Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

O Senhor dos Anéis e o Senhor da Maleta

J.R.R. Tolkien criou um mundo fantástico em O Senhor dos Anéis, com homens e hobbits, elfos e anões, magos e cavaleiros negros, homens-árvore e homens-pedra, orcs e trolls. Os elfos desenvolveram a arte de fabricar os anéis de poder, e Sauron, o Senhor dos Anéis, dominou o fabrico e forjou O Anel, o mais poderoso de todos, o qual usava para subjugar as criaturas. Derrotado numa batalha, perdeu O Precioso, e a saga mostra a sua luta desesperada para recuperá-lo e a caminhada de Frodo, o hobbit, para destrui-lo no Vulcão da Condenação, local onde havia sido forjado e a única fonte de energia capaz de consumi-lo.

Na minha opinião, Sauron e O Anel representam a tentação humana em direção à ambição e ao orgulho, em direção à vontade de dominar os outros. O ambicioso trata o outro como coisa, manipula-o, escraviza-o e rouba-lhe a dignidade de pessoa humana, no caminho inverso do ensinamento cristão, no qual Deus é um Deus de amor pessoal, o Criador de cada homem – único! – e cada mulher – única! – à Sua imagem e semelhança, que quer amar e ser amado, como um pai ama e quer ser amado pelo filho, como uma moça ama e quer ser amada pelo namorado. Deus é um Deus pessoal, a ponto de Se entregar e morrer por mim, só por mim.

Na carta encíclica Luz da Fé, o uso repetido da palavra “pessoa”, utilizada 50 vezes, ensina e enfatiza a importância da relação amorosa entre Deus e o homem. Foi escrita a quatro mãos por Bento XVI e Francisco – este, o Senhor da Maleta. A surpreendente visão de um Papa carregando os seus próprios pertences fez todos conjecturarem sobre o conteúdo da maleta papal. Se o Senhor dos Anéis, em sua ânsia por ser servido, personifica o mal, o Senhor da Maleta, não se deixando servir quando pode ele mesmo fazer as coisas, representa o bem.

O trato amoroso de pessoa a pessoa – a caridade – foi o tema central da viagem do Papa ao Brasil. A ausente caridade dos pastores por suas ovelhas, a falta de caridade dos leigos por seus irmãos, a caridade esquecida por todos, esfriada em nosso coração, substituída por um conjunto de regras pelos que acreditam ser isto a doutrina – não, a doutrina não é isto, a doutrina é a tentativa de explicar a fé numa pessoa – a pessoa de Cristo; a negligenciada caridade, o núcleo do ensinamento cristão: “nisto conhecerão que sois Meus discípulos: que vos amei uns aos outros”. Se Deus nos ama com amor pessoal, também quer que nos amemos uns aos outros, pois “quem não ama os seus irmãos a quem vê, como pode amar a Deus a quem não vê?”

O Senhor dos Anéis, símbolo do demônio, é ódio puro; o Senhor da Maleta, Vigário de Cristo, é mensageiro do amor. Aquele não consegue sorrir – no máximo, exibe um esgar sádico; este, sorridente, responde com bom humor aos curiosos indagadores do conteúdo da enigmática maleta:

– Não trago o código da bomba atômica!

Uma resposta para “O Senhor dos Anéis e o Senhor da Maleta

  1. Roberto 01/08/2013 às 13:58

    Ricardo, muito interessante esta analogia do filme ” Senhor dos Anéis” com a realidade que vivemos. Posso, a partir do seu ponto de vista, compreender perfeitamente todas as palavras de sua mensagem, como sempre sinceras e que retratam nossa realidade,
    abraço.

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