Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Divina Inveja

Na Eternidade, Deus Pai olha com amor para Si mesmo e este olhar de amor origina o Deus Filho, e os dois Se olham e o Seu olhar de amor origina o Deus Espírito Santo. Mais não digo, pois, como Riobaldo, “nessas altas idéias navego mal”.

No Paraíso, Deus criou o homem e, estando ele muito solitário, criou a mulher para lhe fazer companhia, e lhes deu o amor, e, com o amor, a capacidade de também darem origem ao filho.

E o filho e a mãe se olham e se amam, num amor especial, sobre o qual também mais não sei dizer.

E Deus, senhor do tempo, vendo o amor de todas as mães e de todos os filhos – vendo você, cara leitora, mãe, vendo você, caro leitor, filho – sentiu uma divina inveja. E disse Deus, em uníssono (um só Deus, em três pessoas):

– Ei, peralá, tem algo muito errado aqui, este negócio de mãe é muito bom, eu também quero! Preciso dar um jeito nisso, afinal de contas, quem é que manda aqui?

E, chamando imediatamente Gabriel, falou:

– Tenho uma missão para você.

(…)

– Alegra-Te, Cheia de Graça, eis que darás à luz um menino…

***

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Procuram o Menino para Matar

José adormeceu sorrindo, pensando nos alegres e recentes acontecimentos: o nascimento do Bebê Jesus, a alegria da sua esposa, a homenagem dos reis magos, o coro dos anjos. Toda a criação rendia glória ao seu filho, até o boi e o burro, até a natureza inanimada, até a estrela do oriente.

Mas, no meio da noite, surgiu a mensagem terrível e urgente trazida pelo anjo:

– Pega o Menino e Sua Mãe e foge! Herodes vai procurar o Menino para matá-Lo!

A reação de José, como sempre, foi de paz e obediência.

Este espisódio, à luz do nosso mundo, do mundo moderno, caracterizado pela rebeldia, parece ainda mais insólito. O homem de hoje, no lugar de José, certamente diria “um momento, não é este o Filho de Deus, o Verbo Incarnado, como assim, fugir? Pelo contrário, vamos já providenciar um bom esquadrão de anjos vingadores e dar uma lição nesse Herodes”.

Este é o pensamento da sociedade atual, da qual fazemos parte, e não é verdade que muitas vezes pensamos assim frente às contrariedades? Não queremos dar ordens a Deus e ditar a ordem dos acontecimentos? Já paramos para analisar a má influência da mídia de massa, do sistema educacional e da indústria cultural – instituições maciçamente dirigidas por inimigos de Deus – na nossa formação? Já avaliamos quantas rebeldias foram plantadas dentro de nós por estes inimigos da fé? Já sentimos dentro de nós o orgulho, a inveja, o despeito, todos estes vapores borbulhando, prestes a explodir frente à menor contrariedade, um incidente no trânsito, um comentário no seio familiar?

José sabia que a sua vida era uma missão, empreitada de amor concebida por Deus, e, tanto quanto ele, todos nós – eu e você – temos uma missão, única, exclusiva, irrepetível e intransferível.

“Ah, mas a tarefa de José era diferente, era cuidar do Filho de Deus, e a minha vida é insignificante…”

Este é mais uma das armadilhas da vida moderna – a arapuca do brilho, da vanglória, da ostentação –, uma bomba-relógio colocada na sua cabeça para explodir quando você se estiver em uma encruzilhada, decidindo entre o bem e o mal. Que sábio pode saber o valor de uma vida? Se for realmente sábio, terá esta pretensão?

Pela sua obediência, José mereceu o mais alto dos céus, ao lado da sua esposa muito amada, a Virgem Maria, a Mãe de Deus. Quem diz isso não sou eu, não. São palavras emanadas da boca de Nosso Senhor Jesus Cristo:

– O que Deus uniu, o homem não separe!

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Aos homens de boa vontade

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Criou porque é Amor, e o Amor é criador. Fez um jardim de delícias e nele colocou homem e mulher. Mas as criaturas renegaram o Amor e foram expulsas do paraíso quando o pecado se instalou em seus corações. Danou-se!, como dizem os baianos. Na Sua infinita misericórdia, Deus se compadeceu e deu uma segunda chance ao homem, enviando o Seu Filho Único para redimir o pecado.

Na noite de Natal, Maria, calada, tudo observa e tudo conserva em seu coração. A Virgem pariu sem dor, o Bebê não chora, sorri. José, silencioso, também nada fala.  Os reis magos, na cena da manjedoura, também se calam. Até o boi e o burro ficam quietinhos. Tudo é envolvido em profundo silêncio, como que para realçar a mensagem dos pastores transmitindo o louvor da milícia celeste: Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.

Glória a Deus nas alturas restabelece a verdade, o lugar do homem na criação, o sentido da vida, o sentido de cada uma das nossas vidas, da minha e da sua, o norte da nossa existência, a busca diária e diuturna pelo paraíso perdido.

Paz na terra aos homens de boa vontade. Um ditado diz “o inferno está cheio de boas intenções”. Muito pelo contrário, não há nenhuma boa intenção no inferno, apenas o ódio dos anjos caídos e a dor das almas condenadas e a indiferença delas entre si. As pessoas desejosas de paz no coração só têm um caminho, a retidão de intenção na busca da glória de Deus. O resto – o sonho dourado da comodidade, do bolso cheio, da barriga mais cheia ainda, dos aplausos, da conveniência – é moeda falsa. Cristo sempre realçou a intenção das pessoas. Em muitas ocasiões, disse: A tua fé te salvou. No episódio da pobre esmola da viúva, enalteceu: ela deu mais do que todos os outros. Seja no agir, no contemplar ou  no sofrer, o querer faz toda a diferença. Cristo nos deu o exemplo: agia pelo Pai, contemplava os lírios do campo como reflexo do Pai, e, na cruz, sofria por obediência ao Pai.

Particularmente de nós, brasileiros de uma época e sociedade esquecidas de Cristo, onde a malícia pode ser sentida em cada mentira amparada pelas mais perversas criações da segurança do homem no mundo, ditadas por satanás, o sacrifício exigido por Cristo é mantermos a boa vontade, a pureza de intenções em meio a demônios, não há outra saída, o cristianismo não dá soluções fáceis.

Toda esta história, crida por nós, cristãos – mais ainda, da qual somos participantes! – é uma história fantástica e absurda, tão fantástica e absurda que não pode ter sido concebida por mentes humanas, é uma história de santos e milagres, e o homem, ou os homens, que a inventassem precisariam ser santos para elaborá-la. E, se santos fôssem, não inventariam nada, não mentiriam.

Só nos resta meditar no imerecido dom da fé num Deus que se humilhou a ponto de nascer numa manjedoura porque não havia outro lugar para Ele. Da sua pobre acomodação, num mundo envolto em silêncio, o Bebê Jesus sorri.

Sorri para transmitir a Sua alegria, para que a Sua alegria esteja em nós, e a nossa alegria seja completa.

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No Trono do Amon Hen

Com O Anel no dedo, Frodo corria colina acima, deixando para trás Boromir e o seu cego desejo de se apoderar da jóia. Como o Pomo da Discórida, O Anel lançara a intriga, a inveja e a ambição no seio da Confraria dos Nove. Cansado, chegou ao topo do Amon Hen e sentou-se no Trono da Visão, na Colina do Olho dos homens de Númenor. Viu muitas imagens e, por todos os lados, sinais de guerra, orcs saindo de mil tocas, lutas entre elfos e homens e animais cruéis, cavaleiros galopando em Rohan, navios de guerra saindo dos portos de Harad; todo o poder de Senhor do Escuro estava em ação. O seu olhar foi atraído para o leste, contra a sua vontade, passando por pontes arruinadas e portões escancarados, chegando até o vale do terror em Mordor e então ele viu a temida Barad-dûr, a fortaleza de Sauron, e de repente, sentiu a presença do Olho que nunca dormia. Frodo sabia que ele tinha percebido o seu olhar. O Olho saltou, ávido e ferroz, à procura dele, e vinha, inexoravelmente, avançando reino por reino, amurada sobre amurada, logo saberia exatamente onde ele estava. Ouviu a si mesmo dizendo “Nunca, nunca!” ou seria “Sim, irei até você”?

Entretanto, como um relâmpago, outro pensamento veio-lhe à mente: “Tire-o! Tire-o! Tire O Anel!” As duas forças, o mal e o bem, lutavam dentro dele.

*

Vinha chegando o Natal, e duas forças lutavam dentro de José. O seu amor por Maria o retinha, a inexplicada gravidez o encucava. Não duvidava da sinceridade de Maria, mas não podia aceitar um filho que não era seu. Após muito refletir, revolvera abandonar a sua amada, atitude que marcaria Maria como uma mulher estigmatizada e jogaria a culpa sobre ele, tornando-o, aos olhos do povo, um desertor, um crápula incapaz de arcar com a responsabilidade. Já estava decidido quando um anjo lhe apareceu num sonho e esclareceu a situação. O anjo fez mais ainda, deu instruções precisas sobre a sua missão: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus”.

Os fatalistas quererão minimizar a importância de José dizendo que ele foi obrigado a fazer isto, como Maria foi obrigada a ser Mãe de Deus, como nós somos obrigados a fazer o que fazemos, não temos escapatória, nem poder de decisão, nem possibilidade de fazer o bem nem o mal, as coisas simplesmente acontecem, somos condicionados pelas circunstâncias, não existe liberdade, só o determinismo cego.

Nosso Senhor Jesus Cristo, porém, define as coisas de outra maneira. No julgamento final, seremos separados à sua direita e esquerda, condenados ou conduzidos à glória, segundo as decisões que tenhamos tomado. “Tive fome, e Me destes de comer, …” E perguntaremos “Senhor, quando isto aconteceu?”

“Tudo o que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizestes.”

Somos nós quem decidimos entre fazer o bem ou permanecer indiferentes à desgraça alheia – a indiferença, a grande inimiga do amor, exatamente o oposto da caridade, a frieza do coração, muito pior do que o ódio mais impenitente. O bem que deixamos de fazer só será conhecido no fim dos tempos, e nos envergonhará muito mais do que o mal que porventura tivermos feito, porque nem para isto – para fazer o mal – temos força.

José podia ter dito não, como nós muitas vezes dizemos. Mas, sendo justo, acordou do angélico sonho e fez como lhe ordenara o anjo.

*

– Tire-o! Tire-o! Tire-o, tolo! Tire O Anel!

E Frodo, tomando consciência de quem era, lembrou que era livre, era o dono do seu destino, e que tinha, ainda, um último instante para exercer a sua liberdade. Tirou O Anel. Uma sombra negra passou por ele, tateando na direção do oeste. Tomado de grande cansaço, mas com disposição firme, falou em voz alta:

– Agora, farei o que devo fazer.

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Nó Górdio

Segundo a lenda, quem conseguisse desatar o complicado nó feito em homenagem a Górdio, soberano da Frígia, se tornaria o novo rei. A tarefa se mostrou impossível. Entretanto, Alexandre, o Grande, após analisar o intrincado empreendimento, puxou a espada e resolveu o problema. De fato, a profecia se mostrou verdadeira e Alexandre foi o maior conquistador do mundo antigo.

Dia 12 nós comemoramos a festa de Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Este título foi atribuído a Maria devido a uma pintura do alemão Johann Schmidtner. A obra foi pintada em 1700, aproximadamente, e fica em exposição na cidade de Augsburg, Alemanha. Por sua vez, o artista se inspirou na frase de Santo Irineu “Eva, pela desobediência, atou o nó da desgraça para o gênero humano; Maria, por sua obediência, o desatou”.

A devoção popular vê em Maria a nossa ajuda para desatar os nós, resolver os problemas, transpor as dificuldades, vencer os impedimentos. (É muito bom ter uma Ajudante assim, mas melhor ainda é seguir a ordem da Mestra: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.)

Analogamente à lenda, o verdadeiro nó da existência humana – o pecado – foi desatado por uma espada de dor que transpassou a alma da Co-Redentora. A profecia também se cumpriu com a Rainha da Criação:

“Eis que todas as gerações me chamarão bem-aventurada”

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E os pobres são evangelizados

“os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados” – Mt 11, 5

Indagado sobre a essência messiânica da Sua missão (“És Tu Aquele que há de vir?”), Nosso Senhor Jesus Cristo respondeu com a frase acima. Em outras palavras, a maior prova da divindade de Cristo é a sua capacidade de fazer milagres: cegos enxergando, paralíticos andando, leprosos sem lepra, surdos ouvindo e mortos ressuscitados. Em outra ocasião, dirá “Para provar que tenho o poder de perdoar os pecados – para provar que sou Deus – Eu te digo: levanta, toma o teu leito e vai para casa”, e o paralítico saiu andando. Também orou em voz alta “Pai, eu Te agradeço porque Me ouves. Digo isto não por Mim, mas pela multidão que Me rodeia” e, com voz forte, ordenou: “Lázaro, vem para fora!”

Entretanto, a sequência termina de forma enigmática: “os pobres são evangelizados”. O que há de milagre em evangelizar pobre? Pior ainda, esta destoante afirmação foi deixada para o fim, para o encerramento da frase, como que para enfatizar a sua importância.

Referia-se Cristo à marginalização dos menos favorecidos pela sorte? Foi um puxão de orelhas para chamar a nossa atenção para com os irmãos mais necessitados? Teve esta afirmação um caráter social?

Ou haverá uma definição misteriosa na palavra “pobre”? Terá querido Cristo dizer que, como a evangelização atingia todas as classes sociais, todos somos pobres? Seria pobre até mesmo Nicodemos, um dos grandes de Israel, cuja fortuna estimada conseguiria sustentar por dez dias todo o povo israelita?

As duas coisas! Todos somos pobres, necessitados do amor de Deus. Mas, em alguns aspectos, somos mais ricos do que os outros. Ninguém é tão rico que não necessite de nada, nem tão pobre que não tenha nada a dar. Li esta arguta frase em algum lugar, não lembro mais, infelizmente.

Assim está concebido o nosso mundo, onde devemos levar as cargas uns dos outros para cumprimos a lei de Cristo, a lei da caridade.

Presos pela nossa mediocridade, não conseguimos fazer os milagres que Cristo fazia. Mas, o milagre mais importante de todos – o de evangelizar os nossos irmãos mediante o nosso esforço pela santidade pessoal e pelo nosso exemplo e pela nossa caridade – isto, sim, está ao nosso alcance.

Pelo menos, podemos tentar…

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A Única Chance dos Dependentes

Uma ONG holandesa está combatendo o alcoolismo dando trabalho aos alcoólatras e pagando com… cerveja! Segundo a entidade, é melhor dar um trabalho aos dependentes e restringir o seu consumo de bebida do que deixá-los sem emprego e ingerindo destilados prejudiciais.

É a chamada política de redução de danos: dar preservativos para evitar gravidez, seringas para drogados, aprovar alunos incompetentes… e apagar fogo com gasolina!

Todo mundo sabe que um viciado chegou ao fundo do poço pela falta de um sentido para a vida. Todo mundo sabe que só um grande ideal vai poder resgatá-lo. A política de redução de danos pode ser admitida como medida urgente e temporária, e sempre usada como apoio à estratégia principal: dar ao dependente uma razão pela qual lutar. Um ideal que seja maior do que a necessidade física do agente químico, um ideal de santidade, dos santos que fizeram – e fazem! – milagres, ressuscitam mortos e, mediante o amor, conseguem até mesmo reverter a vontade de Deus.

Mas ninguém dá o que não tem, e é por este motivo que a maior parte – não todas! – das campanhas e das entidades dedicadas à recuperação de viciados não funciona.

O sentido da vida está, inevitavelmente, unido à religião. Se não existe Deus, a existência perde a razão de ser, passa a valer a lei do mais forte e a busca do prazer a qualquer custo. Diga-se de passagem, Viktor Frankl ensinou que o prazer não pode ser buscado em si, pois é um subproduto derivado do cumprimento do dever; quanto mais desejado, mais se distancia.

Portanto, os tratamentos que deixam de lado a religião e se baseiam unicamente em remédios e técnicas psicológicas alheias à fé estão fadados ao fracasso. Vale a pena meditar na frase da Escritura:

– Sem Mim, nada podeis fazer.

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Para sempre

Segundo Pascal, não há um só ato realizado pelo ser humano que não seja no sentido de conduzi-lo em direção à felicidade. Em tudo o que fazemos, o nosso fim último é a busca da felicidade. Saudades do Paraíso perdido. Nostalgia do reino de Deus. Mesmo nos mais insanos atos, estamos procurando a felicidade sem fim.

Bem cantou Ângela Rô Rô:

“Todos acham que eu falo demais, e que eu ando bebendo demais, que essa vida agitada não serve pra nada, andar por aí bar em bar, bar em bar…

“Ninguém sabe é que isso acontece porque, vou passar toda a vida esquecendo você e a razão porque vivo esses dias banais é porque ando triste, ando triste demais…

“E é por isso que eu falo demais, é por isso que eu bebo demais e a razão porque vivo essa vida agitada demais é porque meu amor por você é imenso, o meu amor por você é tão grande, o meu amor por você é enorme demais.”

Expulsos do jardim de delícias, caímos neste brejo, de onde fomos resgatados por uma Virgem que encontrou graça diante de Deus, concebeu e deu à luz o Filho do Altíssimo, que vai reinar para sempre…

– E o Seu reino de felicidade não terá fim.

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No sururu do trânsito

Segundo um estudo recente, o trânsito brasileiro mata mais de 40 mil pessoas por ano. Uma morte a cada 12 minutos! Quem vai resolver este problema? Vamos analisar os agentes brasileiros.

Em primeiro lugar, o governo. Ele deveria ser o primeiro agente. Deveria…

Mas todo mundo sabe que o governo não vai fazer nada. No máximo, mais uma milionária campanha de propaganda jogando a culpa em mim ou em você. O governo não tem solução para os grandes desafios da nossa sociedade, ao contrário, ele faz parte do problema – cadê a segurança pública, a saúde, a educação? Ele só é bom para pegar o nosso dinheiro.

Outro agente seriam as lideranças empresariais, religiosas ou culturais. Seriam…

Porque também sabemos que os líderes brasileiros não lideram nada além do próprio interesse. As raríssimas exceções podem ser contadas nos dedos de uma mão aleijada.

Por fim, cara leitora, caro leitor, sobramos você e eu.

“Apenas dois latino-americanos, sem dinheiro no bolso, sem parentes importantes…”

O que podemos fazer, nós, que ainda temos alguma vergonha na cara e não nos conformamos em ver os nossos irmãos morrendo à míngua? Nós, que ainda temos alguma consciência de que prestaremos duras contas a Deus pela vida dos nossos irmãos?

A nossa primeira obrigação, acredito, é praticarmos uma boa direção defensiva para nos protegermos a nós e àqueles sob nossa responsabilidade – assim, já serão algumas vítimas a menos. Por isso, não deixe de ler os 10 Mandamos do Motorista, texto baseado nos ensinamentos de Bento XVI.

Em segundo lugar, podemos, em vez de seguir a tendência humana de reclamar do que está errado, elogiar o que está certo. Se, no sururu do trânsito brasileiro, você encontrar algum raro motorista cumpridor do dever, gentil ou com um comportamento excepcional, escreva para a empresa dele, elogiando; mande uma mensagem genérica (dia tal, em tal lugar, veículo de tal tipo) – cuidado, não pegue a placa não, você pode ser mal interpretado. Agradeça também, no exato momento, qualquer gentileza recebida.

Estas sugestões são muito pouco, eu sei, são uma gota no oceano; por isso, se você tiver alguma idéia, este blog está aberto para a gente tentar fazer alguma coisa.

Para que, quando nos encontramos com Nosso Senhor Jesus Cristo, possamos ouvir:

–  O que fizestes a um destes pequeninos, foi a Mim que o fizestes.

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São Francisco Xavier, Patrono do Oriente

Na festa de hoje, reproduzo alguns trechos do livro São Francisco Xavier, Apóstolo da Índia e do Japão, de Jorge Schurhammer.

*

Os cristãos, a quem Xavier anunciou a boa nova, não esqueceram jamais o seu apóstolo.

Poucos anos após a morte do santo, os maometanos perseguiram com horrível crueldade os cristãos de Amboino, forçando-os a apostatar. Porém o cacique de Hative, Manuel, companheiro em outro tempo do padre, mesmo sem contar com a ajuda dos portugueses e privado, como estava, de missionários, levantou intrépido e sustentou na luta o estandarte de Jesus Cristo contra o predomínio muçulmano. “Que é o que naqueles anos te infundiu tanto heroísmo?” perguntaram-lhe mais tarde.

“Eu sou um pobre filho das selvas de Amboino – respondeu Manoel – e não saberei declarar quem é Deus, e o que sei é ser cristão; porém uma coisa sei certamente e é a que o padre mestre Francisco me ensinou: que é coisa boa morrer por Jesus Cristo”.

*

“Vós dizeis que vossa religião é melhor que a que nos ensinou o nosso grande padre. Pois bem; fazei mais milagres que ele; ressuscitai logo pelo menos uma dezena de mortos, já que Xavier ressuscitou aqui cinco ou seis; curai a todos os nossos enfermos; fazei que nossos mares sejam mais abundantes em peixe… e então veremos qual há de ser a resposta que vos havemos de dar”.

*

O Papa Bento XIV o declarou, em 1748, patrono do oriente, desde o cabo da Boa Esperança até à China e ao Japão; e em 1904 o nomeou o Papa Pio X patrono da Sagrada Congregação de Propaganda Fide em todo o mundo.

Porém, no coração dos fiéis disseminados por toda a terra, o padre mestre Francisco continua ainda vivendo como o grande são Francisco Xavier, cujo luminoso exemplo entusiasma, ainda hoje, a milhares de apóstolos, que tudo sacrificam e tudo abandonam por amor de Jesus Cristo e as almas imortais, afim de contribuir para a realização do último grande desejo de nosso Senhor e Salvador:

“Ide por todo mundo, ensinai a todos os povos e batizai-os em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo”. Amém.

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