: estudar este e outros temas para se informar e poder lutar. Caso contrário, você será mais um bobão na mão dos outros, colaborando inocentemente com o inimigo. Para saber mais sobre este assunto, veja o artigo Primores de Ternura – 2, do filósofo Olavo de Carvalho, e ouça a faixa Marxismo Cultural, do livro-áudio Terapia das Doenças Espirituais (ISBN: 1898943143235) – Editora Ecclesiae, do Padre Paulo Ricardo.

No dia 29 de julho de 1979 Marcuse deu contas a Deus. Foi com a caderneta cheia. Não sei qual foi o seu destino, mas de uma coisa eu tenho certeza: esteja onde estiver, contempla, pensativo, as amargas consequências de suas tresloucadas teorias.

A pergunta que não pode ser feita

A personalidade da semana foi, sem dúvida, o Papa Francisco. A presença de um Papa – por sua importância, simbolismo, peso histórico, liderança e tudo o mais – é, por si, algo extraordinário. Além de tudo isso, Francisco, com a sua simpatia, simplicidade, bom humor e presença de espírito, é um Papa amigo, a quem as mães entregam com confiança os seus bebês e a quem os fiéis querem abraçar. Devemos a sua agradável presença à Jornada Mundial da Juventude, evento concebido para animar as tenras vocações cristãs.

É bom que assim seja, enquanto ainda há jovens. O avanço das políticas de controle de natalidade em todo o mundo está reduzindo populações inteiras, a ponto de culturas européias estarem desaparecendo simplesmente por falta de gente. O mito da superpopulação – teoria propagada pela Nova Ordem Mundial a partir dos anos 1950 – tem enganado muita gente.

Para quem não sabe, a Nova Ordem Mundial, ou Clube Bilderberg, são algumas centenas de bilionários desejosos de implantar um governo mundial, ou melhor dizendo, uma ditadura mundial. Para isto, precisam destruir o Ocidente (leia-se cristianismo) e têm usado diversas armas. A mentira da superpopulação é uma delas, na qual muita gente bem intencionada tem caído por pura ignorância.

A pergunta embutida por trás da superpopulação é “Quantas pessoas cabem no mundo?” Esta é a pergunta que não pode ser feita porque esconde uma armadilha. Trata-se de uma técnica de manipulação psicológica: consiste em fazer com que você aceite uma discussão inaceitável. Se você aceitar a discussão, já terá perdido o debate, seja quais forem os seus argumentos.

Vou dar um exemplo: se alguém quiser discutir com você a honestidade – com o perdão da palavra – da sua mãe, você vai aceitar? Evidentemente não, pois alguns assuntos não são passíveis de discussão.

A pergunta “Quantas pessoas cabem no mundo” pressupõe que alguém sabe a resposta e, portanto, algum órgão tem a capacidade de controlar o crescimento da população. Necessariamente, o governo – e um governo mundial. Tentar responder a esta pergunta é dar a vitória aos globalistas. Em vez disso, denuncie a perversa técnica psicológica embutida.

Na verdade, não interessa a resposta, pois ninguém tem a capacidade – muito menos o direito – de mandar na vida dos outros. Vale aqui, mais uma vez, o Magistério da Igreja: o número de filhos é responsabilidade única e exclusiva do casal. Não é do padre, nem da Igreja, nem do governo, nem de ninguém. É do casal! Só eles sabem quantos filhos podem sustentar. O resto é papo-furado, lenga-lenga pega-trouxa. Não caia nesta armadilha. Não argumente com cientistas sociais desejosos de destruir a sua mente. Não se deixe manipular por estratégias de controle psicológico.

Mais uma vez, a Santa Madre Igreja é a nossa única esperança. Neste tempo propício, rezemos a Maria pela Igreja, rezemos pelo Papa e rezemos pela juventude.

O Bom Humor de Cristo

Antoine de Saint-Exupéry, autor de O Pequeno Príncipe, foi pioneiro da aviação heróica. Sobrevoou regiões inóspitas como os Andes e o Saara. A beleza do deserto, escreveu, em Terra dos Homens, não pode ser apreciada por pessoas superficiais. Da mesma forma, o bom humor de Cristo.

Lemos os Evangelhos com a mórbida ânsia de enxergar as dores de Nosso Senhor e os seus altos ensinamentos, mas nos esquecemos que o aprendizado ocorre nos momentos de paz e sossego. A Sua alegria era constante, mesmo em momentos de ira e medo, porque Ele contemplava constantemente a face do Pai – é a chamada visão beatífica. Como é que podia estar triste?

Na realidade, só houve um momento no qual perdeu a visão beatífica. Foi na cruz, nos estertores da agonia, quando Deus se escondeu dEle, retirando-Lhe este último consolo. Proferiu então “Meu Deus, por que Me abandonaste?” Não foi uma frase de revolta, bem ao contrário, foi uma frase dirigida a nós, para que soubéssemos que continuava na cruz por amor. Foi o Seu último ato de entrega por nós.

Os Evangelhos estão repletos de episódios divertidos e alegres. Certamente, Cristo se divertia e divertia os outros nas bodas de Canaã – não é significativo o primeiro milagre ter sido feito numa festa? -, ao brincar com as crianças – certamente, elas não se aproximariam de um sujeito mal encarado -, nos jantares para os quais era convidado, nas conversas ocasionais com desconhecidos. A Sua fina ironia é a maior demonstração da Sua alegria.

Na tarde do domingo da Ressurreição, quando se aproximou incógnito de Cléofas e seu amigo, no caminho de Emaús, perguntou-lhes “Sobre o que é que vocês conversavam?” E Cléofas respondeu-Lhe, surpreso, “Será que Você é a única pessoa que não sabe o que aconteceu com Jesus Nazareno?” E Cristo replicou “Não, não sei de nada, o que é que houve?”

Em outra ocasião, os inimigos armaram uma cilada com uma pergunta traiçoeira. Cristo disse “Vou responder, mas me respondam antes: o batismo de João era de Deus ou dos homens?” Se respondessem ‘dos homens’, ficariam mal com o povo; ‘de Deus’, então por que não lhe deram ouvidos? “Não sabemos” disseram. Cristo então lhes disse “Então também não sei, também não vou responder!”

Os Evangelhos estão repletos destes episódios mas a sua beleza não é para qualquer um. Certamente, não é para mal humorados nem para pessoas acostumadas ao humor escrachado. Não conseguiremos ver o bom humor nos outros se não formos nós mesmos bem humorados. O bom humor exige o desapego desta vida, a ponto de conseguirmos rir de nós mesmos. A Sua alegria é para quem tem a esperança posta em Deus e compreende que o Seu reino não é deste mundo, este mundo é um vale de lágrimas (como diz a Salve Rainha) e esta vida é embrejada (Guimarães Rosa).

No Evangelho deste domingo, Cristo dirá “Qual o pai cujo filho lhe pede um ovo e ele dá um escorpião?”

Eta pai brincalhão!

 

Os Dez Mandamentos do Motorista

São Cristóvão, dizem, carregou o Menino Jesus nos braços para ajudá-Lo a atravessar um rio. Etmologicamente, Cristóvão significa “aquele que carrega Cristo”. Por isso, é considerado o Padroeiro dos Motoristas. Hoje, vale a pena refletir nos Dez Mandamentos do Motorista, texto do Papa Bento XVI baseado na caridade, gratidão e perdão.

Caridade, virtude esquecida em nosso país. Se a revolução marxista visa destruir o cristianismo, a caridade, evidentemente, é o alvo prioritário dos inimigos de Cristo. O brasileiro típico tem como preocupação prioritária ganhar dinheiro a qualquer custo, ou seja, caminha no sentido exatamente oposto ao ensinamento evangélico. Por outro lado, as “elites” cristãs, principalmente as católicas, na sua certeza de fé verdadeira, acabam praticando virtudes “intramuros”, voltadas para si mesmas, desprezando os nossos irmãos de outros credos… e se afastam do amor de Deus. Se não há caridade, o que dirá de gratidão e perdão? São impossíveis sem caridade. Tudo isto se reflete no nosso trânsito, campeão mundial de acidentes (se não estiver em primeiro lugar, certamente está entre os líderes). Afinal, Cristo não disse “Amai-vos uns aos outros como Eu vos tenho amado – NISTO conhecerão que são meus discípulos”?

Esta mensagem tem especial relevância para nós, brasileiros de um trânsito tipo Corrida Maluca. Quem quiser preservar a saúde física e mental – principalmente esta – deve atentar para as palavras do Papa. A lista abaixo é uma adaptação livre minha.

1 – Não converterás o teu carro em instrumento de morte.

2 – Farás das estradas meios de união entre as pessoas, e não locais de morte.

3 – Saberás lidar com imprevistos com cortesia, sinceridade e prudência.

4 – Serás caridoso e ajudarás o próximo necessitado, especialmente as vítimas de acidentes.

5 – Não usarás o automóvel como expressão de poder e dominação, nem o converterás em ocasião de pecado.

6 – Saberás convencer, com caridade, jovens e não tão jovens a não dirigir quando não estiverem em condições de fazê-lo.

7 – Ajudarás as famílias de vítimas de acidentes.

8 – Unirás, oportunamente, motoristas culpados e as suas vítimas, para que possam passar pela libertadora experiência do perdão.

9 – Nas estradas, protegerás os mais vulneráveis.

10 – Sempre te sentirás responsável pelos outros.

Molokai

logo_molokaiMolokai está sem padre, disse o bispo, mas não posso obrigar ninguém a ir para lá.

Molokai é o nome de uma ilha do arquipélago do Havaí e, no século XIX, era uma colônia de leprosos, doença incurável na época, para onde os doentes eram enviados para morrer à míngua. O sacerdote enviado para lá seria contagiado, mais cedo ou mais tarde. Era uma sentença de morte. Numa demonstração de caridade extrema, três sacerdotes se voluntariaram. A escolha, pela juventude e saúde de ferro, recaiu sobre o padre Damião.

Assim, durante décadas, Damião dedicou-se aos nossos irmãos e irmãs estigmatizados. O seu amor desapegado, a sua energia ilimitada e a sua força física descomunal levaram alívio, conforto espiritual e condições de vida decentes ao povo esquecido, até o dia em que contraiu a doença e, num lento processo, faleceu.

Inspirado por Damião, o professor de caratê José Alberto de Siqueira Campos – mais conhecido como sensei Corisco – fundou a editora Molokai, cuja missão é a difusão da doutrina católica. Ele sentiu esta necessidade durante as suas aulas, nas quais ensina o autoconhecimento mediante o domínio do corpo – afinal, não somos anjos. Formado na tradicional escola japonesa, o sensei adaptou esta arte marcial aos padrões ocidentais, elevando-a outro patamar pois, em linguagem cristã, autoconhecimento significa humildade. Como o conhecimento por meio do corpo se identifica com o cultivo da mente, surgiu, espontaneamente, a necessidade de editar os próprios livros e contribuir para ultrapassar – como diz o filósofo Olavo de Carvalho – o atraso de décadas em que está o mercado editorial brasileiro.

Num esforço conjunto com as suas alunas e alunos, acaba de ser publicado o primeiro livro da Molokai: A Boa Educação (ISBN 978-85-62219-38-2), de Tihamer Toth, em coedição com a editora Cultor de Livros. É um clássico da literatura cristã, indicado para não só para jovens, mas também para pais, pedagogos e todas as pessoas desejosas de, a qualquer época da vida, crescer no amor a Deus.

O autor (1889-1939), bispo húngaro e professor de Pedagogia, especializou-se em escrever para a juventude. Este livro trata de temas como convivência, vocação profissional, esportes, estudos, amizade, leituras e muito mais, sempre sob a ótica cristã e bom humor.

Parabéns ao sensei, suas alunas e alunos, parabéns ao Cultor de Livros. Benvinda, Molokai, benvinda à luta!

– O amor de Cristo nos compele. (2Cor 5, 14)

Nota – Tive o raro privilégio de participar da criação da logomarca da editora, exibida no início deste post.

Brígida – esposa e mãe

Hoje é dia de Santa Brígida, padroeira da Suécia, copadroeira da Europa, mãe de 4 meninos e 4 meninas – uma delas santa – escritora, teóloga, fundadora de monastério e mística – ufa! Nasceu em 1303 e morreu em 23 de julho de 1373, em Roma. Ficou conhecida por sua atuação política, na qual era orientada diretamente por Deus, por meio de visões e sonhos.

A política, entendida como a interação entre as pessoas visando o bem comum, é uma obrigação inescapável não apenas para os santos, mas para todos nós. Mesmo os ostras, pessoas fechadas em si mesmas e refratárias a quaisquer preocupações sociais, têm uma atitude política – no caso, a indiferença, a pior de todas as posturas políticas. Temas de debate público, como o aborto, não lhe interessam. Mas quando o governo mete a mão no seu dinheiro… epa! Aqui não! – aí ele fica uma fera. Lênin pregava o domínio sobre as populações por meio do imposto de renda progressivo. Vai reclamar do que se não quer lutar?

Brígida tinha Deus orientando-a diretamente. E a nós, simples criaturas normais, quem vai nos orientar, esclarecer e ensinar? João Bosco fez esta mesma pergunta em uma visão que teve quando ainda era criança e estava preocupado com os seus amiguinhos de rua, desamparados e órfãos, candidatos certos à vida de crime. A aparição disse ao menino para educar aquelas crianças. João Bosco perguntou “Mas quem vai me ensinar, se eu mesmo não sei?” Vou lhe dar uma Mestra, e só então João Bosco percebeu, ao lado dele, uma Senhora de indescritível beleza.

Maria deve ser a nossa primeira orientadora. É a ela a quem devemos dar ouvidos, estudando as suas aparições, rezando o terço e pedindo ajuda. Mãe da Igreja, ela nos deu o Catecismo, doutrina segura para nos orientar em caso de dúvida. Quando, por exemplo, um vigarista disfarçado de padre da auto-proclamada teologia da libertação – que não é teologia, muito menos de libertação, bem ao contrário, da escravidão porque marxista – diz alguma besteira, o Catecismo está aí para ser consultado e nos ajudar.

Em segundo lugar, alguns nomes se destacam no Brasil. Nas ciências políticas, o filósofo Olavo de Carvalho; no jornalismo, o site Mídia Sem Máscara e Reinaldo Azevedo; na atuação pública, os combativos Padre Lódi da Cruz e o Padre Paulo Ricardo. Não estou dizendo que estes homens são infalíveis, nem santos, nem têm a autoridade da doutrina da Igreja em todos os seus atos. Estou citando-os como fontes a serem estudadas. Aliás, eles próprios são os primeiros a reconhecer isto.

E, evidentemente, os ensinamentos do Papa devem sempre ser ouvidos e estudados. Rezemos a Santa Brígida, especial devota de Maria – qual santo não o é? –  copadroeira da Europa com Santa Catarina de Sena e Edith Stein, para guiar as palavras do Santo Padre em sua visita ao nosso país.

Três Homens Bons

Riobaldo, apelidado de Tatarana por sua habilidade em atirar, é o principal personagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Num episódio do romance, participa da preparação para uma batalha. O chefe dos jagunços explica como vai ser o confronto e conclui dizendo que precisa de alguns homens de confiança ao lado dele no momento crítico, no calor da batalha. “Riobaldo, Tatarana, tu vem. Lugar nosso vai ser o mais perigoso. Careço de três homens bons, no próximo do meu cochicho.”

Lembrei-me desta passagem ao meditar sobre a vida de São Francisco de Assis.

Na época de São Francisco, a Igreja também passava por momentos críticos. Deus pediu ao santo que A restaurasse. O Senhor viu nele um homem bom, merecedor da Sua confiança para lutar a difícil luta de reconstruir o Edifício Espiritual. Na sua simplicidade, Francisco interpretou o pedido literalmente e pensou em reformar a igreja onde rezava. Só mais tarde percebeu a imensidão do encargo.

Hoje está chegando ao Brasil outro Francisco, outro homem bom, com uma delicada missão. Os católicos, bem como os nossos irmãos separados, passam por perseguições de todo o tipo, no mundo todo. Pior ainda, o inimigo está dentro; tomou forma na pele de marxistas (leia-se ateus) para quem a Igreja é uma instituição como outra qualquer, um sindicato ou um clube de futebol, alvo das suas maquinações – Maria avisou em Fátima: “Cuidado com a Rússia”. O Papa Francisco, em pouco tempo, já mostrou serviço. Se a tarefa é imensa, o argentino não tem medo dela.

Um Francisco – o santo -, outro Francisco – o Papa – … e o terceiro homem bom, quem é?

Ué!? Está na cara: tem que ser eu, tem que ser você, porque querer que alguém enfrente a parada mas não estar disposto a meter mãos à obra é muita folga, não acha? A nossa missão é bem clara: estudar (para não agir loucamente), orar (para entender a vontade de Deus), se sacrificar (para ganhar força) e agir (“pelos frutos os conhecereis” Mt7,20). O que tinha São Francisco a mais do que você e eu? Não podemos imitá-lo na entrega a Deus e na força de vontade e determinação? O que nos prende?

Vou dizer o que nos prende: quando a gente vê de fora a valentia dos santos em situações perigosas, acha muito bonito todas as peripécias, aventuras e ciladas. Mas quando o enredo é conosco, bom, aí a coisa não é tão bonita assim… O medo e o apego às caducas coisas da terra nos prendem. Bem cedo nos fugirão das mãos, ensina São Josemaría.

Hoje, o Edifício está aos cacos. A perseguição aos cristãos recrudesce. O lugar dos católicos é o mais perigoso. O Chefe olha para a força de homens e diz: “Careço de três homens bons. Lugar nosso vai ser o mais perigoso.” E, com esperança e confiança, diz a você:

– Riobaldo, Tatarana, tu vem.

Sábado, dia de Maria

Hoje é sábado, dia de Maria. É o dia da inauguração deste blog, a ela dedicado, a Nossa Senhora das Sete Alegrias. Ele veio lutar a guerra cultural, como Nossa Mãe, em Guararapes, veio combater pela Igreja e pelo Brasil.

Nossa Senhora das Sete Alegrias é uma devoção portuguesa surgida no século XVI. As Sete Alegrias, enunciadas por um franciscano, são: a Anunciação, a Saudação de Isabel, o Nascimento de Jesus, a Visita dos Reis Magos, o Reencontro com o Menino Perdido no Templo, a Primeira Aparição do Cristo Ressuscitado e a Coroação da Virgem no Céu.

Na primeira batalha de Guararapes, a Mãe de Deus lutou ao nosso lado para expulsar os holandeses. Ali surgiu a nação brasileira: índios, portugueses e negros unidos contra o invasor. Das alegrias da Virgem Santíssima nasceu o Brasil.

Hoje, como ontem, o nosso país está sob ataque – não só ele, mas todo o ocidente. De acordo com o filósofo Olavo de Carvalho, são três os poderes internacionais interessados na implantação de uma ditadura global: o bloco comunista russo-chinês (Maria avisou em Fátima: cuidado com a Rússia!), a Nova Ordem Mundial (ou Clube Bilderberg) e o islamisno radical. Têm, como objetivo, a destruição das soberanias nacionais e do cristianismo – mais precisamente, da Igreja Católica. (Não deixe de ler o artigo O Crescimento da Cristofobia de Ives Gandra da Silva Martins.)

Neste processo, uma das principais armas usadas é o marxismo cultural, ou seja, a implantação de uma ideologia de revolta – o ódio como motor da história: a luta de classes, o feminismo, o aborto, o divórcio, a eutanásia, a revolução levada a cabo pelos marginalizados, o sex lib, o enfraquecimento das nações por meio das drogas, a destruição da identidade nacional. Os meios de comunicação de massa, o sistema educacional e o show bizz estão impregnados desta mentalidade – há exceções, gente de bem se esforçando, e nós temos que ajudá-los.

A nossa primeira tarefa é estudar para saber o que está acontecendo. A realidade das coisas é muito difícil de apreender e, se não tivermos um bom conhecimento dela, vamos acabar trabalhando para o inimigo e seremos mais um “inocente útil”, de quem Lênin riria.

A missão deste blog é contribuir na compreensão do mundo que nos cerca. Só bem informados poderemos agir com consciência na luta pelos nossos ideiais. Peço, cara leitora, caro leitor, que me envie as suas sugestões, as suas dúvidas e, acima de tudo, reze pelo sucesso deste empreendimento. A batalha é dura, mas não desanime. Maria, mais uma vez, está ao nosso lado, como, outrora, nos montes Guararapes, lutando com vigor pela Igreja e pela nação brasileira.

“(…) por ter a gente ela própria já biologicamente tríbia do nordeste branca, ameríndia, negra demonstrado ser gente, além de vigorosa, consciente de sua pré-brasileiridade, pela maneira com que repeliu franceses e holandeses. Pelo modo por que escreveu a sangue, nas batalhas dos montes Guararapes, o endereço certo do Brasil: uma nação só e não duas ou três.” – Gilberto Freyre

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