Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Outubro Vermelho, Outubro Azul

No dia 13 de outubro de 1917, em Fátima, Maria realizou o maior milagre de todos os tempos: a dança do sol, testemunhada por 70 mil pessoas, fantástico fenômeno astronômico com cerca de dez minutos de duração. O principal objetivo das aparições da Virgem foi avisar sobre o perigo russo.

“… virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração… Se atenderem ao meu pedido, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições: os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas…”

No mesmo mês, na Rússia, os revolucionários lançavam o ataque final contra a monarquia.

Nossa Senhora construiu um outubro azul, cor do céu de Fátima, cor do seu manto.

Lênin e os seus sequazes produziram um outubro vermelho, cor de sangue, sangue que corre até hoje.

No mês de aniversário do milagre de Fátima, é oportuno recordar os ensinamentos de Jean Daujat no clássico livro Que é o Comunismo.

O Comunismo segue uma filosofia (o Marxismo) que tem uma concepção totalitária do homem e do seu destino; é um guia de vida e de ação para a humanidade; é decorrente dos (difíceis e pouco lidos) escritos de Marx, Engels e Lênin, e deve ser analisado como sistema filosófico, e não como sistema político, econômico, social, intelectual ou religioso. É o fruto acabado do pensamento moderno – ou seja, é a oposição radical ao pensamento cristão tradicional. A Encíclica “Divini Redemptoris”, do Papa Pio XI, declarou o Comunismo “intrinsecamente perverso”.

A primeira convicção fundamental do pensamento tradicional é que a afirmação humana tem um sentido; sim e não (“sim, sim; não, não” – Mt, 5, 37) são palavras com um sentido, e não podem ser trocadas uma pela outra. Há uma verdade e um erro que não se confundem. A primeira das convicções fundamentais do pensamento comum será, então, a dependência da nossa inteligência perante a verdade ou a realidade a conhecer. A segunda é que existe bem e mal, e que é necessário procurar o bem e amá-lo. Mais uma vez, da convicção fundamental do pensamento comum surge uma afirmação de dependência: a dependência da nossa vontade em relação ao bem amado e desejado. A submissão ao objeto é a lei espontânea da consciência humana que o pensamento moderno se esforça por destruir e o Marxismo tenta derrubar totalmente. O fundamento do pensamento cristão é a afirmação da dependência radical do homem perante Deus.

Esta é a idéia a que se opôs gradualmente o pensamento moderno até chegar o Marxismo com a sua negação radical.

O pensamento moderno é dominado pelo Idealismo (Descartes, Kant, Fichte e Hegel), que supõe o espírito humano a viver exclusivamente das suas lucubrações, indiferente à realidade tal qual é. Na raiz de todo o pensamento moderno há um alarde de orgulho, uma recusa à submissão ao objeto. E a negação dum objeto de que dependa conduz fatalmente à ação pura (Pragmatismo): se não há verdade a contemplar, mas apenas construções do espírito, só resta atuar. No Idealismo absoluto (Hegel) não há realidades – a Idéia é tudo. A dialética hegeliana, com suas três fases: tese (aparecimento da ideia), antítese (a contradição) e síntese (ponto de partida duma evolução nova), prega que a idéia está em constante ação revolucionária (nega, contradiz, muda, torna a História perene revolução). Não há verdade estável hoje, ontem ou amanhã; há apenas a ação, que faz a História. Hegel é o fulcro de todos os totalitarismos.

A filosofia marxista, entretanto, se opõe ao Idealismo; as idéias simples são produto da evolução das forças materiais no cérebro humano, de modo que são as forças materiais o verdadeiro agente criador da História. A idéia – que foi tudo para Hegel – nada vale para Marx se não resultar dum cérebro condicionado pelas forças materiais: é o materialismo integral (materialismo histórico e dialético, onde ainda vale tese, síntese e antítese).

Para Marx, nenhuma verdade merece um sim ou um não que dê sentido à afirmação feita: afirmar ou negar integram-se na própria contradição. Sem verdade estável, a evolução justificará amanhã a negação do que hoje ficou dito. O princípio fundamental do Marxismo é a negação de que o absoluto exista. O homem, para Marx, não é mais do que a ação material que exerce. Logo, o homem existirá tanto mais e será tanto mais homem quanto mais poderosa ação exercer. Veja-se como o Marxismo se opõe neste ponto ao Cristianismo: este considera o homem criado por Deus e dotado por Deus duma natureza estável que lhe permite ser e conservar-se homem; o Marxismo supõe o homem criado por si mesmo, gerador da própria existência e em permanente modificação. Não há forma de negar mais completamente Deus do que esta negação de toda a existência que de Deus possa advir, para reconhecer unicamente uma ação transformadora. Para Marx, conhecer nada é, atuar é tudo: não existe um bem a amar, só existe uma ação (revolucionária) a prosseguir. O Marxismo é recusa definitiva de todo o amor como de toda a verdade.

No exercício da Ação Marxista, o Estado Comunista pode aceitar o que rejeitou antes, se for conveniente. Daí advém uma série de posições contraditórias determinadas pelas exigências imperativas da ação e que surpreenderão apenas os que desconheçam a dialética e a lógica interna do Marxismo. Propriedade, pátria, família e religião são manipulados conforme convier. A essência permanece na ação revolucionária destruidora, incluindo a luta de classes. (A quem acredita que o Comunismo acabou com a queda do Muro de Berlim, é oportuno lembrar a pergunta do Padre Paulo Ricardo “Se o Comunismo acabou, por que o Papa está pregando contra?”)

O autor encerra o livro propondo uma escolha: Comunismo ou Cristianismo. Das duas, uma: “orgulhosa embriaguez da ação revolucionária a dominar o mundo ou dádiva de cada um à cidade de Deus”. Não há possibilidade de convivência entre os dois pensamentos.

Santo Agostinho diria: dois amores criaram dois outubros. O amor a si, até o desprezo de Deus, criou o outubro vermelho. O amor a Deus, até o desprezo de si, criou o outubro azul.

– Eis aqui a Escrava do Senhor…

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