Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

O Anel, para todos dominar

JRR Tolkien criou um mundo fantástico, com homens e elfos, anões e magos, orcs e trolls, ents e hobbits. Isto foi há muito tempo, quando a terra ainda era jovem. Os elfos inventaram o fabrico dos anéis de poder e Sauron fingiu amizade para se aproximar deles, aprender o ofício e usá-lo para o mal.

Sauron elevou esta arte à perfeição e criou O Anel, o mais poderoso de todos, para dominar os povos e nas trevas os reter. Numa decisiva batalha, o Senhor do Escuro foi derrotado e perdeu o seu precioso anel. A trilogia O Senhor dos Anéis é a história da luta de Sauron para recuperá-lo. Na sua estreita perspectiva, Sauron calcula que Frodo, o hobbit portador d’O Anel, vai usar a jóia para acumular poder e derrotá-lo. Não passa pela cabeça do déspota que alguém pode agir pelo bem comum e abrir mão da paixão pelo domínio.

Frodo, assistido pelo sábio mago Gandalf, sabe que O Anel é perigoso, representa a tendência humana de querer dominar os semelhantes; representa o egoísmo, as mais baixas paixões. Sabe que quem o usar por muito tempo acabará sendo dominado por ele e aos poucos se tornará tão mal quanto Sauron. A única solução é destruir O Anel lançando-o no Vulcão da Condenação, no coração do reino inimigo, onde foi forjado; só este vulcão tem capacidade de destruir a jóia. Alguns acreditam que o fogo dos dragões podia destruir O Anel; segundo Gandalf, entretanto, nem mesmo Ancalagon, O Negro – o mais poderoso dos dragões – seria capaz disso. Mas esta discussão era inútil, pois os dragões já haviam sido extintos.

Esta fantástica história é uma metáfora sobre a vontade humana de dominar os semelhantes, cristalizada pelos regimes socialistas, que querem submeter os povos e nas trevas os reter. Foi escrita numa época em que o marxismo grassava, pregando o ódio contra Deus. Mais de século e meio após O Manifesto Comunista, os podres frutos do comunismo são o Ocidente cambaleante, a Igreja aos cacos e mais de 100 milhões de mortos. O socialismo, por sua vez, vai bem, muito bem, este monstro frio avança cada vez mais sobre nós. Agora, mata menos no paredão e mais nas clínicas de aborto.

Uma das últimas frases de Frodo no livro é o resumo da saga e, ao mesmo tempo, um norte para nós que desejamos lutar e não nos conformamos com a escravidão. Quando Frodo avisa Sam, o seu companheiro de aventuras, que vai partir para sempre para além dos Portos Cinzentos, ouve do amigo esta queixa: “Depois de tudo pelo que você passou, pensei que fôsse desfrutar da nossa companhia e das coisas pelas quais lutou”.

Frodo respondeu:

– Às vezes há de ser assim quando as coisas estão em perigo: alguém tem que abrir mão delas, arriscar mesmo perdê-las, para que outros possam usufruí-las.

***

4 Respostas para “O Anel, para todos dominar

  1. Carlos Norberto Gomes Corrêa 01/12/2013 às 15:40

    Foi muito bom conhecê-lo, meu ilustre amigo. Suas lições são de tirar o fôlego. Foi bom também ter me interessado por Tolkien.

  2. Guilherme 01/12/2013 às 22:44

    Texto de qualidade. Deixo aqui só algumas correções: o anel do poder é chamado de Um Anel, na verdade ele é um personagem no livro, algo que alguns nem percebem, pois ele tem vida própria e só obedece seu mestre (Sauron, no caso); o lugar em que Frodo fora jogar o Um Anel é a Montanha da Perdição, como você escreveu, é o local da forja e também o único onde ele pode ser destruído, pelas chamas e pela lava. Vale a “lembrança” do momento em que Isuldur é corrompido e não consegue atirá-lo, levando-o consigo, pois acreditava que poderia se aproveitar do poder contido nele. Até!

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