Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos Mensais: setembro 2013

Oração por Bruna P.

A todas as minhas leitoras, a todos os meus leitores

Peço que orem pela menina Bruna P., gravemente doente.

Deus lhes pague.

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O Ataque de Moscou ao Vaticano

O texto abaixo é a tradução de Moscow’s Assault on the Vatican, artigo de Ion Mihai Pacepa, publicado no National Review em 25 de janeiro de 2007.

O general Ion Mihai Pacepa é oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. É autor de Red Horizons, livro traduzido para 27 idiomas, grandemente responsável pela queda de Ceausescu, ditador comunista da Romênia. A obra era tida pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”.

O seu mais recente livro, Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado em junho de 2013.

Pacepa vive nos EUA, sob identidade secreta.

 

O Ataque de Moscou ao Vaticano

Uma das prioridades da KGB é corromper a Igreja.

A União Soviética jamais se sentiu confortável convivendo com o Vaticano no mesmo mundo. As descobertas mais recentes provam que o Kremlin estava disposto a não medir esforços para neutralizar o forte anti-comunismo da Igreja Católica.

Em março de 2006, uma comissão parlamentar italiana concluiu que “além de toda dúvida razoável, os líderes da União Soviética tomaram a iniciativa de eliminar o papa Karol Wojtyla” em retaliação à sua ajuda ao movimento dissidente Solidariedade na Polônia. Em janeiro de 2007, quando documentos mostraram a colaboração do recém-nomeado arcebispo de Warsaw, Stanislaw Wielgus, com a polícia política na época da Polônia comunista, ele admitiu a acusação e se aposentou. No dia seguinte, o prior da Catedral Wawel de Cracóvia, local de sepultamento de reis e rainhas poloneses, se aposentou pela mesma razão. Em seguida, soube-se que Michal Jagosz, um membro do tribunal do Vaticano que estuda a santidade do depois Papa João Paulo II, foi acusado de ser um antigo agente da polícia secreta comunista; de acordo com a mídia polonesa, ele foi recrutado em 1984 antes de deixar a Polônia devido a uma indicação para o Vaticano. Atualmente, está prestes a ser publicado um livro que irá revelar a identidade de outros 39 sacerdotes cujos nomes foram descobertos nos arquivos da polícia secreta de Cracóvia, alguns deles bispos atualmente. Além disso, estas revelações parecem ser apenas a ponta do iceberg. Uma comissão especial em breve iniciará uma investigação do passado de todos os religiosos durante a era comunista, quando, acredita-se, milhares de sacerdotes católicos daquele país colaboraram com a polícia secreta. Isto apenas na Polônia – os arquivos da KGB e os da polícia política nos demais países do antigo bloco soviético ainda precisam ser abertos para investigar as operações contra o Vaticano.

Na minha outra vida, quando estava no centro das guerras de inteligência estrangeira de Moscou, me vi pego em um esforço deliberado do Kremlin para manchar a reputação do Vaticano, retratando o Papa Pio XII como um frio simpatizante do nazismo. No fim das contas, a operação não causou nenhum dano duradouro, mas deixou um amargo sabor residual de difícil eliminação. A história jamais foi contada antes.

O ATAQUE À IGREJA

Em fevereiro de 1960, Nikita Khrushchev aprovou um plano ultra-secreto para destruir a autoridade moral do Vaticano na Europa Ocidental. O plano era um criativo fruto de Aleksandr Shelepin, chefe da KGB, e de Aleksey Kirichenko, membro do Politburo soviético responsável por políticas internacionais. Até aquele momento, a KGB tinha lutado contra o seu “inimigo mortal” na Europa Oriental, onde a Santa Sé havia sido cruelmente atacada como um covil de espiões a soldo do imperialismo americano, e os seus representantes haviam sido sumariamente presos sob acusação de espionagem. Agora, Moscou queria desacreditar o Vaticano imputando-lhe a pecha de bastião do nazismo, usando os seus próprios sacerdotes, em seu próprio território.

Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, foi escolhido como alvo prioritário da KGB, a sua encarnação do demônio, pois havia deixado este mundo em 1958. “Mortos não podem se defender” era o slogan da KGB na época. Moscou acabara de ganhar um olho preto por ter falsamente incriminado e encarcerado um prelado do Vaticano, o cardeal József Mindszenty, primaz da Hungria, em 1948. Durante a revolução húngara de 1956, ele escapara da prisão e pedira asilo na embaixada americana em Budapeste, onde começou escrever as suas memórias. Quando os detalhes de como ele havia sido condenado se tornaram conhecidos de jornalistas ocidentais, foi visto por todos como um santo herói e mártir.

Como Pio XII havia servido como núncio papal em Munique e Berlin quando os nazistas estavam iniciando a sua tentativa de chegar ao poder, a KGB queria retratá-lo como um anti-semita encorajador do Holocausto. O desafio era realizar a operação sem dar o menor sinal do envolvimento do bloco soviético. Todo o trabalho sujo devia ser feito por mãos ocidentais, usando evidências do próprio Vaticano. Isto corrigiria outro erro cometido no caso de Mindszenty, incriminado com documentos soviéticos e húngaros falsificados. (Em 6 de fevereiro de 1949, alguns dias após o julgamento de Mindszenty, Hanna Sulner, a especialista húngara em caligrafia que havia fabricado a “evidência” usada para incriminar o cardeal, fugiu para Viena e exibiu os microfilmes dos “documentos” em que se baseara o julgamento encenado. Hanna demonstrou, em um testemunho minuciosamente detalhado, que os documentos eram todos forjados, produzidos por ela, “alguns pretensamente escritos pelo cardeal, outras exibindo a sua suposta assinatura”.

Para evitar outra catástrofe como a de Mindszently, a KGB precisava de alguns documentos originais do Vaticano, mesmo remotamente ligados a Pio XII, os quais os seus especialistas em desinformação poderiam modificar levemente e projetar “na luz apropriada” para provar as “verdadeiras cores” do Papa. A KGB, entretanto, não tinha acesso aos arquivos do Vaticano, e aí entrou o meu DIE, o serviço romeno de inteligência estrangeira. O novo chefe do serviço de inteligência estrangeira soviético, general Aleksandr Sakharovsky, havia criado o DIE em 1949 e havia sido até pouco tempo antes o nosso conselheiro-chefe soviético; o DIE, ele sabia, estava em excelente posição para contactar o Vaticano e obter aprovação para pesquisa em seus arquivos. Em 1959, quando fui nomeado para a Alemanha Oriental no disfarçado cargo de representante-chefe da Missão Romena, havia conduzido uma “troca de espiões” na qual dois oficiais do DIE (coronel Gheorghe Horobet e major Nicolae Ciuciulin), pegos com em flagrante na Alemanha Ocidental, foram trocados pelo bispo católico Augustin Pacha, preso pela KGB sob uma espúria acusação de espionagem, e que finalmente retornava ao Vaticano via Alemanha Ocidental.

INFILTRAÇÃO NO VATICANO

“Seat 12” era o codinome dado a esta operação contra Pio XII e eu me tornei o seu ponta-de-lança romeno. Para facilitar o meu trabalho, Sakharovsky me autorizou a informar (falsamente) o Vaticano que a Romênia estava pronta para restabelecer as relações cortadas com a Santa Sé, em troca ao acesso aos seus arquivos e um empréstimo sem juros de um bilhão de dólares por 25 anos. (As relações da Romênia com o Vaticano haviam sido cortadas em 1951, quando Moscou acusou a nunciatura do Vaticano na Romênia de ser um front da CIA disfarçado e fechou os seus escritórios. Os edifícios da nunciatura em Bucareste haviam sido revertidos ao DIE e hoje abrigam uma escola de idioma estrangeiro.) O acesso aos arquivos papais, eu havia dito ao Vaticano, era necessário para encontrar raízes históricas que ajudariam o governo romeno a justificar publicamente a sua mudança de atitude em relação à Santa Sé. O bilhão de dólares (não, isto não é erro de digitação), me disseram, havia sido introduzido no jogo para tornar a alegada mudança de opinião romena mais plausível. “Se há uma coisa que estes monges entendem é dinheiro” disse Sakharovsky.

O meu anterior envolvimento na troca do bispo Pacha pelos dois oficiais do DIE realmente abriram as portas para mim. Um mês após ter recebido as instruções da KGB, fiz meu primeiro contato com um representante do Vaticano. Por razões de segredo, o encontro – e a maioria das reuniões seguintes – ocorreu em um hotel em Genebra, Suíça. Fui apresentado a um “membro influente do corpo diplomático” que, me disseram, havia começado a carreira trabalhando nos arquivos do Vaticano. O seu nome era Agostino Casaroli, e eu logo perceberia a sua grande influência. Imediatamente, este monsenhor deu-me acesso aos arquivos do Vaticano, e logo três jovens oficiais do DIE disfarçados de sacerdotes romenos estavam mergulhados nos arquivos papais. Casaroli também concordou “em princípio” com o pedido de Bucareste pelo empréstimo sem juros, mas disse que o Vaticano desejava impor certas condições. (Até 1978, quando deixei a Romênia para sempre, eu ainda estava negociando o empréstimo, diminuído então para 200 milhões de dólares.)

Durante os anos 1960-62, o DIE conseguiu furtar dos Arquivos do Vaticano e da Biblioteca Apostólica centenas de documentos ligados, de alguma forma, ao Papa Pio XII. Tudo era imediatamente enviado para a KGB por um correio especial. Na realidade, nenhum material incriminador contra o Pontífice emergiu de todos aqueles documentos secretamente fotografados. A maior parte eram cópias de cartas pessoais e transcrições de reuniões e discursos, tudo formatado na rotineira linguagem diplomática esperada. A KGB, entretanto, continuava pedindo mais documentos. E nós enviávamos mais.

A KGB PRODUZ UMA PEÇA

Em 1963, o general Ivan Agayants, o famoso chefe do departamento de desinformação da KGB, foi a Bucareste para nos agradecer pela ajuda. Disse-nos que o “Seat-12” havia se materializado em uma poderosa peça de ataque contra o Papa Pio XII, intitulada The Deputy (O Representante), uma referência indireta ao Papa como representante de Cristo na terra. Agayants levou o crédito pelo formato da peça, e nos disse que ela tinha extensos apêndices de documentos para lhe dar sustentação, anexados pelos seus especialistas com a ajuda de documentos furtados por nós do Vaticano. Agayants também nos disse que o produtor da The Deputy, Erwin Piscator, era um comunista devoto com um relacionamento de longa data com Moscou. Em 1929, ele havia fundado o Teatro do Proletariado em Berlim, e em seguida procurado asilo político na União Soviética quando Hitler chegou ao poder, e, poucos anos depois, “emigrou” para os EUA. Em 1962, Piscator voltou a Berlim Ocidental para produzir The Deputy.

Em todos os meus anos na Romênia, sempre lidei com os meus chefes da KGB com um certo cuidado pois eles costumavam manejar os acontecimentos de forma a fazer a inteligência soviética a mãe e o pai de tudo. Mas eu tinha razões para acreditar na declaração auto-elogiosa de Agayants. Ele era uma lenda viva no campo da desinformação. Em 1943, morando no Irã, Agayants lançara o relatório de desinformação segundo o qual Hitler havia montado uma equipe especial para sequestrar o presidente Franklin Roosevelt da embaixada americana em Teerã durante a Conferência de Cúpula Aliada a ser realizada lá. Por isso, Roosevelt concordou em montar o seu quartel-general em uma vila sob a “segurança” do complexo da Embaixada Soviética, protegida por uma grande unidade militar. Todo o pessoal soviético designado para aquela vila era composto por oficiais de inteligência disfarçados, com domínio do idioma inglês, mas, com poucas exceções, eles mantinham isto em segredo para poderem escutar as conversas. Mesmo com as capacidades técnicas limitadas da época, Agayants conseguiu proporcionar a Stalin, de hora em hora, relatórios de acompanhamento sobre os hóspedes americanos e britânicos. Isto ajudou Stalin a obter o acordo tácito de Roosevelt para deixá-lo manter sob domínio os países bálticos e os demais territórios ocupados pela União Soviética em 1939-40. Agayants também levou o crédito por ter induzido Roosevelt a usar o familiar tratamento “Tio Joe” para Stalin naquele encontro. De acordo com o relato de Sakharovsky para nós, Stalin estava mais orgulhoso disso até mesmo do que dos territórios ganhos. “O aleijado é meu!” teria exultado.

Exatamente um ano antes do lançamento da peça The Deputy, Agayants realizou outra ação bem sucedida. Inventou um manuscrito concebido para convencer o Ocidente de que, no fundo, o Kremlin pensava bem dos Judeus; isto foi publicado na Europa Ocidental, com muito sucesso entre o público, na forma de um livro intitulado Notes for a Journal. O manuscrito foi abribuído a Maxim Litvinov, nascido Meir Walach, o aposentado comissário soviético para relações exteriores, demitido em 1939 quando Stalin purgou o seu aparato diplomático de judeus em preparação para a assinatura do pacto de “não-agressão” com Hitler. (O Pacto de Nâo-Agressão Stalin-Hitler foi assinado em 23 de agosto de 1939 em Moscou. Continha um Protocolo secreto dividindo a Polônia entre os dois signatários e dava aos soviéticos autoridade sobre Estônia, Letônia, Finlândia, Bessarábia e Bucovina do Norte.) Este livro de Agayants estava tão perfeitamente falsificado que o mais proeminente estudioso da Rússia Soviética, o historiador Edward Hallet Carr, ficou totalmente convencido da sua autenticidade e até escreveu uma introdução para ele. (Carr havia escrito uma História da Rússia Soviética, em 10 volumes.)

A peça The Deputy foi lançada em 1963 como um trabalho de um desconhecido alemão oriental chamado Rolf Hochhuth, sob o título Der Stellvertreter. Ein christliches Trauerspiel (The Deputy, a Christian Tragedy). A tese central era que Pio XII havia apoiado Hitler e o encorajara a ir adiante com o Holocausto Judeu. O livro acendeu imediatamente uma gigantesca controvérsia acerca de Pio XII, descrito como um homem frio e sem coração, mais preocupado com as propriedades do Vaticano do que com o destino das vítimas de Hitler. O texto original apresentava uma peça de oito horas, apoiada por cerca de 40 a 80 páginas (dependendo da edição) do que Hochhuth chamou “documentação histórica”. Em um artigo de jornal publicado na Alemanha em 1963, Hochhuth defende a sua representação de Pio XII dizendo: “Os fatos estão aí – quarenta páginas repletas de documentos no apêndice da minha peça.” Em uma entrevista de rádio em Nova Iorque em 1964, quando The Deputy foi lançada lá, Hochhuth disse “Eu considerei necessário adicionar à peça um apêndice histórico, cinquenta a oitenta páginas (dependendo do tamanho da impressão)”. Na edição original, o apêndice é intitulado “Historische Streiflichter” (fragmentos históricos). The Deputy foi traduzida para cerca de 20 idiomais, drasticamente cortada e normalmente sem o apêndice.

Antes de escrever The Deputy, Hochhuth, que não tinha diploma secundário (Abitur), estava trabalhando em diversos trabalhos desimportantes para o grupo editorial Bertelsmann. Em entrevista, declarou que em 1959 obtivera uma licença de ausência de trabalho e ido para Roma, onde passara três meses conversando e em seguida escrevento o primeiro rascunho da peça, e onde havia proposto uma “série de questões” a um bispo cujo nome recusou a revelar. Pouco provável! Quase na mesma época, eu costumava visitar o Vaticano regularmente como representante credenciado de um chefe de estado, e nunca encontrei nenhum bispo tagarela para conversar no corredor comigo – e não foi por falta de tentativa. Os oficiais ilegais do DIE infiltrados por nós no Vaticano também encontraram quase as mesmas dificuldades insuperáveis para penetrar nos arquivos secretos do Vaticano, mesmo com o inexpugnável disfarce de sacerdote.

Nos meus velhos tempos do DIE, quando podia pedir ao meu chefe pessoal, general Nicolae Ceausescu (o irmão do ditador) para me dar um relatório detalhado do arquivo de algum subordinado, ele sempre perguntava “Para promoção ou demoção?” Durante os seus primeiros dez anos de vida, The Deputy tendeu na direção da demoção do Papa. Gerou uma enxurrada de livros e artigos, alguns acusando outros defendendo o pontífice. Alguns chegaram até a jogar a culpa pelas atrocidades em Auschwitz nas costas do Papa, outros meticulosamente reduziram os argumentos de Hochhuth a pó, mas todos contribuíram para a enorme atenção recebida na época por esta peça trapaceira. Hoje, muitas pessoais que jamais ouviram falar na The Deputy estão sinceramente convencidas que Pio XII foi um homem frio e malvado que odiava os judeus e ajudou Hitler a eliminá-los. Como Yury Andropov, o chefe da KGB e o inigualável mestre da enganação soviética, costumava me dizer, as pessoas são mais aptas a acreditar em sujidade do que em santidade.

CALÚNIAS ENFRAQUECIDAS

Em meados da década de 1970, The Deputy começou a perder força. Em 1974, Andropov admitiu para nós que, soubéssemos na época o que sabemos hoje, jamais teríamos ido atrás do Papa Pio XII. Referia-se a informações recentemente liberadas mostrando que Hitler, longe de ser amigo de Pio XII, na verdade tramou contra ele.

Poucos dias antes da admissão de Andropov, o antigo comandante supremo do esquadrão da SS alemã (Schutztaffel) na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, general Friedrich Otto Wolff, havia sido solto da cadeia e confessado que em 1943 Hitler havia ordenado a ele raptar o Papa Pio XII do Vaticano. Aquela ordem havia sido tão confidencial que jamais foi trazida à tona após a guerra em nenhum arquivo nazista. Nem surgiu em nenhuma das inúmeras prestações de contas de oficiais da Gestapo e SS conduzidas pelos Aliados vitoriosos. Segundo a sua confissão, Wolff teria replicado a Hitler que a ordem levaria seis semanas para ser cumprida. Hitler, que culpava o Papa pela derrota do ditador italiano Benito Mussolini, queria a ordem cumprida imediatamente. Por fim, Wolff persuadiu Hitler que haveria uma forte reação negativa se o plano fôsse implementado, e o Führer o abandonou.

Também em 1974, o cardeal Mindszenty publicou o seu livro Memoirs, no qual descreve em dolorosos detalhes como foi falsamente incriminado na Hungria comunista. Com provas baseadas em documentos fabricados, ele foi acusado de “traição, mal uso de moeda estrangeira e conspiração”, ofensas “todas passíveis pena de morte ou prisão perpétua”. Ele também desceve como a sua falsa “confissão” ganhou então vida própria. “Qualquer um, parecia para mim, podia ter reconhecido imediatamente este documento como uma falsificação grosseira, pois era o produto de um trabalho malfeito e de uma mente inculta”, escreveu o cardeal. “Mas quando depois eu li os livros, jornais e revistas estrangeiros que lidaram com o meu caso e comentaram a minha “confissão”, percebi que o público deve ter concluído que a “confissão” havia sido realmente feita por mim, apesar de em estado semiconsciente e sob a influência de lavagem cerebral… e a polícia ter publicado um documento fabricado por ela mesma parecia muito descarado para se acreditar”. Além do mais, Hanna Sulner, a especialista em caligrafia húngara usada incriminar o cardeal, que havia escapado para Viena, confirmou ter forjado a “confissão” de Mindszenty.

Alguns anos depois, o Papa João Paulo II iniciou o processo de beatificação de Pio XII, e testemunhas do mundo inteiro provaram, de modo constrangedor para os adversários, que Pio XII era um inimigo, não um amigo, de Hitler. Israel Zoller, o rabi-chefe de Roma entre 1943-44, quando Hitler tomou a cidade, devotou um capítulo inteiro das suas memórias louvando a liderança de Pio XII. “O Santo Padre enviou uma carta para ser entregue em mãos aos bispos instruindo-os para levantar o claustro de conventos e monastérios, para poderem se tornar refúgio para os judeus. Sei de um convento onde as Irmãs dormiram no porão, emprestando as suas camas para os refugiados judeus”. Em 25 de julho de 1944, Zoller foi recebido pelo Papa Pio XII. Notas tomadas pelo secretário de estado do Vaticano, Giovanni Battista Montini (que se tornaria o Papa Paulo VI) mostram a gratidão do rabi Zoller ao Santo Padre por toda a sua ajuda para salvar a comunidade judaica em Roma – e os seus agradecimentos foram transmitidos pelo rádio. Em 13 de fevereiro de 1945, o rabi Zoller foi batizado pelo bispo auxiliar de Roma, Luigi Traglia, na igreja de Santa Maria degli Angeli. Em agradecimento a Pio XII, Zoller tomou o nome cristão de Eugênio (o nome do Papa). Um ano depois, a esposa e a filha de Zoller também foram batizadas.

David G. Dalin, em The Myth of Hitler´s Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews From the Nazis, publicado poucos meses atrás, compilou provas indiscutíveis da amizade de Eugenio Pacelli pelo judeus iniciada bem antes dele ser papa. No começo da Segunda Guerra Mundial, a primeira encíclica do Papa Pio XII foi tão anti-Hitler que a Real Força Aérea e a força aérea francesa lançaram 88 mil cópias dela sobre a Alemanha.

Ao longo dos 16 últimos anos, a liberdade de religião foi restaurada na Rússia e uma nova geração vem lutando para desenvolver uma nova identidade nacional. Só podemos esperar que o presidente Vladimir Putin decida abrir os arquivos da KGB e os coloque sobre a mesa, para todos verem como os comunistas caluniaram um dos mais importantes Papas do último século.

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Imobilismo

Em Lc 16, 25 há uma frase enigmática.

“Filho, lembra-te que tu recebeste teus bens durante a vida (…)”

É a frase de Abraão dirigida a um homem rico que foi parar no inferno. Deus havia dado a ele o pagamento durante a vida porque não poderia dar-lhe a recompensa eterna.

É irmã de uma outra, de Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 6, 24-6):

“Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.

“Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome.

“Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.

“Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.”

Então as coisas boas são, necessariamente, uma danação?

Não, evidentemente. O que Deus condena não são as coisas boas em si, pois Ele não é sádico nem quer filhos masoquistas. Deus condena as pessoas acomodadas, enroscadas na sua segurança burguesa (Saint Exupéry – Terra dos Homens), pois ferem o núcleo do ensinamento cristão: a caridade.

A caridade não se acomoda porque percebe, constantemente, a presença do irmão necessitado – seja de pão, seja de atenção. No dizer de Bernanos, o homem precisa mais de vinho do que de pão (Memórias de Um Pároco de Aldeia); precisa mais de um sonho do que da dura realidade; precisa mais da amizade do que da fria previdência.

Não é outro o motivo pelo qual a nossa sociedade está desta forma. A falta de caridade é responsável pelo imobilismo que contagia os brasileiros – nem todos, só 99,99%.

Por isso, não adianta reclamar da insegurança e da corrupção e ficar de braços cruzados. Saia do imobilismo e faça alguma coisa. Nâo pense em reformar o mundo nem em salvar a pátria brasileira. Veja o que pode fazer em escala pequena, na sua família, na sua vizinhança, no seu trabalho.

Se conseguir fazer algo, já terá feito bastante.

– Servo bom e fiel, porque fôste fiel no pouco, Eu serei fiel no muito… Mt 25, 23

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São Vicente de Paulo

Hoje é dia de São Vicente de Paulo. Nasceu na França, em 1581. Foi ordenado sacerdote aos 19 anos – segundo São Francisco de Sales, “o padre mais santo do século”. Numa viagem foi preso por piratas turcos e, com grande humildade, viveu na escravidão durante dois anos. Teve forte participação na Reforma Católica francesa, lutou contra o jansenismo, fundou a “Congregação da Missão” (lazaristas) e, unido a Santa Luísa de Marillac, as “Filhas da Caridade” (irmãs vicentinas).

Morreu quase octogenário, a 27 de setembro de 1660.

Por sua vida de caridade e dedicação aos necessitados, é patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica.

Sob sua inspiração, Frederico Ozanam e alguns amigos fundaram, em 1823, as Conferências Vicentinas, instituição formada por leigos cujo objetivo é amenizar o sofrimento do próximo, em especial dos nossos irmãos desfavorecidos social e economicamente, mediante a caridade cristã.

Frederico Ozanam, beatificado por João Paulo II em 1997 (na Catedral de Notre Dame!), foi importante intelectual e professor de literatura estrangeira da Universidade de Sorbonne. Para ele, o cultivo da mente só tinha razão de ser quando traduzida em ação prática motivada pela caridade, principalmente no âmbito social. É o grande precursor da participação dos leigos na Igreja.

O pensamento de Ozanam é praticamente desconhecido no Brasil. Apenas Gustavo Corção, em Dois Amores Duas Cidades, reconhece a sua importância.

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Cosme e Damião

Apesar de serem dois dos mais populares santos da devoção católica, pouco se sabe sobre São Cosme e São Damião, cuja festa se comemora hoje. Há muitas histórias, de difícil comprovação. Certamente, eram gêmeos, da Ásia Menor e eram habilidosos profissionais médicos – parece que um era médico e outro farmacêutico. Foram perseguidos por Diocleciano e martirizados no ano 300, aproximadamente. São os padroeiros dos farmacêuticos, dos médicos e das faculdades de medicina. Deixaram o exemplo do exercício da profissão como meio de propagação da fé e da caridade cristãs.

Para o cristão, o trabalho tem três vertentes.

É um serviço aos outros, pois o homem foi criado para trabalhar. Deus fez o mundo incompleto e pediu a colaboração do homem para terminá-lo. Cabe aqui um parênteses: oração e penitência também são um tipo de trabalho, sob o ponto de vista aqui descrito. Por isso, as pessoas com limitações por idade, desemprego ou doença também podem, e devem, contribuir.

O trabalho é a construção da plenitude da vocação, entendida como missão, pois nos completa, nos dá a oportunidade de criar e nos torna felizes pelos desafios vencidos.

O trabalho é meio de subsistência. Como disse São Paulo, quem não quiser trabalhar, não coma!

Junto com o trabalho, anda o seu maior ajudante, o descanso – a renovação das forças para voltar à carga com mais energia (São Tomás de Aquino).

Nada mais oposto ao cristianismo do que a visão do trabalho como castigo ou desgraça. Ganhar na loteria para não fazer nada o resto da vida e o sonho dourado da aposentadoria para ficar coçando a barriga são uma ofensa, um escárnio ao ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo:

– O meu Pai trabalha sempre e eu também trabalho.

A Cruzada Religiosa do Kremlin

“Até muito recentemente, eu acreditava que a Teologia da Libertação era apenas mais um entre tantos outros tolos projetos saídos da cabeça de Khrushchev, e que iria pelo ralo da história junto com ele. Novas revelações dos arquivos da KGB, entretanto, sugerem que a Teologia da Libertação pode ter alcançado um sucesso superior aos mais ousados sonhos de Khrushchev.”

O texto abaixo é a tradução do artigo The Kremlin Religious Crusade, do general romeno Ion Mihai Pacepa, publicado no Front Page Magazine em 30 de junho de 2009.

Ion Mihai Pacepa é oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. O seu livro Red Horizons, traduzido para 27 idiomas, foi grandemente responsável pela queda de Ceausescu, ditador comunista da Romênia. A obra era tida pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”. O seu mais recente livro, Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado em junho de 2013.

Pacepa vive nos EUA, sob identidade secreta.

A Cruzada Religiosa do Kremlin

Se você acha que a Rússia virou nossa amiga, é melhor reconsiderar. Não vamos gastar todo o nosso dinheiro em bem-estar e aquecimento global. Ainda precisamos nos defender contra os sonhos imperialistas do Kremlin, como mostrou a recente “eleição” do novo patriarca russo.

Há muito tempo o Kremlin usa a religião para manipular o povo. Os czares empregaram a igreja para conseguir a obediência doméstica. Os ditadores soviéticos mantiveram a população apaziguada usando a KGB, mas sonhavam com a revolução mundial. Após o front interno ter sido acalmado, encarregaram a KGB de trabalhar na igreja para ajudar o Kremlin a expandir a sua influência na América Latina e daí para outras regiões – desde Pedro, O Grande, os czares russos têm sido obcecados por encontrar um jeito de penetrar no Novo Mundo.

Uma tarefa importante da KGB durante os 27 anos nos quais pertenci a ela era criar um exército secreto de inteligência composto por  servos religiosos e usá-lo para promover os interesses do Kremlin mundo afora. Milhares destes funcionários que não concordaram em colaborar foram mortos ou enviados a gulags. Os submissos foram usados. Como os sacerdotes não podiam se tornar oficiais da KGB, assumiram a posição de oficial colaborador ou oficial disfarçado. Um colaborador recebia gratificações da KGB (promoções, viagens ao exterior, cigarros importados, bebidas estrangeiras etc.). Um oficial disfarçado recebia as mesmas gratificações, mais um salário suplementar secreto de acordo com sua classificação, real ou imaginária, na KGB. Para manter o segredo, todos os sacerdotes colaboradores ou disfarçados só eram conhecidos dentro da KGB pelos seus codinomes.

Segundo revelações recentes, a KGB continua empenhada na mesma cruzada religiosa de antes, apesar de, nesse meio tempo, ter discretamente mudado o seu nome para FSB [1] para propagar a idéia de que a criminosa polícia política soviética, responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas, tinha sido dispersada pelos ventos da mudança.

Em 5 de dezembro de 2008, o patriarca russo Aleksi II morreu. A KGB o havia usado sob o codinome “DROZDOV” e o havia premiado com o seu Certificado de Honra, como mostra um arquivo da KGB acidentalmente deixado para trás na Estônia. [2] Pela primeira vez na história, a Rússia poderia eleger democraticamente um novo patriarca.

Em 27 de janeiro de 2009, o Sínodo dos 700 delegados reunidos em Moscou recebeu uma lista com três candidatos para apreciação. Todos, entretanto, pertenciam ao exército secreto da KGB: o Metropolitano Kirill de Smolensk trabalhou para a KGB sob o codinome “MIKHAYLOV”; o Metropolitano Filaret de Minsk acabou de ser identificado como tendo trabalhado para a KGB sob o codinome “OSTROVSKY”; o Metropolitano Kliment de Kaluga, descobriu-se recentemente, foi registrado sob o codinome “TOPAZ”. [3]

Quando os sinos da Catedral de Cristo Salvador em Moscou anunciaram a eleição de um novo patriarca, o Metropolitano Kirill, conhecido como “MIKHAYLOV”, surgiu como vencedor. Presumivelmente, a KGB/FSB o considerou o candidato melhor posicionado para executar as suas tarefas no exterior, para onde ele direcionou os seus esforços durante a maior parte da sua vida profissional. Em 1971, a KGB o enviou para Genebra como representante da Igreja Ortodoxa Russa no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a maior organização ecumênica internacional depois do Vaticano, representando cerca de 550 milhões de cristãos de diversas denominações em 120 países. A sua tarefa era usar o cargo no CMI para espalhar a doutrina da Teologia da Libertação – um movimento religioso marxista nascido na KGB – por toda a América Latina. A KGB, em 1975, havia infiltrado “MIKHAYLOV” no comitê central do CMI e em 1989 também o havia indicado presidente das relações exteriores do patriarcado russo – posições mantidas quando “eleito” patriarca. Realmente, no seu discurso de posse, “MIKHAYLOV” anuncou a fundação de canais de tv religiosos na Rússia que pudessem ser assistidos no exterior.

O fato de “MIKHAYLOV” incidentemente ser um bilionário talvez tenha feito dele a pessoa ideal para o cargo pois a Rússia hoje é governada por uma cleptocracia da KGB – meu antigo colega da KGB, Vladimir Putin, sócio em reservas de gás da Rússia, se tornou um dos homens mais ricos da Europa. Por seu turno, “MIKHAYLOV” entrou no ramo de tabaco com isenção de tributos, cuja licença foi dada pelo governo de Putin – governo composto majoritariamente por oficiais aposentados da KGB. [4]

O meu primeiro contato com os esforços da KGB de usar a religião para expandir mundialmente a influência do Kremlin ocorreu em 1959. “A religião é o ópio do povo” [5] ouvi Nikita Khrushchev dizer, citando a famosa frase de Marx “então vamos dar ópio ao povo”. O líder soviético foi para Bucareste com o seu chefe de espionagem, general Sakharovsky, meu chefe de facto na época; foi este general quem criou em 1949 a Securitate, o equivalente romeno da KGB, e se tornou o seu primeiro conselheiro soviético. Khrushchev queria discutir um plano para tomar a parte ocidental de Berlin, então convertida na saída de emergência pela qual mais de três milhões de europeus orientais haviam debandado para o Ocidente.

Na época, eu atuava na Alemanha Oriental como chefe da Missão Romena e chefe da filial de inteligência romena, e, como “especialista em Alemanha”, participei da maior parte das discussões. “Nós vamos tomar Berlin”, Khrushchev nos garantiu. A sua “arma secreta” era Cuba. “Quando os ianques perceberem que estamos em Cuba, esquecerão Berlin Ocidental e nós a tomaremos também. Em seguida, usaremos Cuba como plataforma para lançar uma religião inventada pela KGB na América Latina”, região retratada por Khrushchev como uma cidadela já sitiada, prestes a se render ao Kremlin. Complicado? Sim, mas era assim que funcionava a mente dos tiranos comunistas.

Khrushchev chamou a nova religião inventada pela KGB de Teologia da Libertação. A sua inclinação por “libertação” havia sido herdada da KGB, que mais tarde criou a Organização para a Libertação da Palestina, o Exército Nacional de Libertação da Colômbia (ENL) e o Exército Nacional de Libertação da Bolívia. A Romênia era um país latino, e Khrushchev queria o nosso “parecer latino” sobre a sua nova guerra religiosa de “libertação”. Pediu também o envio de alguns dos nossos padres oficiais colaboradores ou disfarçados para a América Latina para ver como “nós” poderíamos tornar a sua nova Teologia da Libertação palatável naquela parte do mundo. Khrushchev contou com os nossos melhores esforços.

O lançamento de uma nova religião era um evento histórico, e a KGB se preparou totalmente para isso. Naquele momento, a KGB estava construindo uma nova organização religiosa internacional em Praga chamada Christian Peace Conference (CPC), cuja missão seria espalhar a Teologia da Libertação pela América Latina. Diferentemente da Europa, a América Latina daquela época ainda não havia sido contaminada pelo vírus marxista. A maior parte da população latino-americana era pobre, camponeses devotos que haviam aceitado o seu status quo. A KGB queria infiltrar o marxismo nesses países com a ajuda da Christian Peace Conference, concebida para, silenciosamente, incitar os camponeses a lutar contra a “pobreza institucionalizada”.

Nós, romenos, contribuímos com a formação da CPC fornecendo-lhes um pequeno exército de oficiais colaboradores e disfarçados. Para manter o segredo de toda a operação, também ordenamos que todas as nossas organizações religiosas envolvidas em negócios externos fôssem transformadas em entidades secretas de inteligência.

A nova CPC era subordinada ao venerável Conselho Mundial de Igrejas (CMI), outra criação da KGB, fundado em 1949 e cujo quartel-general também também estava, na época, em Praga. Como jovem oficial de inteligência, eu trabalhei para o CMI, e mais tarde coordenei as suas operações na Romênia. Ele era tão KGB como ainda é. Em 1989, quando a União Soviética estava à beira do colapso, o CMI admitiu publicamente que 90% do seu dinheiro vinha da KGB. [6]

O WPC publicava um periódico em francês, o Courier de la Paix, impresso em Moscou. A Christian Peace Conference publicava um periódico em inglês, o CPC INFORMATION, editado pela KGB, que apresentava o CPC ao mundo como uma organização ecumênica global preocupada com os problemas de paz. A missão oculta da CPC era, entretanto, incitar o ódio contra o capitalismo e contra a sociedade de consumo por toda a América Latina, e espalhar a Teologia da Libertação na região.

Até muito recentemente, eu acreditava que a Teologia da Libertação era apenas mais um entre tantos outros tolos projetos saídos da cabeça de Khrushchev, e que iria pelo ralo da história junto com ele. Novas revelações dos arquivos da KGB, entretanto, sugerem que a Teologia da Libertação pode ter alcançado um sucesso superior aos mais ousados sonhos de Khrushchev.

Em 1968, a CPC, criada pela KGB, conseguiu colocar um grupo de bispos sul-africanos esquerdistas no comando da Conferência de Bispos Latino-Americanos em Medelin, Colômbia. A tarefa oficial da Conferência era amenizar a pobreza. O seu verdadeiro e não declarado objetivo era reconhecer novos movimentos religiosos que encorajassem os pobres a se revoltar contra a “violência institucionalizada da pobreza” e recomendar a aprovação oficial deste objetivo ao Conselho Mundial de Igrejas. A Conferência de Medelin fez as duas coisas. Também engoliu o nome “Teologia da Libertação” nascido na KGB.

A Teologia de Libertação foi então formalmente introduzida no mundo pelo Conselho Mundial de Igrejas. Descobertas recentes mostram que um exército inteiro de oficiais colaboradores e disfarçados da KGB foram enviados de Moscou para ajudar. [7] Seguem abaixo alguns excertos dos documentos originais da KGB conhecidos como Arquivo Mitrokhin (descrito pelo FBI como o mais completo e extenso arquivo de inteligência jamais recebido de qualquer fonte), e documentos do Politburo liberados pelo Padre Gleb Yakumin, vice-presidente da comissão parlamentar russa responsável por investigar a manipulação da igreja pela KGB.

Agosto de 1969: os agentes “Svyatoslav”, “Adamant”, “Altar”, “Magister”, “Roschin” e “Zemnogorskiy” foram enviados pela KGB à Inglaterra para participar dos trabalhos do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas. A agência [KGB] conseguiu frustrar atividades hostis [contra a Teologia da Libertação] e o agente “Kuznetsov” conseguiu penetrar na diretoria do CMI.

“ADAMANT”, líder deste grupo de ataque da KGB, era o Metropolitano Nikodim. “KUZNETSOV” era Aleksey Buyevsky, secretário leigo do departamento de relações exteriores do patriarcado chefiado por Nikodim.

Fevereiro de 1972: os agentes “Svyatoslav” e “Mikhailov” foram à Nova Zelândia e Austrália para participar de sessões do Comitê Central do CMI.

Como antes dito, ‘MIKHAYLOV” é Kirill, hoje o novo Patriarca da Rússia.

Julho de 1983: 47 agentes de órgãos da KGB, incluindo autoridades religiosas, clérigos e técnicos da delegação da União Soviética, foram enviados a Vancouver (Canadá) para a 6a Assembléia Geral do CMI.

Agosto de 1989: o Comitê Central do WCC organizou uma sessão especial da perestroika… Hoje, a agenda do CMI é também a nossa agenda. [8]

O Arquivo Mitrokhin, contendo cerca de 25 mil páginas de documentos altamente confidenciais da KGB, representa uma parte infinitesimal de todo o arquivo, estimado em 27 bilhões de páginas (a Stasi da Alemanha Oriental tinha 3 bilhões). Se algum dia este arquivo for realmente aberto sem ser higienizado, contará toda a verdadeira e arrepiante história.

Em 1984, o Papa João Paulo II encarregou a Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada pelo cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, de preparar uma análise sobre a Teologia da Libertação. O devastador estudo expôs a Teologia da Libertação como uma combinação de “luta de classes” e “violento marxismo”, desferindo-lhe um sério golpe.

A Teologia da Libertação criada pela KGB está, entretanto, lançando raízes na Venezuela, Bolívia, Honduras e Nicarágua, países cujos camponeses apoiam as tentativas dos ditadores marxistas Hugo Chavez, Evo Morales, Manuel Zelaya (no momento exilado na Costa Rica) e Daniel Ortega de transformar os seus países em ditaduras policiais estilo KGB. Poucos meses atrás, Venezuela e Bolívia expulsaram os embaixadores americanos na mesma semana, e pediram proteção militar para a Rússia. Navios de guerra e bombardeiros russos estão de volta a Cuba – e agora na Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis. O Brasil, a décima economia do mundo, parece estar seguindo a mesma trilha sob o comando do seu presidente marxista, Lula da Silva, criador, em 1980, do Partido dos Trabalhadores, um clone do comunista Partido Trabalhista da Romênia. Com a recente incorporação da Argentina – cuja presidente atual, Christina Fernandez de Kirchner, está também movendo o país na direção do rebanho marxista –  o mapa da América Latina parece majoritariamente vermelho.

Quando a Teologia da Libertação foi lançada no mundo, a KGB era um estado dentro do estado. Hoje, a KGB é o estado. Mais de seis mil dos seus antigos oficiais são membros dos governos russos federal e local, e 70% dos políticos russos se relacionam, de um jeito ou de outro, com a KGB. [10]

Logo após ter mudado o seu quartel-general para o Kremlin, a “nova” KGB/FSB decidiu enviar armas nucleares para a teocracia anti-americana que governa o Irã. Ao mesmo tempo, centenas de técnicos russos começaram a ajudar os mullahs iranianos a desenvolver mísseis de longo alcance capazes de transportar ogivas nucleares ou ogivas contendo armas bactereológicas até qualquer ponto do Oriente Médio ou da Europa. [11]

A velha manipulação da religião pela KGB hoje se tornou uma letal política externa russa.

[1] Federalnaya Sluzhba Bezopasnost, the Federal Security Service of the Russian Federation.
[2] Seamus Martin, “Russian Patriarch was KGB agent, Files Say,” The Irish Times, September 23, 2000 as published on http://www.orthodox.net/russia/2000-09-23-irish-times.html.
[3] “Russian Orthodox Church chooses between ‘ex-KGB candidates’ as patriarch,” Times Online, January 26, 2009. Christopher Andrew and Vasily Mitrokhin, The Mitrokhin Archive and the secret history of the KGB, (New York, Basic Books, 1999).
[4] Patriarch Kirril (Gunialev), http://www.russia-ic.com/people/general/328/
[5] Karl Marx, Contribution to Critique of Hegel’s Philosophy of Right, 1843, which was subsequently released a year later in Marx’s own journal Deutsch-Französische Jahrbücher, a collaboration with Arnold Ruge.
[6] Herbert Romerstein, Soviet Active Measures and Propaganda, Mackenzie Institute Paper no. 17 (Toronto, 1989), pp. 14-15, 25-26. WPC Peace Courier, 1989, no. 4, as cited in Andrew and Gordievsky, KGB, p. 629.
[7] “Manipulation of the Russian Orthodox Church & the World Council of Churches,” as punlished on http://intellit.muskingum.edu/russia_folder/pcw_era/sect_16e.htm.
[8] New Times (undercover magazine of the KGB published in English for Western consumption), July 25-31, 1989 issue.
[9] “Liberation Theology by Joseph Cardinal Ratzinger,” Ratzinger Home Page, as published on http://www.christengom-awake.org/pages/ratzinger/liberationtheol.htm.
[10] According to Gary Kasparov, “KGB State,” half of the Russian governmental positions are held by former KGB officers. The Wall Street Journal, September 18, 2003, found at http://online.wsj.com/article_print/0,,SB10638498253262300,00.html.
[11] William Safire, “Testing Putin on Iran, The New York Times, May 23, 2002, internet edition.

Coincidência

Eis a história do nome de Mercedes, a florista.

Antes dela nascer, o seu irmãozinho ficou hospitalizado durante vários anos. No hospital, fez amizade com uma enfermeira chamada Mercedes. E pediu à mãe que, se um dia tivesse uma irmã, desse este nome a ela.

E assim foi, tempos atrás.

Só recentemente a florista Mercedes descobriu que o dia do seu nascimento, 24 de setembro, é consagrado a Nuestra Señora de Las Mercedes, ou Nossa Senhora das Mercês.

Coincidência?

Ou Providência?

Não sei; só sei que esta mulher, que deve o nome à Rosa Mística, hoje vende rosas. Que coincidência!

E para quantas pessoas ela contou esta história? O que a levou a contá-la justamente a mim, autor de um blog dedicado a Maria?

Coincidência?

Aborto e Manipulação Psicológica

O aborto é o assassinato de um ser inocente e indefeso. A quem pode interessar tamanha barbaridade?

A três grupos: 1) aos socialistas desejosos de trocar Deus pelo Estado; 2) aos grupos industriais que utilizam os fetos em seus produtos e 3) aos malucos da Nova Ordem Mundial que acham a população mundial excessiva.

Para atingirem o seu objetivo, não medem esforços na mídia, no legislativo, no financiamento de ONGs internacionais concebidas para este fim. A sua principal arma, entretanto, não é o dinheiro, mas a psicologia.

Trata-se de uma técnica psicológica antiga e clássica. Consiste em fazer o oponente aceitar o debate de um assunto inaceitável; se o oponente concordar em discutir o tema, já terá perdido a batalha.

Por exemplo: se alguém quiser discutir com você – com o perdão da palavra – a honestidade da senhora sua mãe, você aceita?

É lógico que não, pois entrará no debate já derrotado, por ter aceito um tema inaceitável.

No caso, o tema proposto é nada mais nada menos do que o assassinato de um ser inocente e indefeso, pois a vida começa na fecundação (“Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele.” – Prof. Jerôme Lejeune).

Portanto, cara leitora, caro leitor, não se deixe manipular, não caia nesta armadilha, não deixe de lutar contra esta praga que ameaça destruir o Ocidente. Trata-se de um valor fundamental cuja subtração causará o desmoronamento de todo o edifício civilizacional. Lute pela civilização fundada por Cristo.

Faça como Cristo que, ante a debandada dos discípulos quando do anúncio da doutrina da Sagrada Eucaristia disse aos que ficaram: “vocês também querem ir embora? Podem ir, eu luto sozinho se for o caso”.

Nota – O sex lib, inventado pelos socialistas, tem o aborto como consequência natural e lógica.

“Eu faço viver”

A entrevista do Papa Francisco jogou gasolina na fogueira do tema aborto.

Para mim, a questão é bem simples: a vida começa na fecundação. Trata-se de um dado básico de biologia. “Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não poderia tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele.” (Prof. Jerôme Lejeune)

O resto, é papo furado.

Questão de saúde pública, direito da mulher ao corpo, má formação, aborto para pobre porque pobre nasce bandido, gravidez indesejada, estupro, falta de dinheiro, sobra de dinheiro, nada disto justifica tirar a vida de um ser humano inocente e indefeso. Aliás, quem mais inocente e indefeso?

Deus é o senhor da vida (Eu faço morrer e Eu faço viver – Dt32, 39), e para haver vida é preciso uma mulher, um homem e a vontade de Deus. Sem esta terceira condição, não há vida. Portanto, esta vida dada por Deus – inocente e indefesa – não pode ser tirada.

Sob que acusação foi decretada a sentença de morte contra um inocente no seio da sua mãe? Qual foi o seu crime para receber tão grave pena?

Todos estes argumentos são válidos para pessoas de bem, de boa vontade, inocentemente enganados pela mídia de massa, pela indústria cultural e pelo sistema educacional. Não devem ser usados contra ativistas porque estes nada têm de inocentes. Sabem muito bem que a discussão do tema aborto é, na verdade, uma técnica de manipulação psicológica, que consiste em fazer você aceitar um tema inaceitável (no caso, o assassinato de um ser inocente).

NÃO DISCUTA COM ABORTISTA, NÃO ACEITE O DEBATE, SE ACEITAR JÁ TERÁ ENTRADO NO JOGO E JÁ TERÁ PERDIDO A LUTA.

Esta é a minha opinião e, sempre que posso, a manifesto.

Se você pensa como eu, manifeste também a sua opinião e colabore para acabar com a matança de tantos seres inocentes e indefesos, pois o que fizermos a um destes pequeninos, é a Cristo que estamos fazendo.

Fale, fale bastante, grite se for preciso. “Quem Me confessar perante os homens, Eu o confessarei perante o Meu Pai nos céus.”

Sócrates, a Sabedoria e a Esperteza

Um discípulo perguntou a Sócrates:

– Mestre, como faço para adquirir a sabedoria?

O filósofo levou o aluno para a beira do rio e pediu para ele aproximar o rosto da superfície da água e então empurrou a cabeça do jovem para dentro d´água e segurou. Finalmente liberto e quase afogado, bradou o ofegante aluno:

– Que é isto, mestre? Que lição mais esquisita…

– No dia em que você buscar a sabedoria como agora busca o ar, nesse dia, terá alcançado a sabedoria.

Alcançaremos a sabedoria – ou a santidade, é a mesma coisa – quando trocarmos a preguiça pelo dever, a indiferença pela caridade, a pasmaceira pelo querer, a inércia pelo fazer, o vício pela virtude, o mal pelo bem.

Mas, no mundo, o mal costuma vencer o bem porque nós, as pessoas de bem, somos fracos de vontade e não procuramos a santidade como procuramos o ar. Jesus Cristo explicou direitinho:

– Os filhos do mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz (Lc 16,8).

 

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