Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Inteligência e Esperteza

Segundo Olavo de Carvalho, a inteligência é a capacidade de apreender a verdade. Por outro lado, a esperteza pode ser definida como a capacidade de deixar os outros para trás, passar-lhes a perna.

A inteligência é dom divino. Busca a Verdade e o Bem Supremo. Busca também o bem dos outros, na esteira do mandamento divino “Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo”. É a regra de ouro, conhecida por todos os povos. O inteligente está disposto até mesmo a se deixar prejudicar em nome do bem comum. Os antigos já diziam: melhor ser vítima de uma injustiça do que cometê-la. A inteligência busca a graça de Deus.

O incapaz, querendo virar inteligente na marra, recorre à esperteza, simulacro maligno da inteligência. Vale tudo para passar na frente dos outros. Rasteiras, fofocas, difamação, facada nas costas, intrigas, boatos. O demônio, mentiroso e homicida, é o pai da esperteza. Vendo a presença do mal no mundo, o esperto pensa: se todos agem mal, por que eu também não posso agir? Por que não posso enganar quem me engana? Se todos estão roubando, porque eu não posso roubar? Ladrão que rouba ladrão não tem mil anos de perdão?

Não! Ladrão que rouba ladrão não tem perdão pois afasta o objeto roubado ainda mais do seu legítimo dono. Dizer que o comportamento alheio justifica um comportamento ilícito é dizer que a virtude é relativa – uma contradição em termos. Em outras palavras, é criticar o sacrifício de Cristo, o Justo sem pecado que perseguiu a virtude até o limite. Cada ato de esperteza é um insulto, um escárnio, um tapa na Divina Face. Se você for esperar o ambiente ideal para exercer a virtude, pode esperar sentado.

A esperteza nacional é o ar que respiramos. E, assim, a mentalidade mesquinha do brasileiro vai conduzindo o país ladeira abaixo. Juros, carga tributária, mortes no trânsito, assassinatos, fracasso escolar – o Brasil é sempre destaque nestas barbaridades. No Maranhão, exemplo emblemático da situação nacional, a esperteza se traduz em decapitações, incêndios e população desesperada. As cenas de bárbarie exibidas pelos meios de comunicação são o símbolo máximo da nossa cultura da esperteza.

Por isso, você, brasileiro esperto, é o verdadeiro assassino da menina Ana Clara, queimada viva aos seis anos de idade.

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