Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos Mensais: novembro 2013

E eles nada perceberam

O Apanhador no Campo de Centeio é uma fotografia. Salinger captou o exato momento em que a sociedade americana se transformava, passando de uma nação cristã para uma nação pagã, tentando manter a aparência de virtude enquanto se preocupava em encher o bolso de grana. É o retrato da hipocrisia de toda uma época, pintado por um menino inconformado com a mentira e a falsidade, preocupado com o destino que a verdade e a sinceridade iam tomando numa sociedade onde cada um cuidava de si, incapaz de enxergar o outro – a necessidade que o outro tem de nós e a necessidade que nós temos do outro. O egoísmo cegou toda uma civilização, para a qual não há desculpa porque a cegueira foi voluntária.

Naquele tempo, todos casavam e se davam em casamento. Comiam e bebiam.Trabalhavam no campo, trabalhavam no moinho. Exatamente igual a hoje. Comemos e bebemos, trabalhamos e descansamos, cuidamos das nossas coisinhas…

Hein?! Deus? A Verdade? Os nossos irmãos? Ora…

“E eles nada perceberam, até que veio o dilúvio e arrastou a todos.

– Por isso, também vós ficais preparados! Porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do Homem.”

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O Anel, para todos dominar

JRR Tolkien criou um mundo fantástico, com homens e elfos, anões e magos, orcs e trolls, ents e hobbits. Isto foi há muito tempo, quando a terra ainda era jovem. Os elfos inventaram o fabrico dos anéis de poder e Sauron fingiu amizade para se aproximar deles, aprender o ofício e usá-lo para o mal.

Sauron elevou esta arte à perfeição e criou O Anel, o mais poderoso de todos, para dominar os povos e nas trevas os reter. Numa decisiva batalha, o Senhor do Escuro foi derrotado e perdeu o seu precioso anel. A trilogia O Senhor dos Anéis é a história da luta de Sauron para recuperá-lo. Na sua estreita perspectiva, Sauron calcula que Frodo, o hobbit portador d’O Anel, vai usar a jóia para acumular poder e derrotá-lo. Não passa pela cabeça do déspota que alguém pode agir pelo bem comum e abrir mão da paixão pelo domínio.

Frodo, assistido pelo sábio mago Gandalf, sabe que O Anel é perigoso, representa a tendência humana de querer dominar os semelhantes; representa o egoísmo, as mais baixas paixões. Sabe que quem o usar por muito tempo acabará sendo dominado por ele e aos poucos se tornará tão mal quanto Sauron. A única solução é destruir O Anel lançando-o no Vulcão da Condenação, no coração do reino inimigo, onde foi forjado; só este vulcão tem capacidade de destruir a jóia. Alguns acreditam que o fogo dos dragões podia destruir O Anel; segundo Gandalf, entretanto, nem mesmo Ancalagon, O Negro – o mais poderoso dos dragões – seria capaz disso. Mas esta discussão era inútil, pois os dragões já haviam sido extintos.

Esta fantástica história é uma metáfora sobre a vontade humana de dominar os semelhantes, cristalizada pelos regimes socialistas, que querem submeter os povos e nas trevas os reter. Foi escrita numa época em que o marxismo grassava, pregando o ódio contra Deus. Mais de século e meio após O Manifesto Comunista, os podres frutos do comunismo são o Ocidente cambaleante, a Igreja aos cacos e mais de 100 milhões de mortos. O socialismo, por sua vez, vai bem, muito bem, este monstro frio avança cada vez mais sobre nós. Agora, mata menos no paredão e mais nas clínicas de aborto.

Uma das últimas frases de Frodo no livro é o resumo da saga e, ao mesmo tempo, um norte para nós que desejamos lutar e não nos conformamos com a escravidão. Quando Frodo avisa Sam, o seu companheiro de aventuras, que vai partir para sempre para além dos Portos Cinzentos, ouve do amigo esta queixa: “Depois de tudo pelo que você passou, pensei que fôsse desfrutar da nossa companhia e das coisas pelas quais lutou”.

Frodo respondeu:

– Às vezes há de ser assim quando as coisas estão em perigo: alguém tem que abrir mão delas, arriscar mesmo perdê-las, para que outros possam usufruí-las.

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Nossa Senhora das Graças

No dia 27 de novembro de 1830, Maria fez nova visita à noviça Catarina Labouré na Capela da Rue du Bac, Paris.

Nos dedos das mãos espalmadas, trazia jóias que emitiam raios de luz representanto as graças derramadas sobre a humanidade; aos pés, o globo terrestre, e, ao redor da cabeça, uma coroa de doze estrelas – um grande sinal surgiu no céu, uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 12,1) – e uma oração:

– Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

Embaixo, dois corações: o de Jesus, envolvido por uma coroa de espinhos, e o de Maria, transpassado por uma espada.

Esta aparição deu origem à famosa Medalha Milagrosa, fabricada por ordem expressa de Nossa Senhora a Catarina.

A noviça perguntou por que havia alguns anéis apagados e Maria respondeu:

– São graças que ninguém pede.

Assim somos nós: pedimos dinheiro, saúde, boa vida, mas não pedimos para Deus nos dar a graça da caridade ou da fé ou da santidade.

Ao lado de Lourdes (1858) e Fátima (1917), esta é uma das grandes visitas que a Nossa Mãe nos fez para trazer carinho, consolação e sabedoria ao nosso mundo tão necessitado. Hoje é dia de festa e de meditação, dia de alegria e dia de pensar nos altos ensinamentos que a Mãe de Deus veio trazer. Se você quer ter um entendimento pleno da realidade das coisas, precisa estudar os acontecimentos e os milagres destas três grandes aparições.

Porque só Nossa Senhora é quem sabe de tudo.

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Frufru de saia de seda

Na noite de 18 de julho de 1830, Catarina Labouré, noviça do seminário da Rue du Bac, em Paris, ouviu a mestra das noviças discorrer sobre a devoção aos santos e, em especial, à Virgem Maria. Ela pediu ao fundador da sua ordem, São Vicente de Paulo, para lhe conceder a graça de ver Nossa Senhora.

Às onze e meia da noite, acordou com alguém chamando-a pelo nome:

– Irmã Catarina! Irmã Catarina!

Era um menino de 4 ou 5 anos de idade. Ele acrescentou:

– Vamos à Capela porque a Virgem Santíssima te espera.

Catarina acompanhou a criança, que espalhava raios de luz por onde passava. Para surpresa da noviça, as luzes estavam acesas pelos corredores e, ao chegar à Capela, a porta se abriu mal o menino a tocou. Catarina foi conduzida para perto da cadeira de braços na qual sentava o diretor; ajoelhou-se e aguardou. Por fim, o menino disse:

– A Virgem está chegando, ela vem…

“E eu ouvi um frufru de saia de seda” contou Catarina. “Eu ainda duvidava mas o menino disse: ‘Eis a Virgem Santíssima’. (…) Então dei um salto para junto d’Ela e fiquei de joelhos com as mãos apoiadas em seus joelhos. E aí passei um momento o mais doce de toda a minha vida. É impossível dizer tudo o que eu sentia. E a Virgem começou a falar-me…”.

Esta foi a primeira aparição de Nossa Senhora das Graças à Catarina Labouré. No dia 27 de novembro daquele mesmo ano, a noviça receberia mais uma visita da Mãe de Deus…

Não perca, amanhã, neste blog.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.

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A KGB e o Assassinato de JFK: A Nova Prova

“Para entender realmente os mistérios da espionagem soviética, de nada ajuda ver um filme de agente secreto ou ler um romance de espiões, pois isto é apenas diversão. Você precisa ter vivido naquele mundo de segredo e falsidade durante uma vida, como eu vivi, e mesmo assim pode não entender o que está acontecendo nos momentos mais obscuros, a menos que seja um dos pouquíssimos no topo da pirâmide.”

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O artigo abaixo, publicado no site PJ Media em 20 de novembro, foi escrito pelo general Ion Mihai Pacepa, o oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista.

A Mão da KGB no Assassinato de JFK: A Nova Prova

O presidente John F. Kennedy foi assassinado faz 50 anos, e a maior parte das pessoas ainda acredita erroneamente que o culpado foi a CIA ou o FBI, a máfia ou os empresários conservadores americanos. Também há 50 anos, o Kremlin deu início a uma intensa operação de desinformação mundial, de codinome “Dragon”, destinada a desviar a atenção da ligação da KGB com Lee Harvey Oswald. Há uma conexão entre os fatos: Oswald era um marine americano que desertou para Moscou, retornou aos Estados Unidos três anos depois com a sua esposa russa, matou o presidente Kennedy e foi preso antes de conseguir pôr em prática o seu plano de fugir para Moscou. Em uma carta datada de 1° de julho de 1963, Oswald pediu à embaixada soviética em Washington, D.C., para conceder à sua esposa um visto imediato de entrada na União Soviética e outro para ele separadamente (na carta, “separadamente” está escrito com erro de ortografia e sublinhado).

A operação “Dragon” do Kremlin está descrita no meu livro Programmed to Kill: Moscow’s Responsibility for Lee Harvey Oswald’s Assassination of President John Fitzgerald Kennedy. Em 2010, este livro foi exibido na Organization of American Historians junto com uma resenha do professor Stan Weber (McNeese State University). Ele descreveu o livro como um “novo e excelente trabalho exemplar sobre a morte do presidente Kennedy” e “leitura obrigatória por toda e qualquer pessoa interessada no assunto”. [i]

Programmed to Kill é uma análise real do crime do século da KGB cometido durante a era Khrushchev. Naqueles dias, o antigo conselheiro chefe da KGB na Romênia havia se tornado o comandante do onipotente serviço de espionagem estrangeiro soviético e me levou para os mais altos círculos da camarilha da inteligência do bloco soviético. O meu livro também contém uma apresentação real dos frenéticos esforços de Khrushchev para proteger o seu traseiro. Lembrando-se de que o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand pelo terrorista sérvio Gavrilo Princip, em 1914, havia dado início à Primeira Guerra Mundial, Khrushchev temia que o conhecimento pelos EUA do envolvimento da KGB com Oswald podia ser o estopim da primeira guerra nuclear. Os interesses de Khrushchev coincidiram com os interesses de Lyndon Johnson, o novo presidente americano, prestes a enfrentar eleições em menos de um ano, e qualquer conclusão implicando a União Soviética no assassinato forçaria Johnson a tomar uma ação política ou militar indesejada, prejudicando ainda mais a sua popularidade, já baixa por causa da guerra no Vietnã.

De acordo com novos documentos da KGB, disponíveis após Programmed to Kill ter sido publicado, o esforço soviético para desviar a atenção do envolvimento da KGB no assassinato de Kennedy começou no dia 23 de novembro de 1963 – o dia imediatamente seguinte ao dia em que Kennedy foi morto – e teve início com um memorando para o Kremlin assinado pelo comandante da KGB Vladimir Semichastny. Ele pediu ao Kremlin para publicar imediatamente um artigo em um “jornal progressista em um dos países do Ocidente… mostrando a tentativa, por círculos reacionários nos EUA, de tirar a responsabilidade pelo assassinato de Kennedy dos verdadeiros criminosos, [ou seja], os racistas e ultra-direitistas, culpados pela propagação e crescimento da violência e terror nos Estados Unidos”.

O Kremlin concordou. Dois meses mais tarde, R. Palme Dutt, editor de um jornal britânico controlado pelos comunistas chamado Labour Monthly, assinou um artigo levantando o espectro do envolvimento da CIA sem oferecer a mínima prova. “[A maior parte d]os comentaristas” Dutt escreveu “suspeita de um golpe de ultra-direitistas ou racistas de Dallas… [que], com a manifesta cumplicidade necessária por parte de uma ampla gama de autoridades, exibe todos os carimbos de um trabalho da CIA”. A carta super secreta de Semichastny e o subsequente artigo de Dutt foram reveladas pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin no seu livro The Struggle for Russia, publicado 32 anos após o assassinato de Kennedy.

Não é de admirar que Yeltsin tenha sido desalojado do palácio por um golpe da KGB transferindo o trono do Kremlin para as mãos da KGB – que ainda o segura com firmeza. Em 31 de dezembro de 1999, Yeltsin surpreendeu a Rússia e o resto do mundo ao anunciar a sua aposentadoria. “Entendo que devo fazê-lo” [ii] explicou, falando em frente de uma árvore festivamente decorada para o Ano Novo junto a uma bandeira russa azul, vermelha e branca e uma águia russa dourada. Yeltsin em seguida assinou uma lei “no uso dos poderes do presidente russo” declarando que, sob o Artigo 92 Seção 3 da Constituição Russa, o poder do presidente russo seria temporariamente exercido pelo Primeiro Ministro Vladimir Putin, a partir do meio-dia de 31 de dezembro de 1999. [iii] De sua parte, o recentemente designado presidente assinou um decreto perdoando Yeltsin, supostamente ligado a pesados escândalos de suborno, “de quaisquer possíveis delitos” e concedendo a ele “total imunidade” a processos (ou até mesmo investigações e interrogatórios) referentes a “toda e qualquer” ação realizada durante o governo. Putin também deu a Yeltsin uma pensão vitalícia e uma dacha do estado. [iv]

Logo em seguida, a pequena janela no arquivo da KGB, aberta com estrondo por Yeltsin, foi fechada silenciosamente. Felizmente, antes disso ele foi capaz de revelar o memorando de Semichastny, responsável por gerar a conspiração Kennedy que nunca mais parou.

O artigo de Dutt foi seguido pelo primeiro livro sobre o assassinato de JFK publicado nos Estados Unidos: Oswald: Assassin or Fall Guy? Escrito por um antigo membro do Partido Comunista da Alemanha, Joachim Joesten, foi publicado em Nova Iorque em 1964 por Carlo Aldo Marzani, antigo membro do Partido Comunista Americano e agente da KGB. O livro de Joesten alega, sem fornecer nenhuma prova, que Oswald era “um agitador do FBI com passado na CIA”. Documentos altamente secretos da KGB contrabandeados da Rússia pelo desertor Vasili Mitrokhin, com a ajuda do MI6 britânico, em 1993 – bem depois das duas investigações do governo americano sobre o assassinato terem sido concluídas – mostram que no início dos anos 1960, Marzani recebeu subsídios num total de 672 mil dólares do Comitê Central do Partido Comunista. Isto levanta a questão do porquê Marzani ter sido pago pelo partido e não pela KGB, da qual era agente. A carta recentemente liberada de Semichastny nos dá a resposta: no dia seguinte ao do assassinato, o Kremlin assumiu o controle da operação de desinformação destinada a culpar os Estados Unidos pelo assassinato de JFK. Por este motivo, Oswald: Assassin or Fall Guy? foi promovido por uma operação conjunta do partido com a KGB.

A primeira resenha do livro, altamente elogiosa, foi assinada por Victor Perlo, membro do Partido Comunista Americano, e publicada em 23 de setembro de 1964 na publicação New Times, a qual eu conhecia como uma fachada da KGB por ter sido impressa uma vez na Romênia. Em 9 de dezembro de 1963, o jornalista “progressista” americano I. F. Stone publicou um longo artigo no qual tentou justificar porque os Estados Unidos haviam assassinado o seu próprio presidente. Ele chamou Oswald de louco direitista, mas colocou a culpa real na “belicosa Administração” dos Estados Unidos, que estava tentando vender para a Europa uma “monstruosidade nuclear”. Stone foi identificado como agente pago da KGB, de codinome “Blin”.

Joesten dedicou o seu livro a Mark Lane, esquerdista americano autor, em 1966, do best-seller Rush to Judgment, segundo o qual Kennedy fôra assassinado por um grupo americano conservador. Documentos do Arquivo Mitrokhin mostram que a KGB enviou indiretamente dinheiro para Mark Lane (dois mil dólares) e que o agente da KGB Genrikh Borovik mantinha contato regular com ele. Outro desertor da KGB, o coronel Oleg Gordievsky (antigo chefe do posto da KGB em Londres) identificou Borovik como cunhado do general Vladimir Kryuchkov; Kryuchlov se tornou comandante da KGB em 1988 e em agosto de 1991 liderou o golpe em Moscou tentando recriar a União Soviética.

O ano de 1967 viu a publicação de mais dois livros atribuídos a Joesten: The Case Against Lyndon Johnson in the Assassination of President Ken­nedy e Oswald: The Truth. Ambos sugeriam que o presidente Johnson e a CIA haviam matado Kennedy. Logo foram seguidos por A Citizen´s Dissent, de Mark Lane (1968). Lane também viajou bastante mundo afora pregando que os Estados Unidos eram um “estado policial do FBI” responsável pela morte do seu próprio presidente.

Com tais livros, a conspiração sobre Kennedy nascera, e jamais morreria. A crescente popularidade dos livros sobre o assassinato de JFK encorajou todo o tipo de gente com qualquer conhecimento remotamente relacionado com o assunto a entrar na festa, cada qual vendo os eventos a partir de sua limitada perspectiva. Alguns milhares de livros foram escritos sobre o assassinato de Kennedy, e a hemorragia continua. A despeito desta crescente montanha de papel, uma explicação satisfatória da motivação de Oswald ainda precisa ser dada, primeiramente porque a importante dimensão do assunto da política externa soviética e da prática da inteligência soviética no fim dos anos 1950 e no começo dos anos 1960 ainda não foi relacionada com Oswald por nenhuma autoridade competente. Por que não? Porque nenhuma destas autoridades jamais pertenceu à KGB, nenhuma tem familiaridade com o seu modus operandi.

Por sua própria natureza, a espionagem é um empreendimento enigmático e dúbio, e  nas mãos dos soviéticos desenvolveu-se e virou uma filosofia completa, onde cada aspecto tinha o seu próprio conjunto de regras testadas e precisas e seguia um padrão fixo. Para entender realmente os mistérios da espionagem soviética, de nada ajuda ver um filme de agentes secretos ou ler um romance de espiões, pois isto é apenas diversão. Você precisa ter vivido naquele mundo de segredo e falsidade durante uma vida, como eu vivi, e mesmo assim pode não entender o que está acontecendo nos momentos mais obscuros, a menos que seja um dos pouquíssimos no topo da pirâmide.

Por isso, fiz uma curta apresentação destes momentos sombrios, cruciais para entender como o Kremlin tem sido capaz de fazer todo mundo de bobo, levando todos a acreditar que os Estados Unidos mataram um dos seus mais amados presidentes. Clique aqui para ler “11 Facts That Destroy JFK Conspiracy Theories”. Vamos juntos retornar àquele mundo de espionagem e falsidade soviéticas. Ao fim do nosso resumo, espero que você concorde comigo de que os soviéticos têm uma mão no assassinato do presidente Kennedy. Também espero que depois você veja com olhos diferentes futuros documentos referentes ao assassinato de JFK. Talvez você possa descobrir manobras soviéticas/russas neles ocultas.

[i] Stan Weber, “A New Paradigmatic Work on the JFK Assassination,” H-Net Online, October 2009, http://www.h-net.org/reviews/showrev.php?id=25348
[ii] Barry Renfrew, “Boris Yeltsin Resigns,” The Washington Post, December 31, 1999, 6:48 a.m.
[iii] Matt Drudge Report, December 31, 1999, 11:00 AM UTC.
[iv] Ariel Cohen, “End of the Yeltsin Era,” The Washington Times, January 3, 2000, Internet Edition, cohen-20000103.

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Lembra-Te de mim

Atenção: se você é o bonzão, este texto não é para você, não leia, caia fora, xô!

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O homem não tinha nada a oferecer. Não tinha nada a apresentar. Só havia feito besteira a vida inteira… igual a mim, igual a você…

Entretanto, sabia que naquele momento supremo havia encontrado a Verdade, estava diante de Deus e não podia deixar passar a oportunidade de se safar… igual a mim, igual a você…

Mas, raciocinando, viu que não tinha nada para mostrar como mérito… igual a mim, igual a você…

Só lhe ocorreu reconhecer a sua vida errada, a santidade da vida do Justo, pedir e esperar a misericórida … igual a mim, igual a você…

– Senhor, lembra-Te de mim quando entrares no Teu reino…

Nosso Senhor Jesus Cristo, no estertor da agonia, viu, com alegria, o primeiro dos incontáveis futuros frutos da Sua Cruz Redentora, um pecador arrependido…

… igual a mim, igual a você…

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Não gostou? Eu avisei…

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Como o Kremlin mata

O texto abaixo foi publicado no National Review Online em 28 de novembro de 2006. O autor é o general Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista.

Como o Kremlin mata

Uma longa tradição continua.

Não tenho dúvidas de que o oficial aposentado da KGB/FSB, Alexander Litvinenko, foi assassinado por ordem de Putin. Foi morto, acredito, por ter revelado os crimes de Putin e o treinamento secreto, pela FSB,  de Ayman al-Zahawiri, o número dois da al Qaeda. É fato que o Kremlin tem usado repetidamente armas radioativas para matar os seus inimigos políticos no exterior. No fim da década de 1970, Leonid Brezhnev deu a Ceausescu, via KGB e sua irmã romena, a Securitate, tálio radioativo solúvel em pó, para ser colocado na comida; o veneno servia para matar inimigos políticos no exterior. De acordo com a KGB, o tálio radioativo se desintegraria dentro do corpo da vítima, gerando uma forma de câncer fatal e galopante, e não deixando nenhum traço detectável na autópsia. A substância foi descrita para Ceausescu como uma nova geração da arma de tálio radioativo usada, sem sucesso, contra o desertor da KGB Nikolay Khokhlov na Alemanha Ocidental em 1957. (Khokhlov perdeu todos os cabelos mas não morreu.) O codinome romeno era “Radu” (de radioativo) e eu a descrevi no meu primeiro livro, Red Horizons, publicado em 1987. O Polônio 210 usado para matar Litvinenko parecer ser uma nova versão de “Radu”.

O assassinato como política externa

Os esforços sistemáticos do Kremlin para assassinar inimigos políticos no exterior (não só com veneno, é claro) começou poucos meses depois do XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, realizado em fevereiro de 1956, no qual Khrushchev expôs os crimes de Stalin. Em abril daquele ano, o general Ivan Anisimovich Fadeyev, chefe do novo 13° Departamento da KGB, responsável por assassinatos no exterior, chegou a Bucareste para uma “troca de experiências” com o DIE, o serviço de inteligência estrangeira romeno, ao qual eu pertencia. Antes disso, Fadeyev havia chefiado o enorme posto de inteligência da KGB em Karlhorst, Berlim Oriental, e era conhecido em toda a nossa comunidade de inteligência como um sanguinário, responsável pelo sequestro de centenas de ocidentais e cujas tropas haviam suprimido brutalmente as demonstrações anti-soviéticas de 13 de junho de 1953 em Berlim Oriental.

Fadeyev começou a sua “troca de experiências” em Bucarest nos dizendo que Stalin havia cometido um erro indesculpável: havia apontado a lâmina do aparato de segurança do estado contra o “seu próprio povo”. Quando Khrushchev fez o seu “discurso secreto”, a sua única intenção era corrigir aquela aberração. “Os nossos inimigos” não estão na União Soviética, Fadeyev explicou. As burguesias da América e da Europa Ocidental queriam liquidar o comunismo. Elas eram os “nossos inimigos mortais”. Eram os “cachorros loucos” do imperialismo. Devíamos apontar a lâmina da nossa espada contra elas, e apenas contra elas. Era isto o que Nikita Sergeyevich realmente queria dizer com o seu “discurso secreto”.

De fato, Fadeyev disse, uma das primeiríssimas decisões de política externa de Khrushchev foi a sua ordem de 1953 para assassinar secretamente um destes “cachorros loucos”: Georgy Okolovich, o líder da National Labor Alliance (Natsionalnyy Trudovoy Soyuz, ou NTS), uma das organizações de russos exilados mais agressivamente anti-comunista da Europa Ocidental. Infelizmente, Fadeyev nos disse, o líder da equipe de assassinos Nikolay Khokhlov, chegando ao destino, havia desertado para a CIA e denunciado publicamente a mais recente arma secreta criada pela KGB: um revólver operado eletricamente escondido dentro de um maço de cigarros que disparava balas com ponta carregadas de cianeto. E, como um problema nunca vem sozinho, Fadeyev acrescentou, dois outros oficiais da KGB familiarizados com a estratégia de assassinatos haviam desertado logo após Khokhlov: Yury Rastvorov em janeiro de 1954 e Petr Deryabin em fevereiro de 1954.

Tudo isso, Fadeyev disse, havia levado a mudanças drásticas. Em primeiro lugar, Khrushchev havia ordenado à sua máquina de propaganda para espalhar por todo o mundo o boato de que ele tinha abolido a estratégia de assassinatos da KGB. Em seguida, ele denominou os assassinatos no exterior com o eufemismo “neutralizações”, renomeando a 9a Seção da KGB – como a divisão de assassinatos era chamado na época – como 13° Departamento, sepultando-a sob um segredo ainda mais profundo do que antes, e a colocando sob a sua supervisão direta. (Mais tarde, após o 13° Departamento ter sido comprometido, o nome foi alterado de novo.)

Em seguida, Khrushchev introduziu uma nova “metodologia” para a execução de operações de neutralização. A despeito da inclinação da KGB pela papelada burocrática, estes casos deviam ser tratados rigorosamente sem anotações e mantidos em segredo para sempre. Também deviam ser mantidos completamente em segredo do Politburo e de todos os demais órgãos governamentais. “O Camarada, e somente o Camarada”, Fadeyev enfatizou, podia agora aprovar neutralizações no exterior. (Nos altos círculos do bloco soviético, o termo “o Camarada” designava coloquialmente o líder de cada país.) Independentemente de quaisquer evidências produzidas pelas investigações policiais estrangeiras, a KGB – bem como as suas irmãs dos serviços secretos – jamais, sob quaisquer circunstâncias, podia admitir o envolvimento em assassinatos no exterior; todas as evidências produzidas deviam ser completamente rejeitadas como acusações ridículas. E, finalmente, após cada operação, a KGB devia secretamente espalhar “provas” no exterior acusando a CIA ou qualquer outro “inimigo” conveniente de ter cometido o ato, e assim matando, se possível, dois coelhos com uma cajadada só. Em seguida, Khrushchev mandou a KGB desenvolver uma nova geração de armas para matar sem deixar traços no corpo da vítima.

Antes de Fadeyev deixar Bucareste, o DIE havia instituído a sua própria divisão de operações de neutralização, denominada de Grupo Z, pois a letra Z era a última letra do alfabeto, significando a “solução final”. Esta nova unidade agiu, então, para conduzir a sua primeira operação de neutralização no bloco soviético sob as novas regras de Khrushchev. Em setembro de 1958, o Grupo Z, ajudado por uma equipe especial da alemã oriental Stasi, sequestrou da Alemanha Ocidental o líder anti-comunista romeno Oliviu Beldeanu. Os governos da Alemanha Oriental e da Romênia jogaram a responsabilidade pelo crime nas costas da CIA, publicando comunicados oficiais alegando que Beldeanu havia sido preso na Alemanha Oriental após ter sido secretamente infiltrado naquele país pela CIA para realizar operações de sabotagem e manobras diversionistas.

A exportação de uma tradição

Vladimir Putin parece ser apenas o mais recente de uma longa linha de czares russos mantenedor da tradição de assassinar qualquer um que atravesse o seu caminho. A prática remonta, pelo menos, ao século XIV de Ivan, o Terrível, assassino de milhares de aristrocratas e de outras pessoas, incluindo o Metropolitano Philip e o príncipe Alexander Gorbatyl-Shuisky, mortos por terem se recusado a prestar o juramento de obediência ao filho mais velho do czar, criança na época. Pedro, o Grande, lançou a sua polícia política contra todos os que falassem contra ele, desde a sua própria esposa a bêbados que contavam piadas sobre o seu governo; ele até mesmo fez a polícia política enganar e levar de volta à Rússia o próprio filho e herdeiro, o tsarevich Aleksey, a quem torturou até a morte.

Sob o comunismo, os assassinatos arbitrários se tornaram uma política de estado. Em 11 de agosto de 1918, numa ordem escrita à mão ordenando o enforcamento de pelo menos 100 kulaks na torre de Penza para servir de exemplo, Lênin escreveu: “Enforquem (enforquem sem falta, para o povo ver) não menos do que cem kulaks conhecidos, homens ricos, agiotas… Façam de tal forma que o povo num raio de centenas de quilômetros veja, estremeça, saiba e grite: eles estão amarrando e estrangulando até a morte estes kulaks agiotas”. (Esta carta fez parte de uma exposição intitulada “Revelations from the Russian Archives” exibida na Biblioteca do Congresso, Washington, D.C., em 1992.)

Durante o expurgo de Stalin, cerca de nove milhões de pessoas perderam a vida. Dos sete membros do Politburo de Lênin da época da Revolução de Outubro, somente Stalin estava vivo quando o massacre terminou.

O que eu sempre achei até mais perturbador do que a brutalidade destes crimes era o profundo envolvimento dos líderes soviéticos neles. Stalin ordenou pessoalmente que Leon Trotsky, o co-fundador da União Soviética, fôsse assassinado no México. E Stalin entregou em mãos a Ordem de Lênin para a comunista espanhola Caridad Mercader del Rio, cujo filho, o oficial da inteligência soviética, Ramón Mercader, havia assassinado Trotsky em agosto de 1940 esmagando-lhe a cabeça com uma picareta. Da mesma forma, Khrushchev colocou, com as próprias mãos, a mais alta medalha soviética no peito de Bogdan Stashinsky, oficial da KGB responsável pelo assassinado dois líderes anti-comunistas exilados na Alemanha Ocidental em 1962.

O meu primeiro contato com as operações de “neutralização” do Kremlin ocorreram em 5 de novembro de 1956, quando eu estava em treinamento no ministério de relações exteriores para assumir o meu falso cargo de representante chefe da Missão Romena na Alemanha Ocidental. Mihai Petri, um oficial do DIE atuando como ministro representante, disse-me que o “big boss” precisava de mim imediatamente. O “big boss” era o general disfarçado da KGB Mikhail Gavrilyuk, romenizado como Mihai Gavriliuc e chefe do meu DIE.

“É khorosho ver um velho amigo, Ivan Mikhaylovich” ouvi do homem descansando em uma cadeira confortável na mesa de Gavriliuc. Era o general Aleksandr Sakharovsky, que se levantou da cadeira e estendeu a mão. Ele havia criado o DIE e, como conselheiro de inteligência soviético do órgão, havia sido o meu chefe de facto até alguns meses antes, quando foi escolhido por Khrushchev para chefiar a toda-poderosa PGU (Pervoye Glavnoye Upravleniye, ou Primeira Diretoria Geral da KGB, o serviço de inteligência estrangeira da União Soviética). “Deixe-me apresentar você a Ivan Aleksandrovich” ele disse, apontando um rústico e desgastado par de óculos esporte com aros dourados. Era o general Ivan Serov, o novo chefe da KGB. Os dois visitantes estavam usando camisas típicas ucranianas floridas folgadas e calças esporte, em total contraste com os trajes acinzentados e cheio de botões estilo Stalin, até recentemente o uniforme virtual da KGB. (Até hoje para mim ainda é um mistério o motivo pelo qual a maior parte dos altos oficiais da KGB que eu conheci se esforçavam para imitar o líder soviético no poder. Seria simplesmente uma herança oriental dos tempos dos czares, quando os burocratas russos faziam qualquer coisa para adular os seus superiores?)

Os visitantes disseram que na noite anterior o premiê húngaro Imre Nagy, responsável pela cisão com o Pacto de Varsóvia e pelo pedido de ajuda às Nações Unidas, havia procurado refúgio na embaixada ioguslava. O ditador romeno Gheorghe Gheorghiu-Dej e o membro do Politburo Walter Roman (colega de Nagy dos anos de guerra quando ambos haviam trabalhado para o Comintern em Moscou) concordaram em voar para Budapeste para ajudar a KGB a sequestrar Nagy e levá-lo à Romênia. O major Emanuel Zeides, o chefe do setor alemão, fluente em húngaro, iria com eles como intérprete. “Quando Zeides Vienna você chefia nemetskogo otdeleniya” Gavriliuc me disse, finalmente deixando claro o motivo pelo qual eu havia sido convocado. Ou seja, eu seria o responsável pelo braço alemão do DIE.

Em 23 de novembro de 1956, os três membros do Politburo soviético que haviam coordenado de Budapeste a intervenção militar na Hungria enviaram um telegrama cifrado para Khrushchev:

Camarada Walter Roman, que chegou em Budapeste junto com o Camarada Dej ontem, dia 22 de novembro, teve longas discussões com Nagy… Imre Nagy e o seu grupo deixaram a embaixada ioguslava e estão agora em nossas mãos. Hoje o grupo partirá para a Romênia. O Camarada Kadar e os camaradas romenos estão preparando um adequado comunicado à imprensa. Malenkov, Suslov, Aristov.

Um ano mais tarde, Nagy e os principais membros do seu gabinete foram enforcados, após um julgamento encenado organizado pela KGB em Budapeste.

Em fevereiro de 1962, a KGB quase conseguiu assassinar o xá do Irã, que havia cometido o imperdoável “crime” de remover um governo comunista instalado no noroeste do Irã. O conselheiro-chefe da razvedka (inteligência estrangeira, em russo) do DIE jamais nos falou muito sobre a fracassada tentativa da KGB de matar o xá, mas deu ordens ao posto do DIE em Teerã para destruir todos os documentos comprometedores, suspender todas as operações dos agentes e relatar tudo, incluindo boatos, a respeito do atentado contra o xá. Poucos dias depois, ele cancelou o plano do DIE para matar o seu próprio desertor Constantin Mandache na Alemanha Ocidental com uma bomba colocada num carro porque, o conselheiro nos disse, o controle remoto, fornecido pela KGB para esta operação, poderia apresentar problemas de funcionamento. Em 1990, Vladimir Kuzichkin, oficial da KGB diretamente envolvido no atentado fracassado para matar o xá e que depois desertou para o Ocidente, publicou um livro (Inside the KGB: My Life in Soviet Espionage, Pantheon Books, 1990) no qual descreve a operação. De acordo com Kuzichkin, o xá escapou porque o controle remoto, usado para detonar uma grande quantidade de explosivos em um automóvel Volkswagen, falhou.

Dissidentes Silenciados

Em um domingo, 20 de março de 1965, fiz a minha última visita à residência de inverno de Gheorghiu-Dej em Predeal. Como de costume, encontrei-o com o seu melhor amigo, Chivu Stoica, chefe honorário da Romênia. Dej reclamou que se sentia fraco, tonto e com náuseas. “Acho que a KGB me pegou” ele disse, meio sério, meio brincando. “Eles pegaram Togliatti. É certeza” sussurrou Stoica com raiva.

Palmiro Togliatti, chefe do partido comunista italiano, havia morrido em 21 de agosto de 1964, durante uma visita à União Soviética. Nos altos círculos da comunidade de inteligência estrangeira do bloco acreditava-se que havia morrido de uma rápida forma de câncer após ter sido irradiado pela KGB a mando de Khrushchev durante férias em Yalta. O seu assassinato havia sido provocado porque, enquanto estava na União Soviética, havia escrito um “testamento” no qual expressara profundo descontentamento com os erros de Khrushchev. As frustrações de Togliatti expressavam não apenas a sua opinião mas também a de Leonid Brezhnev. De acordo com Dej, estas suspeitas foram confirmadas pelo fato de que Brezhnev foi ao funeral de Togliatti em Roma; em setembro de 1964 o Pravda publicou trechos do “testamento” de Togliatti e cinco semanas mais tarde Khrushchev foi destronado após ser acusado de conspiração impulsiva, decisões precipitadas, ações divorciadas da realidade, arrogância e governo por decreto.

Eu vi Dej amedrontado. Ele também havia criticado a política externa de Khrushchev. Mais ainda, um ano antes ele havia expulsado todos os conselheiros da KGB da Romênia e no mês de setembro anterior havia expressado a Khrushchev a sua preocupação sobre a “estranha morte” de Togliatti. Durante as eleições de 12 de março de 1965 para a Grande Assembléia Nacional da Romênia, Gheorghiu-Dej ainda parecia robusto. Uma semana depois, entretanto, morreu de uma forma galopante de câncer. “Assassinado por Moscou” sussurrou para mim o novo líder romeno, Nicolae Ceausescu, poucos meses depois. “Irradiado pela KGB” murmurou num tom de voz mais baixo ainda, afirmando “Isto ficou bem provado na autópsia”. O assunto havia vindo à tona porque Ceausescu havia me mandado comprar dispositivos ocidentais de detecção de radiação (contadores Geiger-Müller) e mandado instalá-los secretamene em seus escritórios e residências.

Logo após a invasão de Praga pelos soviéticos, Ceausescu passou do stalinismo para o maoísmo, e em junho de 1971 visitou a China Vermelha. Lá, soube do complô da KGB para matar Mao Tsé-Tung com a ajuda de Lin Biao, comandante do exército chinês, educado em Moscou. O plano falhou, e Lin Biao tentou, sem sucesso, fugir da China em um avião militar. A sua execução só foi anunciada em 1972. Durante o mesmo ano, eu soube de detalhes do plano soviético por meio de Hua Guofeng, ministro de segurança pública – que em 1977 viria a ser o líder supremo da China.

“Dez”, Ceausescu me disse. “Dez líderes internacionais que o Kremlin matou ou tentou matar” ele explicou, enumerando-os nos dedos. Laszlo Rajk e Imre Nagy, na Hungria; Lucretiu Patrascanu e Gheorghiu-Dej, na Romênia; Rudolf Slansky, líder da Checoslováquia, e Jan Masaryk, diplomata chefe do país; o xá do Irã; Palmiro Togliatti da Itália; o presidente americano John F. Kennedy e Mao Tsé-Tung. (Entre os líderes dos serviços de inteligência satélites de Moscou era consenso que a KGB estava envolvida no assassinato do presidente Kennedy.)

Imediatamente, Ceausescu ordenou que eu criasse uma unidade super-secreta de contrainteligência para operações em países socialistas (isto é, no bloco soviético). “Você tem mil pessoas para isto.” Advertiu também que a nova unidade devia ser “não existente”. Nenhum nome, nenhum título, nenhuma placa na porta. A nova unidade recebeu somente a designação genérica U.M. 0920/A, e o seu comandante recebeu a categoria de chefe de diretoria do DIE.

Ordem para Matar

No inesquecível dia de 22 de julho de 1978, Ceausescu e eu estávamos escondidos, de tocaia para caçar pelicanos em um canto remoto do Delta do Danúbio, onde nem mesmo um pássaro poderia nos ouvir. Como homem disciplinado e general aposentado, ele era fascinado pela sociedade estruturada dos pelicanos brancos. Os pássaros mais velhos – os avós – sempre ficavam na parte frontal da praia, perto da água e da fonte de alimentação. Os seus filhos respeitadores se alinhavam atrás deles em filas ordenadas, enquanto os netos passavam o tempo se movimentando na parte de trás. Eu frequentemente ouvia o meu chefe expressar o seu desejo de que a Romênia tivesse a mesma rígida estrutura social.

“Quero que você dê ‘Radu’ para Noel Bernard” Ceausescu sussurrou no meu ouvido. Noel Bernard era na época o diretor do programa romeno da Radio Free Europe (RFE), e por anos vinha enfurecendo Ceausescu com os seus comentários. “Você não precisa me relatar os resultados”, acrescentou. “Vou saber pelos jornais ocidentais e…” O fim da frase de Ceausescu foi apagada pelo rá-tá-tá metódico da submetralhadora. Ele atirou com cerimoniosa precisão, primeiramente na linha frontal dos pelicanos, depois na distância média e por fim nos netinhos atrás.

Durante 27 anos eu vivi com o pesadelo de que, mais cedo ou mais tarde, eu receberia uma ordem para matar alguém. Até aquela ordem de Ceausescu, eu tinha estado em segurança, pois as operações de neutralização estavam a cargo do chefe do DIE. Mas em março de 1978 eu fui designado chefe interino do DIE e não havia mais como eu escapar de me envolver nos assassinatos políticos, convertidos no principal instrumento de política externa de todo o bloco soviético.

Dois dias depois Ceausescu me enviou para Bonn para entregar uma mensagem secreta para o chanceler Helmut Schimdt, e lá eu pedi asilo político nos Estados Unidos.

Os assassinatos continuam

Noel Bernard continuou a informar os romenos sobre os crimes de Ceausescu, e no dia 21 de dezembro de 1981 ele faleceu devido a uma forma galopante de câncer. Em 1° de janeiro de 1988, o seu sucessor, Vlad Georgescu, iniciou uma série de programas sobre o meu livro Red Horizons na RFE. Meses depois, quando a série acabou, Georgescu informou aos seus ouvintes que a Securitate havia repetidamente avisado que ele poderia ser morto se transmitisse Red Horizons. “Se eles me matarem por ter feito a série sobre o livro de Pacepa, morrerei com a clara consciência de que cumpri o meu dever como jornalista” Georgescu afirmou publicamente. Poucos meses depois, ele morreu de uma forma galopante de câncer.

O Kremlin também continuou matando secretamente os seus oponentes políticos. Em 1979, a KGB de Brezhnev infiltrou Makhail Talebov na corte do premiê afegão pró-americano Hafizullah Amin como cozinheiro. A missão de Talebov era envenenar o primeiro ministro. Após diversas tentativas, Brezhnev ordenou à KGB o uso de força armada. Em 27 de dezembro de 1979, cinquenta oficiais da KGB da unidade de elite “Alfa”, liderada pelo coronel Grigory Boyarnov, ocuparam o palácio de Amin e mataram todas as pessoas para eliminar testemunhas. No dia seguinte, a KGB de Brezhnev levou para Cabul Bebrak Kemal, um comunista afegão refugiado em Moscou e o instalou como primeiro ministro. A operação de neutralização da KGB teve o seu papel na geração do terrorismo internacional de hoje.

Em 13 de maio de 1981, a mesma KGB organizou, com a ajuda da Bulgária, um atentado para matar o Papa João Paulo II, que havia iniciado uma cruzada contra o comunismo. Mehmet Ali Aqca, o atirador, admitiu ter sido recrutado pelos búlgaros, e identificou os seus oficiais de contato na Itália: Sergey Antonov, representante chefe do escritório dos Bálcãs em Roma, que foi preso; e o major Zhelvu Vasilief, do escritório do adido militar, que não pôde ser preso devido ao seu status de diplomata e foi chamado de volta a Sofia. Aqca também admitiu que, após o assassinato, ele devia ser secretamente retirado da Itália em um caminhão TIR [N do T: abreviatura de Transports Internationaux Routiers] (no bloco soviético, os caminhões TIR eram usados pelos serviços de inteligência para atividades operacionais.) Em maio de 1991 o governo italiano reabriu as investigações sobre a tentativa de assassinato e em 2 de março de 2006 concluiu que o Kremlin estava realmente por trás dela.

No Natal de 1989, Ceausescu foi executado após um julgamento no qual as acusações eram provenientes, quase palavra por palavra, do meu livro Red Horizons. Recentemente soube que Nestor Ratesh, diretor aposentado do programa romeno da RFE, após dois anos de pesquisa nos arquivos da Securitate, havia obtido evidências suficientes para provar que tanto Noel Bernard quanto Vlad Georgescu haviam sido mortos pela Securitate por ordem de Ceausescu. O resultado da sua pesquisa será objeto de um livro a ser publicado pela RFE.

Armas Fortes e Estabilidade

Quando a União Soviética entrou em colapso, os russos tiveram uma oportunidade única para acabar com a sua velha forma bizantina de estado policial, responsável por isolar o país durante séculos e deixá-lo mal equipado para lidar com as complexidades da sociedade moderna. Infelizmente, os russos não cumpriram o seu dever. Desde a queda do comunismo, eles têm encarado uma nativa forma de capitalismo tocada pelos velhos burocratas comunistas, especuladores e cruéis mafiosos que ampliaram as injustiças sociais. Assim, após um período de crescimento, os russos gradualmente – e talvez agradecidamente – retornaram para a sua histórica forma de governo, a tradicional samoderzhaviye russa, uma forma de autocracia que remonta ao século XIV de Ivan, o Terrível, no qual um senhor feudal governava o país com a ajuda da sua polícia política pessoal. Bem ou mal, a velha polícia política pode parecer para a maioria dos russos como uma defesa contra a ganância dos novos capitalistas domésticos.

Não será fácil romper uma tradição de cinco séculos. Isto não significa que a Rússia não pode mudar. Mas para isto acontecer, os Estados Unidos precisam ajudar. Devemos parar de fingir que o governo russo é democrático e devemos chamá-lo pelo verdadeiro nome: um bando de seis mil oficiais aposentados da KGB – uma das mais criminosas organizações da história – ocupando os mais importantes cargos do governo federal e dos governos locais, e que está perpetuando a prática de Stalin, Khrushchev e Brezhnev de assassinar secretamente as pessoas que atravessam o seu caminho. O assassinato sempre cobra um preço, e o Kremlin devia ser obrigado a pagá-lo até que pare com os assassinatos.

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A Apresentação de Maria

Hoje comemoramos a festa da Apresentação de Nossa Senhora no Templo. Neste dia, segundo a Tradição, Ana e Joaquim levaram a sua menina para ser consagrada a Deus.

O Papa Paulo VI aproveitou a data e, em 1964, declarou Nossa Senhora a Mãe da Igreja.

Vamos aproveitar também e pedir à Mãe para manter a Igreja una (livre de dissensões causadas pelos pecados dos homens, principalmente os meus e os seus), santa (uma mestra imaculada para nos orientar – “como a cabeça da Igreja é Cristo, a Igreja permanecerá sempre imaculada” Bento XVI), católica (universalmente aberta a todo aquele que quiser abraçar a fé cristã) e apostólica (para que possamos a levar o amor de Cristo aos nossos irmãos, que é o que melhor podemos fazer por eles).

– Santa Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!

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Revolução Mexicana

Hoje é aniversário da Revolução Mexicana, iniciada em 1910.

Como todas as revoluções comunistas, só trouxe prejuízo. Prometia salvar o México da destruição pela Igreja Católica mas só conseguiu transformá-lo num fornecedor de drogas e numa sociedade de miseráveis (cfr Olavo de Carvalho).

As revoluções do México, Rússia, China, Camboja e Cuba – só para citar algumas – foram responsáveis por mais de 100 milhões de mortos. Todas garantiam o paraíso na terra, a sociedade igualitária e o fim do dinheiro (este mal capitalista) mas transformaram os seus países num inferno, criaram abismos sociais e deram  fim no dinheiro… dos outros.

Quando perceberam que a revolução pela força não dava mesmo certo, os socialistas embarcaram na aventura da revolução cultural, ou seja, a destruição lenta e progressiva dos valores cristãos. Hoje, com a Igreja em frangalhos, a civilização ocidental cambaleia: o mundo precisa ser recristianizado (João Paulo II) e precisamos criar a civilização do amor (Bento XVI).

Eis a nossa tarefa, eis a luta que nos aguarda.

Os mártires mexicanos nos deram o exemplo de entrega pelo ideal de vida, resumido no seu grito de guerra:

– Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!

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Eu queria decifrar as coisas que são importantes

Hoje faz 46 anos que Guimarães Rosa nos deixou. Lembrou-me uma passagem de Grande Sertão: Veredas…

“Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou contando não é uma vida de sertanejo, seja se for jagunço, mas a matéria vertente. Queria entender do medo e da coragem, e da gã que empurra a gente para fazer tantos atos, dar corpo ao suceder. O que induz a gente para más ações estranhas é que a gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!

“Sendo isto. Ao doido, doideiras digo. Mas o senhor é homem sobrevindo, sensato, fiel como papel, o senhor me ouve, pensa e repensa, e rediz, então me ajuda. Assim, é como conto. Antes conto as coisas que formaram passado para mim com mais pertença. Vou lhe falar. Lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão! Não sei. Ninguém ainda não sabe. Só umas raríssimas pessoas – e só essas poucas veredas, veredazinhas.”

Neste trecho, está a explicação do título do romance.

“Eu queria decifrar as coisas que são importantes” diz Riobaldo. É uma frase-irmã à da Samaritana: “Quando vier o Cristo, Ele nos explicará todas as coisas”.

A “gã que empurra a gente” é uma referência a São Paulo: “É Deus quem opera em nós o querer e o agir”.

“A gente está pertinho do que é nosso, por direito, e não sabe, não sabe, não sabe!” lembra Santo Agostinho “Eu Te procurava longe e Tu estavas perto; eu Te procurava fora e Tu estavas dentro. Quão tarde Vos conheci, Formosura tão nova e tão antiga. Quão tarde Vos conheci, e amei”.

“Lhe falo do sertão. Do que não sei.” o sertão é o desconhecido, é O Desconhecido, é Deus: “Ninguém conhece o Pai” disse Cristo.

“Só umas raríssimas pessoas”, como raríssimos são os homens que conhecem o Pai, raríssimos são os santos – “Ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.

“E só essas poucas veredas, veredazinhas” – os santos são as veredas, são quem fertiliza o sertão, são quem fertiliza a humanidade.

O Grande Sertão é Deus; as Veredas são os santos.

Bem mineiramente, Guimarães Rosa não explicou o título do romance. Vamos ficar sem ter a explicação do genial escritor. Aliás, de acordo com Carlos Drummond de Andrade, em versos compostos dois dias após a morte do amigo, nem mesmo sabemos se ele existiu:

“Ficamos sem saber o que era João
e se João existiu
de se pegar.”

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