Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Duas Coroas

Naquela manhã, ele se preparou para a sua última viagem. Tinha pressa. O dia seguinte era dia de festa, e ele não queria perder. Ao meio-dia, embarcou.

Tudo começou quando o nosso protagonista – Raiumundo Kolbe – tinha 10 anos de idade e rezava à Virgem Negra de Czestochowa. De repente, a imagem ganhou vida e lhe apresentou duas coroas de flores: uma de flores brancas – simbolizando a castidade perfeita – e outra de flores vermelhas – o martírio – e pediu para o menino escolher uma. Movido pela misteriosa intuição polonesa – a mesma de Karol Wojtyła e Joseph Conrad, Copérnico e Marie Curie – o menino pegou as duas.

De fato, em 1912, aos 18 anos de idade, deu o primeiro passo em direção à coroa branca entrando para o noviciado franciscano e recebendo o nome religioso de frei Maximiliano Kolbe.

Em 1917, ano das aparições de Fátima, fundou com a ajuda de confrades franciscanos, a Milícia da Imaculada. A sua intenção foi combater o avanço das idéias socialistas, cujo objetivo é substituir Deus pelo Estado. A partir daí, dedicou-se à difusão da fé católica mediante a palavra impressa, atingindo números impressionantes em tiragens e profissionais envolvidos e chegando a fundar uma cidade para impressão de periódicos e afins – Niepokalanow, a Cidade da Imaculada.

Em 1930 foi para o Japão com três companheiros franciscanos, e em Nagasaki construiu mais uma Cidade.

Em 1941, já de volta à Polônia ocupada, foi preso pelos nazistas e deportado para o campo de concentração de Auschwitz.

Um belo dia, naquele aprazível lugar, um prisioneiro fugiu. Como era regra, o comandante escolheu dez colegas do fugitivo para morrerem de inanição como castigo coletivo. Ao ser selecionado, o sargento Francisco Gajowniczek, desesperado, gritou que tinha mulher e filhos para criar. Maximiniano Kolbe deu um passo à frente e ofereceu-se para morrer no lugar do sargento. O nazista, quando finalmente compreendeu a insólita oferta, autorizou a troca. Depois de duas semanas de fome e sede, como ainda resistisse, o comandante mandou aplicar-lhe uma injeção de ácido fênico.

Na manhã do dia 14 de agosto de 1941, Maximiliano Kolbe se preparou para a sua última viagem. Tinha pressa. O dia seguinte era festa da Assunção, e ele não queria perder. Ao meio-dia, horário do Ângelus, recebeu uma injeção letal. Foi recebido no céu pela Virgem Negra de Czestochowa, com duas coroas de flores.

E foi ao lado de Maria que assistiu lá de cima, num misto de diversão e alegria, à cerimônia da sua própria canonização, oficializada por seu compatriota João Paulo II em 10 de outubro de 1982.

Presente na cerimônia, o sargento Francisco Gajowniczek.

Uma resposta para “Duas Coroas

  1. Roberto 17/08/2013 às 20:13

    Que história interessante, Ricardo! Que bom que você voltou.
    Abraço

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: