Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos Mensais: janeiro 2014

Tuma Júnior no Roda Viva

O próximo programa Roda Viva, da TV Cultura, terá como convidado Romeu Tuma Júnior, autor do livro Assassinato de Reputações. Segunda-feira, dia 3, às 22h.

Não deixe de ler a resenha do livro elaborada por Félix Maier.

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Meus olhos viram a Salvação

O homem é um ser religioso. Aristótoles chegou a esta conclusão observando os povos e percebendo que todos tinham religião. A religião precede e funda as civilizações.

Antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, todos os povos tateavam no escuro, procurando Deus. Ou melhor, quase todos. Israel era o povo escolhido. E, na nação israelita, havia um homem privilegiado chamado Simeão a quem havia sido anunciado que não morreria sem ver o Messias.

Nós somos mais privilegiados do que Israel e Simeão porque conhecemos toda a Revelação e recebemos a graça da fé em Cristo. Privilégio imerecido. Quantas pessoas melhores do que nós desejam saber as coisas que sabemos e, no entanto, desesperam na escuridão?

“Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.” (Mt 13,17)

Este privilégio traz, de imediato, duas consequências: agradecimento e ação. No episódio da cura dos dez leprosos, só um voltou para agradecer. Jesus disse: “Ué, não eram dez? Cadê os outros nove? Só um voltou para agradecer? E, ainda por cima, um estrangeiro?” E concluiu, dizendo ao samaritano: “A tua fé te salvou”. Nâo disse, mas ficou subentendido: “Quanto aos outros, a ingratidão os danou!”.

Agradecimento e… ação! Aqui entre nós, cara leitora, caro leitor, você conhece algum cristão agindo no Brasil hoje? Como diz o padre Paulo Ricardo, dá para contar nos dedos de uma mão aleijada. As nossas lideranças cristãs estão amedrontadas. O avanço do mal as assusta e elas mostram, finalmente, o vazio de que são feitas. Por isso, não espere nada delas. A briga é conosco, somos nós quem devemos dar a cara a tapa. Aos nossos líderes, está reservado o desprezo de Cristo:

– Deixai-os. São cegos e guias de cegos.

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Evasão Escolar

A Igreja Católica hoje comemora a festa de Dom Bosco, educador. O seu sistema de ensino, como todos os sistemas pedagógicos cristãos, baseia-se na frase de Cristo “conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”. É duro dizer isto, mas, na educação brasileira, há muito pouca gente querendo conhecer a verdade.

Um estudo do BID aponta o desinteresse dos jovens como a causa da alta evasão escolar brasileira. Segundo o banco, isto sugere “uma possível deficiência na qualidade da educação e na grade curricular para os jovens”. O fenômeno não pode ser analisado isoladamente, já que faz de toda uma mentalidade do povo brasileiro.

O sistema escolar brasileiro está, há décadas, infestado pelo marxismo (ou comunismo, socialismo, fascismo, escolha o nome da sua preferência, é tudo essencialmente igual). O problema é que, para Marx, não existe este negócio de “verdade”. O fundamento do marxismo é a negação da existência do absoluto. Desta forma, o ensino marxista não busca a realidade, a verdade das coisas; busca o aparelhamento ideológico.

Por outro lado, Nosso Senhor Jesus Cristo disse “Seja o seu sim, sim; não, não”. Marxismo e cristianismo opõem-se; um nega a verdade, o outro a busca. Os jovens brasileiros percebem, então, que irão à escola não para ouvir verdades, mas mentiras. Irão a um tipo de aula-trote. Por isso, fogem da sala de aula como o diabo da cruz.

Ao analisar a sociedade brasileira, é fácil perceber que o brasileiro típico, hoje, busca vencer na vida a qualquer custo, ganhar dinheiro. O resto não interessa. Educação, conhecimento, verdade, tudo isso não passa de instrumento para se dar bem. Quem vê a possibilidade de pegar o canudo para subir na vida, persiste; quem não vê, desiste. Mas todos seguem a “lei de Gérson”, o culto à esperteza. Olavo de Carvalho define inteligência como a capacidade de apreender a verdade. A esperteza, digo eu, pode ser definida como a capacidade de deixar os outros para trás, passar-lhes a perna. Aquela é dom divino; esta, influência maligna. Uma busca o bem comum acima de tudo, acima até do interesse pessoal; a outra, busca o interesse pessoal acima de tudo – é a lei do cão, o vale-tudo, a lei da selva. A rasteira e a facada nas costas se tornaram o pão nosso de cada dia.

O ponto de inflexão no comportamento do brasileiro ocorreu na década de 1960, época repleta de barbaridades. O concílio Vaticano II foi pautado pelo maldito pacto de Metz. A terceira parte do segredo de Fátima devia ter sido revelada por volta de 1960, a pedido da Virgem. Não foi. Maria, em 13 de julho de 1917 havia comprado a briga com o comunismo (“A Rússia irá espalhar os seus erros pelo mundo”); ela previra o infame acordo entre bispos católicos e o Kremlin. Antevira também o nascimento da Teologia da Libertação, concebida por Khrushchev em 1959. No Brasil, o golpe militar tirou momentaneamente os comunistas de cena, para, no passo imediatamente posterior, entregar-lhes as universidades e a mídia de massa. Em 1968, Marcuse insuflava a juventude em Paris. Mas, acima de todas estas porcarias, chegava às mãos das mulheres a pílula anticoncepcional. Com este novo fruto da árvore da ciência do bem e do mal, o demônio seduziu a Eva moderna. Se é para escolher um marco, um símbolo, um acontecimento do nosso tempo de dificuldades, eu elejo a pílula. Ela atingiu a mais forte das paixões humanas, a paixão sexual.

Face a ataques tão violentos, a civilização ocidental bambeou. O nosso país sofreu mais do que os outros, por diversos motivos. A frase evangélica “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” define exatamente o oposto do que quer o brasileiro típico de hoje. Não quer saber nem da verdade nem da liberdade dela advinda; muito menos, quer saber do Autor da frase.

Se o BID está realmente interessado na educação brasileira, de nada adianta alocar recursos em melhorias salariais, prédios ou instrumentos pedagógicos. É uma estratégia contraproducente. O correto é prestigiar quem está realmente interessado em ensinar a juventude e tem capacidade para fazê-lo.

Olavo de Carvalho, por exemplo.

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Os cientistas japoneses e as células-tronco

Cientistas japoneses desenvolveram uma técnica para a obtenção de células-tronco a partir de células adultas. A descoberta caiu como uma bomba no noticiário porque é um marco na pesquisa científica.

Cadê os “cientistas” pagos a peso de ouro por investidores inescrupulosos para defenderem a pesquisa com células embrionárias?

Cadê os defensores da lei da biossegurança, maluquice que igualava caroços de plantas a fetos humanos?

Cadê as ONGs bilionárias que manipularam os cadeirantes, iludindo-os?

Cadê a mídia que atacava a Igreja chamando-a de obscurantista e inimiga da ciência?

A Igreja de Cristo é a única esperança da humanidade. E, por Igreja, entendo não apenas a Igreja Católica, mas a Igreja formada por todas as pessoas que buscam o Bem, “em espírito e em verdade”, até mesmo quem não nunca ouviu falar em Nosso Senhor Jesus Cristo. Por exemplo, uma vez um padre, em missão, pregou o Evangelho a um grupo de indianos. No fim da prédica, um velhinho se aproximou e pediu o batismo. Desconfiado da conversão instantânea, o padre perguntou como o velho podia ter certeza da nova fé se conhecia a doutrina cristã há tão pouco tempo.

– Engano seu, respondeu o velho. Passei a minha vida inteira procurando Cristo.

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Cuba, uma ilha comunista de mortos de fome

A frase acima é de Ion Mihai Pacepa. Ontem, vendo a visita da delegação brasileira à ilha, lembrei-me do artigo do velho general “Quem é Raul Castro?“. Veja quem é este monstro, idolatrado pelos esquerdistas brasileiros.

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Viktor Frankl e o sentido da dor

Viktor Frankl criou a logoterapia, teoria segundo a qual os problemas psicológicos devem ser resolvidos buscando o sentido da vida. De acordo com Frankl, os acontecimentos, em si, têm importância relativa; muito mais importante é a resposta que damos a eles.

A frase que melhor define a logoterapia é de autoria desconhecida e foi citada por Stephen Covey no prefácio de Priosoners of Our Thoughts, livro de Alex Pattakos.

“Entre o estímulo e a resposta, há um intervalo;

Neste intervalo, reside a liberdade de escolher a nossa resposta;

Na nossa resposta, residem o nosso crescimento e a nossa felicidade.”

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Conheça mais vendo a entrevista A descoberta de um sentido no sofrimento.

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Comentário sobre a legítima defesa dos PMs na rua Sabará

“Um estilete, uma faca, uma arma branca, de perto, a curta distância, no corpo a corpo, é muito pior do que um revólver. Porque o revólver, pegando no tembor, ele não dispara; a faca você não pode pegar nela, ela corta.”

José Alberto de Siqueira Campos, sensei Corisco, professor de karatê

Maconha Recreativa

O Colorado é o primeiro estado americano a vender maconha para fins recreativos.

Recreativo?!

Recreação, para mim, é jogar bola, tomar sorvete ou ir ao cinema. Agora, “ficar doidão” mudou de nome. Chama-se “recreação”. É o Newspeak, a inversão revolucionária do vocabulário. Os droguistas – meu neologismo para os teóricos favoráveis à liberação das drogas –  usam dois argumentos. Primeiro: a legalização permite o controle governamental e, assim, inibe o mercado negro. Segundo: cigarro e álcool também são drogas, semelhantes à maconha, por exemplo.

O professor Olavo de Carvalho mais uma vez desmantela estas falácias. A legalização não acaba com o mercado negro; vide a pirataria de CDs e DVDs. No caso das drogas, é justamente o contrário, vem atender aos interesses dos produtores e distribuidores. Cigarro e álcool não podem ser comparados a drogas como a maconha porque não induzem à ação anti-social. Você já viu alguém fumar um Hollywood e ficar doidão? E o álcool só se torna um problema se ingerido sistematicamente, em quantidade e ao longo de muito tempo, levando ao alcoolismo; a diferença é de espécie, não de grau. Dá para comparar uma cerveja com um cigarro de maconha? Um cálice de vinho com uma carreira de cocaína?

Os objetivos ocultos por trás dos argumentos dos droguistas são dois. Grana e totalitarismo. O mercado das drogas é o mais lucrativo do mundo, seguido pelo tráfico de armas e de seres humanos, aí incluídos escravidão sexual e órgãos. Investidores internacionais, sem ética nem moral, querem ganhar dinheiro a qualquer custo. Para isso, nada melhor do que maconha, cocaína, crack, haxixe, lsd, ecstasy, heroína. Só de pensar, eles já entram em transe, nem precisam cheirar. Quanto ao totalitarismo, os déspotas precisam aniquilar as populações, abobalhá-las, levá-las ao vício porque o maior obstáculo à implantação das tiranias é o homem virtuoso. No caso específico das drogas, se houvesse mais virtude haveria menos dependentes – muitos jovens caem no vício devido à desesperança acarretada pela futilidade da vida dos pais.

Tenha tudo isso em mente ao assistir a boa reportagem feita pelo programa Sem Fronteiras – “Maconha já está sendo vendida legalmente no Colorado (EUA)“. Dê atenção especial ao lúcido depoimento do doutor Nicholas Pace. Os argumentos dos droguistas são hilariantes quando se conhece os interesses ocultos. O verme, exposto ao sol, morre por si. Sob este ponto de vista, a reportagem tem a verdadeira “finalidade recreativa”.

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Trégua de Pantera

A Coréia do Norte divulgou uma carta aberta à sua vizinha do sul propondo negociações de paz.

“Fie-se, porém, quem, em tais tréguas de pantera?”

– Guimarães Rosa

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Mulher Moderna

A mulher moderna é uma mulher dividida. Por um lado, tem a natural vocação de esposa, mãe e dona de casa. Por outro, a legítima vontade de colocar em prática todos os ensinamentos recebidos da educação escolar e de contribuir para o orçamento familiar. Sente-se, assim, puxada para ambos os lados pela falta de tempo para atender a tantas solicitações. Sente-se culpada, esticada, dilacerada e estressada.

Para complicar ainda mais, o feminismo veio para arregaçar. Originado da mentalidade de revolta – tão antiga quanto o mundo -, veio para colocar a mulher contra o homem. Ao velho “não servirei” de satanás, acrescentou as teorias de Marx, Fromm e Marcuse. Trouxe o feminismo algum benefício para a mulher? Sem dúvida, mas muito mais teria feito se tivesse ficado quieto. As conquistas femininas teriam sido muito maiores e mais rápidas.

Vou dizer para você o que o feminismo deu à mulher: dupla jornada de trabalho, ataque cardíaco, depressão, pressão alta, aborto, divórcio, estresse, filhos sem pai, homicídio e suicídio. Os governos adoraram o feminismo (dobrou o número de contribuintes), bem como os maus empresários (dobrou a força de trabalho, com a consequente diminuição da remuneração). Na esteira da dissolução das famílias, trouxe também as drogas. Mais ainda: trouxe a pressão social para que a mulher trabalhe fora, seja independente, e nivelou por baixo a conduta sexual (“Se o homem pode ser porco, por que a mulher também não pode?”).

No embalo de tão belos pensamentos, o feminismo ganhou força graças a uma mentira. A pílula – o grande símbolo da “liberdade” feminina – foi inventada na década de 1950 mas só na década de 1960 chegou comercialmente às massas. O controle da natalidade, até então nas mãos do homem, passou para a mulher, mas da pior maneira possível. Ela podia tomar a pílula escondida, ou seja, podia mentir para o parceiro. O feminismo é baseado na mentira.

Face a tão belo quadro, todos nos perguntamos o que pode ser feito.

Em discurso dirigido às participantes do 29° Congresso Nacional do Centro Italiano Feminino, o Papa Francisco deu a receita, a mesma de sempre. A mulher deve buscar a sua vocação por meio do diálogo com Deus, da atenção à sua Palavra e da frequência aos Sacramentos. Maria, forte protagonista do primeiro milagre de Cristo, do Calvário e de Pentecostes, é o exemplo do significado e do papel da mulher na sociedade. Em outras palavras, exatamente o oposto do que prega a ideologia de antagonismo entre a mulher e Deus, entre a mulher e o homem.

O demônio é esperto. Sabe que, caída a mulher, toda a sociedade desmorona. No Paraíso, tentou Eva porque sabia que ela conseguiria enganar Adão, mas o inverso não era verdadeiro – Adão jamais teria conseguido enganar Eva. Hoje, como ontem.

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