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O Livro Negro da Esquerda Americana

“Roubar os capitalistas é moral, camaradas” eu ouvi Khrushchev dizer durante suas “férias de seis dias” de 1959 na Romênia. “Não se espantem, camaradas. Usei intencionalmente o verbo roubar. Roubar os nossos inimigos é moral, camaradas.” “Os capitalistas são inimigos mortais do marxismo”, ouvi Fidel Castro discursar em 1972 quando passei férias em Cuba como convidado do seu irmão, Raul. “Matá-los é moral, camaradas!”.

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O artigo abaixo foi publicado no dia 13 no WND. O autor, general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético. O seu novo livro, Disinformation, escrito em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, foi lançado em junho pelo WND Books.

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The Black Book of the American Left

O livro “The Black Book of the American Left: Collected Conservative Writings” deve ser lido por todo cidadão americano que ama este país. A obra é um chacoalhão de alerta: os Estados Unidos estão sendo infectados pela peste bubônica do marxismo, que, no passado, contaminou o próprio autor do livro.

Na década de 1970, David atingiu os mais altos cargos dos movimentos de esquerda americanos. Depois, acabou entendendo que o marxismo é uma mentira – o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato – e desde então tem dedicado a vida para avisar que o marxismo está colocando em risco a liberdade e a democracia americanas. Uma pesquisa de opinião pública da Rasmussen Reports mostra que, realmente, hoje apenas 53% dos americanos preferem o capitalismo ao socialismo.

Um dos mais populares night clubs de Nova Iorque é o KGB Bar, com temática soviética. O local, enfeitado com a bandeira soviética e com uma fotografia do “Camarada Lênin”, fica lotado por uma nova geração de escritores marxistas que lêem os seus trabalhos. Poucas semanas atrás, esta enorme cidade elegeu, por maioria esmagadora (73% dos votos), um prefeito abertamente marxista, e o conselho de Seattle tem uma nova membro que disse, com orgulho, ter usado “o emblema socialista com honra”. O Pravda, jornal pós-soviético da Russia, que sabia que o socialismo era apenas uma máscara sorridente do marxismo, irritou-se: “Deve ficar claro que, como o rompimento de um grande dique, a enxurrada americana na direção do marxismo está acontecendo com uma velocidade de tirar o fôlego, contra um pano de fundo de uma manada passiva e infeliz, desculpe, prezado leitor, quero dizer, o povo”.

Os Estados Unidos ainda não perceberam realmente que o marxismo está infectando o país porque a mídia de massa tem feito o possível para esconder esse truísmo e porque nem o Partido Republicano nem o tea party chamaram a atenção para os perigos do marxismo. A nossa mídia também está escondendo o fato de que a única coisa que o marxismo deixou atrás de si foi sempre países parecendo acampamentos de trailer devastados por furacões, e líderes marxistas ardendo no inferno de Dante – todos, sem exceção, de Trotsky a Stalin, de Khrushchev a Brezhnev, de Tito a Enver Hoxha, juntamente com Mátyás Rakosi, Sékou Touré, Nyeree, Ceausescu e Hugo Chavez.

David Horowitz nasceu em uma família de marxistas confessos, tinha o marxismo no sangue e teve uma carreira de sucesso como ativista, escritor e jornalista marxista. Em 1974, alguns dos seus camaradas marxistas – líderes dos Panteras Negras – assassinaram um guarda-livros recrutado por David para fazer a contabilidade de uma escola dos Panteras Negras a qual ajudara a fundar. Aquele crime horrível chocou David e o convenceu a abandonar a carreira de esquerdista de sucesso e passar para o outro lado da barricada política americana.

O David Horowitz Freedom Center e a FrontPage Magazine, criada por David em 1988, marcou o início da sua cruzada anti-marxista, que jamais parou. O livro “The Professors: The 101 Most Dangerous Academics in America” (2006) e a Academic Bill of Rights (ABR) foram outros marcos na sua vida: o início da sua ainda hoje vigorosa campanha contra a doutrinação marxista nas universidades americanas. (A bem da verdade: apesar de nunca ter encontrado pessoalmente com David, eu colaboro com a FrontPage Magazine e tenho repetidamente expressado a minha admiração pelo seu rompimento com o marxismo. David também elogiou publicamente o meu rompimento com o comunismo.)

No prefácio de “The Black Book of the American Left”, o primeiro dos nove volumes das suas memórias, David Horowitz escreveu “para o bem ou para o mal, fui condenado a passar o resto dos meus dias” combatendo o marxismo “com o qual eu rompi por iniciativa própria”. Em maio de 1989, ele e outros dois proeminentes ex-marxistas, Ronald Radosh e Peter Collier, foram à Polônia participar de uma conferência sobre o fim do comunismo. Lá, David disse aos dissidentes poloneses: “para mim, a tradição da minha família a respeito dos sonhos socialistas acabou. O socialismo não é mais um sonho de um futuro revolucionário. É apenas um pesadelo do passado. Mas, para vocês, o pesadelo não é um sonho. É uma realidade ainda em andamento. O meu sonho para o povo da Polônia socialista é que um dia vocês acordem do pesadelo e sejam livres”. Poucos meses depois, os diálogos entre o governo polonês e os líderes do Solidariedade levaram às primeiras “eleições livres” (semi-free elections) do bloco soviético.

No dia 9 de novembro de 1989, quando vi pela televisão o Muro de Berlim sendo derrubado, os meus olhos lacrimejaram. Eu estava muito orgulhoso de ser cidadão americano. O mundo inteiro estava expressando a sua gratidão aos Estados Unidos por sua luta de 45 anos de Guerra Fria contra o mal soviético. “O comunismo morreu!” ouvi as pessoas gritando. Realmente, o comunismo morreu como forma de governo. Mas logo ficou provado que o marxismo, cujo 141° aniversário acabara de ser celebrado, havia sobrevivido.

O filósofo francês Jacques Derrida, que disse ter rompido com o marxismo mas que confessou que ainda é paralisado pela emoção ao ouvir a Internacional, nos lembra que o primeiro substantivo do Manifesto Comunista de Marx é espectro: “Um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo”. De acordo com Derrida, Marx começou o “Manifesto Comunista” com a palavra espectro porque um espectro nunca morre. David Horowitz concordou. “Após a morte de Stalin”, escreveu nas suas memórias, os meus pais – cujas vidas haviam sido dedicadas ao marxismo – compreenderam ter “servido a uma quadrilha de déspotas cínicos responsáveis por matar mais camponeses, causar mais fome e miséria humana, e assassinar mais esquerdistas como eles do que os governos capitalistas desde o início dos tempos. (…) Eu tinha 17 anos na época, e no funeral da Old Left eu jurei a mim mesmo não repetir a sina dos meus pais. (…) Mas a minha juventude me impediu de ver o que aquela catástrofe havia revelado. Continuei com a minha fantasia de um futuro socialista. Quando a New Left começou a emergir poucos anos depois, eu estava pronto para acreditar em um novo início e estava ávido por assistir ao seu nascimento”.

David Horowitz agora documenta que uma nova geração de americanos, aos quais não está mais sendo ensinada história e que conhecem pouco ou nada da longa luta do nosso país contra o marxismo, está dando a esta heresia – responsável pelo assassinato de mais de 90 milhões de pessoas – outra vida nova. Em 2008, o Partido Democrata retratou os Estados Unidos como um “império capitalista decadente e racista”, incapaz de prover assistência médica para os pobres, de reconstruir as suas “escolas em frangalhos”, ou de substituir as “fábricas fechadas que no passado proporcionaram uma vida decente para homens e mulheres de todas as raças” e garantiram que iam mudar isso drasticamente por meio do aumento de impostos sobre os americanos ricos e sobre as empresas americanas e seus proprietários, para financiar programas para os pobres. Isso é marxismo em estado puro. No “Manifesto Comunista”, Marx pintou o capitalismo como “um império decadente e racista” e garantiu erradicá-lo defendendo 10 “transgressões dos direitos de propriedade” os quais vieram a ser conhecidos como os “Dez Pontos do Manifesto Comunista”. Dentre eles: pesado imposto de renda com aumento progressivo e gradual, abolição dos direitos de herança, abolição da propriedade.

Se você conhece o “Manifesto”, como David conhece, vai pensar que Marx em pessoa escreveu o programa econômico do Partido Democrata, o qual contém todos os dez pontos acima citados. Se você não conhece o “Manifesto”, dê uma olhada no “The Black Book of the American Left”. Os jovens de hoje, cuja idade é igual à que David tinha quando ignorou os inauditos crimes de Stalin, acreditam em jantar grátis. Não é de admirar que, na corrida eleitoral de 2008 o Partido Democrata lotou estádios com jovens exigindo a redistribuição da riqueza dos Estados Unidos. Algumas daquelas assembléias eleitorais pareceram, para mim, uma repetição das aglomerações de Ceausescu – mais de 80 mil jovens reunidos em frente do agora famoso templo grego imitando a Casa Branca erguido em Denver, para exigir a redistribuição da riqueza americana. O Partido Democrata conquistou a Casa Branca e as duas câmaras do Congresso.

As pessoas se acostumaram a olhar com complacência a “redistribuição de riqueza”, mas David Horowitz demonstra, de maneira convincente, que isso é a quintessência do marxismo, e que o marxismo sempre termina em colapso econômico. Eu concordo. “Roubar os capitalistas é moral, camaradas” eu ouvi Khrushchev dizer durante suas “férias de seis dias” de 1959 na Romênia. “Não se espantem, camaradas. Usei intencionalmente o verbo roubar. Roubar os nossos inimigos é moral, camaradas.” “Roubar os capitalistas é um dever dos marxistas” pontificava o presidente da Romênia, Nicolae Ceausescu, durante os anos em que fui o seu conselheiro de segurança nacional. “Os capitalistas são inimigos mortais do marxismo”, ouvi Fidel Castro discursar em 1972 quando passei férias em Cuba como convidado do seu irmão, Raul. “Matá-los é moral, camaradas!”.

Na minha outra vida cheguei ao topo da entidade marxista – o império soviético – criado por meio da redistribuição da riqueza do seu povo, e para escapar da sua tirania eu fui obrigado a recomeçar a minha vida do zero, como David. Redistribuição de riqueza é roubo disfarçado – um passo antes do homicídio – e o roubo e o homicídio se tornaram políticas públicas no dia de nascimento do marxismo soviético. Imediatamente após a revolução de novembro de 1917, os marxistas soviéticos confiscaram a riqueza da família imperial, apoderaram-se das terras dos russos ricos, nacionalizaram a indústria e o sistema bancário e mataram a maior parte dos donos de terras. Em 1929, confinando os camponeses em fazendas coletivas, os marxistas soviéticos roubaram as suas propriedades juntamente com os animais e ferramentas. Em poucos anos, virtualmente toda a economia soviética estava funcionando a base de propriedades roubadas. Quando o povo começou a protestar contra o roubo, os marxistas transformaram o Império Soviético em um estado policial tirânico. Mais de 20 milhões de pessoas foram mortas para manter aquele império gulag sob controle. A longo prazo, entretanto, roubo e crime não compensam, mesmo quando cometidos por uma superpotência. O colapso da União Soviética em 1991 é a maior prova disso.

No dia 7 de fevereiro de 2009 a capa da Newsweek estampou: “Somos todos socialistas agora”. Isso também foi dito pelo jornal Scînteia de Ceausescu quando ele transformou a Romênia em um monumento ao marxismo. Dois anos após tomar o poder, o marxista Partido Democrata americano produziu os mesmos resultados do marxismo de Ceausescu – em escala americana. Mais de 14 milhões de americanos perderam o emprego, e quase 42 milhões de pessoas recorreram a programas de alimentação do governo. O crescimento do PIB caiu de 3 a 4% para 1,6%. A dívida nacional cresceu para o valor sem precedentes de $17 trilhões, e o valor projetado para 2019 é de $18 trilhões. O Scînteia foi à falência. A Newsweek foi vendida por um dólar.

Vamos dar nome aos bois: estamos falando de marxismo. Marxismo nos Estados Unidos!

“The Black Book of the American Left” não podia ter vindo à luz em melhor momento. Os Estados Unidos precisam entender imediatamente que o marxismo é uma mentira, e que essa mentira é o primeiro passo na direção do roubo e do assassinato.

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O triste fim dos aduladores

“Durante os meus anos no topo do serviço de inteligência do bloco soviético, infelizmente conheci muito bem diversos tiranos, e é fato que eles desprezam quem se curva diante deles.” – Ion Mihai Pacepa

O artigo abaixo foi publicado no PJ Media em 22 de setembro de 2012 e foi escrito pelo general romeno Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco soviético.

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Quando você se curva a um tirano, ele odeia você mais ainda

Segundo o Departamento de Estado, o assassinato do embaixador Christopher Stevens e dos três oficiais americanos encarregados de defendê-lo foi uma reação impulsiva, repentina e não planejada a um filme de baixo orçamento chamado “A Inocência dos Muçulmanos”. Isso não passa de uma canção de ninar de conto de fadas para fazer dormir a indignação americana. A única reação a esta fantasia parece ter sido entre os líderes terroristas muçulmanos, que a entenderam como uma ordem para atacar impunemente as nossas embaixadas em todo o mundo. A embaixada americana no Paquistão está agora sob cerco. Milhares de outros muçulmanos “furiosos” estão gritando “Morte à América” e queimando bandeiras americanas na frente das nossas embaixadas no Egito, Indonésia, Sudão, Kwait, Afeganistão, Tunísia, Iêmen, Alemanha e Grã-Bretanha, para citar só algumas.

Durante os meus anos no topo do serviço de inteligência do bloco soviético, infelizmente conheci muito bem diversos tiranos, e é fato que eles desprezam quem se curva diante deles. Em abril de 1978, o presidente Jimmy Carter aclamou Nicolae Ceausescu, o désposta comunista romeno, como um “grande líder nacional e internacional”. Eu estava de pé ao lado dos dois na Casa Branca, e mal podia acreditar no que ouvia. Horas depois, estava no carro com Ceausescu, saindo da Casa Branca. Ele pegou uma garrafa com álcool e o passou por todo o rosto, em reação a ter sido afetuosamente beijado pelo presidente americano no Salão Oval. Com nojo, Ceausescu disparou uma ofensa contra Carter.

Três meses mais tarde, o presidente Carter assinou o meu pedido de asilo político, e eu disse a ele quem realmente era Ceausescu, e como havia reagido àquele beijo na Casa Branca. Entretanto, na memorável data de 19 de julho de 1979, vi pela TV, incrédulo, o presidente Carter repetir o gesto. Ele beijou carinhosamente Leonid Brezhnev nas duas faces durante o primeiro encontro deles, em Viena.

Também é fato que Brezhnev desprezava as pessoas que se curvavam a ele. Cinco meses após o infame beijo Carter-Brezhnev, uma equipe terrorista da KGB assassinou Hafizullah Amin, primeiro-ministro do Afeganistão, educado nos Estados Unidos, e o substituiu por uma marionete russa. Em seguida, a União Soviética invadiu o Afeganistão, e o presidente Carter protestou timidamente boicotando os Jogos Olímpicos em Moscou. Este novo sinal da fraqueza americana incentivou o regime Taliban e o terrorismo de Osama bin Laden.

Na década de 1990, o governo americano praticamente ignorou o primeiro assalto de bin Laden ao World Trade Center, os atentados a bomba contra as embaixadas americanas na África e o ataque ao destroyer USS Cole. No mesmo período, confiamos as nossas tarefas de segurança nacional e de política externa às mãos das Nações Unidas – cuja resposta veio no dia 3 de maio de 2001, quando a ONU expulsou os Estados Unidos da Comissão de Direitos Humanos.

Mal havíamos colocado os pés no século XXI quando os terroristas de bin Laden desencadearam uma implacável guerra contra o nosso país, com os catastróficos ataques terroristas de 11 de setembro. Logo depois, a Coréia do Norte retirou-se do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, expulsou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e deu início a uma venenosa campanha anti-americana. “Vamos exterminar os nossos inimigos declarados, os imperialistas americanos!” é o slogan coreano estampado nos habitáculos dos jatos, nas cabines dos marinheiros e nos postos de sentinela do exército.

Quando Ronald Reagan se tornou presidente, os Estados Unidos estavam sendo tratados com desprezo pelos tiranos mais insignificantes ao redor do mundo. A União Soviética marchava em Angola, Vietnã, Cuba, Etiópia, Síria, El Salvador, Nicarágua, Peru e, é claro, no Afeganistão. O presidente Reagan reverteu esta situação chamando os tiranos e as suas tiranias pelos seus verdadeiros nomes, e os tratando como tal. Você se lembra do “Império do Mal”? Segundo a agência de notícias soviética TASS, estas palavras demonstravam que Reagan era um “anti-comunista lunático e belicoso”. Mas foi precisamente este “anti-comunista lunático” o vencedor da Guerra Fria de 44 anos e foi ele quem restabeleceu a grandeza aos Estados Unidos.

Infelizmente, em 1993, tivemos outro presidente sem personalidade, que retomou a política de Carter de se curvar ante os déspotas comunistas. Em 22 de abril de 2000, durante a Semana Santa, entre a Sexta-feira da Paixão e o Domingo de Páscoa, agentes do presidente Bill Clinton prenderam e mandaram de volta para a Cuba comunista um menino de seis anos, que havia sobrevivido miraculosamente a um naufrágio no qual morrera a sua mãe; ela estava tentando livrar o filho único da tirania de Fidel Castro.

Para Fidel, o esperto e fotogênico Elián González era um “traidor” que podia se tornar um símbolo de liberdade tanto para os exilados de Miami quanto para o povo de Havana, e prejudicar a imagem de Castro no país e no exterior. Assim, tão logo Elián foi encontrado vagando pelo oceano em uma bóia, Fidel Castro reuniu 300 mil cubanos nas ruas de Havana para protestar contra o “sequestro” de Elián pelos Estados Unidos. Fidel tentou, então, atrair Elián de volta – como Ceausescu havia tentado me atrair quando escapei da Romênia. As duas avós de Elián foram despachadas para os Estados Unidos levando álbuns com fotos dos parentes do menino, de colegas de escola, casa, cachorro, papagaio e da carteira escolar vazia “aguardando o seu retorno”. Cuba deu às avós roupas novas e pagou as despesas da viagem. Elas estavam, é claro, acompanhadas por agentes cubanos coordenando cada um dos seus movimentos nos Estados Unidos.

Elián, por si, não caiu nos truques de Castro. Infelizmente, o presidente Clinton e a sua procuradora geral, Janet Reno, engoliram a isca, e o menino voltou para Cuba. Logo em seguida, o Pravda começou a exultar: “como o rompimento de um grande dique, a queda americana na direção do marxismo está acontecendo com velocidade de tirar o fôlego, contra o pano de fundo dos passivos e infelizes não-pensantes – desculpe-me, caro leitor –, quero dizer: do povo.” [2]

Elián González tornou-se um símbolo internacional de liberdade. Hoje, a casa em Miami onde ele viveu como uma criança livre é um museu simples, no qual os visitantes podem ver um relicário popular para o menino – agora, um prisioneiro de 19 anos de idade numa ilha comunista de mortos de fome. O uniforme escolar de Elián ainda está pendurado no armário ao lado de muitas roupas que ele nunca teve a chance de usar. Também está em exposição uma foto gigante da Associated Press mostrando um agente federal americano apontando uma arma automática para Elián, escondido num guarda-roupas. [3]

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De acordo com as leis internacionais, as nossas embaixadas são parte do território dos EUA, e um ataque armado contra uma embaixada americana é considerado um ato de guerra contra os Estados Unidos. Até o momento, tudo indica que o ataque armado contra o nosso consulado em Benghazi foi planejado e executado por terroristas. Se isto for comprovado, o assassinato do embaixador Christopher Stevens foi, realmente, um ato de guerra contra os Estados Unidos.

Um sentinela da segurança líbia no consulado, ferido gravemente no assim chamado ataque “espontâneo”, testemunhou que “não havia uma única mosca do lado de fora” até 9:35 da noite, quando pelo menos 125 homens armados atacaram o complexo vindos de todas as direções. Lançaram granadas de mão enquanto gritavam “Deus é grande”.  Feriram o sentinela, e em seguida foram para as vilas que fazem parte do complexo do consulado.

Por sua vez, o presidente interino da Líbia, Mohamed el-Megarif, disse que os terroristas escolheram uma “data específica” para o ataque, e que “estrangeiros” participaram dele.

O nosso embaixador na Líbia foi assassinado no dia 11 de setembro de 2012, dia de luto nos Estados Unidos pela morte de quase três mil americanos, também vítimas de terroristas islâmicos. Acontece que este dia é, na verdade, a celebração de um aniversário importante para o Kremlin – 125 anos do nascimento de Feliks Dzerzhinsky, o fundador da KGB, agora renomeada FSB.

Esteve o Kremlin envolvido no assassinato do nosso embaixador na Líbia? Ainda não sabemos. Mas sabemos que o embaixador foi morto com armas e munição russas. Também sabemos da propensão do Kremlin e de suas agências de inteligência pelo uso do simbolismo, uma arma emocional habilmente manejada por todos os czares russos e pelos seus sucessores comunistas.

O emblema da União Soviética era formado pela foice e pelo martelo para simbolizar a aliança entre o proletariado e os camponeses. O emblema da KGB era uma espada e um escudo, simbolizando os seus deveres: colocar os inimigos do país sob a espada e abrigar e proteger a revolução comunista. A maior parte das organizações terroristas financiadas pela KGB eram chamadas de movimentos de “libertação” para simbolizar o compromisso do Kremlin de libertar o resto do mundo da “tirania americana”. A Organização para Libertação da Palestina no Oriente Médio (criada e financiada pela KGB), o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (ELN), criado pela KGB com a ajuda de Fidel Castro (que depois se envolveu profundamente em sequestro de pessoas e aviões, atentados a bomba e guerrilha), e o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, criado pela KGB em 1964 com a ajuda de Ernesto “Che” Guevara, são apenas alguns deles.

Acima de tudo, é fato que o chefe da KGB, Yury Andropov, e os seus vice-reis do leste europeu, abriram uma garrafa de champagne para comemorar a explosão da bomba terrorista na Zion Square em Jerusalém no dia 4 de julho de 1975, que deixou 15 mortos e 64 feridos. Foi um insulto direto aos Estados Unidos, cuja data nacional é o Quatro de Julho. Também é significativo que o primeiro ataque ao World Trade Center de Nova Iorque, concebido para derrubar a Torre Norte sobre a Torre Sul e gerar uma carnificina, aconteceu no dia 26 de fevereiro de 1993, quando o Kremlin celebrava os 41 anos do primeiro teste nuclear soviético. O ataque suicida contra o destroyer USS Cole, no qual morreram 17 marinheiros e ficaram feridos 39, ocorreu no dia 12 de outubro de 2000. Era o aniversário do início da principal ofensiva israelense, ocorrida em 1973, decisiva para a vitória na guerra do Yom Kippur. O significado das fracassadas tentativas dos atentados a bomba em Detroit e Nova Iorque no Natal de 2009 não precisa de explicação.

Por fim, sabemos que, durante a Guerra Fria, a KGB era um estado dentro do estado, mas agora a KGB é o estado. Em 2003, três anos após o antigo oficial da KGB Vladimir Putin se sentar, com estardalhaço, no trono do Kremlin, cerca de seis mil oficiais aposentados da KGB – a organização responsável pelo massacre de 20 milhões de pessoas apenas na União Soviética – ocupavam o governo federal e os governos locais da Rússia.

Não estou mais no olho do furacão, nem tenho inside information para saber se o criminoso ataque ao nosso consulado em Benghazi foi concebido pelos antigos oficiais da KGB, hoje governantes da Rússia. Mas o nosso FBI é uma excelente organização, capaz de descobrir a resposta. Infelizmente, por razões políticas, a administração e os líderes do Partido Democrata têm tirado conclusões rápido demais, sem conhecer a verdade. Para eles, o prestígio e a segurança da administração parecem ser muito mais importantes do que o prestígio e a segurança dos Estados Unidos.

Os americanos são pessoas orgulhosas do seu país e o amam com ternura. Esperemos que em novembro eles escolham proteger a segurança e o prestígio dos Estados Unidos, e não da administração atual.

[1] Sang-Hun Choe, “N. Korea fuels hatred of all things American,” The Associated Press, January 15, 2003, internet edition.
[1] President Nicolae Ceausescu’s State Visit to the USA: April 12-17, 1978, English version. Bucharest: Meridiane Publishing House, 1978, p. 78.
[2] “American capitalism gone with a whimper,” Pravda, April 27, 2004.
[3] Elián González saga still vivid for many, 10 years later,” CNN, April 22, 2010.

Nota do Tradutor: o artigo original tem mesmo duas notas [1], ambas sem indicação no corpo do texto.

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De Stalin ao Sequestration

O artigo abaixo foi publicado em 6 de março deste ano no site PJMedia.com, na coluna Say No To Socialism. O autor, general Ion Mihai Pacepa, é o oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista. O seu livro Red Horizons revelou a corrupção do governo marxista de Nicolae Ceausescu, da Romênia, e foi grandemente responsável pela queda do tirano. O livro foi descrito pelo presidente Reagan como a sua “Bíblia para lidar com ditadores socialistas”. Pacepa vive nos EUA, sob identidade secreta.

O termo Sequestration refere-se ao corte automático de despesas federais no orçamento dos EUA. Os cortes – em valores absolutos, não em porcentagens – são divididos igualmente entre as categorias de defesa e não-defesa. Alguns dos maiores programas, como Social Security, Medicaid, pensões e benefícios para os veteranos estão fora do programa.

De Stalin ao Sequestration

Antes de mais nada, peço desculpas pela ausência. O meu próximo livro, Disinformation, escrito em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, virou documentário e será lançado em junho, e o projeto tomou todo o meu tempo.

Hoje celebramos 60 anos de falecimento de Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, cujo nome de guerra era Stalin – que significa “homem de aço”. Usei deliberadamente o verbo “celebrar” pois a morte de Stalin deixou entrar o primeiro raio de luz em uma das mais sombrias e sangrentas operações de desinformação da história: a própria União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Logo após a morte de Stalin, a cortina que protegia da opinião pública o seu “paraíso dos trabalhadores” foi arrancada, e o mundo teve o primeiro vislumbre do imenso campo de trabalho forçado que realmente era a União Soviética. Segundo revelações recentes, cerca de 94 milhões de pessoas foram mortas enquanto durou o império soviético [i] para garantir o funcionamento do herético sistema socialista, um credo que retira dos seres humanos as verdadeiras forças motivacionais necessárias para manter a humanidade caminhando: propriedade privada, competição e incentivo individual.

Na teoria, o socialismo é um sonho idílico. Na realidade, é um pesadelo de mentiras, modelado pela infame sentença de Karl Marx “Jeder nach seinen Fähigkeiten, jedem nach seinen Bedürfnissen” (de cada qual segundo a sua capacidade, a cada qual segundo a sua necessidade), uma teoria social que destruiu, uma a uma, todas as economias dos países nos quais foi implantada. Para falar bem claramente, a redistribuição socialista de riqueza é roubo, e o roubo se tornou a política nacional no dia do nascimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Imediatamente após a revolução de novembro de 1917, o novo governo socialista russo confiscou a riqueza da família imperial, apoderou-se das terras dos russos ricos, nacionalizou a indústria e o sistema bancário e matou a maioria das pessoas de posses. Em 1929, o Kremlin virou o seu ávido olhar na direção dos indivíduos mais pobres do país; confinando os camponeses nas fazendas coletivas, roubou as suas terras juntamente com os seus animais e as suas ferramentas de trabalho. Em poucos anos, praticamente toda a economia soviética funcionava em propriedades roubadas.

Em meados dos anos 1930, o próprio Partido Comunista virou um alvo para o roubo. Após um breve período de liderança coletiva exercida pelo Comitê Central e mais tarde pela sua elite, o Politburo, Stalin em pessoa roubou todos os cargos de alto nível do país e os alfinetou em seu próprio peito como medalhas de guerra, estabelecendo assim um sinistro novo feudalismo em pleno século XX. Mais tarde, isto se repetiu, de forma exatamente análoga, em toda a Europa Oriental ocupada pelos socialistas soviéticos após a Segunda Guerra Mundial. Quando dei adeus para sempre à Romênia socialista em 1978, a lista de cargos e títulos oficiais acumulados por Ceausescu e pela sua esposa podiam facilmente encher uma página inteira.

O colapso do império soviético em 1991 deu um duro aviso de que, no longo prazo, o roubo não compensa, mesmo quando praticado por governantes de um grande país. Todos os socialistas que chegaram à liderança de uma nação acabaram no inferno – todos, de Lenin a Stalin, de Tito a Zhivkov, de Enver Hoxha a Mátyás Rakosi, de Sékou Touré a Nyeree. Tiveram os seus dias de glória passageira, mas todos terminaram em desgraça eterna. Alguns, como Fidel Castro e Hugo Chavez, ainda estão resistindo, mas certamente há um lugar reservado para eles no inferno. (Atualização: Chavez morreu após este artigo ter sido escrito.) Neste ano, quando o Manifesto de Marx completa 164 anos e já devia estar desacreditado, alguns países imprudentes como Grécia, Irlanda, Portugal, Chipre, Itália e Espanha ainda estão sendo devastados por uma mal depositada confiança na frase “a cada qual segundo a sua necessidade” e pela consequente redistribuição da riqueza do país.

Há inúmeras razões pelas quais o socialismo jamais poderá ter sucesso. Uma delas é a atitude irracional dos socialistas em relação ao dinheiro. Os socialistas marxistas sempre descreveram o dinheiro como um instrumento odioso da exploração capitalista, e sempre pregaram o evangelho de que na utópica sociedade socialista não haveria dinheiro, não haveria preços, não haveria salários. Enquanto este dia não chegava, entretanto, eles admitiam que o dinheiro era um mal necessário a ser retido durante o período de transição do capitalismo para o socialismo – pois os líderes socialistas eram incapazes de oferecer qualquer substituto para ele. Como quer que seja, no império socialista soviético, o dinheiro perdeu a sua função de regulação da economia e o seu status de medida de riqueza, tornando-se apenas um instrumento de expressão de salários e preços domésticos. A irracional, imprevisível e caótica atitude socialista em relação ao dinheiro só conseguiu implantar a anarquia econômica. Eu vi isto com meus próprios olhos durante os 20 anos em que estive envolvido com o sistema financeiro da Romênia, quando passei de representante chefe da missão de negócios do país na Alemanha Oriental a conselheiro econômico do presidente romeno.

Trinta e quatro anos atrás, quando rompi com os altos círculos do império soviético, paguei com duas sentenças de morte emitidas pela Romênia, meu país de nascimento, por ajudar o seu povo a parar de pensar no governo como uma benção concedida do alto, e por libertá-los do jugo do socialismo. Infelizmente, vejo agora a praga do socialismo “a cada qual de acordo com a sua necessidade” começando a infectar o meu país de adoção, os EUA. Em 7 de fevereiro de 2009, a capa da Newsweek proclamava: “Somos todos socialistas agora.” [ii] Examente igual ao que o Scînteia, jornal oficial romeno, estampou quando o meu antigo chefe, Nicolae Ceausescu, começou a transformar a Romênia em um monumento a si mesmo. Dois anos após alcançar o poder, a nomenklatura do Partido Democrata americano produziu os mesmos resultados da nomenklatura socialista romena – em escala americana. Mais de quatorze milhões de americanos perderam o emprego e 41,8 milhões de pessoas entraram nos programas de vale-alimentação do governo. O Produto Interno Bruto caiu vertiginosamente de 3,4% para 1,6%. A dívida pública aumentou para 13 trilhões de dólares, número sem precedentes, e o valor projetado para 2019 é de 18 trilhões de dólares.

O Scînteia foi à falência e a Newsweek foi vendida por um dólar. Mas um membro da nomenklatura Democrata, representante do economicamente arruinado estado da Califórnia no Congresso americano – que, por acaso, é admirador e hóspede da Cuba de Fidel Castro – está discursando que o futuro da indústria de petróleo dos EUA “tem tudo a ver com socializar”, tudo a ver com “o governo tomando e gerindo todas as nossas petrolíferas”.

Em 1948, quando a nomenklatura romena nacionalizou a indústria petrolífera, o país era o segundo maior exportador de petróleo da Europa. Trinta anos depois, quando rompi com o marxismo, a Romênia era um grande importador de petróleo, a gasolina era racionada, os locais públicos não podiam ser aquecidos acima de 17°C e todo o comércio era obrigado a fechar antes das 17h30 para economizar energia.

Já usei estes exemplos antes, mas, penso, eles devem ser usados mais e mais – e cada vez mais –, pois são o resumo do nosso drama atual. O Sequestration imposto aos EUA dias atrás mostra que a atitude socialista do Partido Democrata em relação ao dinheiro e a sua compulsão à ilusória receita socialista do “para cada qual conforme a sua necessidade” pode gerar uma devastação na economia, mesmo na economia de um país tão rico como os EUA.

O fato da nomenklatura do Partido Democrata pensar que pode resolver as nossas dificuldades econômicas aumentando, mais uma vez, os tributos, me faz lembrar dos meus velhos tempos na Romênia comunista. Eu repetidamente avisava Ceausescu de que a Romênia não ia aguentar continuar perdendo um dólar por milhar de ovos exportados para o Ocidente. Meu antigo chefe garantia: “Vamos maquiar isto vendendo bastante.”

O ensaísta americano George Santayana, imigrante como eu, dizia: quem não consegue se lembrar do passado está condenado a repetí-lo.

[i] Stéphane Courtois, Le Livre Noir du communisme: Crimes, terreur, répression (Ėdition Robert Laffont, Paris, 1997), pp. 258-264.

[ii] Doug Mainwaring, “We are all Tea Partiers now,” The Washington Times, September 30, 2010, p.1.

Quem é Raul Castro?

O artigo abaixo foi publicado no National Review Online em 10 de agosto de 2006. O autor, o general Ion Mihai Pacepa, é o oficial de mais alta patente a desertar do bloco soviético. No Natal de 1989, Ceausescu e a sua esposa receberam pena de morte em um julgamento onde a maior parte das acusações provinham, quase literalmente, do livro Red Horizons, de Pacepa.

Recentemente, lançou o livro Disinformation: Former Spy Chief Reveals Secret Strategy for Undermining Freedom, Attacking Religion, and Promoting Terrorism Hardcover, em co-autoria com Ronald Rychlak.

Quem é Raul Castro?

Um tirano que só pode ser amado pelo irmão.

Quem é Raul Castro? O pensamento dos especialistas ocidentais de que ele pode levar Cuba a um governo de consenso e à democracia não passa de pensamento mágico. Eu certamente gostaria que eles estivessem certos, mas Raul Castro transformou um paraíso terrestre em ruínas, e há boas razões para crer que ele transformará Cuba em uma ditadura pior do que já é.

Eu me encontrei com Raul Castro muitas vezes, em Cuba e na Romênia. Ele era responsável pela coordenação do serviço de inteligência cubano (a Dirección General de Inteligencia – DGI) e, no início dos anos 1970, entrou no negócio de drogas juntamente com o departamento onde eu trabalhava (Departamentul de Informatii Externe – DIE). Quando ele não estava em Havana ou Moscou, estava em Bucareste. Nós trabalhamos, conversamos, pescamos e mergulhamos juntos. Disputamos quem era melhor no tiro ao alvo; ele era um excelente atirador. Juntos, corremos em nossos idênticos carros Alfa Romeo. Não vi nada nele que indique que queira democratizar Cuba.

Raul Castro estava sempre sob a influência do álcool e da auto-idolatria. Meu contato na inteligência cubana na época, Sergio del Valle, era o companheiro mais próximo de Raul Castro; voltando aos primeiros tempos na Sierra Maestra, costumava chamar o seu chefe de “Raul, O Terrível” em alusão ao primeiro russo auto-coroado czar. Raul Castro era o czar não coroado de Cuba – o seu título oficial era “General Máximo”. Fidel discursava, hora após hora. Raul conduzia a economia de Cuba, a sua política externa, o comércio exterior, o sistema judiciário, as cadeias, o turismo – até mesmo os hotéis e as praias.

Raul Castro é geralmente conhecido como um apagado ministro de defesa, mas ele também tem sido o comandante brutal de uma das mais criminosas instituições comunistas: a polícia política cubana. Eu testemunhei a sua capacidade. Ele era cruel e implacável. Fidel pode ter concebido o terror responsável por manter Cuba presa no curral do comunismo, mas Raul tem sido o açougueiro. Ele tem colaborado na matança e no terror de milhares de cubanos, e não tenho dúvidas de que lutará com unhas e dentes para preservar o poder. Por outro lado, mais cedo ou mais tarde Raul Castro deverá pagar pelos seus crimes, e eu não creio que ele seja um suicida.

Antes de conhecer Raul Castro pessoalmente, tive uma primeira impressão dele por meio de Nikita Khrushchev e do general Aleksandr Sakharovsky, o criador da estrutura da inteligência comunista romena, e naquele tempo comandante do serviço de inteligência soviético para o exterior, o PGU (Pervoye Glavnoye Upravleniye). Isto foi em 1959. Ambos havia chegado em Bucareste no dia 26 de outubro para o decretado “feriado de seis dias na Romênia”. Jamais Khrushchev havia tirado férias tão longas no exterior, mas a sua visita à Romênia também não era descanso. Estava lá para discutir a revolução cubana em andamento com o líder romeno Gheorghe Gheorghiu-Dej, até então o único ditador comunista de um país de herança latina.

Khrushchev sonhava em entrar para a história como o líder soviético instaurador do comunismo no continente americano e estava disposto a qualquer coisa para concretizar o seu sonho. Mas Khrushchev não confiava em Fidel Castro porque via nele uma pessoa estranha ao marxismo. Para os líderes do partido comunista cubano, Fidel era um aventureiro perigoso, e os burocratas do partido soviético também estavam relutantes em apoiá-lo.

Khrushchev, por sua vez, confiava em Raul Castro. De acordo com Sakharovsky, responsável por conduzir Raul Castro a Moscou em meados da década de 1950, foi amor à primeira vista. Nikita e Raul adoravam vodka, ambos eram fascinados pelo marxismo, odiavam escola, religião e disciplina. Ambos se consideravam especialistas militares. Ambos eram obcecados por espionagem e contra-espionagem. E ambos gostavam de dormir de botas. Sakharovsky acreditava que o “terno relacionamento” entre os dois havia levado Khrushchev a se atirar de corpo e alma na revolução cubana.

Por ordem de Khrushchev, Sakharovsky deu a Raul Castro um conselheiro de inteligência: Nikolay Leonov, o melhor especialista do PGU em América Latina. Leonov (hoje um general da KGB aposentado e membro da Duma) forneceu a Raul Castro informações sobre as forças militares do então ditador cubano, Batista, e o ajudou a planejar a guerrilha. Em junho de 1957, Leonov deu a ele documentos e fotografias mostrando o fornecimento de armas e apoio logístico de Washington a Batista, e sugeriu fazer alguns americanos reféns para forçar Eisenhower a se retirar do conflito. Raul Castro seguiu o conselho. Em 26 de junho de 1958, os seus guerrilheiros sequestraram quinze militares e civis americanos e canadenses que estavam a trabalho em Cuba. Temendo pela vida dos reféns, Batista decretou um cessar-fogo. A manobra permitiu aos soviéticos levar novas armas a Cuba.

O curso da revolução cubana mudou para sempre. E a era do sequestro político havia sido inaugurada.

Na noite do dia 31 de dezembro de 1958, Batista fugiu de Cuba, e os irmãos Castro tomaram conta do país. Durante o mês seguinte, Raul Castro organizou a execução de centenas de policiais e militares do regime de Batista. Os prisioneiros eram mortos a tiro e os corpos enterrados em túmulos coletivos nos arredores de Santiago de Cuba.

Um ano depois, o representante do premiê soviético Anastas Mikoyan foi a Havana. Ele foi recepcionado por Fidel, Raul e pelo novo conselheiro da KGB para o país, Aleksandr Shitov. A tarefa naquele momento era ajudar Raul Castro a criar uma KGB cubana e um exército ao estilo soviético. Em 1962, Khrushchev tomou uma decisão sem precedentes ao nomear Shitov embaixador soviético em Cuba. Em segredo, Moscou logo começou a construir bases de mísseis em território cubano.

Khrushchev, Raul Castro e Shitov – não Fidel – empurraram o mundo para a iminência da guerra nuclear.

Em abril de 1971 eu visitei Cuba como membro de uma delegação do governo romeno para a celebração de dez anos pela vitória de Fidel Castro na Baía dos Porcos. Alguns dias depois da cerimônia, Raul Castro me convidou para ir pescar no mar em seu barco, junto com Sergio del Valle. O outro convidado era um civil soviético que se apresentou como Aleksandr Alekseyev. “Aquele é Shitov”, sussurrou del Valle. “Agora, ele é conselheiro de Allende”. (O marxista Salvador Allende havia sido eleito presidente do Chile no mês de novembro do ano anterior.) Lá, no barco, ficou claro para mim – mais claro do que nunca – que era Raul, não Fidel, quem empunhava as rédeas da diligência da revolução cubana.

Em 1972 eu preparei uma visita oficial de Ceausescu a Havana, e, durante ela, também fui o seu braço direito. Fidel era o testa de ferro, Raul o ajudante geral. A primeira dama cubana não era a esposa de Fidel, mas a de Raul. Elena Ceausescu empinou o nariz para ela, mas, no momento certo,  as duas primeiras damas se entenderam esplendidamente. Tanto Elena quanto Vilma Espin Guilloys haviam abandonado os estudos, ambas fingiam ser químicas, ambas haviam obtido títulos de doutorado falsos, ambas eram do partido comunista antes dele ter chegado ao poder em seus países, ambas se tornaram membros do Conselho de Estado e ambas eram presidentes das organizações de Federação de Mulheres em seus países.

Durante a visita, os irmãos Castro e Ceausescu lançaram as bases para um negócio de drogas conjunto. Queriam afundar o mundo com drogas. “As drogas podem causar mais danos ao imperialismo do que armas nucleares”, pontificou Fidel. “As drogas erodirão o capitalismo por dentro”, concordou Raul. Jamais ouvi a palavra “dinheiro” ser pronunciada, mas eu já estava administrando o dinheiro que a Romênia estava fazendo com o seu próprio tráfico de drogas. Ia tudo para a conta bancária pessoal de Ceausescu. Em 1978, quando deixei a Romênia para sempre, aquela conta, chamada de AT-78, tinha um saldo de cerca de 400 milhões de dólares – a despeito dos desfalques substanciais feitos por Elena para comprar peles e jóias.

Em 2005, Fidel ficou furioso quando a Forbes Magazine estimou a sua fortuna em 500 milhões de dólares. Neste ano, a revista atualizou o valor para 900 milhões. Em vista da penúria cubana, esta quantia é certamente mais do que o suficiente para Raul subornar os seus camaradas políticos e comprar todos os novos aliados de que precisar.

Em 1973 eu tirei “férias de trabalho” em Havana. Raul me levou para conhecer uma instalação gigantesca, dedicada ao fabrico de maletas com fundo falso e outros dispositivos para o transporte secreto de armas e explosivos para fins terroristas. Na época, o DGI de Raul Castro estava trabalhando em tempo integral para expandir a influência política de Cuba pela América do Sul e pelo Terceiro Mundo. Particularmente, lutavam para consolidar o poder dos sandinistas na Nicarágua, para fomentar uma guerra sangrenta em El Salvador e para ajudar a MPLA (Movimento pela Libertação de Angola), movimento financiado por Cuba e União Soviética, com o objetivo de aumentar o poder deles em Angola. O DGI de Raul Castro e as suas forças armadas também tinham conselheiros e instrutores nas bases da Organização para a Libertação da Palestina e haviam estabelecido estreita colaboração com a Líbia, Iêmen do Sul e com a Frente Polisário para a Libertação do Saara Ocidental. Em meados dos anos 1970, o DIE – o meu departamento – operava juntamente com o DGI de Raul Castro para apoiar as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), uma organização insurgente marxista anti-americana cuja missão era espalhar o comunismo pela América do Sul.

Em dezembro de 1974, Raul foi a Bucareste pedir apoio político e de inteligência para o seu novo DNL (National Liberation Directorate), grupo de inteligência/partido, cujo objetivo era  coordenar a guerrilha cubana e os campos de treinamento de terrorismo e fomentar o surgimento de movimentos de libertação nacionais e de governos anti-americanos como os da Nicarágua e Granada. Conseguiu ambos.

É claro que eu não tenho mais acesso a informações internas sobre a exportação do terrorismo e da revolução de Raul Castro, mas vi, em 2001, as suas FARC se responsabilizarem por 197 assassinatos na Colômbia. Em 11 de abril de 2002, as mesmas FARC sequestraram 13 legisladores colombianos de um edifício governamental em Cali e mantiveram a candidata a presidente Ingrid Betancourt em cativeiro. Em 13 de fevereiro de 2003, as FARC abateram um jato da CIA transportando equipamento eletrônico de inteligência no sul da Colômbia, fazendo reféns três oficiais da CIA. Agora, as FARC de Raul Castro estão procurando derrubar o governo pró-americano do presidente colombiano Álvaro Uribe, cujo pai foi assassinado pelas FARC em 1983. Também percebi que o presidente comunista da Venezuela, Hugo Chavez, adorador dos irmãos Castro, ameaçou parar de exportar petróleo para os EUA e pretende iniciar uma guerra convencional contra a sua vizinha Colômbia, a maior aliada dos EUA na região.

Ninguém, em Cuba e fora dela, sabe examente qual o estado de saúde – física ou política – de Fidel. Por lá talvez esteja acontecendo algo que Raul Castro aprendeu com os seus mestres da KGB. Leonid Brezhnev morreu no dia 10 de novembro de 1982, mas o chefe da KGB, Yury Andropov, conseguiu manter a morte oculta da população durante alguns dias e assim ganhou tempo para manobrar e se instalar no assento do condutor. Uma vez empossado no Kremlin, o cínico Andropov apressou-se em exibir uma imagem para o Ocidente de comunista “moderado”, um homem sensível, cordial, voltado para o Ocidente, apreciador de um drinque de scotch de vez em quando, leitor de romances ingleses e ouvinte de jazz americano e da música de Beethoven. Ele não era nada disso.

Raul também pode tentar se apresentar como um afetuoso anjo de paz. Mas a era de segredo de Andropov já se foi. Rezo para que as pessoas que conhecem Raul Castro tão bem como eu conhecia Ceausescu, venham a público despir o ditador cubano, permitindo ao mundo vê-lo nu, como verdadeiramente é: um assassino e terrorista internacional que fez fortuna com a venda ilegal de armas, drogas e seres humanos.

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