Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

O Bicheiro, Zé e a Verdade

Meu amigo Zé é nordestino. Quando chegou a São Paulo, década atrás, ainda rapaz e doido por aventuras, fez amizades de todos os tipos. Conheceu um gaiato a quem darei o nome de Amigo da Onça.

Amigo da Onça tinha um plano infalível para ficar rico: jogar forte no jogo do bicho, durante o mês inteiro. No fim do período, segundo o espertinho, os dois teriam ganhado o suficiente para pagar o bicheiro e ainda ter um bom lucro.

No fim do mês, entretanto, só haviam angariado uma dívida enorme.

– E agora, Zé? O Bicheiro vai mandar matar a gente. (Não vou dar o nome do bicheiro porque não sou louco.)  Vamos inventar uma história, vamos dizer que fomos roubados e estamos sem dinheiro.

Mas meu amigo Zé protestou:

– Não, não vou mentir, não. Vamos dizer a verdade.

– Então você fala, porque eu tenho medo.

– Pode deixar que eu falo!

Foram recebidos na casamata do Bicheiro. Na sala, seguranças armados ladeavam o chefe. Zé relatou o acontecido, concluindo:

– Então, viemos aqui para negociar a dívida, queremos saber como podemos pagar o senhor a prazo.

O Bicheiro coçou a cabeça e disse:

– Todo mundo que entra nesta sala treme de medo. Você foi a primeira pessoa que entrou aqui e não tentou me enganar. Você foi o primeiro que me disse a verdade. Pode ir embora, você não me deve nada!

***

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