Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Revolução Mexicana

Hoje é aniversário da Revolução Mexicana, iniciada em 1910.

Como todas as revoluções comunistas, só trouxe prejuízo. Prometia salvar o México da destruição pela Igreja Católica mas só conseguiu transformá-lo num fornecedor de drogas e numa sociedade de miseráveis (cfr Olavo de Carvalho).

As revoluções do México, Rússia, China, Camboja e Cuba – só para citar algumas – foram responsáveis por mais de 100 milhões de mortos. Todas garantiam o paraíso na terra, a sociedade igualitária e o fim do dinheiro (este mal capitalista) mas transformaram os seus países num inferno, criaram abismos sociais e deram  fim no dinheiro… dos outros.

Quando perceberam que a revolução pela força não dava mesmo certo, os socialistas embarcaram na aventura da revolução cultural, ou seja, a destruição lenta e progressiva dos valores cristãos. Hoje, com a Igreja em frangalhos, a civilização ocidental cambaleia: o mundo precisa ser recristianizado (João Paulo II) e precisamos criar a civilização do amor (Bento XVI).

Eis a nossa tarefa, eis a luta que nos aguarda.

Os mártires mexicanos nos deram o exemplo de entrega pelo ideal de vida, resumido no seu grito de guerra:

– Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!

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A Capa de Martinho

Na véspera da batalha, o já convertido oficial Martinho se dirigiu ao imperador, dizendo que não ia combater.

– Você não quer lutar porque está com medo!

– Não estou, e para provar isso, amanhã estarei na linha de frente, desarmado.

Passou aquela noite orando por uma solução e eis que, ao amanhecer, o inimigo enviou embaixadores para negociar a paz.

Este foi um dos muitos episódios espetaculares na vida de Martinho de Tours. O mais conhecido é certamente o episódio da capa. Para quem não conhece, eis a história.

Martinho nasceu em 316, onde hoje é a Hungria. O seu pai era soldado romano, e o nome do filho é uma referência a Marte, deus da guerra. Foi alistado no exército pelo pai. Foi servir na Gália onde, um dia, sob o rigoroso inverno, viu um mendigo passando frio. Cortou metade da capa com a espada e deu ao coitado. Naquela noite, viu Cristo embrulhado em sua meia capa. Por isso, decidiu abraçar a vida religiosa.

Fundou mosteiros, fez milagres, foi eleito bispo da cidade de Tours por aclamação.

Quando morreu, aos 81 anos de idade, o seu símbolo – a capa – foi colocada num oratório para adoração.

Que nome você daria a um oratório onde se venera uma capa?

– Capela!

Veja até onde chega a influência de um santo!

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O Ataque de Moscou ao Vaticano

O texto abaixo é a tradução de Moscow’s Assault on the Vatican, artigo de Ion Mihai Pacepa, publicado no National Review em 25 de janeiro de 2007.

O general Ion Mihai Pacepa é oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. É autor de Red Horizons, livro traduzido para 27 idiomas, grandemente responsável pela queda de Ceausescu, ditador comunista da Romênia. A obra era tida pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”.

O seu mais recente livro, Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado em junho de 2013.

Pacepa vive nos EUA, sob identidade secreta.

 

O Ataque de Moscou ao Vaticano

Uma das prioridades da KGB é corromper a Igreja.

A União Soviética jamais se sentiu confortável convivendo com o Vaticano no mesmo mundo. As descobertas mais recentes provam que o Kremlin estava disposto a não medir esforços para neutralizar o forte anti-comunismo da Igreja Católica.

Em março de 2006, uma comissão parlamentar italiana concluiu que “além de toda dúvida razoável, os líderes da União Soviética tomaram a iniciativa de eliminar o papa Karol Wojtyla” em retaliação à sua ajuda ao movimento dissidente Solidariedade na Polônia. Em janeiro de 2007, quando documentos mostraram a colaboração do recém-nomeado arcebispo de Warsaw, Stanislaw Wielgus, com a polícia política na época da Polônia comunista, ele admitiu a acusação e se aposentou. No dia seguinte, o prior da Catedral Wawel de Cracóvia, local de sepultamento de reis e rainhas poloneses, se aposentou pela mesma razão. Em seguida, soube-se que Michal Jagosz, um membro do tribunal do Vaticano que estuda a santidade do depois Papa João Paulo II, foi acusado de ser um antigo agente da polícia secreta comunista; de acordo com a mídia polonesa, ele foi recrutado em 1984 antes de deixar a Polônia devido a uma indicação para o Vaticano. Atualmente, está prestes a ser publicado um livro que irá revelar a identidade de outros 39 sacerdotes cujos nomes foram descobertos nos arquivos da polícia secreta de Cracóvia, alguns deles bispos atualmente. Além disso, estas revelações parecem ser apenas a ponta do iceberg. Uma comissão especial em breve iniciará uma investigação do passado de todos os religiosos durante a era comunista, quando, acredita-se, milhares de sacerdotes católicos daquele país colaboraram com a polícia secreta. Isto apenas na Polônia – os arquivos da KGB e os da polícia política nos demais países do antigo bloco soviético ainda precisam ser abertos para investigar as operações contra o Vaticano.

Na minha outra vida, quando estava no centro das guerras de inteligência estrangeira de Moscou, me vi pego em um esforço deliberado do Kremlin para manchar a reputação do Vaticano, retratando o Papa Pio XII como um frio simpatizante do nazismo. No fim das contas, a operação não causou nenhum dano duradouro, mas deixou um amargo sabor residual de difícil eliminação. A história jamais foi contada antes.

O ATAQUE À IGREJA

Em fevereiro de 1960, Nikita Khrushchev aprovou um plano ultra-secreto para destruir a autoridade moral do Vaticano na Europa Ocidental. O plano era um criativo fruto de Aleksandr Shelepin, chefe da KGB, e de Aleksey Kirichenko, membro do Politburo soviético responsável por políticas internacionais. Até aquele momento, a KGB tinha lutado contra o seu “inimigo mortal” na Europa Oriental, onde a Santa Sé havia sido cruelmente atacada como um covil de espiões a soldo do imperialismo americano, e os seus representantes haviam sido sumariamente presos sob acusação de espionagem. Agora, Moscou queria desacreditar o Vaticano imputando-lhe a pecha de bastião do nazismo, usando os seus próprios sacerdotes, em seu próprio território.

Eugenio Pacelli, o Papa Pio XII, foi escolhido como alvo prioritário da KGB, a sua encarnação do demônio, pois havia deixado este mundo em 1958. “Mortos não podem se defender” era o slogan da KGB na época. Moscou acabara de ganhar um olho preto por ter falsamente incriminado e encarcerado um prelado do Vaticano, o cardeal József Mindszenty, primaz da Hungria, em 1948. Durante a revolução húngara de 1956, ele escapara da prisão e pedira asilo na embaixada americana em Budapeste, onde começou escrever as suas memórias. Quando os detalhes de como ele havia sido condenado se tornaram conhecidos de jornalistas ocidentais, foi visto por todos como um santo herói e mártir.

Como Pio XII havia servido como núncio papal em Munique e Berlin quando os nazistas estavam iniciando a sua tentativa de chegar ao poder, a KGB queria retratá-lo como um anti-semita encorajador do Holocausto. O desafio era realizar a operação sem dar o menor sinal do envolvimento do bloco soviético. Todo o trabalho sujo devia ser feito por mãos ocidentais, usando evidências do próprio Vaticano. Isto corrigiria outro erro cometido no caso de Mindszenty, incriminado com documentos soviéticos e húngaros falsificados. (Em 6 de fevereiro de 1949, alguns dias após o julgamento de Mindszenty, Hanna Sulner, a especialista húngara em caligrafia que havia fabricado a “evidência” usada para incriminar o cardeal, fugiu para Viena e exibiu os microfilmes dos “documentos” em que se baseara o julgamento encenado. Hanna demonstrou, em um testemunho minuciosamente detalhado, que os documentos eram todos forjados, produzidos por ela, “alguns pretensamente escritos pelo cardeal, outras exibindo a sua suposta assinatura”.

Para evitar outra catástrofe como a de Mindszently, a KGB precisava de alguns documentos originais do Vaticano, mesmo remotamente ligados a Pio XII, os quais os seus especialistas em desinformação poderiam modificar levemente e projetar “na luz apropriada” para provar as “verdadeiras cores” do Papa. A KGB, entretanto, não tinha acesso aos arquivos do Vaticano, e aí entrou o meu DIE, o serviço romeno de inteligência estrangeira. O novo chefe do serviço de inteligência estrangeira soviético, general Aleksandr Sakharovsky, havia criado o DIE em 1949 e havia sido até pouco tempo antes o nosso conselheiro-chefe soviético; o DIE, ele sabia, estava em excelente posição para contactar o Vaticano e obter aprovação para pesquisa em seus arquivos. Em 1959, quando fui nomeado para a Alemanha Oriental no disfarçado cargo de representante-chefe da Missão Romena, havia conduzido uma “troca de espiões” na qual dois oficiais do DIE (coronel Gheorghe Horobet e major Nicolae Ciuciulin), pegos com em flagrante na Alemanha Ocidental, foram trocados pelo bispo católico Augustin Pacha, preso pela KGB sob uma espúria acusação de espionagem, e que finalmente retornava ao Vaticano via Alemanha Ocidental.

INFILTRAÇÃO NO VATICANO

“Seat 12” era o codinome dado a esta operação contra Pio XII e eu me tornei o seu ponta-de-lança romeno. Para facilitar o meu trabalho, Sakharovsky me autorizou a informar (falsamente) o Vaticano que a Romênia estava pronta para restabelecer as relações cortadas com a Santa Sé, em troca ao acesso aos seus arquivos e um empréstimo sem juros de um bilhão de dólares por 25 anos. (As relações da Romênia com o Vaticano haviam sido cortadas em 1951, quando Moscou acusou a nunciatura do Vaticano na Romênia de ser um front da CIA disfarçado e fechou os seus escritórios. Os edifícios da nunciatura em Bucareste haviam sido revertidos ao DIE e hoje abrigam uma escola de idioma estrangeiro.) O acesso aos arquivos papais, eu havia dito ao Vaticano, era necessário para encontrar raízes históricas que ajudariam o governo romeno a justificar publicamente a sua mudança de atitude em relação à Santa Sé. O bilhão de dólares (não, isto não é erro de digitação), me disseram, havia sido introduzido no jogo para tornar a alegada mudança de opinião romena mais plausível. “Se há uma coisa que estes monges entendem é dinheiro” disse Sakharovsky.

O meu anterior envolvimento na troca do bispo Pacha pelos dois oficiais do DIE realmente abriram as portas para mim. Um mês após ter recebido as instruções da KGB, fiz meu primeiro contato com um representante do Vaticano. Por razões de segredo, o encontro – e a maioria das reuniões seguintes – ocorreu em um hotel em Genebra, Suíça. Fui apresentado a um “membro influente do corpo diplomático” que, me disseram, havia começado a carreira trabalhando nos arquivos do Vaticano. O seu nome era Agostino Casaroli, e eu logo perceberia a sua grande influência. Imediatamente, este monsenhor deu-me acesso aos arquivos do Vaticano, e logo três jovens oficiais do DIE disfarçados de sacerdotes romenos estavam mergulhados nos arquivos papais. Casaroli também concordou “em princípio” com o pedido de Bucareste pelo empréstimo sem juros, mas disse que o Vaticano desejava impor certas condições. (Até 1978, quando deixei a Romênia para sempre, eu ainda estava negociando o empréstimo, diminuído então para 200 milhões de dólares.)

Durante os anos 1960-62, o DIE conseguiu furtar dos Arquivos do Vaticano e da Biblioteca Apostólica centenas de documentos ligados, de alguma forma, ao Papa Pio XII. Tudo era imediatamente enviado para a KGB por um correio especial. Na realidade, nenhum material incriminador contra o Pontífice emergiu de todos aqueles documentos secretamente fotografados. A maior parte eram cópias de cartas pessoais e transcrições de reuniões e discursos, tudo formatado na rotineira linguagem diplomática esperada. A KGB, entretanto, continuava pedindo mais documentos. E nós enviávamos mais.

A KGB PRODUZ UMA PEÇA

Em 1963, o general Ivan Agayants, o famoso chefe do departamento de desinformação da KGB, foi a Bucareste para nos agradecer pela ajuda. Disse-nos que o “Seat-12” havia se materializado em uma poderosa peça de ataque contra o Papa Pio XII, intitulada The Deputy (O Representante), uma referência indireta ao Papa como representante de Cristo na terra. Agayants levou o crédito pelo formato da peça, e nos disse que ela tinha extensos apêndices de documentos para lhe dar sustentação, anexados pelos seus especialistas com a ajuda de documentos furtados por nós do Vaticano. Agayants também nos disse que o produtor da The Deputy, Erwin Piscator, era um comunista devoto com um relacionamento de longa data com Moscou. Em 1929, ele havia fundado o Teatro do Proletariado em Berlim, e em seguida procurado asilo político na União Soviética quando Hitler chegou ao poder, e, poucos anos depois, “emigrou” para os EUA. Em 1962, Piscator voltou a Berlim Ocidental para produzir The Deputy.

Em todos os meus anos na Romênia, sempre lidei com os meus chefes da KGB com um certo cuidado pois eles costumavam manejar os acontecimentos de forma a fazer a inteligência soviética a mãe e o pai de tudo. Mas eu tinha razões para acreditar na declaração auto-elogiosa de Agayants. Ele era uma lenda viva no campo da desinformação. Em 1943, morando no Irã, Agayants lançara o relatório de desinformação segundo o qual Hitler havia montado uma equipe especial para sequestrar o presidente Franklin Roosevelt da embaixada americana em Teerã durante a Conferência de Cúpula Aliada a ser realizada lá. Por isso, Roosevelt concordou em montar o seu quartel-general em uma vila sob a “segurança” do complexo da Embaixada Soviética, protegida por uma grande unidade militar. Todo o pessoal soviético designado para aquela vila era composto por oficiais de inteligência disfarçados, com domínio do idioma inglês, mas, com poucas exceções, eles mantinham isto em segredo para poderem escutar as conversas. Mesmo com as capacidades técnicas limitadas da época, Agayants conseguiu proporcionar a Stalin, de hora em hora, relatórios de acompanhamento sobre os hóspedes americanos e britânicos. Isto ajudou Stalin a obter o acordo tácito de Roosevelt para deixá-lo manter sob domínio os países bálticos e os demais territórios ocupados pela União Soviética em 1939-40. Agayants também levou o crédito por ter induzido Roosevelt a usar o familiar tratamento “Tio Joe” para Stalin naquele encontro. De acordo com o relato de Sakharovsky para nós, Stalin estava mais orgulhoso disso até mesmo do que dos territórios ganhos. “O aleijado é meu!” teria exultado.

Exatamente um ano antes do lançamento da peça The Deputy, Agayants realizou outra ação bem sucedida. Inventou um manuscrito concebido para convencer o Ocidente de que, no fundo, o Kremlin pensava bem dos Judeus; isto foi publicado na Europa Ocidental, com muito sucesso entre o público, na forma de um livro intitulado Notes for a Journal. O manuscrito foi abribuído a Maxim Litvinov, nascido Meir Walach, o aposentado comissário soviético para relações exteriores, demitido em 1939 quando Stalin purgou o seu aparato diplomático de judeus em preparação para a assinatura do pacto de “não-agressão” com Hitler. (O Pacto de Nâo-Agressão Stalin-Hitler foi assinado em 23 de agosto de 1939 em Moscou. Continha um Protocolo secreto dividindo a Polônia entre os dois signatários e dava aos soviéticos autoridade sobre Estônia, Letônia, Finlândia, Bessarábia e Bucovina do Norte.) Este livro de Agayants estava tão perfeitamente falsificado que o mais proeminente estudioso da Rússia Soviética, o historiador Edward Hallet Carr, ficou totalmente convencido da sua autenticidade e até escreveu uma introdução para ele. (Carr havia escrito uma História da Rússia Soviética, em 10 volumes.)

A peça The Deputy foi lançada em 1963 como um trabalho de um desconhecido alemão oriental chamado Rolf Hochhuth, sob o título Der Stellvertreter. Ein christliches Trauerspiel (The Deputy, a Christian Tragedy). A tese central era que Pio XII havia apoiado Hitler e o encorajara a ir adiante com o Holocausto Judeu. O livro acendeu imediatamente uma gigantesca controvérsia acerca de Pio XII, descrito como um homem frio e sem coração, mais preocupado com as propriedades do Vaticano do que com o destino das vítimas de Hitler. O texto original apresentava uma peça de oito horas, apoiada por cerca de 40 a 80 páginas (dependendo da edição) do que Hochhuth chamou “documentação histórica”. Em um artigo de jornal publicado na Alemanha em 1963, Hochhuth defende a sua representação de Pio XII dizendo: “Os fatos estão aí – quarenta páginas repletas de documentos no apêndice da minha peça.” Em uma entrevista de rádio em Nova Iorque em 1964, quando The Deputy foi lançada lá, Hochhuth disse “Eu considerei necessário adicionar à peça um apêndice histórico, cinquenta a oitenta páginas (dependendo do tamanho da impressão)”. Na edição original, o apêndice é intitulado “Historische Streiflichter” (fragmentos históricos). The Deputy foi traduzida para cerca de 20 idiomais, drasticamente cortada e normalmente sem o apêndice.

Antes de escrever The Deputy, Hochhuth, que não tinha diploma secundário (Abitur), estava trabalhando em diversos trabalhos desimportantes para o grupo editorial Bertelsmann. Em entrevista, declarou que em 1959 obtivera uma licença de ausência de trabalho e ido para Roma, onde passara três meses conversando e em seguida escrevento o primeiro rascunho da peça, e onde havia proposto uma “série de questões” a um bispo cujo nome recusou a revelar. Pouco provável! Quase na mesma época, eu costumava visitar o Vaticano regularmente como representante credenciado de um chefe de estado, e nunca encontrei nenhum bispo tagarela para conversar no corredor comigo – e não foi por falta de tentativa. Os oficiais ilegais do DIE infiltrados por nós no Vaticano também encontraram quase as mesmas dificuldades insuperáveis para penetrar nos arquivos secretos do Vaticano, mesmo com o inexpugnável disfarce de sacerdote.

Nos meus velhos tempos do DIE, quando podia pedir ao meu chefe pessoal, general Nicolae Ceausescu (o irmão do ditador) para me dar um relatório detalhado do arquivo de algum subordinado, ele sempre perguntava “Para promoção ou demoção?” Durante os seus primeiros dez anos de vida, The Deputy tendeu na direção da demoção do Papa. Gerou uma enxurrada de livros e artigos, alguns acusando outros defendendo o pontífice. Alguns chegaram até a jogar a culpa pelas atrocidades em Auschwitz nas costas do Papa, outros meticulosamente reduziram os argumentos de Hochhuth a pó, mas todos contribuíram para a enorme atenção recebida na época por esta peça trapaceira. Hoje, muitas pessoais que jamais ouviram falar na The Deputy estão sinceramente convencidas que Pio XII foi um homem frio e malvado que odiava os judeus e ajudou Hitler a eliminá-los. Como Yury Andropov, o chefe da KGB e o inigualável mestre da enganação soviética, costumava me dizer, as pessoas são mais aptas a acreditar em sujidade do que em santidade.

CALÚNIAS ENFRAQUECIDAS

Em meados da década de 1970, The Deputy começou a perder força. Em 1974, Andropov admitiu para nós que, soubéssemos na época o que sabemos hoje, jamais teríamos ido atrás do Papa Pio XII. Referia-se a informações recentemente liberadas mostrando que Hitler, longe de ser amigo de Pio XII, na verdade tramou contra ele.

Poucos dias antes da admissão de Andropov, o antigo comandante supremo do esquadrão da SS alemã (Schutztaffel) na Itália durante a Segunda Guerra Mundial, general Friedrich Otto Wolff, havia sido solto da cadeia e confessado que em 1943 Hitler havia ordenado a ele raptar o Papa Pio XII do Vaticano. Aquela ordem havia sido tão confidencial que jamais foi trazida à tona após a guerra em nenhum arquivo nazista. Nem surgiu em nenhuma das inúmeras prestações de contas de oficiais da Gestapo e SS conduzidas pelos Aliados vitoriosos. Segundo a sua confissão, Wolff teria replicado a Hitler que a ordem levaria seis semanas para ser cumprida. Hitler, que culpava o Papa pela derrota do ditador italiano Benito Mussolini, queria a ordem cumprida imediatamente. Por fim, Wolff persuadiu Hitler que haveria uma forte reação negativa se o plano fôsse implementado, e o Führer o abandonou.

Também em 1974, o cardeal Mindszenty publicou o seu livro Memoirs, no qual descreve em dolorosos detalhes como foi falsamente incriminado na Hungria comunista. Com provas baseadas em documentos fabricados, ele foi acusado de “traição, mal uso de moeda estrangeira e conspiração”, ofensas “todas passíveis pena de morte ou prisão perpétua”. Ele também desceve como a sua falsa “confissão” ganhou então vida própria. “Qualquer um, parecia para mim, podia ter reconhecido imediatamente este documento como uma falsificação grosseira, pois era o produto de um trabalho malfeito e de uma mente inculta”, escreveu o cardeal. “Mas quando depois eu li os livros, jornais e revistas estrangeiros que lidaram com o meu caso e comentaram a minha “confissão”, percebi que o público deve ter concluído que a “confissão” havia sido realmente feita por mim, apesar de em estado semiconsciente e sob a influência de lavagem cerebral… e a polícia ter publicado um documento fabricado por ela mesma parecia muito descarado para se acreditar”. Além do mais, Hanna Sulner, a especialista em caligrafia húngara usada incriminar o cardeal, que havia escapado para Viena, confirmou ter forjado a “confissão” de Mindszenty.

Alguns anos depois, o Papa João Paulo II iniciou o processo de beatificação de Pio XII, e testemunhas do mundo inteiro provaram, de modo constrangedor para os adversários, que Pio XII era um inimigo, não um amigo, de Hitler. Israel Zoller, o rabi-chefe de Roma entre 1943-44, quando Hitler tomou a cidade, devotou um capítulo inteiro das suas memórias louvando a liderança de Pio XII. “O Santo Padre enviou uma carta para ser entregue em mãos aos bispos instruindo-os para levantar o claustro de conventos e monastérios, para poderem se tornar refúgio para os judeus. Sei de um convento onde as Irmãs dormiram no porão, emprestando as suas camas para os refugiados judeus”. Em 25 de julho de 1944, Zoller foi recebido pelo Papa Pio XII. Notas tomadas pelo secretário de estado do Vaticano, Giovanni Battista Montini (que se tornaria o Papa Paulo VI) mostram a gratidão do rabi Zoller ao Santo Padre por toda a sua ajuda para salvar a comunidade judaica em Roma – e os seus agradecimentos foram transmitidos pelo rádio. Em 13 de fevereiro de 1945, o rabi Zoller foi batizado pelo bispo auxiliar de Roma, Luigi Traglia, na igreja de Santa Maria degli Angeli. Em agradecimento a Pio XII, Zoller tomou o nome cristão de Eugênio (o nome do Papa). Um ano depois, a esposa e a filha de Zoller também foram batizadas.

David G. Dalin, em The Myth of Hitler´s Pope: How Pope Pius XII Rescued Jews From the Nazis, publicado poucos meses atrás, compilou provas indiscutíveis da amizade de Eugenio Pacelli pelo judeus iniciada bem antes dele ser papa. No começo da Segunda Guerra Mundial, a primeira encíclica do Papa Pio XII foi tão anti-Hitler que a Real Força Aérea e a força aérea francesa lançaram 88 mil cópias dela sobre a Alemanha.

Ao longo dos 16 últimos anos, a liberdade de religião foi restaurada na Rússia e uma nova geração vem lutando para desenvolver uma nova identidade nacional. Só podemos esperar que o presidente Vladimir Putin decida abrir os arquivos da KGB e os coloque sobre a mesa, para todos verem como os comunistas caluniaram um dos mais importantes Papas do último século.

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A Cruzada Religiosa do Kremlin

“Até muito recentemente, eu acreditava que a Teologia da Libertação era apenas mais um entre tantos outros tolos projetos saídos da cabeça de Khrushchev, e que iria pelo ralo da história junto com ele. Novas revelações dos arquivos da KGB, entretanto, sugerem que a Teologia da Libertação pode ter alcançado um sucesso superior aos mais ousados sonhos de Khrushchev.”

O texto abaixo é a tradução do artigo The Kremlin Religious Crusade, do general romeno Ion Mihai Pacepa, publicado no Front Page Magazine em 30 de junho de 2009.

Ion Mihai Pacepa é oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. O seu livro Red Horizons, traduzido para 27 idiomas, foi grandemente responsável pela queda de Ceausescu, ditador comunista da Romênia. A obra era tida pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”. O seu mais recente livro, Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado em junho de 2013.

Pacepa vive nos EUA, sob identidade secreta.

A Cruzada Religiosa do Kremlin

Se você acha que a Rússia virou nossa amiga, é melhor reconsiderar. Não vamos gastar todo o nosso dinheiro em bem-estar e aquecimento global. Ainda precisamos nos defender contra os sonhos imperialistas do Kremlin, como mostrou a recente “eleição” do novo patriarca russo.

Há muito tempo o Kremlin usa a religião para manipular o povo. Os czares empregaram a igreja para conseguir a obediência doméstica. Os ditadores soviéticos mantiveram a população apaziguada usando a KGB, mas sonhavam com a revolução mundial. Após o front interno ter sido acalmado, encarregaram a KGB de trabalhar na igreja para ajudar o Kremlin a expandir a sua influência na América Latina e daí para outras regiões – desde Pedro, O Grande, os czares russos têm sido obcecados por encontrar um jeito de penetrar no Novo Mundo.

Uma tarefa importante da KGB durante os 27 anos nos quais pertenci a ela era criar um exército secreto de inteligência composto por  servos religiosos e usá-lo para promover os interesses do Kremlin mundo afora. Milhares destes funcionários que não concordaram em colaborar foram mortos ou enviados a gulags. Os submissos foram usados. Como os sacerdotes não podiam se tornar oficiais da KGB, assumiram a posição de oficial colaborador ou oficial disfarçado. Um colaborador recebia gratificações da KGB (promoções, viagens ao exterior, cigarros importados, bebidas estrangeiras etc.). Um oficial disfarçado recebia as mesmas gratificações, mais um salário suplementar secreto de acordo com sua classificação, real ou imaginária, na KGB. Para manter o segredo, todos os sacerdotes colaboradores ou disfarçados só eram conhecidos dentro da KGB pelos seus codinomes.

Segundo revelações recentes, a KGB continua empenhada na mesma cruzada religiosa de antes, apesar de, nesse meio tempo, ter discretamente mudado o seu nome para FSB [1] para propagar a idéia de que a criminosa polícia política soviética, responsável pela morte de mais de 20 milhões de pessoas, tinha sido dispersada pelos ventos da mudança.

Em 5 de dezembro de 2008, o patriarca russo Aleksi II morreu. A KGB o havia usado sob o codinome “DROZDOV” e o havia premiado com o seu Certificado de Honra, como mostra um arquivo da KGB acidentalmente deixado para trás na Estônia. [2] Pela primeira vez na história, a Rússia poderia eleger democraticamente um novo patriarca.

Em 27 de janeiro de 2009, o Sínodo dos 700 delegados reunidos em Moscou recebeu uma lista com três candidatos para apreciação. Todos, entretanto, pertenciam ao exército secreto da KGB: o Metropolitano Kirill de Smolensk trabalhou para a KGB sob o codinome “MIKHAYLOV”; o Metropolitano Filaret de Minsk acabou de ser identificado como tendo trabalhado para a KGB sob o codinome “OSTROVSKY”; o Metropolitano Kliment de Kaluga, descobriu-se recentemente, foi registrado sob o codinome “TOPAZ”. [3]

Quando os sinos da Catedral de Cristo Salvador em Moscou anunciaram a eleição de um novo patriarca, o Metropolitano Kirill, conhecido como “MIKHAYLOV”, surgiu como vencedor. Presumivelmente, a KGB/FSB o considerou o candidato melhor posicionado para executar as suas tarefas no exterior, para onde ele direcionou os seus esforços durante a maior parte da sua vida profissional. Em 1971, a KGB o enviou para Genebra como representante da Igreja Ortodoxa Russa no Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a maior organização ecumênica internacional depois do Vaticano, representando cerca de 550 milhões de cristãos de diversas denominações em 120 países. A sua tarefa era usar o cargo no CMI para espalhar a doutrina da Teologia da Libertação – um movimento religioso marxista nascido na KGB – por toda a América Latina. A KGB, em 1975, havia infiltrado “MIKHAYLOV” no comitê central do CMI e em 1989 também o havia indicado presidente das relações exteriores do patriarcado russo – posições mantidas quando “eleito” patriarca. Realmente, no seu discurso de posse, “MIKHAYLOV” anuncou a fundação de canais de tv religiosos na Rússia que pudessem ser assistidos no exterior.

O fato de “MIKHAYLOV” incidentemente ser um bilionário talvez tenha feito dele a pessoa ideal para o cargo pois a Rússia hoje é governada por uma cleptocracia da KGB – meu antigo colega da KGB, Vladimir Putin, sócio em reservas de gás da Rússia, se tornou um dos homens mais ricos da Europa. Por seu turno, “MIKHAYLOV” entrou no ramo de tabaco com isenção de tributos, cuja licença foi dada pelo governo de Putin – governo composto majoritariamente por oficiais aposentados da KGB. [4]

O meu primeiro contato com os esforços da KGB de usar a religião para expandir mundialmente a influência do Kremlin ocorreu em 1959. “A religião é o ópio do povo” [5] ouvi Nikita Khrushchev dizer, citando a famosa frase de Marx “então vamos dar ópio ao povo”. O líder soviético foi para Bucareste com o seu chefe de espionagem, general Sakharovsky, meu chefe de facto na época; foi este general quem criou em 1949 a Securitate, o equivalente romeno da KGB, e se tornou o seu primeiro conselheiro soviético. Khrushchev queria discutir um plano para tomar a parte ocidental de Berlin, então convertida na saída de emergência pela qual mais de três milhões de europeus orientais haviam debandado para o Ocidente.

Na época, eu atuava na Alemanha Oriental como chefe da Missão Romena e chefe da filial de inteligência romena, e, como “especialista em Alemanha”, participei da maior parte das discussões. “Nós vamos tomar Berlin”, Khrushchev nos garantiu. A sua “arma secreta” era Cuba. “Quando os ianques perceberem que estamos em Cuba, esquecerão Berlin Ocidental e nós a tomaremos também. Em seguida, usaremos Cuba como plataforma para lançar uma religião inventada pela KGB na América Latina”, região retratada por Khrushchev como uma cidadela já sitiada, prestes a se render ao Kremlin. Complicado? Sim, mas era assim que funcionava a mente dos tiranos comunistas.

Khrushchev chamou a nova religião inventada pela KGB de Teologia da Libertação. A sua inclinação por “libertação” havia sido herdada da KGB, que mais tarde criou a Organização para a Libertação da Palestina, o Exército Nacional de Libertação da Colômbia (ENL) e o Exército Nacional de Libertação da Bolívia. A Romênia era um país latino, e Khrushchev queria o nosso “parecer latino” sobre a sua nova guerra religiosa de “libertação”. Pediu também o envio de alguns dos nossos padres oficiais colaboradores ou disfarçados para a América Latina para ver como “nós” poderíamos tornar a sua nova Teologia da Libertação palatável naquela parte do mundo. Khrushchev contou com os nossos melhores esforços.

O lançamento de uma nova religião era um evento histórico, e a KGB se preparou totalmente para isso. Naquele momento, a KGB estava construindo uma nova organização religiosa internacional em Praga chamada Christian Peace Conference (CPC), cuja missão seria espalhar a Teologia da Libertação pela América Latina. Diferentemente da Europa, a América Latina daquela época ainda não havia sido contaminada pelo vírus marxista. A maior parte da população latino-americana era pobre, camponeses devotos que haviam aceitado o seu status quo. A KGB queria infiltrar o marxismo nesses países com a ajuda da Christian Peace Conference, concebida para, silenciosamente, incitar os camponeses a lutar contra a “pobreza institucionalizada”.

Nós, romenos, contribuímos com a formação da CPC fornecendo-lhes um pequeno exército de oficiais colaboradores e disfarçados. Para manter o segredo de toda a operação, também ordenamos que todas as nossas organizações religiosas envolvidas em negócios externos fôssem transformadas em entidades secretas de inteligência.

A nova CPC era subordinada ao venerável Conselho Mundial de Igrejas (CMI), outra criação da KGB, fundado em 1949 e cujo quartel-general também também estava, na época, em Praga. Como jovem oficial de inteligência, eu trabalhei para o CMI, e mais tarde coordenei as suas operações na Romênia. Ele era tão KGB como ainda é. Em 1989, quando a União Soviética estava à beira do colapso, o CMI admitiu publicamente que 90% do seu dinheiro vinha da KGB. [6]

O WPC publicava um periódico em francês, o Courier de la Paix, impresso em Moscou. A Christian Peace Conference publicava um periódico em inglês, o CPC INFORMATION, editado pela KGB, que apresentava o CPC ao mundo como uma organização ecumênica global preocupada com os problemas de paz. A missão oculta da CPC era, entretanto, incitar o ódio contra o capitalismo e contra a sociedade de consumo por toda a América Latina, e espalhar a Teologia da Libertação na região.

Até muito recentemente, eu acreditava que a Teologia da Libertação era apenas mais um entre tantos outros tolos projetos saídos da cabeça de Khrushchev, e que iria pelo ralo da história junto com ele. Novas revelações dos arquivos da KGB, entretanto, sugerem que a Teologia da Libertação pode ter alcançado um sucesso superior aos mais ousados sonhos de Khrushchev.

Em 1968, a CPC, criada pela KGB, conseguiu colocar um grupo de bispos sul-africanos esquerdistas no comando da Conferência de Bispos Latino-Americanos em Medelin, Colômbia. A tarefa oficial da Conferência era amenizar a pobreza. O seu verdadeiro e não declarado objetivo era reconhecer novos movimentos religiosos que encorajassem os pobres a se revoltar contra a “violência institucionalizada da pobreza” e recomendar a aprovação oficial deste objetivo ao Conselho Mundial de Igrejas. A Conferência de Medelin fez as duas coisas. Também engoliu o nome “Teologia da Libertação” nascido na KGB.

A Teologia de Libertação foi então formalmente introduzida no mundo pelo Conselho Mundial de Igrejas. Descobertas recentes mostram que um exército inteiro de oficiais colaboradores e disfarçados da KGB foram enviados de Moscou para ajudar. [7] Seguem abaixo alguns excertos dos documentos originais da KGB conhecidos como Arquivo Mitrokhin (descrito pelo FBI como o mais completo e extenso arquivo de inteligência jamais recebido de qualquer fonte), e documentos do Politburo liberados pelo Padre Gleb Yakumin, vice-presidente da comissão parlamentar russa responsável por investigar a manipulação da igreja pela KGB.

Agosto de 1969: os agentes “Svyatoslav”, “Adamant”, “Altar”, “Magister”, “Roschin” e “Zemnogorskiy” foram enviados pela KGB à Inglaterra para participar dos trabalhos do Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas. A agência [KGB] conseguiu frustrar atividades hostis [contra a Teologia da Libertação] e o agente “Kuznetsov” conseguiu penetrar na diretoria do CMI.

“ADAMANT”, líder deste grupo de ataque da KGB, era o Metropolitano Nikodim. “KUZNETSOV” era Aleksey Buyevsky, secretário leigo do departamento de relações exteriores do patriarcado chefiado por Nikodim.

Fevereiro de 1972: os agentes “Svyatoslav” e “Mikhailov” foram à Nova Zelândia e Austrália para participar de sessões do Comitê Central do CMI.

Como antes dito, ‘MIKHAYLOV” é Kirill, hoje o novo Patriarca da Rússia.

Julho de 1983: 47 agentes de órgãos da KGB, incluindo autoridades religiosas, clérigos e técnicos da delegação da União Soviética, foram enviados a Vancouver (Canadá) para a 6a Assembléia Geral do CMI.

Agosto de 1989: o Comitê Central do WCC organizou uma sessão especial da perestroika… Hoje, a agenda do CMI é também a nossa agenda. [8]

O Arquivo Mitrokhin, contendo cerca de 25 mil páginas de documentos altamente confidenciais da KGB, representa uma parte infinitesimal de todo o arquivo, estimado em 27 bilhões de páginas (a Stasi da Alemanha Oriental tinha 3 bilhões). Se algum dia este arquivo for realmente aberto sem ser higienizado, contará toda a verdadeira e arrepiante história.

Em 1984, o Papa João Paulo II encarregou a Congregação para a Doutrina da Fé, chefiada pelo cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, de preparar uma análise sobre a Teologia da Libertação. O devastador estudo expôs a Teologia da Libertação como uma combinação de “luta de classes” e “violento marxismo”, desferindo-lhe um sério golpe.

A Teologia da Libertação criada pela KGB está, entretanto, lançando raízes na Venezuela, Bolívia, Honduras e Nicarágua, países cujos camponeses apoiam as tentativas dos ditadores marxistas Hugo Chavez, Evo Morales, Manuel Zelaya (no momento exilado na Costa Rica) e Daniel Ortega de transformar os seus países em ditaduras policiais estilo KGB. Poucos meses atrás, Venezuela e Bolívia expulsaram os embaixadores americanos na mesma semana, e pediram proteção militar para a Rússia. Navios de guerra e bombardeiros russos estão de volta a Cuba – e agora na Venezuela – pela primeira vez desde a crise dos mísseis. O Brasil, a décima economia do mundo, parece estar seguindo a mesma trilha sob o comando do seu presidente marxista, Lula da Silva, criador, em 1980, do Partido dos Trabalhadores, um clone do comunista Partido Trabalhista da Romênia. Com a recente incorporação da Argentina – cuja presidente atual, Christina Fernandez de Kirchner, está também movendo o país na direção do rebanho marxista –  o mapa da América Latina parece majoritariamente vermelho.

Quando a Teologia da Libertação foi lançada no mundo, a KGB era um estado dentro do estado. Hoje, a KGB é o estado. Mais de seis mil dos seus antigos oficiais são membros dos governos russos federal e local, e 70% dos políticos russos se relacionam, de um jeito ou de outro, com a KGB. [10]

Logo após ter mudado o seu quartel-general para o Kremlin, a “nova” KGB/FSB decidiu enviar armas nucleares para a teocracia anti-americana que governa o Irã. Ao mesmo tempo, centenas de técnicos russos começaram a ajudar os mullahs iranianos a desenvolver mísseis de longo alcance capazes de transportar ogivas nucleares ou ogivas contendo armas bactereológicas até qualquer ponto do Oriente Médio ou da Europa. [11]

A velha manipulação da religião pela KGB hoje se tornou uma letal política externa russa.

[1] Federalnaya Sluzhba Bezopasnost, the Federal Security Service of the Russian Federation.
[2] Seamus Martin, “Russian Patriarch was KGB agent, Files Say,” The Irish Times, September 23, 2000 as published on http://www.orthodox.net/russia/2000-09-23-irish-times.html.
[3] “Russian Orthodox Church chooses between ‘ex-KGB candidates’ as patriarch,” Times Online, January 26, 2009. Christopher Andrew and Vasily Mitrokhin, The Mitrokhin Archive and the secret history of the KGB, (New York, Basic Books, 1999).
[4] Patriarch Kirril (Gunialev), http://www.russia-ic.com/people/general/328/
[5] Karl Marx, Contribution to Critique of Hegel’s Philosophy of Right, 1843, which was subsequently released a year later in Marx’s own journal Deutsch-Französische Jahrbücher, a collaboration with Arnold Ruge.
[6] Herbert Romerstein, Soviet Active Measures and Propaganda, Mackenzie Institute Paper no. 17 (Toronto, 1989), pp. 14-15, 25-26. WPC Peace Courier, 1989, no. 4, as cited in Andrew and Gordievsky, KGB, p. 629.
[7] “Manipulation of the Russian Orthodox Church & the World Council of Churches,” as punlished on http://intellit.muskingum.edu/russia_folder/pcw_era/sect_16e.htm.
[8] New Times (undercover magazine of the KGB published in English for Western consumption), July 25-31, 1989 issue.
[9] “Liberation Theology by Joseph Cardinal Ratzinger,” Ratzinger Home Page, as published on http://www.christengom-awake.org/pages/ratzinger/liberationtheol.htm.
[10] According to Gary Kasparov, “KGB State,” half of the Russian governmental positions are held by former KGB officers. The Wall Street Journal, September 18, 2003, found at http://online.wsj.com/article_print/0,,SB10638498253262300,00.html.
[11] William Safire, “Testing Putin on Iran, The New York Times, May 23, 2002, internet edition.

Fátima, 13 de Setembro de 1917

No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu a três pastorinhos – Lúcia, Francisco e Jacinta – em Fátima, Portugal. Pediu para que comparecessem naquele local todos os dias 13 dos meses seguintes, até outubro, quando diria quem era e o que queria.

Aos poucos, a notícia foi se espalhando e o número de pessoas presentes nas aparições foi crescendo. No dia 13 de setembro dezenas de milhares de pessoas se aglomeravam na Cova da Iria, local das visões. Quando saíram de suas casas, repletas de gente, naquela manhã, as três crianças iam cercadas de crentes e não crentes, curiosos e devotos, muitos dos quais pediam às crianças a intercessão da Virgem: a cura de doentes, o arrependimento de pecadores, o retorno dos filhos e maridos enviados à guerra; muitos se ajoelhavam, gritavam de longe, imploravam.

Lúcia, muito tempo depois, disse: “Quando agora leio no Novo Testamento essas cenas tão encantadoras da passagem de Nosso Senhor pela Palestina, recordo estas que tão criança ainda Nosso Senhor me fez presenciar nesses pobres caminhos e estradas de Aljustrel a Fátima e à Cova da Iria e dou graças a Deus oferecendo-Lhe a fé do nosso bom povo português e penso se esta gente se abate assim diante de três pobres crianças só porque a elas é concedida misericordiosamente a graça de falar com a Mãe de Deus, que não faria se visse diante de si o próprio Jesus Cristo?”*

Ao chegar ao destino, Lúcia rezou o terço, acompanhada pela multidão. Ao meio-dia, muitos viram um globo de luz se aproximando. Como das outras vezes, a temperatura amainou e a luz do sol diminuiu sensivelmente. Lúcia logo perguntou a Maria o que ela desejava. Nossa Senhora respondeu:

– Continuem a rezar o terço a Nossa Senhora do Rosário, todos os dias, para alcançarem o fim da guerra.

E insistiu para não faltarem ao encontro do mês seguinte. Ante o pedido de Lúcia para curar os doentes, disse:

– Alguns curarei, outros não, porque Nosso Senhor não se fia neles.

Ou seja, o milagre não aconteceria por falta de disposições suficientes. A outros, entretanto, a doença faria mais bem do que a cura, pois Deus tem sempre a visão da eternidade, e dispõe todas as coisas para o benefício eterno das almas.

Lúcia pediu um milagre, para todos acreditarem nela.

– Sim, em outubro farei um milagre para que todos acreditem.

– Umas pessoas deram-me duas cartas para a Senhora e um frasco de água de colônia.

– Isso de nada serve para o Céu!

Em seguida, despediu-se e começou a se elevar. Lúcia gritou:

– Se querem vê-la, olhem para ali!

Muitos puderam rever o fenômeno antes notado. Finda a aparição, as crianças foram sufocadas de perguntas.

“Foi com dificuldade que os pais conseguiram reconduzi-las às suas casas, que encontraram de novo literalmente cheias de gente. E as perguntas não deixaram de chover até que a noite veio cobrir com o seu manto de silêncio e de paz o rústico lugarejo de Aljustrel.”*

* Era Uma Senhora Mais Brilhante Que O Sol – Padre João M. de Marchi

Los Angeles, de Nuestra Señora

Hoje é aniversário da cidade de Los Angeles, na Califórnia. Foi fundada pelos espanhóis em 1781, com o nome de El Pueblo de Nuestra Señora la Reina de los Angeles del Río de Porciúncula. Vittorio Messori, em seu livro Hipóteses Sobre Maria, conta, de forma surpreendente, a história da colonização do estado da Califórnia e de outros territórios ao norte do México.

A Espanha, no século XVII, estava empenhada num esforço missionário jamais visto. Desta empreitada, participou de forma extraordinária uma monja concepcionista, família contemplativa enclausurada da Segunda Ordem Franciscana, Sóror Maria de Jesus de Ágreda. Jamais saiu da sua pequena cidade, onde faleceu em 1665, aos sessenta e três anos de idade. Com oito anos consagrou a sua virgindade a Deus; aos doze, pediu para se tornar religiosa. Foi agraciada com fenômenos carismáticos, de êxtases a visões.

Maria de Jesus de Ágreda foi missionária, sem nunca ter saído do seu mosteiro; esteve nas remotas terras do Novo México por mais de quinhentas vezes, por meio da bilocação – fenômeno que consiste em estar prodigiosamente presente em dois lugares ao mesmo tempo, coisa frequente na tradição da santidade, mas que, nesse caso, atinge um caráter desconcertantemente sistemático.

Os fatos, reconstituídos por historiadores norte-americanos, muitos deles insuspeitos protestantes ou judeus, mostram um grande enigma.

No início do século XVII, os incansáveis missionários franciscanos dirigiram-se, da América Central, para o território dos atuais EUA – Novo México, Texas e Arizona. Logo se depararam com os belicosos índios apaches, navajos e comanches, que massacraram os primeiros frades. Uma nova expedição partiu em 1622, com vinte e seis missionários. Perto do destino, os religiosos começaram a receber estranhas visitas: os caciques xumanas, chefes de uma das etnias mais perigosas. Mas não vinham com intenções hostis, muito pelo contrário, suplicavam aos franciscanos o batismo e outros sacramentos. Aos boquiabertos frades, os xumanas relataram que tinham sido convencidos a irem ao encontro dos missionários por uma senhora vestida de azul, que aparecia de tempos em tempos e lhes falava de Deus, de Cristo e de Maria, exortando-os a aceitar a fé. Azul era a cor do hábito das concepcionistas, às quais pertencia Maria de Jesus de Ágreda. Os frades se lembraram dela porque alguns haviam escutado estranhos relatos vindos da Espanha, sobre uma irmã enclausurada, de Castela, que conhecia a América melhor do que os seus próprios habitantes.

Isto foi em 1629. Alguns dos missionários penetraram no território dos xumanas e, chegados aos confins da região da tribo, eis que vinha ao encontro deles uma multidão de homens, mulheres e crianças com grandes cruzes enfeitadas com flores, como numa procissão – assim, disseram, lhes havia ensinado a sua senhora de azul.

Este episódio foi apenas o primeiro. Não apenas no Novo México, mas no Texas, Arizona e Califórnia, os missionários encontraram “selvagens”, que nunca haviam tido contato com europeus, mas que já haviam sido catequizados pela misteriosa missionária.

Em 1631, o padre Alonso de Bonavides, chefe da expedição ao Novo México, voltou para a Espanha, onde pôde falar com a irmã Maria de Jesus. Com muita simplicidade, a religiosa confidenciou que, talvez pelo seu desejo de salvação das almas, o Senhor lhe havia dado a possibilidade de se tornar missionária sem sair do convento. Ao espantado e comovido padre Alonso, descreveu os seus confrades na missão, relembrou episódios esquecidos até mesmo por ele e confirmou que tinha catequizado não apenas os xumanas, mas também outras tribos. E por que os padres não a viam? A irmã respondeu que os índios precisavam dela, e os padres não. No fim da vida, contou que esteve na América pelo menos quinhentas vezes.

A presença da venerável Ágreda está documentada em todo o imenso território ao norte do México. Com a lembrança dela, gerações de missionários ibéricos encontraram força e coragem para desafiar os perigos da natureza e dos homens. Isto ocorreu também no século XVIII, na evangelhização da Califórnia, o estado mais rico dos EUA, na história da fundação das cidades de São Francisco, Los Angeles e San Diego. Nos momentos dramáticos, a senhora de azul era invocada como protetora daquelas missões.

O aniversário de Los Angeles, cidade mais importante do estado mais rico do país mais rico do mundo, dedicada a Nossa Senhora, Rainha dos Anjos, faz lembrar a frase de uma jovenzinha judia, grávida de 2 meses, à sua igualmente desimportante prima, nos confins do império romano:

– “Eis que todas as gerações me chamarão bem-aventurada.”

O Pacto de Metz

Já antes do falecimento do ferrenho anticomunista Pio XII, ocorrido em 1958, Khrushchev procurava o apoio da Europa Ocidental e da Igreja por meio da sua política de “coexistência pacífica”, pois estava preocupado com o avanço da agressiva China vermelha. A sua intenção era dominar as Américas e precisava enfraquecer o duro discurso de Pio XII substituindo-o pelo famoso diálogo entre cristãos e marxistas.

Assim, enviados secretos soviéticos, a partir de 1957, mantiveram contatos cordiais com Siri, cardeal de Gênova, para verificar a possibilidade de estabelecer relações com a Santa Sé. Siri nada tentou com Pio XII, pois sabia ser inútil. Mas, em 1962, recomendou a João XXIII aceitar a boa vontade dos comunistas.

Por outro lado, João XXIII queria que todas as igrejas cristãs participassem do Concílio Vaticano II, cujo início se daria em outubro de 1962. Os titulares do Patriarcado de Moscou, sinceramente religiosos mas politicamente dependentes do Kremlin, haviam se dedicado, desde a eleição de João XXIII, a insultá-lo. Eles advertiam os demais patriarcas separados de Roma para não caírem no “canto de sereia” do Vaticano.  Por isso, causou surpresa quando, às vésperas do Concílio, altos representantes do Patriarcado de Moscou anunciaram a participação no evento.

Moscou havia feito um pacto com emissários do Vaticano.

O pacto – firmado em agosto de 1962, na cidade francesa de Metz, entre um representante da Santa Sé e um enviado do Patriarca Ortodoxo de Moscou – estabelecia que o Patriarcado participaria do Concílio enviando observadores e que a Santa Sé não formularia nenhuma condenação formal contra o comunismo. O acordo foi assinado pelo cardeal francês Tisserant, encarregado do Papa João XXIII, e pelo metropolita russo Nikodim.

Após a veemente condenação de Pio XII, que atribuíra o comunismo soviético à obra do demônio, o silêncio equivalia a uma tolerância. Nas atas do Concílio, aparecem as palavras capitalismo, totalitarismo, colonialismo mas não há nenhuma referência ao comunismo.

O pacto de Metz foi de suma importância para a estratégia soviética de ataque às Américas, feito a partir de Cuba, já então nas mãos de Fidel Castro. Hoje, sofremos na pele as consequências políticas e religiosas deste acordo. Foi uma grande vitória de Khrushchev sobre o ingênuo e bem-intencionado João XXIII, que, neste episódio, atuou com enorme cegueira histórica e estratégica. O papado de Paulo VI, iniciado ainda durante o Concílio, foi constrangido e marcado por esta nefasta aliança.

O pacto de Metz é uma das páginas mais negras da história da Igreja. Não ocorreu por acaso; Maria avisou em Fátima: “Cuidado com a Rússia”. Quem quiser estudá-lo não deve deixar de ler o livro Las Puertas del Infierno, de Ricardo de la Cierva.

Este triste acontecimento não pode ser esquecido pois os filhotes de Metz ainda estão por aí, barbarizando, e é nossa obrigação combatê-los. Além disso, como dizia o ensaísta americano George Santayana, quem não consegue se lembrar do passado está condenado a repetí-lo.

From Russia With Terror

A crise no Egito é mais um passo da Irmandade Muçulmana rumo ao califado mundial, longamente planejado. Vale a pena recordar os ensinamentos de Ion Mihai Pacepa sobre a influência do comunismo no terrorismo islâmico. A entrevista abaixo, conduzida pelo editor Jamie Glazov, foi publicada no site do Front Page Magazine em 1° de março de 2004, sob o título From Russia With Terror.

Ion Mihai Pacepa é um ex-general da Securitate, polícia secreta da Romênia comunista. Em 1978 pediu asilo político nos EUA, onde vive até hoje, sob identidade secreta. É o desertor de mais alta patente do Bloco Oriental. Escreveu diversos livros e artigos sobre os serviços de inteligência comunistas. O seu mais recente livro, lançado em junho, é Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em coautoria com Ronald Rychlak (ISBN-10: 1936488604).

Segue-se a entrevista:

O convidado de hoje da Frontpage interview é Ion Mihai Pacepa, ex-chefe do serviço de espionagem da Romênia comunista. Em 1987, ele publicou Red Horizons (REGNERY GATEWAY), traduzido em 24 países. Em 1999, Pacepa escreveu The Black Book of the Securitate, o livro mais vendido na Romênia em todos os tempos. No momento, está finalizando um livro sobre as origens do anti-americanismo atual.

Frontpage Magazine: Bem-vindo à Frontpage Interview, Mr. Pacepa. Como ex-chefe da espionagem romena, que recebia ordens diretas da KGB soviética, o senhor obviamente sabe de muita coisa. O senhor escreveu sobre o fornecimento soviético de armas de destruição em massa (WMD – Weapon of Mass Destruction) para Saddam Hussein, e também sobre como o ensinaram a eliminar vestígios delas. Pode comentar este assunto e nos dizer sobre a sua ligação com as “WMD desaparecidas” no Iraque atualmente?

Pacepa: A memória política contemporânea parece ter sido convenientemente atingida por um tipo de doença de Alzheimer. Não faz muito tempo, todos os líderes ocidentais, começando pelo presidente Clinton, clamavam contra as WMD de Saddam Hussein. Agora, quase ninguém se lembra que, após ter desertado para a Jordânia em 1995, o general Hussein Kamel, genro de Saddam Hussein, nos ajudou a encontrar “mais de cem baús e caixas de metal” contendo documentação “relativa a todas as categorias de armas, inclusive nucleares”. Ele também ajudou a Comissão Especial das Nações Unidas (UNSCOM – United Nations Special Commission) a resgatar do rio Tigre peças de mísseis sofisticados proibidos no Iraque. Isto é exatamente o que o meu velho plano soviético “Sãrindar” dizia para ser feito em caso de emergência: destruir as armas, esconder os equipamentos e preservar a documentação. Não é de admirar que Saddam Hussein tenha se apressado em atrair Kamel de volta para o Iraque, onde foi morto juntamente com cerca de 40 parentes três dias depois da chegada, ato descrito pela imprensa oficial de Bagdá como “administração espontânea de justiça tribal”. Isto feito, Saddam Hussein fechou a porta para qualquer outra inspeção da UNSCOM.

FP: Algum plano Sãrindar foi colocado em funcionamento?

Pacepa: Sem dúvida. A versão mais branda do plano Sãrindar foi feita por mim para Gaddafi, da Líbia. Assim que eu obtive asilo político nos EUA, Gaddafi encenou um incêndio em uma instalação secreta de armas químicas conhecida por mim (o porão sob o complexo químico de Rabta). Para garantir que os satélites da CIA captassem o incêndio e riscassem aquele alvo da sua lista, ele criou uma imensa nuvem de fumaça preta queimando cargas de pneus e pintando marcas de incêndio na instalação. Este procedimento está descrito no plano Sãrindar. Por garantia, Gaddafi também construiu uma segunda instalação, desta vez 30m chão abaixo, na montanha Tarhunah, sul de Tripoli. Isto não estava no plano Sãrindar.

FP: É inegável, então, que Saddam Hussein possuía WMDs?

Pacepa: No início da década de 1970, o Kremlin criou uma “divisão socialista de trabalho” para persuadir os governos do Iraque e da Líbia a se unirem à guerra de terrorismo contra os EUA. O chefe da KGB, Yury Andropov (mais tarde, o líder da União Soviética), me falou que estes dois países poderiam inflingir mais danos aos americanos que as Brigadas Vermelhas, o Baader-Meinhof e todas as demais organizações terroristas juntas. Os governos daqueles países, explicou Andropov, tinham não apenas recursos financeiros ilimitados (leia-se, petróleo) como também enormes serviços de inteligência que estavam sendo operados pelos “nossos consultores em razvedka” (palavra intraduzível, algo como “espionagem” ou “reconhecimento” – nota do tradutor) e poderiam estender os seus tentáculos pelos quatro cantos do mundo. Havia, entranto, um grande perigo: ao elevar o terrorismo ao nível de estado, correríamos o risco da represália americana. Washintgon jamais despacharia os seus aviões e foguetes para exterminar o Baader-Meinhof, mas certamente os mandaria para destruir uma nação terrorista. Assim, a nossa tarefa também era abastecer secretamente aqueles países com armas de destruição em massa, pois Andropov concluiu que os Ianques nunca atacariam um país que pudesse retaliar com tais armas mortais.

A Líbia era o principal cliente da Romênia naquela divisão socialista de trabalho, devido à estreita associação de Ceausescu com o coronel Muammar Gaddafi. Moscou cuidou do Iraque. Andropov me disse que, se o nosso experimento com o Iraque e a Líbia desse certo, a mesma estratégia poderia ser estendida à Síria. Recentemente, Gaddafi admitiu ter WMD, e os inspetores da CIA as encontraram. Por que acreditaríamos que a toda-poderosa União Soviética, que espalhou WMD por todo o mundo, não poderia fazer o mesmo no Iraque? Cada peça do arsenal iraquiano veio da antiga União Soviética – dos lançadores Katyusha aos tanques T72, veículos de combate BMP-1 e caças MiG. Na primavera de 2002, apenas duas semanas depois da Rússia tomar assento na OTAN, o presidente Putin e os seus ex-oficiais da KGB, que agora estão no comando da Rússia, concluíram outro acordo comercial de $40 bilhões com o regime tirânico de Saddam Hussein. Não era para compra de trigo ou feijão – a Rússia tem que importá-los de outro lugar.

FP: Fale sobre a OLP e a sua conexão com o regime soviético.

Pacepa: A OLP foi concebida pela KGB, que tinha uma propensão por organizações de “libertação”. Havia o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criada pela KGB em 1964 com a ajuda de Ernesto “Che” Guevara. Em seguida, houve o Exército de Libertação Nacional da Colômbia, criado pela KGB em 1965 com a ajuda de Fidel Castro, que logo se envolveu profundamente com sequestros, de aviões e pessoas, atentados a bomba e guerrilha. Posteriormente, a KGB também criou a Frente Democrática para Libertação da Palestina, que realizou inúmeros atentados a bomba nos “territórios palestinos” ocupados por Israel, e o “Exército Secreto para a Libertação da Armênia”, criado pela KGB em 1975, que organizou numerosos atentados a bomba contra escritórios das linhas aéreas americanas na Europa Ocidental.

Em 1964, o primeiro Conselho da OLP, formado por 422 representantes palestinos escolhidos a dedo pela KGB, aprovou a Carta Nacional Palestina – um documento esboçado em Moscou. O Pacto Nacional Palestino e a Constituição Palestina também nasceram em Moscou, com a ajuda de Ahmed Shuqairy, um agente de influência da KGB que se tornou o primeiro presidente da OLP. (Durante a Guerra dos Seis Dias, ele escapou de Jerusalém disfarçado de mulher, tornando-se de tal forma um símbolo dentro da comunidade de inteligência política que uma de suas operações de influência posteriores – destinada a fazer com que o Ocidente considerasse Arafat um moderado – recebeu o codinome “Shuqairy”.) Esta nova OLP era comandada por um Comitê Executivo estilo soviético, composto por 15 membros que, como os seus camaradas em Moscou, também comandavam departamentos. Como em Moscou – e Bucareste – o presidente do Comitê Executivo tornou-se também o comandante geral das forças armadas. A nova OLP também tinha uma Assembléia Geral, que era, sob inspiração soviética, o nome dado a todos os parlamentos da Europa Oriental após a Segunda Guerra Mundial.

Baseado em outra “divisão socialista de trabalho”, o serviço de espionagem romeno (DIE) foi responsável por fornecer apoio logístico à OLP. Exceto pelas armas, fornecidas pela KGB e pela Stasi, da Alemanha Oriental, tudo o mais saía de Bucareste. Até mesmo os uniformes e a papelaria da OLP eram fabricados na Romênia, de graça, como “ajuda camarada”. Durante aqueles anos, dois aviões de carga romenos lotados de bens para a OLP pousavam em Beirute semanalmente, e eram descarregados pelos homens de Arafat.

FP: Você falou sobre o seu conhecimento pessoal sobre como Arafat foi criado e cultivado pela KGB e como os soviéticos realmente o destinaram a ser o futuro líder da OLP. Explique isto melhor, por favor.

Pacepa: “Tovarishch Mohammed Abd al-Rahman Abd al-Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini, nom de guerre Abu Ammar,” foi levado à condição de líder palestino pela KGB após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, entre israelenses e árabes. Naquela guerra, Israel humilhou os aliados mais importantes da União Soviética no mundo árabe da época – Egito e Síria – e o Kremlin pensou que Arafat poderia ajudar a restabelecer o prestígio soviético. Arafat começou a sua carreira política como líder da organização terrorista palestina al-Fatah, cujos fedayin eram treinados secretamente na União Soviética. Em 1969, a KGB conseguiu catapultá-lo a presidente do comitê executivo da OLP. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, outra marionete soviética, propôs publicamente a indicação.

Logo em seguida, Arafat foi encarregado pela KGB de declarar guerra contra o “imperialismo sionista” americano durante a primeira conferência de cúpula da Black International, uma organização também financiada pela KGB. Arafat alega ter cunhado o termo “imperialismo sionista” mas, na verdade, Moscou inventou este grito de guerra muitos anos antes, misturando o tradicional anti-semitismo russo com o novo anti-americanismo marxista.

FP: Por que as lideranças americanas e israelenses foram ludibriadas durante tanto tempo em relação às atividades criminosas e terroristas de Arafat?

Pacepa: Porque Arafat é um mestre do engodo – e eu infelizmente contribui para isto. Em março de 1978, por exemplo, eu secretamente conduzi Arafat para Bucareste para envolvê-lo em uma trama de desinformação soviética-romena longamente planejada. O objetivo era fazer com que os Estados Unidos estabelecesse relações diplomáticas com Arafat, fazendo com que ele fingisse querer transformar a OLP terrrorista em um governo no exílio desejoso de renunciar ao terrorismo. O presidente soviético Leonid Brezhnev acreditava que o recém-eleito presidente Jimmy Carter morderia a isca. Assim, ele disse ao ditador romeno que as condições eram propícias para introduzir Arafat na Casa Branca. Moscou deu a incumbência a Ceausescu porque em 1978 meu chefe tornara-se o tirano predileto de Washington. “A única coisa que as pessoas do Ocidente se preocupam é com os nossos líderes”, o chefe da KGB disse quando me envolveu no esforço para tornar Arafat popular em Washington. “Quanto mais eles os amarem, mais gostarão de nós.”

“Mas somos uma revolução”, explodiu Arafat, após Ceausescu ter explicado o que o Kremlin queria dele. “Nascemos como uma revolução, e devemos continuar sendo uma revolução incontida.” Arafat objetou que os palestinos careciam da tradição, unidade e disciplina necessárias para se tornarem um estado formal. Todas estas condições eram algo apenas para uma geração futura. Que todos os governos, inclusive os comunistas, eram limitados por leis e acordos internacionais, e ele não estava disposto a colocar leis e outros obstáculos no caminho da luta palestina para erradicar o estado de Israel.

Meu antigo chefe só foi capaz de convencer Arafat a enganar o presidente Carter recorrendo ao materialismo dialético, pois ambos eram stalinistas fanáticos que conheciam o marxismo de cor. Ceausescu compassivamente concordou que “uma guerra de terror é a sua única arma realista”, mas também disse ao seu convidado que, se ele transformasse a OLP em um governo no exílio e fingisse romper com o terrorismo, o Ocidente iria enchê-lo de dinheiro e glória. “Mas você tem que continuar fingindo, de novo e de novo”, meu chefe enfatizou.

Ceausescu lembrou que influência política, como o materialismo dialético, era construído sobre a mesma doutrina básica de que a acumulação quantitativa gera transformação qualitativa. Ambos funcionam como cocaína, digamos. Se você cheira uma vez ou duas, ela não mudará a sua vida. Se você usá-la dia após dia, entretanto, ela fará de você um viciado, um homem diferente. Isto é a transformação qualitativa. E, nas sombras do seu governo no exílio, você poderá manter tantos grupos terroristas quantos quiser, com a condição de que não sejam publicamente associados ao seu nome.

Em abril de 1978 eu acompanhei Ceausescu a Washington, onde ele convenceu o presidente Jimmy Carter de que poderia persuadir Arafat a transformar a sua OLP em um governo no exílio, sujeito a leis, se os Estados Unidos estabelecessem relações oficiais com ele. De imediato, o presidente Carter aclamou publicamente Ceausescu como um “grande líder nacional e internacional” que tinha “assumido um papel de liderança na comunidade internacional”.
Três meses depois eu obtive asilo político nos Estados Unidos, e o tirano romeno deu adeus ao seu sonho de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Um quarto de século depois, entretanto, Arafat permanece no cargo de chefe da OLP e parece ainda estar trilhando o jogo de engodo do Kremlin. Em 1994, Arafat ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque concordou em transformar a sua organização terrorista em um tipo de governo no exílio (a Autoridade Palestina) e fingiu, de novo e de novo, que aboliria os artigos da Carta da OLP de 1964 que tratam da destruição do estado de Israel e erradicaria o terrorismo palestino. No fim do ano escolar palestino de 1998-99, entretanto, todos os mil e quinhentos novos livros didáticos usados pela Autoridade Palestina de Arafat descreviam Israel como “inimigo sionista” e igualavam o sionismo ao nazismo. Dois anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, o número de israeleneses mortos por terroristas palestinos aumentou 73% em comparação com o período de dois anos precedente ao acordo.

FP: É simples: não pode haver paz no Oriente Médio com Arafat no poder. Que recomendação você daria aos diplomatas americanos e israelenses?

Pacepa: Expor as mentiras de Arafat e condenar o seu terrorismo sangrento, mas evitar se envolver em represálias físicas contra ele – o que certamente o tornaria um herói para os palestinos. Sugiro fortemente a solução Ceausescu. Em novembro de 1989, quando foi reeleito presidente da Romênia, Ceausescu era tão popular quanto Arafat é agora entre os palestinos. Um mês depois, entretanto, Ceausescu foi processasdo por genocidio pelo seu próprio povo e executado pelo seu próprio povo. De um dia para o outro Ceausescu virou o símbolo da tirania. A Romênia tornou-se um país livre, e doze anos depois foi convidada para integrar a OTAN.

FP: Fale um pouco sobre as condições da KGB na Rússia atualmente. Alguns dizem que está experimentando uma ressurreição. É verdade?

Pacepa: Certamente. Nos últimos doze anos, a Rússia foi modificada para melhor, em alguns aspectos, como nunca antes. Entretanto, aquele país tem um longo caminho até se livrar do legado do comunismo soviético. Em junho de 2003, cerca de 6 mil antigos oficiais da KGB ocupavam importantes posições nos governos russos central e regionais. Três meses mais tarde, quase metade dos altos cargos de governo também estavam ocupados por antigos membros da KGB. É como  colocar a velha Gestapo, supostamente derrotada, no comando de reconstrução da Alemanha.

Desde a queda do comunismo, os russos têm enfrentado uma indigna forma de capitalismo operada por antigos burocratas comunistas, especuladores e mafiosos cruéis que têm ampliado as injustiças sociais e ocasionado um declínio na produção industrial. Assim, após um período de revolta, os russos têm gradualmente – e talvez reconhecidamente – voltado para a sua histórica forma de governo, a autocracia tradicional russa (samoderzhaviye) cuja origem remonta ao século XIV de Ivan, o Terrível, no qual um senhor feudal governava o país com a ajuda da sua polícia política pessoal. Boa ou ruim, a polícia política russa historicamente pode parecer para a maior parte do povo do país a sua única defesa contra a ganância dos novos capitalistas domésticos e a cobiça dos ávidos vizinhos estrangeiros.

A Rússia jamais retornará ao comunismo – muitos russos pereceram nas mãos daquele heresia. Mas parece que a Rússia também não se tornará verdadeiramente ocidental, pelo menos não nesta geração. Se a história – incluindo a dos últimos 14 anos – serve de guia, os russos, que no momento estão desfrutando do seu nacionalismo recuperado, se esforçarão para reconstruir um tipo de Antigo Império Russo inspirando-se nas velhas tradições russas e usando formas e meios russos antigos.

FP: A Rússia é amiga ou inimiga dos Estados Unidos na situação internacional atual?

Pacepa: Após a queda do Muro de Berlim, corri para lá para dar uma olhada. A temível polícia da Alemanha Oriental foi abolida de um dia para o outro, e os seus arquivos estavam abertos para o público. Um ano depois, a ultrajante atividade da Stasi estava revelada em um comovente e enorme museu de liberdade. Um membro do parlamento de Berlim me disse que os alemães queriam provar ao mundo que, com certeza, o passado jamais seria repetido. Para garantir, o governo alemão vendeu todos os edifícios da Stasi para empresas privadas.

Após o colapso da União Soviética, os novos administradores do Kremlin não abriram os arquivos da polícia política da União Soviética, mas em 1992 eles criaram o seu próprio tipo de museu da KGB em Moscou, em um edifício de um cinza sombrio atrás da Lubianka. Os andares superiores continuam sendo escritórios da KGB mas as salas do térreo são usadas para conferências e clube para os oficiais da KGB aposentados – incluindo discoteca.

Em 11 de setembro de 2002, inúmeros oficiais aposentados da KGB reuniram-se no museu da KGB. Não foi para se solidarizarem conosco na data da nossa tragédia nacional, mas para celebrar o 125° aniversário de Feliks Dzerzhinsky – o homem que criou uma das mais criminosas instituições da história contemporânea. Dias depois, o prefeito de Moscou, Yury lushkov, um dos políticos mais influentes da Rússia, mudou de idéia e disse que agora quer recolocar a estátua de bronze de Dzerzhinsky no lugar de honra que ocupava antes em Lubianka. Poucos antes, o novo presidente russo ordenara que a estátua de Yury Andropov fosse recolocada em Lubianka, de onde havia sido removida após o golpe da KGB em 1991. Andropov é o único outro oficial da KGB que chegou ao comando no Kremlin, e por isso é normal Putin prestar homenagem a ele. Durante toda a vida, Andropov doutrinou os seus subordinados para acreditar que o imperialismo americano era o principal inimigo do país. Hoje, estes subordinados estão chefiando a Rússia. Pode demorar mais uma geração para o ódio visceral aos EUA cultivado por Andropov desaparecer.

FP: Como a Rússia se enquadra na Guerra ao Terror? Não há pelo menos um interesse comum em combater o terrorismo islâmico?

Pacepa: O 11 de setembro de 2001 nasceu diretamente de uma operação conjunta soviética-OLP concebida como consequência da Guerra dos Seis Dias. O objetivo desta operação conjunta era restabelecer o prestígio de Moscou jogando o mundo islâmico contra Israel e criando um ódio fanático e violento contra o seu principal defensor, os EUA. A estratégia era retratar os Estados Unidos, esta terra de liberdade, como um “país de sionismo imperialista” estilo nazista, financiado pelo dinheiro judeu e chefiado por um ávido “Conselho dos Sábios de Sião” (o epíteto do Kremlin para o Congresso dos EUA), cujo objetivo era alegadamente transformar o resto do mundo em um feudo judeu. Em outras palavras, o coração do plano conjunto era transformar a histórica aversão árabe e islâmica aos judeus em uma nova aversão aos Estados Unidos. Investimos muitos milhões de dólares nesta tarefa gigantesca, a qual envolveu exércitos inteiros de oficiais de inteligência.

No fim da década de 1960, um novo elemento foi acrescentado à guerra soviética-OLP contra o imperialismo sionista de Israel e dos EUA: o terrorismo internacional. Antes de 1969 terminar, o Décimo-terceiro Departamento da KGB, conhecido no nosso jargão de inteligência como Department for Wet Affairs, “wet” sendo um eufemismo para a sangrenta invenção do sequestro de aviões. A KGB constantemente nos instruía de que ninguém da esfera de influência americana/sionista devia mais se sentir seguro. O sequestro de aviões tornou-se um instrumento da política externa soviética – e, finalmente, a arma escolhida para o 11 de setembro.
Durante aqueles anos de intensos sequestro de aeronaves, fiquei perplexo com o quase idêntico orgulho que Arafat e o general Sakharovsky, da KGB, tinham da sua perícia como terroristas. “Eu inventei o sequestro de aviões [de passageiros]” gabou-se Arafat para mim no início dos anos 1970 quando o encontrei pela primeira vez. Poucos meses depois, encontrei-me com Sakharovsky no seu escritório em Lubianka. Ele apontou para as bandeiras vermelhas fincadas em um mapa mundi na parede. “Olhe só”, disse. Cada bandeira representava um avião dominado. “O sequestro de aviões é uma invenção minha” vangloriou-se.

Os subordinados de Sakharovsky estão agora reinando no Kremlin. Enquanto eles não revelarem totalmente o seu envolvimento na criação do terrorismo anti-americano e não condenarem o terrorismo de Arafat, não há razão para acreditarmos que tenham mudado.

FP: Obrigado, Mr. Pacepa. O nosso tempo acabou. Foi uma grande honra conversar com o senhor. Espero que venha novamente.

Pacepa: Foi um grande prazer, e ficarei feliz em voltar.

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O artigo original, em Inglês, pode ser lido no endereço:

http://archive.frontpagemag.com/readArticle.aspx?ARTID=13975

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