Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

A elegância do ouriço

“Meu nome é Renée e tenho cinquenta e quatro anos. Há vinte e sete sou a concierge, a zeladora de um belo palacete da Rue de Grenelle, prédio com oito apartamentos de alto luxo. Sou viúva, baixinha, feia e gordinha. Não estudei, sempre fui pobre, discreta e insignificante. Vivo sozinha com meu gato, um bichano gordo e preguiçoso. Gosto de ver filmes, de ouvir música clássica e adoro literatura russa. Para os moradores, não passo de uma empregada inculta e desprezível, e é bom que seja assim. Não faço questão que me conheçam como sou. Ninguém conceberia uma concierge dedicada ao estudo da filosofia alemã. De vez em quando, descuido e deixo escapar alguma frase inteligente, mas sempre sou salva pela incapacidade dos seres humanos de acreditar naquilo que explode as molduras de seus mesquinhos hábitos mentais.”

“Meu nome é Paloma, tenho doze anos e moro na Rue de Grenelle. Meus pais são ricos, minha família é rica. Vivemos entre a hipocrisia e a vaidade. Sou excepcionalmente inteligente e, mesmo comparada com os adultos, sou muito mais esperta que a maioria deles. Não me orgulho disso, porque não é mérito meu. Na verdade, procuro esconder a minha inteligência e a minha sensibilidade tratando as pessoas com agressividade. Sou fã da cultura japonesa, estudo japonês no colégio e adoro mangás. Em breve vou sair da infância e, apesar da certeza de que a vida é uma farsa, não creio que conseguirei resistir até o fim. Por isso já tomei uma decisão: no dia do meu aniversário de treze anos, vou colocar fogo no apartamento, ingerir um monte de remédios que venho pegando escondida de mamãe e vou me suicidar.”

Neste pequeno universo de luxo e ostentação, um novo morador veio causar alvoroço. O senhor Kakuro Ozu, de 60 anos, chamou a atenção de todos por ser extremamente rico, extremamente culto e extremamente atencioso. Fino observador, logo fez amizade com a menina Paloma, impressionada por ver de perto um japonês de verdade. O novo vizinho trouxe, na mudança, dois gatos cujos nomes foram tirados de um romance russo – e assim conseguiu surpreender e cativar Renée. O perspicaz japonês logo percebe, em ambas, a beleza e a delicadeza escondidas por trás do comportamento frio e autodestruidor. A sagacidade de Kakuro permite às duas heroínas descobrirem, nelas e nos outros, qualidades até então ocultas. E, com elas, o leitor.

Conheça toda a história no livro “A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery, romance francês de 2006.

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“O francês é o povo mais inteligente do mundo” (Gustavo Corção)

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“A França ainda é o principal país gerador de idéias” (Olavo de Carvalho)

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