Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos de tags: 11 Setembro

Diga “Não” à Terceira Guerra Mundial

“Durante os anos em que fui conselheiro de segurança nacional do presidente romeno Nicolae Ceausescu, conheci bem o pai do atual presidente sírio, Hafez al-Assad, e também o irmão dele, Rifaat, que estava na folha de pagamento de Ceausescu. Eram, ambos, assassinos cruéis.”

“Após eu ter obtido asilo político nos Estados Unidos, o velho Assad ordenou, secretamente, que eu fôsse assassinado.”

*

O artigo abaixo foi publicado no World Net Daily em 10 de setembro de 2013. O autor é o general Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente do bloco comunista que obteve asilo político nos Estados Unidos. O seu novo livro, Disinformation, em cooautoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pelo WND Books em junho de 2013.

*

ATAQUE À SÍRIA

Diga “Não” à Terceira Guerra Mundial

Exclusivo: o general Ion Mihai Pacepa vê o plano de Obama como uma manobra para tirar a atenção da “ameaça real”

Do meu ponto de vista privilegiado, acredito que o atual alarido da Casa Branca sobre o bombardeio na Síria é uma operação de desinformação cuidadosamente preparada com o objetivo de tirar a atenção da incapacidade – ou da má vontade – da administração de combater o terrorismo islamofacista e sanar as finanças públicas dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, 11 de setembro de 2013, os Estados Unidos chorarão não apenas os ataques de 2001 da al-Qaida em solo americano mas também o bárbaro assassinato do nosso embaixador na Líbia – um ato de guerra de acordo com a lei internacional – cometido um ano atrás em Benghazi por terroristas islamofacistas identificados (mas, por misterioras razões, ainda livres).

Alguns dias mais tarde, o Congresso começará a discutir o pedido da administração para aumentar o já desastroso débito nacional do país, que, no momento em que escrevo, atingiu o extraordinário valor de US$15.962.835.542.312, de longe o mais alto na história americana.

Juvenal, poeta satírico da Roma antiga, usou a expressão panem et circenses (“pão e circo”) para descrever tais manobras diversionistas. Para saciar a ralé empobrecida, os imperadores romanos orquestravam estravagâncias como distração, oferecendo inúmeras diversões grátis: boa comida, banhos públicos, gladiadores bonitões, animais exóticos, corridas da carruagens, competições esportivas, apresentações teatrais e o slogan Ave Caesar, Imperator.

Hoje, temos desinformação e guerras. Hoje, a nossa administração está tentando levar a opinião pública americana a acreditar que algumas bombas lançadas na Síria ajudarão, de alguma forma, a levar a paz ao sempre problemático Oriente Médio.

Há poucas pessoas na terra mais ansiosas do que eu para ver a brutal dinastia Assad tirada do poder na Síria. Durante os anos em que fui conselheiro de segurança nacional do presidente romeno Nicolae Ceausescu, conheci bem o pai do atual presidente sírio, Hafez al-Assad, e também o irmão dele, Rifaat, que estava na folha de pagamento de Ceausescu. Eram, ambos, assassinos cruéis.

Após eu ter obtido asilo político nos Estados Unidos, o velho Assad ordenou, secretamente, que eu fôsse assassinado. (Após o meu primeiro livro, “Red Horizons”, ter revelado que Rifaat Assad era um agente pago do DIE, o serviço de inteligência externa romeno, o FBI me deu uma fotografia de um agente de inteligência da Síria com o aviso de que ele havia sido enviado para os Estados Unidos para me identificar e “neutralizar”.) Mas isso é problema meu – assim como a mal calculada “Red Line” de Obama é problema dele – e não deve ter nada a ver com o meu ponto de vista sobre qual deve ser a política dos Estados Unidos em relação à Síria.

A Síria não atacou os Estados Unidos e não temos nenhum aliado envolvido na atual briga síria – nem temos dinheiro para desperdiçar nesta briga, a menos que peçamos emprestado da China. Bashar al-Assad é mesmo um tirano, mas ele já era um tirano quando o presidente Obama restabeleceu relações diplomáticas com o seu governo, mesmo com 137 nações tendo votado na Assembléia Geral das Nações Unidas pela condenação daquele tirânico regime. Assad já era um tirano em 27 de março de 2011 quando a Secretária de Estado americana Hillary Clinton disse ao mundo “Há um líder diferente na Síria hoje. Muitos membros do Congresso, de ambos os partidos, que foram à Síria recentemente disseram acreditar que ele é um reformador”. John Kerry, sucessor de Hillary, evidentemente compartilhava o ponto de vista dela sobre Bashar Assad quando bebia e jantava com ele – conforme visto em fotografias amplamente divulgadas.

Agora, de repente, Bashar se tornou o pior dos demônios. Um ataque precipitado à Síria, com ou sem a aprovação do Congresso, pode transformar aquele país em um caos pior do que já é, e levá-lo a uma situação semelhante à ocasionada pelo nosso bombardeio na Líbia. Esta nova catástrofe pode gerar uma cadeia de desastres similar à impensada e precipitada reação militar ao assassinato do arqueduque da Áustria, Franz Ferdinand, em 1914, que levou a uma sucessão de calamidades incluindo a Primeira Guerra Mundial, a revolução soviética, a tomada do poder pelos nazistas na Alemanha, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.

O novo eixo anti-americano Moscou-Teerã-Pequim já prometeu retaliar duramente se bombardearmos a Síria. De acordo com o antigo diretor da Central de Inteligência James Woolsey, até mesmo o ridículo governo da Coréia do Norte poderia detonar uma arma nuclear em território americano causando o colapso da nossa rede elétrica e da infraestrutura dela dependente – comunicações, transportes, serviços bancários e financeiros, comida e água necessários para manter a vida de 300 milhões de americanos. Todo o país ficaria no escuro em questão de minutos – e o resto do mundo poderia seguir o mesmo caminho. Outro estudo documentado estima que, em meados de 2014, o governo terrorista do Irã será capaz de enriquecer urânio para uso bélico tão rapidamente que os Estados Unidos não conseguirá pará-lo militarmente. O nosso estilo de vida seria alterado para sempre.

Os Estados Unidos têm lutado contra diversas entidades islâmicas nos últimos 12 anos. É hora de paz, não de guerra. Na minha outra vida, no topo do serviço de inteligência externa do bloco soviético, o meu DIE operava imensas redes de inteligência em vários países árabes, e eu tive a oportunidade de conhecer aquela parte do mundo muito bem. Aquele povo não odeia os Estados Unidos. Os milhões de árabes ao redor de todo o mundo que estão agora esperando na fila para serem aceitos nos Estados Unidos também não o odeiam. Eles adorariam se mudar para cá. São só alguns poucos líderes islamofacistas fanáticos que odeiam o nosso maravilhoso país de liberdade e sonham vê-lo destruído.

Devemos deixar os islamofacistas a cargo do serviço de inteligência americano e nos concentrar na administração e no Congresso americanos para podermos construir uma “Campanha da Verdade” similar à edificada pelo presidente Truman para ganhar a Guerra Fria.

“Os desafios que enfrentamos são graves,” disse Truman em 1950 “envolvendo a sobrevivência ou a destruição não apenas desta República mas da própria civilização”. Truman argumentou que a propaganda usada pelas “forças do comunismo imperialista” só poderia ser vencida pela “verdade nua e crua”. A Voice of America, a Radio Free Europe e a Radio Liberation (logo renomeada Radio Liberty) fizeram parte da “Campanha da Verdade” de Truman.

Se você ainda se espanta pelo fato dos Estados Unidos terem sido capazes de vencer a Guerra Fria sem dar um único tiro, eis uma explicação do segundo presidente da Romênia pós-comunista, Emil Constantinescu:

“A Radio Free Europe foi muito mais importante do que os exércitos e os mais sofisticados mísseis. Os “mísseis” que destruíram o comunismo foram lançados da Radio Free Europe, e este foi o mais importante investimento de Washington durante a Guerra Fria. Eu não sei se os próprios americanos percebem isto hoje, sete anos após a queda do comunismo, mas nós o entendemos perfeitamente bem.”

A metáfora do presidente Constantinescu não foi um exagero. A longo prazo, a verdade é infinitamente mais poderosa do que a desinformação.

***

Anúncios

O Nascimento do Terrorismo

“Como me disse o chefe da KGB, Yury Andropov, um bilhão de inimigos podia infligir um dano maior aos Estados Unidos do que apenas alguns milhões. Precisávamos instilar um ódio estilo nazista contra os judeus em todo o mundo islâmico, e fazer esta arma emocional gerar um banho de sangue terrorista contra Israel e o seu principal parceiro, os Estados Unidos.”

Este artigo foi publicado no National Review em 24 de agosto de 2006. O autor, Ion Mihai Pacepa, é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista.

Pegadas Russas

O que Moscou tem a ver com a recente guerra no Líbano?

O principal vencedor na guerra do Líbano talvez seja o Kremlin. Israel tem sido atacado com Kalashinikovs e Katyushas russos, foguetes Fajr-1 e Fajr-3 russos, mísseis antitanques AT-5 Spandrel russos e foguetes antitanques Kornet russos. As obsoletas armas russas são o objeto de desejo de terroristas em todo o mundo, e os bad guys sabem exatamente onde obtê-las. Nas caixas das armas abandonadas pelo Hezbollah estava escrito: “Cliente: Ministério da Defesa da Síria. Fornecedor: KBP, Tula, Rússia”.

O terrorismo internacional atual foi concebido em Lubyanka, quartel general da KGB, no rastro da Guerra de Seis Dias, de 1967, no Oriente Médio. Eu testemunhei o seu nascimento na minha outra vida, como general comunista. Israel humilhou Egito e Síria, cujos belicosos governos eram dirigidos por conselheiros soviéticos da razvedka (“inteligência externa” em russo), e, a partir daí, o Kremlin decidiu armar os vizinhos inimigos de Israel, os palestinos, e persuadi-los a entrar numa guerra de terrrorismo contra aquele país.

O general Aleksandr Sakharovsky, criador da estrutura de inteligência da Romênia comunista, depois elevado a chefe de toda a inteligência externa da Rússia soviética, uma vez me instruiu: “No mundo atual, as armas nucleares tornaram obsoleta a força militar, e por isso o terrorismo deve se tornar a nossa principal arma”.

Entre 1968 e 1978, ano em que rompi com o comunismo, as forças de segurança da Romênia, sozinhas, haviam enviado semanalmente dois aviões de carga repletos de bens militares para os terroristas palestinos no Líbano. Desde a queda do comunismo, os arquivos da alemã-oriental Stasi revelaram que, só em 1983, o seu serviço de inteligência externo remeteu o correspondente a US$ 1.877.600 em munição de AK-47 para o Líbano. De acordo com Vaclav Havel, a Techoslováquia comunista entregou mil toneladas do explosivo inodoro Semtex-H (indetectáveis por cães farejadores) para terroristas islâmicos – o suficiente para 150 anos de ação.

A guerra terrorista foi iniciada no fim de 1968, quando a KGB transformou o sequestro de aviões – a arma escolhida para o 11 de setembro – em instrumento de terror. Apenas em 1969, houve 82 sequestros ao redor do mundo, feitos pela OLP financiada pela KGB. Em 1971, quando eu estava visitando Sakharovsky no seu escritório em Lubyanka, ele chamou a minha atenção para um mar de bandeiras vermelhas fincadas num mapa mundi pendurado na parede. Cada bandeira representava um avião capturado. “O sequestro de aviões foi invenção minha”, declarou.

O “sucesso” político decorrente do sequestro de aviões israelenses impeliu o 13° Departamento da KGB, conhecido no nosso jargão de inteligência como “Department for Wet Affairs” (wet era um eufemismo para sangrento), a partir para a realização de “execuções públicas” de judeus em aeroportos, estações de trem e outros lugares públicos. Em 1969, o dr. George Habash, marionete russa, explicou: “Matar um judeu longe do campo de batalha é melhor do que matar cem judeus no campo de batalha, pois atrai mais atenção”.

No fim dos anos 1960, a KGB estava profundamente envolvida em terrorismo em massa contra judeus, levado a cabo por diversas organizações palestinas. Eis algumas ações terroristas pelas quais a KGB levou o crédito enquanto eu ainda estava na Romênia: novembro de 1969: ataque armado contra o escritório El Al em Atenas, com 1 morto e 14 feridos; 30 de maio de 1972: ataque no Aeroporto Ben Gurion, com 22 mortos e 76 feridos; dezembro de 1974: atentado a bomba no cinema de Tel Aviv, com 2 mortos e 66 feridos; março de 1975: ataque a um hotel em Tel Aviv, com 25 mortos e 6 feridos; maio de 1975: atentado a bomba em Jerusalém, com 1 morto e 3 feridos; 4 de julho de 1975: atentado a bomba no Zion Square, Jerusalém, com 15 mortos e 62 feridos; abril de 1978, ataque ao aeroporto de Bruxelas, com 12 feridos; maio de 1978, ataque no avião El Al em Paris, com 12 feridos.

Em 1971, a KGB lançou a operação Tayfun (tufão, em russo), destinada a desestabilizar a Europa Ocidental. O Baader-Meinhof, a Red Army Faction (RAF) e outras organizações financiadas pela KGB lançaram uma onda de terrorismo anti-americano que chocou a Europa Ocidental. Richard Welsh, o chefe do posto da CIA em Atenas, foi morto a tiros na Grécia em 23 de dezembro de 1975. O general Alexander Haig, comandante da OTAN em Bruxelas, foi ferido num atentado a bomba que estraçalhou o seu Mercedes blindado em junho de 1979. O general Frederick J. Kroesen, comandante das forças americanas na Europa, escapou da morte por pouco em um ataque a foguete em setembro de 1981. Alfred Herrhausen, o presidente pró-americano do Deutsche Bank, foi morto durante um ataque a granada em novembro de 1989. Hans Neusel, secretário de estado pró-americano do ministério do interior da Alemanha Ocidental foi ferido durante uma tentativa de assassinato em julho de 1990.

Em 1972, o Krenlim decidiu jogar todo o mundo islâmico contra Israel e contra os EUA. Como me disse o chefe da KGB, Yury Andropov, um bilhão de inimigos podia infligir um dano maior aos Estados Unidos do que apenas alguns milhões. Precisávamos instilar um ódio estilo nazista contra os judeus em todo o mundo islâmico, e fazer esta arma emocional gerar um banho de sangue terrorista contra Israel e o seu principal parceiro, os Estados Unidos. Ninguém dentro da esfera de influência americana/sionista podia mais se sentir seguro.

De acordo com Andropov, o mundo islâmico era uma placa de Petri esperando ser cultivada, na qual poderíamos criar uma virulenta cultura de ódio anti-americano a partir da bactéria do pensamento marxista-lenista. O anti-semitismo islâmico lançou raízes profundas. Os muçulmanos têm uma queda pelo nacionalismo, pelo jacobinismo e pela vitimologia. As suas iletradas e oprimidas multidões podiam ser insufladas até um estado de agitação extrema.

O terrorismo e a violência contra Israel e o seu amo, o sionismo americano, fluiria naturalmente a partir do fervor religioso muçulmano, apregoou Andropov. Bastava apenas continuar repetindo os nossos lemas – os Estados Unidos e Israel eram “países fascistas e imperalistas-sionistas” financiados pelos judeus ricos. O Islã estava obcecado em evitar a ocupação do seu território pelos infiéis, e seria altamente receptivo à nossa caracterização do Congresso dos Estados Unidos como uma voraz instituição sionista desejosa de converter o mundo todo em um feudo judeu.

O codinome desta operação foi “SIG” (Sionistskiye Gosudarstva, ou “Governos Sionistas”), e estava dentro da “esfera de influência” do meu serviço romeno, pois englobava a Líbia, o Líbano e a Síria. SIG era uma operação envolvendo muitos países e parceiros. Criamos joint ventures para construir hospitais, casas e estradas nestes países, e para lá enviamos milhares de médicos, engenheiros, técnicos, professores e até instrutores de dança. Todos tinham como tarefa retratar os Estados Unidos como um feudo judeu arrogante e orgulhoso financiado pelo dinheiro judeu e governado por políticos judeus, cujo objetivo era subjugar o todo mundo islâmico.

Em meados dos anos 1970, a KGB ordenou ao meu serviço, o DIE – juntamente com outros serviços irmãos da Europa Oriental – que percorresse o país procurando confiáveis ativistas, parceiros pertencentes aos vários grupos étnicos islâmicos, para que fossem treinados em operações de desinformação e terrorismo e infiltrados nos países da nossa “esfera de influência”. A sua tarefa seria exportar um ódio radical e insensato contra o sionismo americano manipulando a ancestral aversão aos judeus sentida pelo povo naquela parte do mundo. Antes que eu deixasse a Romênia para sempre, em 1978, o meu DIE havia despachado cerca de 500 destes agentes disfarçados para os países islâmicos. De acordo com uma estimativa grosseira recebida de Moscou,  até 1978 o serviço de inteligência do bloco soviético, como um todo, havia enviado cerca de 4 mil destes agentes de influência para o mundo islâmico.

Em meados da década de 1970, também começamos a despejar no mundo islâmico uma tradução árabe dos Protocolos dos Sábios de Sião, uma falsificação da Rússia czarista que havia sido usada por Hitler como fundamento para a sua filosofia anti-semita. Também disseminamos um “documento” fabricado pela KGB em árabe, segundo o qual Israel e o seu principal apoiador, os Estados Unidos, eram países sionistas dedicados a converter todo o mundo islâmico em uma colônia judaica.

Nós, do bloco soviético, tentamos conquistar mentes, pois sabíamos que não podíamos vencer as batalhas militares. É difícil dizer quais são exatamente os efeitos remanescentes da operação SIG. Mas o efeito cumulativo da disseminação de centenas de milhares de Protocolos no mundo islâmico e da retratação de Israel e Estados Unidos como inimigos mortais do Islã certamente não foi construtivo.

A Rússia pós-soviética foi transformada de maneira sem precedentes, mas a crença amplamente popular de que o nefasto legado soviético foi cortado pela raiz com o fim da Guerra Fria, como o nazismo foi eliminado no fim da Segunda Guerra Mundial, não é correta.

Na década de 1950, quando eu era o chefe do posto de inteligência externa romeno na Alemanha Oriental, testemunhei como o Terceiro Reich de Hitler foi demolido, os seus criminosos de guerra levados a julgamento, as suas forças militares e policiais desmanteladas e os nazistas varridos da vida pública. Nada disso aconteceu com a antiga União Soviética. Nenhuma pessoa foi julgada, apesar do regime comunista soviético ter matado mais de cem milhões de pessoas. A maior parte das instituições soviéticas foram deixadas em paz, simplesmente trocaram de nome, e agora muitas são dirigidas pelas mesmas pessoas que governaram o estado comunista. No ano 2000, os antigos oficiais da KGB e do Exército Vermelho soviético assumiram o controle do Kremlin e do governo da Rússia.

A Alemanha jamais teria se tornado uma democracia com os oficiais da Gestado e da SS no comando.

No dia 11 de setembro de 2001, o presidente Vladimir Putin foi o primeiro líder de um país estrangeiro a expressar condolências ao presidente George W. Bush pelo que chamou de “terríveis tragédias dos ataques terroristas”. Logo em seguida, entretanto, Putin começou a mover o seu país de volta para os negócios com terroristas. Em março de 2002, ele discretamente retomou as vendas de armas para o ditador terrorista do Irã, aiatolá Khamenei, e envolveu a Rússia na construção de um reator nuclear de mil megawatts em Bushehr, incluindo uma instalação de conversão de urânio capaz de produzir material físsil para armas nucleares. Centenas de técnicos russos também começaram a ajudar o governo do Irã a desenvolver o míssil Shahab-4, com alcance superior a 2 mil quilômetros e capacidade para transportar uma ogiva nuclear ou armas químicas a qualquer ponto do Oriente Médio e da Europa.

O presidente atual do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, já anunciou que nada poderá impedir o seu país de construir armas nucleares, e chamou Israel de “vergonhosa mancha no mundo islâmico”, que devia ser eliminada. Durante a Segunda Guerra Mundial, 405.399 americanos morreram para erradicar o nazismo e o terrorismo anti-semita. Agora, estamos enfrentando o facismo islâmico e o terrorismo nuclear anti-semita. As Nações Unidas não podem oferecer nenhuma esperança. Até hoje não foram capazes sequer de definir a palavra “terrorismo”.

Segundo um ditado, um tiro leva a outro. O Kremlin pode ser a nossa melhor esperança. Em maio de 2002, os ministros da OTAN aprovaram uma parceria com a Rússia, antigo inimiga da aliança. O mundo inteiro disse que a Guerra Fria estava encerrada. Kaput. Agora, a Rússia quer ser admitida na Organização Mundial do Comércio. Para isto acontecer, o Kremlin deve ser firmemente advertido para, antes, abandonar o terrorismo.

Também devemos ajudar os russos a perceber que é do seu máximo interesse desestimular o presidente Ahmadinejad a obter armas nucleares. Ele é um tirano imprevisível que, de um momento para o outro, pode considerar a Rússia também um inimigo. “Se o Irã conseguir armas de destruição em massa, transportáveis por mísseis, vai se tornar um problema” declarou corretamente o presidente Bush. “Vai se tornar um problema para todos, inclusive para a Rússia”.

***

O triste fim dos aduladores

“Durante os meus anos no topo do serviço de inteligência do bloco soviético, infelizmente conheci muito bem diversos tiranos, e é fato que eles desprezam quem se curva diante deles.” – Ion Mihai Pacepa

O artigo abaixo foi publicado no PJ Media em 22 de setembro de 2012 e foi escrito pelo general romeno Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético.

*

Quando você se curva a um tirano, ele odeia você mais ainda

Segundo o Departamento de Estado, o assassinato do embaixador Christopher Stevens e dos três oficiais americanos encarregados de defendê-lo foi uma reação impulsiva, repentina e não planejada a um filme de baixo orçamento chamado “A Inocência dos Muçulmanos”. Isso não passa de uma canção de ninar de conto de fadas para fazer dormir a indignação americana. A única reação a esta fantasia parece ter sido entre os líderes terroristas muçulmanos, que a entenderam como uma ordem para atacar impunemente as nossas embaixadas em todo o mundo. A embaixada americana no Paquistão está agora sob cerco. Milhares de outros muçulmanos “furiosos” estão gritando “Morte à América” e queimando bandeiras americanas na frente das nossas embaixadas no Egito, Indonésia, Sudão, Kwait, Afeganistão, Tunísia, Iêmen, Alemanha e Grã-Bretanha, para citar só algumas.

Durante os meus anos no topo do serviço de inteligência do bloco soviético, infelizmente conheci muito bem diversos tiranos, e é fato que eles desprezam quem se curva diante deles. Em abril de 1978, o presidente Jimmy Carter aclamou Nicolae Ceausescu, o désposta comunista romeno, como um “grande líder nacional e internacional”. Eu estava de pé ao lado dos dois na Casa Branca, e mal podia acreditar no que ouvia. Horas depois, estava no carro com Ceausescu, saindo da Casa Branca. Ele pegou uma garrafa com álcool e o passou por todo o rosto, em reação a ter sido afetuosamente beijado pelo presidente americano no Salão Oval. Com nojo, Ceausescu disparou uma ofensa contra Carter.

Três meses mais tarde, o presidente Carter assinou o meu pedido de asilo político, e eu disse a ele quem realmente era Ceausescu, e como havia reagido àquele beijo na Casa Branca. Entretanto, na memorável data de 19 de julho de 1979, vi pela TV, incrédulo, o presidente Carter repetir o gesto. Ele beijou carinhosamente Leonid Brezhnev nas duas faces durante o primeiro encontro deles, em Viena.

Também é fato que Brezhnev desprezava as pessoas que se curvavam a ele. Cinco meses após o infame beijo Carter-Brezhnev, uma equipe terrorista da KGB assassinou Hafizullah Amin, primeiro-ministro do Afeganistão, educado nos Estados Unidos, e o substituiu por uma marionete russa. Em seguida, a União Soviética invadiu o Afeganistão, e o presidente Carter protestou timidamente boicotando os Jogos Olímpicos em Moscou. Este novo sinal da fraqueza americana incentivou o regime Taliban e o terrorismo de Osama bin Laden.

Na década de 1990, o governo americano praticamente ignorou o primeiro assalto de bin Laden ao World Trade Center, os atentados a bomba contra as embaixadas americanas na África e o ataque ao destroyer USS Cole. No mesmo período, confiamos as nossas tarefas de segurança nacional e de política externa às mãos das Nações Unidas – cuja resposta veio no dia 3 de maio de 2001, quando a ONU expulsou os Estados Unidos da Comissão de Direitos Humanos.

Mal havíamos colocado os pés no século XXI quando os terroristas de bin Laden desencadearam uma implacável guerra contra o nosso país, com os catastróficos ataques terroristas de 11 de setembro. Logo depois, a Coréia do Norte retirou-se do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e deu início a uma venenosa campanha anti-americana. “Vamos exterminar os nossos inimigos declarados, os imperialistas americanos!” é o slogan coreano estampado nos habitáculos dos jatos, nas cabines dos marinheiros e nos postos de sentinela do exército.

Quando Ronald Reagan se tornou presidente, os Estados Unidos estavam sendo tratados com desprezo pelos tiranos mais insignificantes ao redor do mundo. A União Soviética marchava em Angola, Vietnã, Cuba, Etiópia, Síria, El Salvador, Nicarágua, Peru e, é claro, no Afeganistão. O presidente Reagan reverteu esta situação chamando os tiranos e as suas tiranias pelos seus verdadeiros nomes, e os tratando como tal. Você se lembra do “Império do Mal”? Segundo a agência de notícias soviética TASS, estas palavras demonstravam que Reagan era um “anti-comunista lunático e belicoso”. Mas foi precisamente este “anti-comunista lunático” o vencedor da Guerra Fria de 44 anos e foi ele quem restabeleceu a grandeza aos Estados Unidos.

Infelizmente, em 1993, tivemos outro presidente sem personalidade, que retomou a política de Carter de se curvar ante os déspotas comunistas. Em 22 de abril de 2000, durante a Semana Santa, entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, agentes do presidente Bill Clinton prenderam e mandaram de volta para a Cuba comunista um menino de seis anos, que havia sobrevivido miraculosamente a um naufrágio no qual morrera a sua mãe; ela estava tentando livrar o filho único da tirania de Fidel Castro.

Para Fidel, o esperto e fotogênico Elián González era um “traidor” que podia se tornar um símbolo de liberdade tanto para os exilados de Miami quanto para o povo de Havana, e prejudicar a imagem de Castro no país e no exterior. Assim, tão logo Elián foi encontrado vagando pelo oceano em uma bóia, Fidel Castro reuniu 300 mil cubanos nas ruas de Havana para protestar contra o “sequestro” de Elián pelos Estados Unidos. Fidel tentou, então, atrair Elián de volta – como Ceausescu havia tentado me atrair quando escapei da Romênia. As duas avós de Elián foram despachadas para os Estados Unidos levando álbuns com fotos dos parentes do menino, de colegas de escola, casa, cachorro, papagaio e da carteira escolar vazia “aguardando o seu retorno”. Cuba deu às avós roupas novas e pagou as despesas da viagem. Elas estavam, é claro, acompanhadas por agentes cubanos coordenando cada um dos seus movimentos nos Estados Unidos.

Elián, por si, não caiu nos truques de Castro. Infelizmente, o presidente Clinton e a sua procuradora geral, Janet Reno, engoliram a isca, e o menino voltou para Cuba. Logo em seguida, o Pravda começou a exultar: “como o rompimento de um grande dique, a queda americana na direção do marxismo está acontecendo com velocidade de tirar o fôlego, contra o pano de fundo dos passivos e infelizes não-pensantes – desculpe-me, caro leitor –, quero dizer: do povo.” [2]

Elián González tornou-se um símbolo internacional de liberdade. Hoje, a casa em Miami onde ele viveu como uma criança livre é um museu simples, no qual os visitantes podem ver um relicário popular para o menino – agora, um prisioneiro de 19 anos de idade numa ilha comunista de mortos de fome. O uniforme escolar de Elián ainda está pendurado no armário ao lado de muitas roupas que ele nunca teve a chance de usar. Também está em exposição uma foto gigante da Associated Press mostrando um agente federal americano apontando uma arma automática para Elián, escondido num guarda-roupas. [3]

*

De acordo com as leis internacionais, as nossas embaixadas são parte do território dos EUA, e um ataque armado contra uma embaixada americana é considerado um ato de guerra contra os Estados Unidos. Até o momento, tudo indica que o ataque armado contra o nosso consulado em Benghazi foi planejado e executado por terroristas. Se isto for comprovado, o assassinato do embaixador Christopher Stevens foi, realmente, um ato de guerra contra os Estados Unidos.

Um sentinela da segurança líbia no consulado, ferido gravemente no assim chamado ataque “espontâneo”, testemunhou que “não havia uma única mosca do lado de fora” até 9:35 da noite, quando pelo menos 125 homens armados atacaram o complexo vindos de todas as direções. Lançaram granadas de mão enquanto gritavam “Deus é grande”.  Feriram o sentinela, e em seguida foram para as vilas que fazem parte do complexo do consulado.

Por sua vez, o presidente interino da Líbia, Mohamed el-Megarif, disse que os terroristas escolheram uma “data específica” para o ataque, e que “estrangeiros” participaram dele.

O nosso embaixador na Líbia foi assassinado no dia 11 de setembro de 2012, dia de luto nos Estados Unidos pela morte de quase três mil americanos, também vítimas de terroristas islâmicos. Acontece que este dia é, na verdade, a celebração de um aniversário importante para o Kremlin – 125 anos do nascimento de Feliks Dzerzhinsky, o fundador da KGB, agora renomeada FSB.

Esteve o Kremlin envolvido no assassinato do nosso embaixador na Líbia? Ainda não sabemos. Mas sabemos que o embaixador foi morto com armas e munição russas. Também sabemos da propensão do Kremlin e de suas agências de inteligência pelo uso do simbolismo, uma arma emocional habilmente manejada por todos os czares russos e pelos seus sucessores comunistas.

O emblema da União Soviética era formado pela foice e pelo martelo para simbolizar a aliança entre o proletariado e os camponeses. O emblema da KGB era uma espada e um escudo, simbolizando os seus deveres: colocar os inimigos do país sob a espada e abrigar e proteger a revolução comunista. A maior parte das organizações terroristas financiadas pela KGB eram chamadas de movimentos de “libertação” para simbolizar o compromisso do Kremlin de libertar o resto do mundo da “tirania americana”. A Organização para Libertação da Palestina no Oriente Médio (criada e financiada pela KGB), o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro (que depois se envolveu profundamente em sequestro de pessoas e aviões, atentados a bomba e guerrilha), e o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB em 1964 com a ajuda de Ernesto “Che” Guevara, são apenas alguns deles.

Acima de tudo, é fato que o chefe da KGB, Yury Andropov, e os seus vice-reis do leste europeu, abriram uma garrafa de champagne para comemorar a explosão da bomba terrorista na Zion Square em Jerusalém no dia 4 de julho de 1975, que deixou 15 mortos e 64 feridos. Foi um insulto direto aos Estados Unidos, cuja data nacional é o Quatro de Julho. Também é significativo que o primeiro ataque ao World Trade Center de Nova Iorque, concebido para derrubar a Torre Norte sobre a Torre Sul e gerar uma carnificina, aconteceu no dia 26 de fevereiro de 1993, quando o Kremlin celebrava os 41 anos do primeiro teste nuclear soviético. O ataque suicida contra o destroyer USS Cole, no qual morreram 17 marinheiros e ficaram feridos 39, ocorreu no dia 12 de outubro de 2000. Era o aniversário do início da principal ofensiva israelense, ocorrida em 1973, decisiva para a vitória na guerra do Yom Kippur. O significado das fracassadas tentativas dos atentados a bomba em Detroit e Nova Iorque no Natal de 2009 não precisa de explicação.

Por fim, sabemos que, durante a Guerra Fria, a KGB era um estado dentro do estado, mas agora a KGB é o estado. Em 2003, três anos após o antigo oficial da KGB Vladimir Putin se sentar, com estardalhaço, no trono do Kremlin, cerca de seis mil oficiais aposentados da KGB – a organização responsável pelo massacre de 20 milhões de pessoas apenas na União Soviética – ocupavam o governo federal e os governos locais da Rússia.

Não estou mais no olho do furacão, nem tenho inside information para saber se o criminoso ataque ao nosso consulado em Benghazi foi concebido pelos antigos oficiais da KGB, hoje governantes da Rússia. Mas o nosso FBI é uma excelente organização, capaz de descobrir a resposta. Infelizmente, por razões políticas, a administração e os líderes do Partido Democrata têm tirado conclusões rápido demais, sem conhecer a verdade. Para eles, o prestígio e a segurança da administração parecem ser muito mais importantes do que o prestígio e a segurança dos Estados Unidos.

Os americanos são pessoas orgulhosas do seu país e o amam com ternura. Esperemos que em novembro eles escolham proteger a segurança e o prestígio dos Estados Unidos, e não da administração atual.

[1] Sang-Hun Choe, “N. Korea fuels hatred of all things American,” The Associated Press, January 15, 2003, internet edition.
[1] President Nicolae Ceausescu’s State Visit to the USA: April 12-17, 1978, English version. Bucharest: Meridiane Publishing House, 1978, p. 78.
[2] “American capitalism gone with a whimper,” Pravda, April 27, 2004.
[3] Elián González saga still vivid for many, 10 years later,” CNN, April 22, 2010.

Nota do Tradutor: o artigo original tem mesmo duas notas [1], ambas sem indicação no corpo do texto.

***

A Mãe dos Pacifistas

O artigo a seguir foi publicado no site National Review Online em 26 de fevereiro de 2004. O autor, general Ion Mihai Pacepa, foi chefe do serviço secreto romeno e conselheiro de segurança nacional do presidente daquele país. É o oficial de inteligência de mais alta patente que desertou do bloco soviético. Lançou, recentemente, o livro Disinformation, em co-autoria com o professor Ronald J. Rychlak.

*

A Retórica Soviética de Kerry

O movimento pacifista da era do Vietnã teve a sua origem no Kremlin

Parte do encanto do senador John Kerry em certos meios americanos se deve ao status de veterano da guerra do Vietnã aliado ao seu ativismo pacifista daquele período. Em 12 de abril de 1971, Kerry relatou no Congresso americano ter sido informado pelos próprios soldados americanos que eles tinham “estuprado, cortado orelhas, decepado cabeças, colado fios de telefones portáteis nos genitais e ligado os aparelhos, cortado lábios, explodido corpos, atirado aleatoriamente contra civis e arrasado vilarejos ao estilo Genghis Khan.”

As fontes exatas destas afirmações precisam ser apuradas. Kerry também deve responder quem, exatamente, lhe contou tais coisas, e o que, exatamente, eles dizem ter feito no Vietnã. O instrumento jurídico da prescrição protege estes indivíduos da perseguição pela confissão. Ou terá o senador Kerry simplesmente ouvido este tipo de afirmações na forma de boatos espalhados pelos membros de grupos pacifistas (muitos dos quais já desacreditados)? Para mim, esta afirmação soa examente igual à estratégia de desinformação semeada pelos soviéticos ao redor do mundo durante a época da guerra do Vietnã. A prioridade número um da KGB naquele tempo era minar o poder, o discernimento e a credibilidade americanos. Uma das ferramentas favoritas era a fabricação de evidências, como fotografias e “relatórios de notícias”, sobre inverídicas atrocidades de guerra cometidas pelos americanos. Estas mentiras eram disseminadas pelas revistas publicadas pela KGB, de onde eram então repassadas para agências de notícias respeitáveis. Muitas vezes, eram aceitas. Agências de notícias são notoriamente descuidadas sobre a verificação das fontes. Era sempre incrivelmente fácil para as organizações de espionagem do bloco soviético fabricar tais relatórios e espalhá-los pelo mundo livre.

Como chefe de espionagem e general na antiga Romênia, país satélite soviético, produzi o mesmíssimo tipo de virulência repetida por Kerry para o Congresso americano quase palavra por palavra e o plantei nos movimentos esquerdistas por toda a Europa. O chefe da KGB, Yuri Andropov, gerenciava a nossa operação contra a guerra do Vietnã. Ele sempre se gabava de ter estragado o consenso americano sobre política externa, envenenado os debates internos nos EUA e construído um hiato de credibilidade entre a opinião pública americana e a européia por meio das nossas operações de desinformação. O Vietnã era, uma vez me disse, “o nosso maior sucesso”.

Em 8 de março de 1965, a KGB organizou uma conferência de ataque em Estocolmo para condenar a agressão americana quando as primeiras tropas dos EUA chegaram ao Vietnã do Sul. Sob as ordens de Andropov, Romesh Chandra, agente pago da KGB e presidente do World Peace Council (WPC), órgão também financiado pela KGB, criou a Conferência de Estocolmo sobre o Vietnã. Ela foi criada como organização internacional permanente para apoiar ou conduzir operações para ajudar americanos a fugir do dever ou desertar, para desmoralizar as forças armadas americanas com propaganda anti-americana, realizar protestos, demonstrações e boicotes e para atacar toda e qualquer pessoa ligada à guerra. Era apoiada por oficiais da inteligência do bloco soviético disfarçados e recebeu cerca de 15 milhões de dólares por ano do departamento internacional do partido comunista – do orçamento anual de 50 milhões de dólares do WPC, em dinheiro vivo lavado. Os dois grupos tinham secretarias ao estilo soviético para gerenciar as suas atividades gerais, comitês de trabalho ao estilo soviético para conduzir as operações do dia a dia e papelada ao estilo da burocracia soviética. O discurso do senador Kerry é uma inequívoca enxurrada de slogans ao estilo soviético da época. Na minha opinião, é igualzinho a uma citação direta da proganda sensacionalista destas organizações.

A campanha da KGB para tomar de assalto os EUA e a Europa por meio da desinformação foi mais do que um simples truque sujo da Guerra Fria. Toda a política externa dos estados soviéticos, até mesmo o seu poder econômico e militar, girava em torno do objetivo soviético maior de destruir os EUA por dentro por meio do uso de mentiras. Os soviéticos viam a desinformação como uma ferramenta vital no avanço dialético do comunismo mundial.

A conferência de Estocolmo manteve encontros anuais internacionais até 1972. Em seus cinco anos de existência criou milhares de materiais “documentais” impressos em todos os principais idiomas ocidentais descrevendo os “crimes abomináveis” cometidos pelos soldados americanos contra civis no Vietnã, juntamente com fotografias falsificadas. Todo este material era fabricado pelo departamento de desinformação da KGB. Eu mesmo imprimi centenas de milhares de cópias de cada um destes materiais.

O DIE romeno (a polícia secreta de Ceausescu) tinha como missão distribuir por toda a Europa Ocidental estes “documentos incriminatórios” forjados pela KGB. E o cidadão comum normalmente engolia anzol, linha e chumbada. “Até mesmo Átila, o huno, parece um anjo comparado com os americanos” me disse, em tom de reprovação, um executivo alemão ocidental ao ler um destes relatórios.

Os partidos comunistas italianos, gregos e espanhóis alimentados por Bucareste eram muito influenciados por estes materiais e os seus ativistas regularmente distribuíam traduções. Também os panfletavam aos participantes de protestos anti-americanos ao redor do mundo.

Muitos movimentos “Ban-the-Bomb” e contrários à energia nuclear também eram operações concebidas pela KGB. Quando vejo uma petição para a paz mundial ou qualquer outra suposta causa nobre, particularmente do tipo anti-americano, não consigo deixar de pensar: “KGB”.

Em 1978, quando rompi com o comunismo, o meu DIE estava espalhando o boato de que a aventura de Washington no Vietnã havia gasto mais de 200 trilhões de dólares. Este desperdício, avisávamos soturnamente, logo geraria inflação, recessão e desemprego na Europa.

Até onde sei, a KGB deu à luz o movimento pacifista nos EUA. Em 1976, Andropov deu ao meu próprio DIE romeno crédito por ajudar a sua KGB nisso.

Os intelectuais esquerdistas americanos hoje olham para a Europa saturada por anos de propaganda anti-americana da União Soviética – para “uma crítica européia sã e franca da política de guerra da administração Bush”. Realmente, o anti-americanismo europeu hoje é quase tão feroz quanto no tempo do Vietnã. Segundo a França e a Alemanha, estamos torturando prisioneiros da al Qaeda na Base de Guantânamo. The Mirror, jornal inglês, tem certeza de que o presidente Bush e o primeiro-ministro Tony Blair estavam “matando inocentes no Afeganistão”. O jornal parisiense Le Mond colocou Jean Baudrillard na primeira página afirmando: “o ocidente judaico-cristão, liderado pelos EUA, não apenas provocaram os ataques terroristas (de 11 de setembro), mas na verdade o desejaram”.

Em junho de 2002, um documentário sobre os “crimes de guerra dos EUA” no Afeganistão foi exibido no Bundestag German pelo cripto-comunista Partido Socialista Democrata (PDS). O filme reincarnou fielmente o estilo dos antigos “documentários” do bloco soviético demonizando a guerra americana do Vietnã. De acordo com este filme de 20 minutos, os soldados americanos estiveram envolvidos em tortura e assassinato de cerca de 3 mil prisioneiros Taliban na região de Maqzar-e-Sharif. No filme, uma testemunha até mesmo diz ter visto um soldado americano quebrar o pescoço de um prisioneiro afegão e jogar ácido em outros.

Na minha última reunião com Andropov, ele disse, espertamente, “agora, basta manter vivo o anti-americanismo da era do Vietnã”. Andropov era um astuto observador da natureza humana. Sabia que no fim o nosso envolvimento inicial seria esquecido e que as nossas insinuações ganhariam vida própria. Ele sabia bem como funciona a natureza humana.

***

Fátima, 13 de outubro de 1917

– Olhem para o sol! gritou Lúcia.

O tão esperado milagre ia começar.

***

Tudo teve início no dia 13 de maio de 1917, quando Maria apareceu a três pastorinhos – Lúcia, Francisco e Jacinta – em Fátima, Portugal. Pediu para comparecerem naquele tocal todos os dias 13, até outubro, quando diria quem era e o que queria. As notícias sobre as visões se espalharam e conforme o tempo passava a multidão presente nas aparições ia crescendo, até chegar a 70 mil pessoas naquele dia, mesmo chovendo forte durante a noite toda.

No fim da chuvosa manhã, as crianças abriram caminho entre a multidão até chegarem à Cova da Iria, local exato das aparições. Imediatamente, começaram a rezar o terço. Ao meio-dia, Lúcia pediu silêncio e avisou que Nossa Senhora se aproximava.

As crianças entraram em êxtase. Nossa Senhora finalmente se identificou:

– Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que eu sou a Senhora do Rosário, que continuem a rezar o terço todos os dias.

Instantes depois, após um breve diálogo com a Virgem, Lúcia gritou:

– Olhem para o sol!

Novas visões deslumbraram as três crianças: primeiramente, a Sagrada Família, com São José abençoando a multidão. Em seguida, Jesus Cristo, de vermelho, e Nossa Senhora das Dores, vestida de roxo, com a espada ao peito; neste instante, é Cristo quem abençoa o povo. Finalmente, aparece Nossa Senhora do Carmo, deixando cair da mão direita alguma coisa.

“E as Visões do Céu de Fátima extinguiram-se para sempre”, escreveu o Padre João M. de Marchi.

Mas, enquanto as crianças tinham estas visões, começava para o povo o tão aguardado milagre. De fato, as nuvens começavam a se afastar, e puderam ver o sol nitidamente, sem ferir os olhos. Imediatamente, o sol começou a girar em torno do seu eixo e em seguida desceu em alta velocidade sobre as pessoas presentes. Desferia raios multicoloridos, e as pessoas viam os objetos com cores e reflexos inusitados. A dança do sol durou cerca de 10 minutos, ao fim dos quais as roupas estavam secas e a lama do chão secara. Entretanto, ninguém sofreu queimadura alguma.

Foi o maior milagre de todos os tempos, testemunhado pela multidão presente na Cova da Iria e por muitos outros distantes dali, crentes e céticos, devotos e ateus, clérigos e curiosos. Um milagre cuidadosamente preparado e anunciado com muitos meses de antecedência. Qual o objetivo de todo este estardalhaço?

Dar um só aviso:

“… virei pedir a consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração… Se atenderem ao meu pedido, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo…”

Quais são os erros que a Rússia espalhou?

O terrorismo islâmico, inventado pela KGB para atacar os EUA e Israel, cujo ato mais emblemático foi o 11 de setembro.

O marxismo cultural, filho da Escola de Frankfurt, concebida por Stalin, responsável pelo abortismo, feminismo, sex lib e muitas outras barbaridades perpretadas por Marcuse e seus colegas.

A Teologia da Libertação, invenção de Khrushchev, cujos efeitos nós, brasileiros, estamos sofrendo na pele – a ocupação da Igreja por ateus.

A disseminação das drogas, com a dupla finalidade de fazer dinheiro e destruir as nações.

O nazismo, filho bastardo de Stalin, primo-irmão do comunismo, ambos propelidos pela mentalidade revolucionária, a mesma ideologia de ódio de fascistas e socialistas.

O genocídio de dezenas de milhões de pessoas, vítimas de ditaduras comunistas, contando por baixo.

Os padres pedófilos – invenção de Stalin – introduzidos (já na década de 1930) na Igreja mediante o aparelhamento dos psicólogos que selecionavam os candidatos para o sacerdócio: eliminavam as verdadeiras vocações e admitiam os homossexuais.

As consequências dos erros da Rússia são sentidas por nós a todo instante: insegurança, degradação da mulher, dissolução das famílias, o crime como norma, esquecimento de Deus, aumento brutal do poder do Estado, o fantasma das drogas… E o milagre do sol, como tantos outros, é escondido sob um véu de silêncio por aqueles que seguem a infame frase de Marx “A religião é o ópio do povo”.

Quase cem anos depois da dança do sol, a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria ainda não foi feita. É nosso dever orar para que a Santo Padre a faça o quanto antes.

“Continuem a rezar o terço em honra de Nossa Senhora do Rosário para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.”  – Palavras da Virgem Santíssima em Fátima, no dia 13 de julho de 1917.

***

“Eu testemunhei o nascimento do terrorismo anti-americano”

O emblemático ataque de 11 de setembro foi o ápice do terrorismo islâmico, “concebido 48 anos atrás em Lubianka, quartel-general da KGB, e tem sido levado a cabo por fascistas islâmicos armados com granadas soviéticas propelidas a foguete, Kalashnikovs e coquetéis Molotov”.

As palavras acima são do general Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista, em artigo recente. Pacepa acrescentou:

“Infelizmente, eu testemunhei o nascimento do terrorismo anti-americano. Anos atrás ouvia o general Aleksandr Sakharovsky, chefe da espionagem estrangeira da União Soviética, pontificar que a nossa maior arma contra o nosso “principal inimigo” (os EUA) deveria ser, a partir de então, o terrorismo, pois as armas nucleares haviam tornado obsoleta a força militar convencional. Em 1969, Sakharovsky tranformou o sequestro de aviões – a arma escolhida para  o 11 de setembro – em terrorismo internacional.”

O terrorismo se junta, assim, à longa lista de barbaridades perpretadas pelo comunismo russo: genocídio, divórcio, aborto, pedofilia na Igreja, tráfico de drogas, sex lib, degradação da mulher, dissolução da família… Foi responsável também pelo maldito pacto de Metz, a mordaça colocada no Concílio Vaticano II para silenciá-lo sobre o comunismo.

Nada disto surpreende a quem estuda os acontecimentos de Fátima, pois Nossa Senhora desceu do céu e, ante uma multidão de 70 mil pessoas, fez o maior milagre de todos os tempos – a dança do sol – para avisar: cuidado com a Rússia!

No dia 13 de julho de 1917, Maria disse “A Rússia vai espalhar os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições: os bons serão martirizados (…)” Talvez pensasse nas incontáveis vítimas da ideologia de ódio comunista…

… talvez pensasse nas 2 977 vítimas de 11 de setembro de 2001.

A Porta Estreita

“A vida nos Rangers era austera. Na verdade, muito rígida. Se havia duas maneiras de realizar determinada tarefa, sempre escolhíamos a mais difícil. Nunca tomávamos atalhos ou poupávamos esforços.”

O trecho acima foi retirado do livro Força Delta – A História da Unidade de Elite Antiterrorismo Norte-Americana, de Eric L. Haney. O autor foi um dos primeiros integrantes da unidade, concebida para fazer frente à onda de sequestros terroristas patrocinada pelo comunismo que se alastrou pelo mundo na década de 1960. Como todo relato autobiográfico aventureiro, fascina pelas situações extremas, pelo perigo diuturno, pela ação exaustiva. No caso específico, permite conhecer o ponto de vista de quem participou de eventos como o combate às guerrilhas latino-americanas e ao terrorismo no Oriente Médio, e sentiu na pele o impacto das decisões políticas – por exemplo, sobre o resgate de prisioneiros americanos da guerra do Vietnã.

Acima de tudo, o relato é permeado, nas entrelinhas, pelo modo de ser do povo americano, derivado das suas profundas raízes cristãs, responsáveis pela liderança mundial exercida por aquela grande nação. “Se havia duas maneiras de realizar determinada tarefa, sempre escolhíamos a mais dífícil” é, ao pé da letra, a obediência ao preceito de Cristo “entrai pela porta estreita”. Esta frase não é destinada apenas às almas reclusas afastadas do mundo; é um lema para soldados e alpinistas, diria Chesterton. Em Ortodoxia, o inglês comenta outra frase do Evangelho – “quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem quiser perdê-la vai salvá-la” – usando o mesmo raciocínio. Decisão, vontade e coragem são atributos do verdadeiro cristão.

Se há uma coisa que nós, brasileiros regidos pela lei de Gérson, temos que aprender é isto: o ensinamento de Nosso Senhor não é só para ser lido e meditado na quietude do templo ou na solidão do quarto; é também para nortear a nossa existência na rua, no trabalho e na família, é para ser praticado no dia a dia, na frente de batalha, em busca do bem comum. Senão, a incoerência entre pensamento e ação nos transformará em doentes mentais.

“Entrai pela porta estreita”, fuja da solução fácil e do comodismo, não viva esta vida passageira como se fosse eterna, busque a vontade de Deus. Caso contrário, enveredaremos pela “porta larga”, caminho certo para a perdição, porque não há uma terceira alternativa.

O autor termina o livro com um capítulo breve, intitulado “Após 11 de setembro de 2001”, tecendo considerações sobre o terrorismo. Escreve: “E a nossa primeira obrigação é entender uma coisa a nosso respeito: somos um povo bom e ético, e formamos a nação que é a esperança da humanidade – provavelmente sua última esperança.”

E conclui:

“Lembre-se, não é à toa que somos chamados de ‘a terra dos livres e o lar dos corajosos’.
Eric L. Haney,
Cidadão americano, soldado.”

 

Desinformação – De Bengasi ao Terrorismo Nuclear

O artigo abaixo, do general Ion Mihai Pacepa, foi publicado no WorldNetDaily em 25 de junho de 2013.

Desinformação – De Bengasi ao Terrorismo Nuclear

Ion Mihai Pacepa, ex-chefe de espionagem comunista, revela o pior escândalo de Obama

O general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente do bloco soviético que obteve asilo político nos EUA. O seu novo livro, Disinformation, em coautoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pela WND Books em 25 de junho de 2013.

A politização sem precedentes do IRS (Internal Revenue Service) à moda soviética foi, dentre todos os escândalos que infestam a administração Obama, o que maior indignação popular causou, pois muita gente sentiu na pele a arrogância da IRS.

Entretanto, muito mais importante é o encobrimento da verdade sobre o bárbaro assassinato do embaixador J. Christopher Stevens e de três dos seus subordinados dentro do nosso posto diplomático em Bengasi, cometido na emblemática data de 11 de setembro.

Por que digo isto? Na minha antiga vida como comandante-chefe de espionagem do bloco soviético, passei anos observando, a partir de um ponto de vista privilegiado e exclusivo, como um tipo de maldade rapidamente leva a outra maldade muito maior. Acredito que Bengasi é o escândalo da presidência Obama.

Para resumir: descrevendo de forma enganosa o ato de guerra cuidadosamente preparado contra os EUA como um caso de “violência espontânea”, esta administração provou que não está disposta e nem é capaz de defender o nosso país e as nossas vidas contra o terrorismo externo, que – e aqui está a parte crítica – está agora muito perto de ter armas nucleares para lançar contra nós.

James Woolsey, ex-diretor da Central de Inteligência, publicou recentemente um artigo no Wall Street Journal documentando como os EUA se tornaram tão vulneráveis ao terrorismo internacional, a ponto de até mesmo o ridículo governo norte-coreano poder denotar uma pequena arma nuclear sobre o território americano.

“A Coréia do Norte só precisa de um míssil balístico intercontinental capaz de transportar um única ogiva nuclear para se tornar um perigo real para os EUA” escreveu Woolsey, juntamente com Peter Pry, diretor executivo da Task Force na National and Homeland Security. “A Congressional Electromagnetic Pulse Commission, a Congressional Strategic Posture Commission e diversos estudos do governo americano demonstraram que a detonação de uma arma nuclear sobre qualquer parte do território americano geraria um pulso eletromagnético catastrófico.”

Uma única explosão – algo que a Coréia do Norte é realmente capaz de fazer – constituiria um ataque por pulso eletromagnético capaz de, nas palavras do nosso ex-chefe da CIA, “causar um colapso na rede elétrica e na infraestrutura dela dependente – comunicações, transportes, sistema financeiro, comida e água – necessárias para manter a sociedade moderna e as vidas de 300 milhões de americanos.”

Outra análise bem feita, recém-publicada no Weekly Standard, confirma que em meados de 2014, o fanático e anti-americano governo terrorista do Irã provavelmente será capaz de enriquecer urânio e plutônio de forma tão rápida que os EUA não conseguirão detê-lo militarmente. Quando um regime insano e metastático – obcecado pela destruição (em primeiro lugar) do “Pequeno Satã”, Israel, e (em seguida) do “Grande Satã” (EUA) – tiver um arsenal nuclear, estaremos realmente vivendo em um mundo muito diferente e incerto.

Quando eu era conselheiro de segurança nacional do presidente da Romênia comunista, uma das minhas principais tarefas, era, ironicamente, impedir a ação terrorista. A prevenção, é claro, era muito mais fácil numa ditadura cruel onde a polícia política desfrutava de poder ilimitado. Entretanto, experiências recentes provam o bom funcionamento da prevenção nos EUA. A Heritage Foundation noticiou em 2008 que cerca de 40 ataques terroristas foram evitados desde 11 de setembro de 2001.

Infelizmente, em 2009, por razões sobre as quais podemos apenas especular, a administração Obama descartou a frase “guerra contra o terrorismo” do seu vocabulário, reclassificando um bem sucedido ataque terrorista no território americano (Fort Hood) como “violência no local de trabalho” e abandonou inúmeras medidas anti-terrorismo adotadas após o 11 de setembro. Marc A. Thiessen, colunista do Washington Post, observou: “No seu segundo dia no cargo, Obama encerrou o programa de interrogatório da CIA. (…) Num discurso no National Archives, Obama eviscerou os homens e as mulheres da CIA, acusando-os de “tortura” e declarando que o trabalho deles ‘não ajudou na nossa guerra e nos nossos esforços contra o terrorismo – eles os enfraqueceram.’”

Voltando a 2012: “bin Laden está morto e a General Motors está viva” se tornou um dos mais vibrantes slogans da campanha de reeleição de Obama. A mensagem: o terrorismo e a Al-Qaeda estão derrotados; portanto, reeleja-me. Se a administração tivesse admitido que o embaixador Stevens e os seus três subordinados foram mortos por terroristas dois meses antes da eleição, o slogan mais real da campanha de Obama exporia publicamente o absurdo que realmente era.

Como todos sabem, durante semanas, a administração – incluindo o próprio presidente Obama nas Nações Unidas – bizarramente jogou a culpa por toda a confusão, morte e destruição de Bengasi em uma paródia islâmica no YouTube assistida por pouca gente.

Após o atentado a bomba na maratona de Boston – cujos resultados foram a paralisia de uma das maiores cidades dos EUA, três americanos mortos e cerca de 200 feridos, muitos deles gravemente – o presidente Obama, sob pressão do Congresso, tratou do perigo do terrorismo em um discurso de uma hora no dia 23 de maio. Foi um bom discurso, como os discursos costumam ser, exceto pelo fato de que ele sequer ter mencionou a ameaça real enfrentada hoje pelo nosso país – o risco crescente do terrorismo nuclear – e, em vez disto, menosprezou o perigo de um futuro terrorista. “Extremistas regionais. Este é o futuro do terrorismo” proclamou o presidente. Tudo o que precisamos fazer realmente é fechar Guantânamo e efetuar uma leve mudança no modo como usamos drones.

Com o devido respeito, tenho que contrariar o presidente Obama. O terrorismo anti-americano atual não foi gerado nos EUA. Foi concebido 48 anos atrás em Lubianka, quartel-general da KGB, e tem sido levado a cabo por fascistas islâmicos armados com granadas soviéticas propelidas a foguete, Kalashnikovs e coquetéis Molotov – incluindo os terroristas responsáveis pela morte do embaixador Stevens.

Infelizmente, eu testemunhei o nascimento do terrorismo anti-americano. Anos atrás ouvia o general Aleksandr Sakharovsky, chefe da espionagem estrangeira da União Soviética, pontificar que a nossa maior arma contra o nosso “principal inimigo” (os EUA) deveria ser, a partir de então, o terrorismo, pois as armas nucleares haviam tornado obsoleta a força militar convencional.

Conheci bem Sakharovsky – ele foi conselheiro chefe da inteligência soviética para a Romênia durante cinco anos. A sua aparência não era a de uma pessoa cruel, mas o terrorismo era a sua solução favorita para problemas políticos; durante os seus anos de atuação na Romênia, instigou a matança de cerca de 50 mil anti-comunistas. Depois, Sakharovsky serviu 16 anos – período sem precedentes – como chefe do serviço de inteligência estrangeiro da União Soviética (1956-1972), tempo durante o qual espalhou o terrorismo anti-americano pelo mundo.

Em 1969, Sakharovsky tranformou o sequestro de aviões – a arma escolhida para  o 11 de setembro – em terrorismo internacional. Em 1971, lançou a Operação Tayfun (palavra russa para “tufão”), destinada a transformar o antigo ódio mundial contra os nazistas em um ódio contra os EUA, o novo “poder de ocupação”. Sakharovsky até mesmo estabeleceu uma “divisão socialista de trabalho” com o objetivo de criar e armar organizações terroristas anti-americanas em todo o mundo – a qual chamou “combatentes da liberdade”.

Em meu novo livro, Disinformation, em coautoria com o professor Ronald Rychlak, explico bem tudo isso, em seus diversos aspectos. Aqui, quero brevemente afirmar que o sucesso das operações terroristas de Sakharovsky encorajaram o seu superior, Yuri Andropov, chefe da KGB, a – como costumava dizer – “transformar todo o mundo árabe em um explosivo inimigo dos EUA” recorrendo ao anti-semitismo, arma emocional manejada com sucesso por vários ditadores ao longo do tempo.

A máquina de desinformação de Andropov, naquele tempo estimada em mais de 1 milhão de pessoas (detalhadamente descrita em nosso livro), não mediu esforços para convencer o mundo islâmico de que os EUA eram um país sionista em guerra comercial, financiado pelo dinheiro judeu e administrado por um ávido “Conselho dos Sábios de Sião” – epíteto de Andropov para o Congresso americano.

O objetivo desta imensa operação de desinformação era fazer o mundo islâmico temer que os EUA pudessem tranformar o resto do mundo em um feudo judeu. A manobra de Andropov funcionou. É só lembrar a tomada islâmica da embaixada americana em Teerã em 1979, o atentado a bomba ao quartel dos marines em Beirute em 1983, o sequestro do Achille Lauro em 1985, o ataque terrorista ao World Trade Center em 1993, a destruição das embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998 e os catastróficos ataques de 11 de setembro.

O sucesso de Andropov fez dele o primeiro oficial da KGB a sentar no trono do Kremlin e a ter o seu escritório na KGB transformado em santuário.

Quando Andropov e a sua União Soviética se foram, uma nova geração de russos lutou para dar àquele país feudal uma nova identidade. Mas o ódio pelos EUA introduzido no mundo islâmico pela KGB de Andropov ainda está vivo e se espalhando.

Na minha outra vida, no topo da inteligência do bloco soviético – o serviço de inteligência estrangeiro romeno (DIE) – eu gerenciava extensas redes de inteligência no mundo islâmico, e conheci muito bem aquela região. O seu povo não odiava os EUA. Milhões deles ainda hoje esperam na fila para serem aceitos nos EUA porque admiram este país. Apenas alguns poucos líderes fanáticos fascistas islâmicos, devido à sua imensa raiva contra esta grande nação de liberdade, sonham em destruí-la.

O prolongado ódio destes líderes islâmicos fanáticos pelos EUA e o fantasma de que consigam poder nuclear mostram, no meu ponto de vista, que é o momento para os líderes do nosso Congresso e dos nossos partidos Democrata e Republicano esquecerem os belos discursos do presidente Obama e começarem a construir uma política única para vencer a guerra contra a praga do terrorismo.

É importante, além de esclarecer totalmente a verdade sobre Bengasi, tomarmos medidas para evitar novos desastres terroristas. A competição pode ser o motor do progresso americano, mas, em tempo de guerra, é a união que faz dos EUA o líder do mundo.

Não sei como deve ser a nova polítca anti-terrorista americana. Na realidade, ninguém em nosso país sabe. Sei, entretanto, como o terrorismo anti-americano foi gerado, e recomendo fortemente, à administração atual e ao Congresso, a análise séria do relatório National Security Council Report 68, do presidente Truman (NSC 68/1950), que definiu a estratégia de contenção e se tornou a nossa principal arma durante a Guerra Fria.

Este documento de 58 páginas não joga a culpa pela Guerra Fria em vídeos do YouTube. Descreve os desafios dos EUA em termos desastrosos.

“Os problemas que enfrentamos são graves”, diz o documento, “envolvendo a sobrevivência ou a destruição não apenas desta República mas da própria civilização”. Assim, definiu uma estratégia política “de dois dentes”: 1) poder militar superior e 2) uma “Campanha da Verdade”, definida como “uma luta, acima de tudo, pelas mentes dos homens”. A propaganda usada pelas “forças do comunismo imperialista” só podia ser derrotada, argumentou Truman, pela “verdade plena, absoluta e simples”. A Voice of America, a Radio Free Europe e a Radio Liberation (logo em seguida chamada de Radio Liberty) tornaram-se parte da “Campanha da Verdade” de Truman.

Esta mesma estratégia “de dois dentes” – superioridade militar total e uma resoluta campanha pela verdade absoluta – permitiu aos EUA vencerem o comunismo, e é hoje igualmente essencial se quisermos assumir a posição de controle em um ameaçador mundo de terrorismo nuclear inimaginável.

 

From Russia With Terror

A crise no Egito é mais um passo da Irmandade Muçulmana rumo ao califado mundial, longamente planejado. Vale a pena recordar os ensinamentos de Ion Mihai Pacepa sobre a influência do comunismo no terrorismo islâmico. A entrevista abaixo, conduzida pelo editor Jamie Glazov, foi publicada no site do Front Page Magazine em 1° de março de 2004, sob o título From Russia With Terror.

Ion Mihai Pacepa é um ex-general da Securitate, polícia secreta da Romênia comunista. Em 1978 pediu asilo político nos EUA, onde vive até hoje, sob identidade secreta. É o desertor de mais alta patente do Bloco Oriental. Escreveu diversos livros e artigos sobre os serviços de inteligência comunistas. O seu mais recente livro, lançado em junho, é Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism, em coautoria com Ronald Rychlak (ISBN-10: 1936488604).

Segue-se a entrevista:

O convidado de hoje da Frontpage interview é Ion Mihai Pacepa, ex-chefe do serviço de espionagem da Romênia comunista. Em 1987, ele publicou Red Horizons (REGNERY GATEWAY), traduzido em 24 países. Em 1999, Pacepa escreveu The Black Book of the Securitate, o livro mais vendido na Romênia em todos os tempos. No momento, está finalizando um livro sobre as origens do anti-americanismo atual.

Frontpage Magazine: Bem-vindo à Frontpage Interview, Mr. Pacepa. Como ex-chefe da espionagem romena, que recebia ordens diretas da KGB soviética, o senhor obviamente sabe de muita coisa. O senhor escreveu sobre o fornecimento soviético de armas de destruição em massa (WMD – Weapon of Mass Destruction) para Saddam Hussein, e também sobre como o ensinaram a eliminar vestígios delas. Pode comentar este assunto e nos dizer sobre a sua ligação com as “WMD desaparecidas” no Iraque atualmente?

Pacepa: A memória política contemporânea parece ter sido convenientemente atingida por um tipo de doença de Alzheimer. Não faz muito tempo, todos os líderes ocidentais, começando pelo presidente Clinton, clamavam contra as WMD de Saddam Hussein. Agora, quase ninguém se lembra que, após ter desertado para a Jordânia em 1995, o general Hussein Kamel, genro de Saddam Hussein, nos ajudou a encontrar “mais de cem baús e caixas de metal” contendo documentação “relativa a todas as categorias de armas, inclusive nucleares”. Ele também ajudou a Comissão Especial das Nações Unidas (UNSCOM – United Nations Special Commission) a resgatar do rio Tigre peças de mísseis sofisticados proibidos no Iraque. Isto é exatamente o que o meu velho plano soviético “Sãrindar” dizia para ser feito em caso de emergência: destruir as armas, esconder os equipamentos e preservar a documentação. Não é de admirar que Saddam Hussein tenha se apressado em atrair Kamel de volta para o Iraque, onde foi morto juntamente com cerca de 40 parentes três dias depois da chegada, ato descrito pela imprensa oficial de Bagdá como “administração espontânea de justiça tribal”. Isto feito, Saddam Hussein fechou a porta para qualquer outra inspeção da UNSCOM.

FP: Algum plano Sãrindar foi colocado em funcionamento?

Pacepa: Sem dúvida. A versão mais branda do plano Sãrindar foi feita por mim para Gaddafi, da Líbia. Assim que eu obtive asilo político nos EUA, Gaddafi encenou um incêndio em uma instalação secreta de armas químicas conhecida por mim (o porão sob o complexo químico de Rabta). Para garantir que os satélites da CIA captassem o incêndio e riscassem aquele alvo da sua lista, ele criou uma imensa nuvem de fumaça preta queimando cargas de pneus e pintando marcas de incêndio na instalação. Este procedimento está descrito no plano Sãrindar. Por garantia, Gaddafi também construiu uma segunda instalação, desta vez 30m chão abaixo, na montanha Tarhunah, sul de Tripoli. Isto não estava no plano Sãrindar.

FP: É inegável, então, que Saddam Hussein possuía WMDs?

Pacepa: No início da década de 1970, o Kremlin criou uma “divisão socialista de trabalho” para persuadir os governos do Iraque e da Líbia a se unirem à guerra de terrorismo contra os EUA. O chefe da KGB, Yury Andropov (mais tarde, o líder da União Soviética), me falou que estes dois países poderiam inflingir mais danos aos americanos que as Brigadas Vermelhas, o Baader-Meinhof e todas as demais organizações terroristas juntas. Os governos daqueles países, explicou Andropov, tinham não apenas recursos financeiros ilimitados (leia-se, petróleo) como também enormes serviços de inteligência que estavam sendo operados pelos “nossos consultores em razvedka” (palavra intraduzível, algo como “espionagem” ou “reconhecimento” – nota do tradutor) e poderiam estender os seus tentáculos pelos quatro cantos do mundo. Havia, entranto, um grande perigo: ao elevar o terrorismo ao nível de estado, correríamos o risco da represália americana. Washintgon jamais despacharia os seus aviões e foguetes para exterminar o Baader-Meinhof, mas certamente os mandaria para destruir uma nação terrorista. Assim, a nossa tarefa também era abastecer secretamente aqueles países com armas de destruição em massa, pois Andropov concluiu que os Ianques nunca atacariam um país que pudesse retaliar com tais armas mortais.

A Líbia era o principal cliente da Romênia naquela divisão socialista de trabalho, devido à estreita associação de Ceausescu com o coronel Muammar Gaddafi. Moscou cuidou do Iraque. Andropov me disse que, se o nosso experimento com o Iraque e a Líbia desse certo, a mesma estratégia poderia ser estendida à Síria. Recentemente, Gaddafi admitiu ter WMD, e os inspetores da CIA as encontraram. Por que acreditaríamos que a toda-poderosa União Soviética, que espalhou WMD por todo o mundo, não poderia fazer o mesmo no Iraque? Cada peça do arsenal iraquiano veio da antiga União Soviética – dos lançadores Katyusha aos tanques T72, veículos de combate BMP-1 e caças MiG. Na primavera de 2002, apenas duas semanas depois da Rússia tomar assento na OTAN, o presidente Putin e os seus ex-oficiais da KGB, que agora estão no comando da Rússia, concluíram outro acordo comercial de $40 bilhões com o regime tirânico de Saddam Hussein. Não era para compra de trigo ou feijão – a Rússia tem que importá-los de outro lugar.

FP: Fale sobre a OLP e a sua conexão com o regime soviético.

Pacepa: A OLP foi concebida pela KGB, que tinha uma propensão por organizações de “libertação”. Havia o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criada pela KGB em 1964 com a ajuda de Ernesto “Che” Guevara. Em seguida, houve o Exército de Libertação Nacional da Colômbia, criado pela KGB em 1965 com a ajuda de Fidel Castro, que logo se envolveu profundamente com sequestros, de aviões e pessoas, atentados a bomba e guerrilha. Posteriormente, a KGB também criou a Frente Democrática para Libertação da Palestina, que realizou inúmeros atentados a bomba nos “territórios palestinos” ocupados por Israel, e o “Exército Secreto para a Libertação da Armênia”, criado pela KGB em 1975, que organizou numerosos atentados a bomba contra escritórios das linhas aéreas americanas na Europa Ocidental.

Em 1964, o primeiro Conselho da OLP, formado por 422 representantes palestinos escolhidos a dedo pela KGB, aprovou a Carta Nacional Palestina – um documento esboçado em Moscou. O Pacto Nacional Palestino e a Constituição Palestina também nasceram em Moscou, com a ajuda de Ahmed Shuqairy, um agente de influência da KGB que se tornou o primeiro presidente da OLP. (Durante a Guerra dos Seis Dias, ele escapou de Jerusalém disfarçado de mulher, tornando-se de tal forma um símbolo dentro da comunidade de inteligência política que uma de suas operações de influência posteriores – destinada a fazer com que o Ocidente considerasse Arafat um moderado – recebeu o codinome “Shuqairy”.) Esta nova OLP era comandada por um Comitê Executivo estilo soviético, composto por 15 membros que, como os seus camaradas em Moscou, também comandavam departamentos. Como em Moscou – e Bucareste – o presidente do Comitê Executivo tornou-se também o comandante geral das forças armadas. A nova OLP também tinha uma Assembléia Geral, que era, sob inspiração soviética, o nome dado a todos os parlamentos da Europa Oriental após a Segunda Guerra Mundial.

Baseado em outra “divisão socialista de trabalho”, o serviço de espionagem romeno (DIE) foi responsável por fornecer apoio logístico à OLP. Exceto pelas armas, fornecidas pela KGB e pela Stasi, da Alemanha Oriental, tudo o mais saía de Bucareste. Até mesmo os uniformes e a papelaria da OLP eram fabricados na Romênia, de graça, como “ajuda camarada”. Durante aqueles anos, dois aviões de carga romenos lotados de bens para a OLP pousavam em Beirute semanalmente, e eram descarregados pelos homens de Arafat.

FP: Você falou sobre o seu conhecimento pessoal sobre como Arafat foi criado e cultivado pela KGB e como os soviéticos realmente o destinaram a ser o futuro líder da OLP. Explique isto melhor, por favor.

Pacepa: “Tovarishch Mohammed Abd al-Rahman Abd al-Raouf Arafat al-Qudwa al-Husseini, nom de guerre Abu Ammar,” foi levado à condição de líder palestino pela KGB após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, entre israelenses e árabes. Naquela guerra, Israel humilhou os aliados mais importantes da União Soviética no mundo árabe da época – Egito e Síria – e o Kremlin pensou que Arafat poderia ajudar a restabelecer o prestígio soviético. Arafat começou a sua carreira política como líder da organização terrorista palestina al-Fatah, cujos fedayin eram treinados secretamente na União Soviética. Em 1969, a KGB conseguiu catapultá-lo a presidente do comitê executivo da OLP. O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser, outra marionete soviética, propôs publicamente a indicação.

Logo em seguida, Arafat foi encarregado pela KGB de declarar guerra contra o “imperialismo sionista” americano durante a primeira conferência de cúpula da Black International, uma organização também financiada pela KGB. Arafat alega ter cunhado o termo “imperialismo sionista” mas, na verdade, Moscou inventou este grito de guerra muitos anos antes, misturando o tradicional anti-semitismo russo com o novo anti-americanismo marxista.

FP: Por que as lideranças americanas e israelenses foram ludibriadas durante tanto tempo em relação às atividades criminosas e terroristas de Arafat?

Pacepa: Porque Arafat é um mestre do engodo – e eu infelizmente contribui para isto. Em março de 1978, por exemplo, eu secretamente conduzi Arafat para Bucareste para envolvê-lo em uma trama de desinformação soviética-romena longamente planejada. O objetivo era fazer com que os Estados Unidos estabelecesse relações diplomáticas com Arafat, fazendo com que ele fingisse querer transformar a OLP terrrorista em um governo no exílio desejoso de renunciar ao terrorismo. O presidente soviético Leonid Brezhnev acreditava que o recém-eleito presidente Jimmy Carter morderia a isca. Assim, ele disse ao ditador romeno que as condições eram propícias para introduzir Arafat na Casa Branca. Moscou deu a incumbência a Ceausescu porque em 1978 meu chefe tornara-se o tirano predileto de Washington. “A única coisa que as pessoas do Ocidente se preocupam é com os nossos líderes”, o chefe da KGB disse quando me envolveu no esforço para tornar Arafat popular em Washington. “Quanto mais eles os amarem, mais gostarão de nós.”

“Mas somos uma revolução”, explodiu Arafat, após Ceausescu ter explicado o que o Kremlin queria dele. “Nascemos como uma revolução, e devemos continuar sendo uma revolução incontida.” Arafat objetou que os palestinos careciam da tradição, unidade e disciplina necessárias para se tornarem um estado formal. Todas estas condições eram algo apenas para uma geração futura. Que todos os governos, inclusive os comunistas, eram limitados por leis e acordos internacionais, e ele não estava disposto a colocar leis e outros obstáculos no caminho da luta palestina para erradicar o estado de Israel.

Meu antigo chefe só foi capaz de convencer Arafat a enganar o presidente Carter recorrendo ao materialismo dialético, pois ambos eram stalinistas fanáticos que conheciam o marxismo de cor. Ceausescu compassivamente concordou que “uma guerra de terror é a sua única arma realista”, mas também disse ao seu convidado que, se ele transformasse a OLP em um governo no exílio e fingisse romper com o terrorismo, o Ocidente iria enchê-lo de dinheiro e glória. “Mas você tem que continuar fingindo, de novo e de novo”, meu chefe enfatizou.

Ceausescu lembrou que influência política, como o materialismo dialético, era construído sobre a mesma doutrina básica de que a acumulação quantitativa gera transformação qualitativa. Ambos funcionam como cocaína, digamos. Se você cheira uma vez ou duas, ela não mudará a sua vida. Se você usá-la dia após dia, entretanto, ela fará de você um viciado, um homem diferente. Isto é a transformação qualitativa. E, nas sombras do seu governo no exílio, você poderá manter tantos grupos terroristas quantos quiser, com a condição de que não sejam publicamente associados ao seu nome.

Em abril de 1978 eu acompanhei Ceausescu a Washington, onde ele convenceu o presidente Jimmy Carter de que poderia persuadir Arafat a transformar a sua OLP em um governo no exílio, sujeito a leis, se os Estados Unidos estabelecessem relações oficiais com ele. De imediato, o presidente Carter aclamou publicamente Ceausescu como um “grande líder nacional e internacional” que tinha “assumido um papel de liderança na comunidade internacional”.
Três meses depois eu obtive asilo político nos Estados Unidos, e o tirano romeno deu adeus ao seu sonho de ganhar o Prêmio Nobel da Paz. Um quarto de século depois, entretanto, Arafat permanece no cargo de chefe da OLP e parece ainda estar trilhando o jogo de engodo do Kremlin. Em 1994, Arafat ganhou o Prêmio Nobel da Paz porque concordou em transformar a sua organização terrorista em um tipo de governo no exílio (a Autoridade Palestina) e fingiu, de novo e de novo, que aboliria os artigos da Carta da OLP de 1964 que tratam da destruição do estado de Israel e erradicaria o terrorismo palestino. No fim do ano escolar palestino de 1998-99, entretanto, todos os mil e quinhentos novos livros didáticos usados pela Autoridade Palestina de Arafat descreviam Israel como “inimigo sionista” e igualavam o sionismo ao nazismo. Dois anos após a assinatura dos Acordos de Oslo, o número de israeleneses mortos por terroristas palestinos aumentou 73% em comparação com o período de dois anos precedente ao acordo.

FP: É simples: não pode haver paz no Oriente Médio com Arafat no poder. Que recomendação você daria aos diplomatas americanos e israelenses?

Pacepa: Expor as mentiras de Arafat e condenar o seu terrorismo sangrento, mas evitar se envolver em represálias físicas contra ele – o que certamente o tornaria um herói para os palestinos. Sugiro fortemente a solução Ceausescu. Em novembro de 1989, quando foi reeleito presidente da Romênia, Ceausescu era tão popular quanto Arafat é agora entre os palestinos. Um mês depois, entretanto, Ceausescu foi processasdo por genocidio pelo seu próprio povo e executado pelo seu próprio povo. De um dia para o outro Ceausescu virou o símbolo da tirania. A Romênia tornou-se um país livre, e doze anos depois foi convidada para integrar a OTAN.

FP: Fale um pouco sobre as condições da KGB na Rússia atualmente. Alguns dizem que está experimentando uma ressurreição. É verdade?

Pacepa: Certamente. Nos últimos doze anos, a Rússia foi modificada para melhor, em alguns aspectos, como nunca antes. Entretanto, aquele país tem um longo caminho até se livrar do legado do comunismo soviético. Em junho de 2003, cerca de 6 mil antigos oficiais da KGB ocupavam importantes posições nos governos russos central e regionais. Três meses mais tarde, quase metade dos altos cargos de governo também estavam ocupados por antigos membros da KGB. É como  colocar a velha Gestapo, supostamente derrotada, no comando de reconstrução da Alemanha.

Desde a queda do comunismo, os russos têm enfrentado uma indigna forma de capitalismo operada por antigos burocratas comunistas, especuladores e mafiosos cruéis que têm ampliado as injustiças sociais e ocasionado um declínio na produção industrial. Assim, após um período de revolta, os russos têm gradualmente – e talvez reconhecidamente – voltado para a sua histórica forma de governo, a autocracia tradicional russa (samoderzhaviye) cuja origem remonta ao século XIV de Ivan, o Terrível, no qual um senhor feudal governava o país com a ajuda da sua polícia política pessoal. Boa ou ruim, a polícia política russa historicamente pode parecer para a maior parte do povo do país a sua única defesa contra a ganância dos novos capitalistas domésticos e a cobiça dos ávidos vizinhos estrangeiros.

A Rússia jamais retornará ao comunismo – muitos russos pereceram nas mãos daquele heresia. Mas parece que a Rússia também não se tornará verdadeiramente ocidental, pelo menos não nesta geração. Se a história – incluindo a dos últimos 14 anos – serve de guia, os russos, que no momento estão desfrutando do seu nacionalismo recuperado, se esforçarão para reconstruir um tipo de Antigo Império Russo inspirando-se nas velhas tradições russas e usando formas e meios russos antigos.

FP: A Rússia é amiga ou inimiga dos Estados Unidos na situação internacional atual?

Pacepa: Após a queda do Muro de Berlim, corri para lá para dar uma olhada. A temível polícia da Alemanha Oriental foi abolida de um dia para o outro, e os seus arquivos estavam abertos para o público. Um ano depois, a ultrajante atividade da Stasi estava revelada em um comovente e enorme museu de liberdade. Um membro do parlamento de Berlim me disse que os alemães queriam provar ao mundo que, com certeza, o passado jamais seria repetido. Para garantir, o governo alemão vendeu todos os edifícios da Stasi para empresas privadas.

Após o colapso da União Soviética, os novos administradores do Kremlin não abriram os arquivos da polícia política da União Soviética, mas em 1992 eles criaram o seu próprio tipo de museu da KGB em Moscou, em um edifício de um cinza sombrio atrás da Lubianka. Os andares superiores continuam sendo escritórios da KGB mas as salas do térreo são usadas para conferências e clube para os oficiais da KGB aposentados – incluindo discoteca.

Em 11 de setembro de 2002, inúmeros oficiais aposentados da KGB reuniram-se no museu da KGB. Não foi para se solidarizarem conosco na data da nossa tragédia nacional, mas para celebrar o 125° aniversário de Feliks Dzerzhinsky – o homem que criou uma das mais criminosas instituições da história contemporânea. Dias depois, o prefeito de Moscou, Yury lushkov, um dos políticos mais influentes da Rússia, mudou de idéia e disse que agora quer recolocar a estátua de bronze de Dzerzhinsky no lugar de honra que ocupava antes em Lubianka. Poucos antes, o novo presidente russo ordenara que a estátua de Yury Andropov fosse recolocada em Lubianka, de onde havia sido removida após o golpe da KGB em 1991. Andropov é o único outro oficial da KGB que chegou ao comando no Kremlin, e por isso é normal Putin prestar homenagem a ele. Durante toda a vida, Andropov doutrinou os seus subordinados para acreditar que o imperialismo americano era o principal inimigo do país. Hoje, estes subordinados estão chefiando a Rússia. Pode demorar mais uma geração para o ódio visceral aos EUA cultivado por Andropov desaparecer.

FP: Como a Rússia se enquadra na Guerra ao Terror? Não há pelo menos um interesse comum em combater o terrorismo islâmico?

Pacepa: O 11 de setembro de 2001 nasceu diretamente de uma operação conjunta soviética-OLP concebida como consequência da Guerra dos Seis Dias. O objetivo desta operação conjunta era restabelecer o prestígio de Moscou jogando o mundo islâmico contra Israel e criando um ódio fanático e violento contra o seu principal defensor, os EUA. A estratégia era retratar os Estados Unidos, esta terra de liberdade, como um “país de sionismo imperialista” estilo nazista, financiado pelo dinheiro judeu e chefiado por um ávido “Conselho dos Sábios de Sião” (o epíteto do Kremlin para o Congresso dos EUA), cujo objetivo era alegadamente transformar o resto do mundo em um feudo judeu. Em outras palavras, o coração do plano conjunto era transformar a histórica aversão árabe e islâmica aos judeus em uma nova aversão aos Estados Unidos. Investimos muitos milhões de dólares nesta tarefa gigantesca, a qual envolveu exércitos inteiros de oficiais de inteligência.

No fim da década de 1960, um novo elemento foi acrescentado à guerra soviética-OLP contra o imperialismo sionista de Israel e dos EUA: o terrorismo internacional. Antes de 1969 terminar, o Décimo-terceiro Departamento da KGB, conhecido no nosso jargão de inteligência como Department for Wet Affairs, “wet” sendo um eufemismo para a sangrenta invenção do sequestro de aviões. A KGB constantemente nos instruía de que ninguém da esfera de influência americana/sionista devia mais se sentir seguro. O sequestro de aviões tornou-se um instrumento da política externa soviética – e, finalmente, a arma escolhida para o 11 de setembro.
Durante aqueles anos de intensos sequestro de aeronaves, fiquei perplexo com o quase idêntico orgulho que Arafat e o general Sakharovsky, da KGB, tinham da sua perícia como terroristas. “Eu inventei o sequestro de aviões [de passageiros]” gabou-se Arafat para mim no início dos anos 1970 quando o encontrei pela primeira vez. Poucos meses depois, encontrei-me com Sakharovsky no seu escritório em Lubianka. Ele apontou para as bandeiras vermelhas fincadas em um mapa mundi na parede. “Olhe só”, disse. Cada bandeira representava um avião dominado. “O sequestro de aviões é uma invenção minha” vangloriou-se.

Os subordinados de Sakharovsky estão agora reinando no Kremlin. Enquanto eles não revelarem totalmente o seu envolvimento na criação do terrorismo anti-americano e não condenarem o terrorismo de Arafat, não há razão para acreditarmos que tenham mudado.

FP: Obrigado, Mr. Pacepa. O nosso tempo acabou. Foi uma grande honra conversar com o senhor. Espero que venha novamente.

Pacepa: Foi um grande prazer, e ficarei feliz em voltar.

– – –

O artigo original, em Inglês, pode ser lido no endereço:

http://archive.frontpagemag.com/readArticle.aspx?ARTID=13975

%d blogueiros gostam disto: