Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Los Angeles, de Nuestra Señora

Hoje é aniversário da cidade de Los Angeles, na Califórnia. Foi fundada pelos espanhóis em 1781, com o nome de El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula. Vittorio Messori, em seu livro Hipóteses Sobre Maria, conta, de forma surpreendente, a história da colonização do estado da Califórnia e de outros territórios ao norte do México.

A Espanha, no século XVII, estava empenhada num esforço missionário jamais visto. Desta empreitada, participou de forma extraordinária uma monja concepcionista, família contemplativa enclausurada da Segunda Ordem Franciscana, Sóror Maria de Jesus de Ágreda. Jamais saiu da sua pequena cidade, onde faleceu em 1665, aos sessenta e três anos de idade. Com oito anos consagrou a sua virgindade a Deus; aos doze, pediu para se tornar religiosa. Foi agraciada com fenômenos carismáticos, de êxtases a visões.

Maria de Jesus de Ágreda foi missionária, sem nunca ter saído do seu mosteiro; esteve nas remotas terras do Novo México por mais de quinhentas vezes, por meio da bilocação – fenômeno que consiste em estar prodigiosamente presente em dois lugares ao mesmo tempo, coisa frequente na tradição da santidade, mas que, nesse caso, atinge um caráter desconcertantemente sistemático.

Os fatos, reconstituídos por historiadores norte-americanos, muitos deles insuspeitos protestantes ou judeus, mostram um grande enigma.

No início do século XVII, os incansáveis missionários franciscanos dirigiram-se, da América Central, para o território dos atuais EUA – Novo México, Texas e Arizona. Logo se depararam com os belicosos índios apaches, navajos e comanches, que massacraram os primeiros frades. Uma nova expedição partiu em 1622, com vinte e seis missionários. Perto do destino, os religiosos começaram a receber estranhas visitas: os caciques xumanas, chefes de uma das etnias mais perigosas. Mas não vinham com intenções hostis, muito pelo contrário, suplicavam aos franciscanos o batismo e outros sacramentos. Aos boquiabertos frades, os xumanas relataram que tinham sido convencidos a irem ao encontro dos missionários por uma senhora vestida de azul, que aparecia de tempos em tempos e lhes falava de Deus, de Cristo e de Maria, exortando-os a aceitar a fé. Azul era a cor do hábito das concepcionistas, às quais pertencia Maria de Jesus de Ágreda. Os frades se lembraram dela porque alguns haviam escutado estranhos relatos vindos da Espanha, sobre uma irmã enclausurada, de Castela, que conhecia a América melhor do que os seus próprios habitantes.

Isto foi em 1629. Alguns dos missionários penetraram no território dos xumanas e, chegados aos confins da região da tribo, eis que vinha ao encontro deles uma multidão de homens, mulheres e crianças com grandes cruzes enfeitadas com flores, como numa procissão – assim, disseram, lhes havia ensinado a sua senhora de azul.

Este episódio foi apenas o primeiro. Não apenas no Novo México, mas no Texas, Arizona e Califórnia, os missionários encontraram “selvagens”, que nunca haviam tido contato com europeus, mas que já haviam sido catequizados pela misteriosa missionária.

Em 1631, o padre Alonso de Bonavides, chefe da expedição ao Novo México, voltou para a Espanha, onde pôde falar com a irmã Maria de Jesus. Com muita simplicidade, a religiosa confidenciou que, talvez pelo seu desejo de salvação das almas, o Senhor lhe havia dado a possibilidade de se tornar missionária sem sair do convento. Ao espantado e comovido padre Alonso, descreveu os seus confrades na missão, relembrou episódios esquecidos até mesmo por ele e confirmou que tinha catequizado não apenas os xumanas, mas também outras tribos. E por que os padres não a viam? A irmã respondeu que os índios precisavam dela, e os padres não. No fim da vida, contou que esteve na América pelo menos quinhentas vezes.

A presença da venerável Ágreda está documentada em todo o imenso território ao norte do México. Com a lembrança dela, gerações de missionários ibéricos encontraram força e coragem para desafiar os perigos da natureza e dos homens. Isto ocorreu também no século XVIII, na evangelhização da Califórnia, o estado mais rico dos EUA, na história da fundação das cidades de São Francisco, Los Angeles e San Diego. Nos momentos dramáticos, a senhora de azul era invocada como protetora daquelas missões.

O aniversário de Los Angeles, cidade mais importante do estado mais rico do país mais rico do mundo, dedicada a Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, faz lembrar a frase de uma jovenzinha judia, grávida de 2 meses, à sua igualmente desimportante prima, nos confins do império romano:

– “Eis que todas as gerações me chamarão bem-aventurada.”

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