Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

Arquivos de tags: Obama

Diga “Não” à Terceira Guerra Mundial

“Durante os anos em que fui conselheiro de segurança nacional do presidente romeno Nicolae Ceausescu, conheci bem o pai do atual presidente sírio, Hafez al-Assad, e também o irmão dele, Rifaat, que estava na folha de pagamento de Ceausescu. Eram, ambos, assassinos cruéis.”

“Após eu ter obtido asilo político nos Estados Unidos, o velho Assad ordenou, secretamente, que eu fôsse assassinado.”

*

O artigo abaixo foi publicado no World Net Daily em 10 de setembro de 2013. O autor é o general Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente do bloco comunista que obteve asilo político nos Estados Unidos. O seu novo livro, Disinformation, em cooautoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pelo WND Books em junho de 2013.

*

ATAQUE À SÍRIA

Diga “Não” à Terceira Guerra Mundial

Exclusivo: o general Ion Mihai Pacepa vê o plano de Obama como uma manobra para tirar a atenção da “ameaça real”

Do meu ponto de vista privilegiado, acredito que o atual alarido da Casa Branca sobre o bombardeio na Síria é uma operação de desinformação cuidadosamente preparada com o objetivo de tirar a atenção da incapacidade – ou da má vontade – da administração de combater o terrorismo islamofacista e sanar as finanças públicas dos Estados Unidos.

Na quarta-feira, 11 de setembro de 2013, os Estados Unidos chorarão não apenas os ataques de 2001 da al-Qaida em solo americano mas também o bárbaro assassinato do nosso embaixador na Líbia – um ato de guerra de acordo com a lei internacional – cometido um ano atrás em Benghazi por terroristas islamofacistas identificados (mas, por misterioras razões, ainda livres).

Alguns dias mais tarde, o Congresso começará a discutir o pedido da administração para aumentar o já desastroso débito nacional do país, que, no momento em que escrevo, atingiu o extraordinário valor de US$15.962.835.542.312, de longe o mais alto na história americana.

Juvenal, poeta satírico da Roma antiga, usou a expressão panem et circenses (“pão e circo”) para descrever tais manobras diversionistas. Para saciar a ralé empobrecida, os imperadores romanos orquestravam estravagâncias como distração, oferecendo inúmeras diversões grátis: boa comida, banhos públicos, gladiadores bonitões, animais exóticos, corridas da carruagens, competições esportivas, apresentações teatrais e o slogan Ave Caesar, Imperator.

Hoje, temos desinformação e guerras. Hoje, a nossa administração está tentando levar a opinião pública americana a acreditar que algumas bombas lançadas na Síria ajudarão, de alguma forma, a levar a paz ao sempre problemático Oriente Médio.

Há poucas pessoas na terra mais ansiosas do que eu para ver a brutal dinastia Assad tirada do poder na Síria. Durante os anos em que fui conselheiro de segurança nacional do presidente romeno Nicolae Ceausescu, conheci bem o pai do atual presidente sírio, Hafez al-Assad, e também o irmão dele, Rifaat, que estava na folha de pagamento de Ceausescu. Eram, ambos, assassinos cruéis.

Após eu ter obtido asilo político nos Estados Unidos, o velho Assad ordenou, secretamente, que eu fôsse assassinado. (Após o meu primeiro livro, “Red Horizons”, ter revelado que Rifaat Assad era um agente pago do DIE, o serviço de inteligência externa romeno, o FBI me deu uma fotografia de um agente de inteligência da Síria com o aviso de que ele havia sido enviado para os Estados Unidos para me identificar e “neutralizar”.) Mas isso é problema meu – assim como a mal calculada “Red Line” de Obama é problema dele – e não deve ter nada a ver com o meu ponto de vista sobre qual deve ser a política dos Estados Unidos em relação à Síria.

A Síria não atacou os Estados Unidos e não temos nenhum aliado envolvido na atual briga síria – nem temos dinheiro para desperdiçar nesta briga, a menos que peçamos emprestado da China. Bashar al-Assad é mesmo um tirano, mas ele já era um tirano quando o presidente Obama restabeleceu relações diplomáticas com o seu governo, mesmo com 137 nações tendo votado na Assembléia Geral das Nações Unidas pela condenação daquele tirânico regime. Assad já era um tirano em 27 de março de 2011 quando a Secretária de Estado americana Hillary Clinton disse ao mundo “Há um líder diferente na Síria hoje. Muitos membros do Congresso, de ambos os partidos, que foram à Síria recentemente disseram acreditar que ele é um reformador”. John Kerry, sucessor de Hillary, evidentemente compartilhava o ponto de vista dela sobre Bashar Assad quando bebia e jantava com ele – conforme visto em fotografias amplamente divulgadas.

Agora, de repente, Bashar se tornou o pior dos demônios. Um ataque precipitado à Síria, com ou sem a aprovação do Congresso, pode transformar aquele país em um caos pior do que já é, e levá-lo a uma situação semelhante à ocasionada pelo nosso bombardeio na Líbia. Esta nova catástrofe pode gerar uma cadeia de desastres similar à impensada e precipitada reação militar ao assassinato do arqueduque da Áustria, Franz Ferdinand, em 1914, que levou a uma sucessão de calamidades incluindo a Primeira Guerra Mundial, a revolução soviética, a tomada do poder pelos nazistas na Alemanha, a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.

O novo eixo anti-americano Moscou-Teerã-Pequim já prometeu retaliar duramente se bombardearmos a Síria. De acordo com o antigo diretor da Central de Inteligência James Woolsey, até mesmo o ridículo governo da Coréia do Norte poderia detonar uma arma nuclear em território americano causando o colapso da nossa rede elétrica e da infraestrutura dela dependente – comunicações, transportes, serviços bancários e financeiros, comida e água necessários para manter a vida de 300 milhões de americanos. Todo o país ficaria no escuro em questão de minutos – e o resto do mundo poderia seguir o mesmo caminho. Outro estudo documentado estima que, em meados de 2014, o governo terrorista do Irã será capaz de enriquecer urânio para uso bélico tão rapidamente que os Estados Unidos não conseguirá pará-lo militarmente. O nosso estilo de vida seria alterado para sempre.

Os Estados Unidos têm lutado contra diversas entidades islâmicas nos últimos 12 anos. É hora de paz, não de guerra. Na minha outra vida, no topo do serviço de inteligência externa do bloco soviético, o meu DIE operava imensas redes de inteligência em vários países árabes, e eu tive a oportunidade de conhecer aquela parte do mundo muito bem. Aquele povo não odeia os Estados Unidos. Os milhões de árabes ao redor de todo o mundo que estão agora esperando na fila para serem aceitos nos Estados Unidos também não o odeiam. Eles adorariam se mudar para cá. São só alguns poucos líderes islamofacistas fanáticos que odeiam o nosso maravilhoso país de liberdade e sonham vê-lo destruído.

Devemos deixar os islamofacistas a cargo do serviço de inteligência americano e nos concentrar na administração e no Congresso americanos para podermos construir uma “Campanha da Verdade” similar à edificada pelo presidente Truman para ganhar a Guerra Fria.

“Os desafios que enfrentamos são graves,” disse Truman em 1950 “envolvendo a sobrevivência ou a destruição não apenas desta República mas da própria civilização”. Truman argumentou que a propaganda usada pelas “forças do comunismo imperialista” só poderia ser vencida pela “verdade nua e crua”. A Voice of America, a Radio Free Europe e a Radio Liberation (logo renomeada Radio Liberty) fizeram parte da “Campanha da Verdade” de Truman.

Se você ainda se espanta pelo fato dos Estados Unidos terem sido capazes de vencer a Guerra Fria sem dar um único tiro, eis uma explicação do segundo presidente da Romênia pós-comunista, Emil Constantinescu:

“A Radio Free Europe foi muito mais importante do que os exércitos e os mais sofisticados mísseis. Os “mísseis” que destruíram o comunismo foram lançados da Radio Free Europe, e este foi o mais importante investimento de Washington durante a Guerra Fria. Eu não sei se os próprios americanos percebem isto hoje, sete anos após a queda do comunismo, mas nós o entendemos perfeitamente bem.”

A metáfora do presidente Constantinescu não foi um exagero. A longo prazo, a verdade é infinitamente mais poderosa do que a desinformação.

***

O sistema de saúde socialista

Um dos maiores mitos sobre o marxismo é a suposta virtude de igualdade para todos. Eu vivi muitos anos no círculo mais íntimo de um governo marxista pregador deste ideal utópico de igualdade, e é fato que isto não passa de ficção científica. Mentiras. Areia nos olhos do povo.

*

Este artigo foi publicado no JP Media em 6 de julho de 2012. Foi escrito por Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista.

Atenção: usei o termo “nacionalizado” para descrever o novo sistema de saúde dos EUA porque, até o surgimento do ObamaCare, o cidadão americano não era obrigado a se inscrever em nenhum plano de saúde; agora, tornou-se uma imposição estatal.

*

Um pesadelo romeno de 20 anos: o fim do sistema de saúde socialista

Na minha outra vida na Romênia comunista, dirigi uma grande organização de inteligência que, entre outras tarefas, tinha como obrigação manter vivo um sistema de saúde nacionalizado que foi responsável por, no fim das contas, falir o país e gerar um sentimento de desprezo por parte da população. Aquele sistema, bastante parecido com o Affordable Health Care for America Act, era um pesadelo burocrático. E ainda continua sendo para os países do antigo império soviético.

Um relatório da União Européia sobre o “Sistema de Saúde em Transição” da Romênia pós-comunista afirmou que este sistema “devastou o país”, cuja taxa de mortalidade infantil (20,2 por mil habitantes) estava entre as mais altas da Europa e cuja taxa de mortalidade era 70% mais alta do que a média européia. [i] A revista médica mais lida no mundo, The Lancet, informou que, mesmo vinte anos após o colapso da União Soviética, “a expectativa de vida ao nascer é de 66 anos na Rússia, 16 anos menor do que a do Japão e 14 menor do que a média da União Européia”. [ii]

A minha experiência me faz acreditar que a recente decisão da Suprema Corte americana de manter vivo o Affordable Health Care for America Act constituiu um muito necessário chacoalhão para acordar o nosso movimento conservador. Desde 2009, quando o Partido Democrata começou a nacionalizar secretamente o sistema de saúde americano, o nosso movimento conservador não fez nada além de chorar e lamentar e esperar por Deus no céu e pela Suprema Corte na terra para salvar os EUA de tamanha calamidade.

Chegou a hora de assumirmos as rédeas da situação. As primeiras três palavras da Constituição americana são “We the people”. Por isso, “nós, o povo” somos quem deve decidir qual o tipo de sistema de saúde queremos, pois ele é financiado com o dinheiro dos nossos impostos. Para tomar a decisão correta na eleição de novembro, “nós, o povo” precisamos conhecer a verdade: os Estados Unidos são hoje o primeiro país do mundo quando se fala em sensibilidade médica e qualidade do sistema de saúde, e não há razão para correr e mudar o nosso sistema da noite para o dia.

Nos Estados Unidos, quem manda é o médico. Isto é crucial para salvar vidas. Se o médico percebe algum problema, pode iniciar logo todos os tipos de exames, ter os resultados o mais rápido possível e iniciar imediatamente o tratamento. Já na Grã Bretanha, onde o sistema de saúde nacionalizado é administrado por burocratas, um paciente precisa esperar cerca de 18 semanas por uma ressonância magnética.

Nos EUA, uma cirurgia pode ser agendada para o dia seguinte, mas, no sistema de saúde nacionalizado do Canadá, o paciente precisa esperar meses por uma operação. Nos EUA, a capacidade do médico de agir rapidamente sem precisar esperar aprovações burocráticas pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

O Prêmio Nobel de Medicina conta o resto da história. No século passado, o sistema de saúde de mercado aberto dos EUA foi premiado com 72 prêmios Nobel. A União Soviética, inventora do sistema de saúde nacionalizado, não ganhou nenhum. (A Rússia dos Czares conseguiu um Nobel de Medicina em 1904 pela teoria do reflexo condicionado de Pavlov.)

Mais uma verdade: o sistema de saúde dos Estados Unidos pode e deve ser melhorado, mas em 2008 e 2009 o país estava passando pela segunda pior crise econômica da sua história, e melhorar a economia deveria ter sido a tarefa mais urgente. Quando o Partido Democrata chegou ao poder, entretanto, estava tão infectado pelo marxismo que iniciou o reinado nacionalizando o nosso sistema de saúde. Os ditadores marxistas sempre têm feito isto onde quer que cheguem ao poder.

O sistema de saúde é vital para todos e os marxistas, onde quer que tenham conseguido tomar o controle político, começaram por consolidar o regime nacionalizando o sistema de saúde. Em 1948, os líderes marxistas romenos, após terem montado o primeiro governo marxista daquele país, anunciaram orgulhosamente que estavam se livrando do velho sistema de saúde “capitalista” destinado somente aos ricos, e o estavam substituindo por um “sistema socialista” para “levar a assistência médica a cada um dos romenos”. Ninguém sabia como seria esse “sistema socialista”, mas o seu apelo populista soava bem, e a maior parte dos romenos aplaudiu. Eu também aplaudi, e paguei um alto preço por isso.

Mais uma verdade: os Estados Unidos gradualmente passaram de um país de trabalho escravo negro para um país que elegeu livremente um americano negro para presidente. O “Affordable Health Care for America Act”, entretanto, foi imposto ao país da noite para o dia, da mesma forma que o sistema de saúde marxista foi imposto na Romênia. O diabo sempre está com pressa. De acordo com dados do Senado americano (do U.S. Senate Historical Office), o Affordable Health Care for America Act foi o segundo projeto de lei na história aprovado pelo Senado na véspera do Natal. O primeiro foi em 1895, quando o Senado aprovou um projeto sobre o emprego de soldados Confederados aposentados. Aquele sim foi um verdadeiro presente de Natal. O projeto de lei de 2009 foi um presente do demônio, aprovado secretamente, na hora das bruxas, meia-noite.

O sistema de saúde dos Estados Unidos representa um sexto do valor total da economia. O produto interno bruto americano é de 14,1 trilhões de dólares, e um sexto significa algo em torno de 2,35 trilhões de dólares. Como uma nota de dólar mede pouco mais de 16 cm, um trilhão de dólares enfileirados cobriria uma distância de 155.956.000 quilômetros – ultrapassando em mais de 6 milhões de quilômetros a distância entre a terra e o sol. [iii] Esta inimaginável quantia de dinheiro de impostos foi paga por “nós, o povo”, que devíamos pelo menos ter dado uma palavra sobre como ele devia ser gasto.

“Temos que aprovar o projeto para que vocês possam descobrir o que há nele” disse Nancy Pelosi, na época porta-voz da U.S. House of Representatives controlada pelos democratas, falando em 2010 na Legislative Conference for the National Association of Counties. Foi a primeira vez que isto ocorreu na história americana. Esta era a norma no leste europeu, onde os regimes marxistas se cobriam de segredo.

Poucos anos após a Romênia ter sido abençoada com um sistema de saúde nacionalizado administrado por burocratas no lugar de médicos, os hospitais estavam tão degradados que havia casos frequentes de dois pacientes ocupando o mesmo leito. Sauve qui peut (salve-se quem puder) tornou-se o lema da privilegiada nomenklatura marxista, que tirou o seu próprio sistema de saúde das mãos dos hospitais destinados a servir “os idiotas”, denominação dada pelo presidente romeno Nicolae Ceausescu ao seu próprio povo. O Partido Comunista apoderou-se do Helias, um hospital construído por uma fundação ocidental, e o destinou para servir exclusivamente às necessidades da nomenklatura do partido. A Securitate, versão romena da KGB, tomou posse de um hospital particular (chamado Dr. Dimitrie Gerota) e o transformou em um centro médico (renomeado Dr. Victor Babes) destinado só para o seu pessoal. O mesmo fez o Ministério da Defesa. Na década de 1970, eu mesmo construí um hospital para o meu serviço de inteligência estrangeiro, o DIE. O hospital não tinha nome e estava escondido na Floresta Băneasa perto de Bucareste, para ficar protegida dos olhos dos “idiotas”.

Os nossos funcionários políticos americanos, que aprovaram sem pensar o Affordable Health Care for America Act de mais de 2000 páginas, também para lutaram para se proteger. Todos, dos funcionários do Congresso aos funcionários da Casa Branca, outorgaram a si mesmos versões americanas do Helias e do Gerota. Nenhum deles quis colocar a sua vida nas mãos de um sistema de saúde nacionalizado administrado por burocratas. Cerca de 1200 companhias doadoras do Partido Democrata e sindicatos representando 543.812 trabalhadores também receberam renúncia da parte da lei de reforma do sistema de saúde.

Já escrevi uma vez – mas é bom repetir – a respeito de outra desastrosa consequência dos sistemas de saúde administrados por burocratas: a caixinha. As pessoas nos Estados Unidos não estão acostumadas a subornar para conseguir as coisas. Na Romênia comunista, entretanto, a caixinha era o único jeito de conseguir uma consulta com um médico confiável ou uma cama limpa no hospital. Em 2008, The Lancet informou que na Rússia cada médico e cada enfermeira ainda tinham “o seu pequeno imposto” e que “todos eles preferem dinheiro colocado num envelope, é claro”. As enfermeiras cobravam 50 rublos para esvaziar um urinol e 200 rublos para fazer uma lavagem intestinal. As cirurgias começavam em 300 rublos, mas “o céu é o limite”. [iv] Nos Estados Unidos, a caixinha pode não começar de forma tão ostensiva, mas o suborno com certeza logo vai virar regra, de um jeito ou de outro. Na França, por exemplo, a burocracia governamental introduziu recentemente uma franquia de €1 em cada consulta médica, descrita como uma contribution au remboursement de la dette sociale (contribuição para reembolso da dívida social). Isto foi seguido por uma franquia de €18 nos procedimentos médicos “dispendiosos”. Agora, os pacientes franceses estão aprendendo que, se colocarem discretamente um envelope com dinheiro no bolso do avental de laboratório branco do médico pendurado no seu consultório, eles terão mais “atenção”. Uma pequena atenção extra pode ser vital neste tipo de sistema de saúde administrado pelo governo, onde os médicos são obrigados por lei a examinar de sessenta e setenta pacientes por dia.

Um dos maiores mitos sobre o marxismo é a suposta virtude de igualdade para todos. Se todos pudessem ter o mesmo de tudo, o mundo seria um paraíso na terra. Todos os marxistas acreditam que só o estado pode criar tal paraíso. Este ideal utópico agora capturou a imaginação das pessoas nos Estados Unidos também. Eu vivi muitos anos no círculo mais íntimo de um governo marxista pregador deste ideal utópico de igualdade, e é fato que isto não passa de ficção científica. Mentiras. Areia nos olhos do povo. Escrevi, como co-autor, um livro inteiro sobre isto, a ser lançado em breve. Mas imagens costumam ser melhores do que palavras. Os meus compatriotas romenos, que pagaram com 1.104 vidas para se libertar do paraíso marxista, nos deram algumas imagens dolorosamente vívidas: um filme de 2007 chamado The Death of Mr. Lazarescu, ganhador de mais de vinte prêmios internacionais.

Para ver o desastre que um sistema de saúde nacionalizado pode gerar, nada melhor do que assistir The Death of Mr. Lazarescu. Este filme foi inspirado na história real de sofrimento de Constantin Nica, engenheiro romeno aposentado que teve o azar de envelhecer em um país que, vinte anos após o seu último ditador comunista ter sido metralhado pelo seu próprio povo, ainda mantinha um apavorante sistema de saúde governamental e burocratizado.

O roteiro do filme acompanha o fictício paciente Mr. Lazarescu, colocado em uma ambulância do governo romeno que fica perambulando entre diversos hospitais públicos. Nos primeiros três hospitais, apesar dos médicos determinarem a necessidade de uma operação, a burocracia governamental recusa a cirurgia porque ele é muito velho e não tem dinheiro suficiente para a caixinha da equipe hospitalar. Mr. Lazarescu resolutamente recusa-se a desistir, mas, no quarto hospital, os maléficos burocratas vencem – ele morre após uma cirurgia tardia e malfeita. (O verdadeiro Mr. Nica foi despejado por uma ambulância em um banco de praça e deixado lá para morrer.) O inimigo real de Mr. Lazarescu não era a sua doença, mas a atitude autoritária e fria tão profundamente arraigada na prática burocrática. Ante o realismo do filme, até mesmo o jornal The New York Times – forte apoiador do sistema de saúde administrado pelo governo – foi obrigado a admitir que a película “envolve o espectador no mundo que retrata”. [v]

Sugiro fortemente ao nosso movimento conservador o uso deste filme como instrumento de campanha eleitoral. Vamos exibí-lo em todo país, nas convenções conservadoras, nas maiores reuniões de campanha. Pode ser uma proposta cara, mas custará infinitamente menos do que o prejuízo de longo prazo eventualmente gerado por mais quatro anos de esforços do Partido Democrata em “socializar” os Estados Unidos. Este filme ilustra perfeitamente o efeito de longo alcance de um país administrado por burocratas e não por “nós, o povo”.

O cineasta americano Michael Moore glorificou o sistema de saúde britânico nacionalizado em seu documentário Sicko, de 2007, premiado no Festival de Cinema de Cannes e recebedor de uma ovação de pé de 15 minutos por 2 mil pessoas. Em fevereiro de 2012, entretanto, o primeiro ministro britânico, David Cameron, anunciou que o seu governo privatizaria novamente o sistema de saúde nacionalizado do país. Por mais de 40 anos o povo da Grã Bretanha assistiu repetidamente o seu próprio The Death of Mr. Lazarescu. Funcionou lá. Deve funcionar aqui.

[i] “Romania: Health Care System in Transition,” European Observatory on Health Care System, 2000, p.4.
[ii] Helen Womak, “RUssia’s next president needs to tackle health care reforms,” The Lancet, Volume 371, Issue 9614, pages 711-714, March 1, 2008.
[iii] Ross Kaminsky, “What Will Obama’s Plans Cost the Nation?” Human Events, March 17, 2008, p. 1.
[iv] Helen Womack, “Russia’s next president needs to tackle health care reforms,” The Lancet, Volume 371, Issue 9614, Pages 711-714, March 1, 2008.
[v] Stephen Holden, ” The Death of Mr. Lazarescu,” The New York Times, January 2, 2008.

***

Como os Líderes Marxistas Escondem o Passado

O texto abaixo é a tradução do artigo Lenin, Stalin, Ceausescu, Obama: How Marxist Leaders Conceal Their Pasts, publicado no PJ Media em 30 de novembro. O autor é o general Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente que desertou do bloco comunista.

*

Lenin, Stalin, Ceausescu, Obama: Como os Líderes Marxistas Escondem o seu Passado

Estive ausente destas páginas por um tempo. O meu novo livro Disinformation, escrito em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, e o documentário nele baseado monopolizaram o meu tempo. Mas, uma nauseante operação estilo glasnost em andamento nos Estados Unidos me faz sentir como se estivesse assistindo a uma reencenação da imensa glasnost que eu costumava conduzir durante a minha época como conselheiro do presidente da Romênia comunista, Nicolae Ceausescu.

Não, glasnost não é um erro de impressão ou digitação. Durante os meus anos no topo da comunidade KGB, glasnost era o codinome de uma ferramenta de inteligência ultra-secreta da ultra-secreta “ciência” negra de desinformação da KGB. A sua missão era transformar o país em um monumento ao seu líder, e retratá-lo como o próprio Deus. Isto me trouxe de volta ao JP Media e aos seus leitores, pois a glasnost só funciona para quem não sabe o que ela realmente significa.

Se você pensa que Gorbachev inventou a palavra glasnost para descrever os seus esforços na condução da União Soviética “para longe do estado totalitário e na direção da democracia, liberdade e abertura”, você não está sozinho. Toda a mídia ocidental e a maioria dos especialistas ocidentais, até mesmo os de órgãos de inteligência e defesa, acreditam nisto também – como o comitê que deu a Gorbachev o Prêmio Nobel da Paz. A venerável Enciclopédia Britânica define glasnost como “Política soviética de discussão aberta sobre questões políticas e sociais. Foi instituída por Mikhail Gorbachev no fim da década de 1980 e deu início à democratização da União Soviética”. [ i ] E o American Heritage Dictionary define glasnost como

uma política oficial do antigo governo soviético enfatizando a sinceridade na discussão de problemas e fraquezas sociais. [ ii ]

Mas glasnost é, na verdade, um velho termo russo cujo significado é dar brilho à imagem do ditador. Em meados da década de 1930 – meio século antes da glasnost de Gorbachev – a enciclopédia oficial soviética definiu a palavra glasnost como uma interpretação particular nas notícias liberadas para o público: “Dostupnost obshchestvennomy obsuzhdeniyu, kontrolyu; publichnost,”, significando a qualidade da informação disponibilizada para o controle ou para a discussão pública. [ iii ] Em outras palavras, glasnost significa, literalmente, fazer propaganda, ou seja, auto-promoção. Desde o século XVI, desde Ivan, o Terrível, o primeiro ditador a se tornar o czar de todos os russos, todos os líderes daquela nação têm usado a glasnost para se promover dentro e fora do país. Os czares comunistas adaptaram aos nossos dias a longa tradição da glasnost. A cidade de Tsaritsyn foi renomeada para Stalingrado – como São Petersburgo, assim chamada para homenagear Pedro, o Grande, foi renomeada para Leningrado para glorificar Lenin. O corpo embalsamado do mais novo santo da Rússia, Lenin, foi colocado em exibição em Moscou como uma relíquia sagrada para a adoração pública.

Como era de se esperar nos Balcãs, a glasnost romena tomou uma coloração gloriosamente bizantina. Praticamente todas as cidades tinham o seu Boulevard Gheorghiu-Dej, a sua Praça Gheorghiu-Dej, o seu Largo Gheorghiu-Dej. O retrato do seu sucessor, Nicolae Ceausescu, estava pendurado nas paredes de todos os escritórios romenos – como o busto de Putin hoje ornamenta todos os prédios da imensa burocracia russa.

Durante as eleições de 2008, quando o Partido Democrata proclamou o senador Barack Obama como um Messias americano, eu desconfiei que a glasnost havia começado a infectar os Estados Unidos. O senador concordou. Em 8 de junho de 2008, durante um discurso em New Hampshire, ele disse que o início do seu mandato presidencial seria “o momento em que a elevação dos oceanos começaria a diminuir e o nosso planeta começaria a ser curado”. [ iv ] Uma sequência indiscreta no YouTube exibida na Fox TV revelou a imagem do ídolo comunista Che Guevara pendurada na parede do escritório de campanha do senador Obama em Houston. [ v ] Logo em seguida, as assembléias eleitorais do Partido Democrata começaram a se parecer com as reuniões de despertar religioso de Ceausescu – mais de oitenta mil pessoas reunidas em frente do agora famoso templo grego semelhante à Casa Branca erguido em Denver para a aclamação do novo Messias americano.

Muitos poucos americanos consideraram esta retórica como uma nova expressão de democracia. Para mim, foi uma repetição da glasnost de Ceausescu, concebida para transformar a Romênia em um monumento a ele. “Um homem como eu só nasce a cada quinhentos anos” ele dizia sem cessar.

Estaria o senador Obama usando uma glasnost ao estilo Ceausescu? Bem, eu duvido que ele tivesse uma idéia do real significado da glasnost. Ele estava usando calças curtas – na Indonésia comunista – quando a glasnost estava na moda. Mas, quando comparo algumas das coisas que o senador, e mais tarde presidente, Obama fez, ao lado dos seus pronunciamentos públicos, com o modus operandi e a história da glasnost, eu me vejo terrivelmente perto de uma glasnost real.

Vamos fazer o exercício juntos para você julgar por si mesmo.

Em 2008, o agora falecido veterano jornalista David S. Broder comparou as táticas do senador Obama para esconder o seu passado socialista às táticas de proteção usadas pelos pilotos militares ao sobrevoar um alvo fortemente defendido por armas antiaéreas: “Eles liberam uma nuvem de fragmentos metálicos leves na esperança de confundir a mira dos projéteis ou mísseis lançados na sua direção”. [ vi ] Eis uma boa definição de glasnost.

Toda glasnost que eu conheci tinha como tarefa prioritária apagar o passado do ditador dando-lhe uma nova identidade política. A glasnost de Stalin apagou o seu horrível passado de assassino de cerca de 24 milhões de pessoas retratando-o como um deus na terra, com o seu ícone exibido proeminentemente por todo o país. A glasnost de Khruschev visava construir uma fachada internacional de paz para o homem responsável por trazer para o Ocidente os assassinatos políticos da KGB. Isto foi provado pela Suprema Corte da Alemanha Ocidental em outubro de 1962, durante o julgamento público de Bogdan Stashinsky, oficial da KGB condecorado pelo próprio Khrushchev por ter assassinado inimigos da Rússia residentes no Ocidente. [ vii ] Gorbachev, informante da KGB quando estudante da Moscow State University, [ vii ] incumbiu a sua glasnost de tirar a atenção do seu passado na KGB retratando-o como um prestidigitador que exibia uma galanteadora “Miss KGB” para os correspondentes ocidentais e era o responsável pela transformação do União Soviética em uma “sociedade marxista de pessoas livres”. [ ix ]

Em 2008, quando o senador Obama concorria para presidente, as suas políticas de tributos e o seu histórico de votos mostravam-no como “o candidato mais à esquerda jamais nomeado para presidente dos Estados Unidos”. [ x ] Você se lembra? Concorrer como socialista, entretanto, significava navegar por águas desconhecidas, e o senador decidiu dissimular a sua imagem socialista apresentando-se como um Reagan contemporâneo. [ xi ] Após ser eleito, o presidente Obama foi mais longe, exibindo-se como um Lincoln dos dias de hoje [ xii ] ou como um novo Teddy Roosevelt [ xiii ].

Os discursos de auto-promoção foram outra arma da glasnost. Os discursos da glasnost de Lenin mudaram tanto o Marxismo que os seus seguidores acabaram por chamá-lo de “Leninismo”. Stalin colocou o Marxismo, o Leninismo,  a dialética de Hegel e o materialismo de Feuerbach num mesmo balaio de glasnost e criou o seu próprio “Marxismo-Leninismo-Stalinismo”.

Os discursos da glasnost de Ceausescu eram uma ridícula mistura de Marxismo, nacionalismo e adulação bizantina chamada Ceausismo. Todos os seus discursos eram focados em Ceausescu, e todos eram tão escorregadios, indefinidos e inconstantes que ele encheu 24 volumes dos seus trabalhos reunidos sem ser capaz de descrever o real significado do Ceausismo. Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlin caiu, sinalizando o fim do Império Soviético. No dia 14 de novembro, Ceausescu convocou o XIV Congresso do Partido Comunista no qual fez um discurso de glasnost de quatro horas que convenceu os participantes a reelegerem a ele e à sua iletrada esposa como líderes da Romênia.

Os discursos de glasnost funcionam para quem não sabe o que a glasnost realmente significa. Eles também funcionaram para o presidente Obama. Nos seus primeiros 231 dias na Casa Branca, ele fez 263 discursos. [ xiv ] Todos eram, basicamente, sobre ele mesmo. [ xv ] O seu discurso State of Union de 2010 exibiu a palavra “Eu” 76 vezes. Em 2011, quando anunciou a morte de Osama bin Laden pelas forças americanas, o presidente Obama usou as palavras “Eu”, “mim” e “meu” 13 vezes combinadas num discurso de apenas 1300 palavras. [ xvi ] “Eu mandei o diretor da CIA… Eu me reuni repetidamente com a minha equipe de segurança nacional… Eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para agir… Sob a minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra o Complexo de Abbottabad, no Paquistão”. [ xvii ] O discurso State of Union de 2012 do presidente Obama continha a palavra “Eu” 45 vezes, e a palavra “mim” 13 vezes. Na ocasião, ele estava na Casa Branca fazia 1080 dias, e havia feito 726 discursos. [ xviii ]

Em 2011, quando a agência S&P rebaixou a taxa de crédito dos Estados Unidos pela primeira vez na história do nosso país, o presidente Obama fez outro discurso. Foi um bom discurso, tão bom quanto um discurso pode ser – ele é um excelente orador. Mas aquele discurso foi tudo o que o presidente Obama fez. Por isso, o débito nacional aumentou, e o custo de garantia contra a inadimplência aumentou de uma base de 25 para 55 pontos.

Logo após o bárbaro assassinato do embaixador J. Christopher Stevens e três dos seus subordinados dentro do nosso posto diplomático em Benghazi, cometido na emblemática data de 11 de setembro por terroristas islâmicos assumidos, o presidente Obama fez outro discurso. Foi outro bom discurso, mas discursos não detêm o terrorismo. O subsequente ataque terrorista de 2013 na Maratona de Boston foi seguido por mais um discurso presidencial. “Extremistas domésticos. Este é o futuro do terrorismo” proclamou o presidente. Tudo o que tínhamos a fazer era fechar Guantânamo e realizar uma ligeira alteração no modo como os drones eram usados.

Poucos meses atrás, quando o governo terrorista da Síria matou cerca de 1300 pessoas com armas químicas, o presidente Obama fez diversos discursos. Mas discursar foi a sua única atitude, e isto permitiu à KGB de Putin, agora instalada no Krenlim, assumir o controle da nossa política em relação à Síria. Poucos dias atrás, quando o website do Obamacare fechou, o presidente reagiu com mais um discurso, garantindo ao país que o Obamacare “está funcionando excelentemente. Em alguns casos, na verdade, supera as expectativas”. Na opinião do jornalista do Washington Post, Ezra Klein, o discurso era quase idêntico ao que ele poderia ter feito se o lançamento de um produto tivesse ocorrido sem problemas. Ele estava certo. Foi apenas outro discurso à glasnost.

Por fim, há a tendência atual de transformar os EUA em um monumento estilo glasnost ao seu líder. Mostro abaixo uma lista de instituições e locais já nomeados em homenagem ao presidente Obama:

California: President Barack Obama Parkway, Orlando; Obama Way, Seaside; Barack Obama Charter School, Compton; Barack Obama Global Preparation Academy, Los Angeles; Barack Obama Academy, Oakland.

Florida: Barack Obama Avenue, Opa-loka; Barack Obama Boulevard, West Park.

Maryland: Barack Obama Elementary School, Upper Marlboro.

Missouri: Barack Obama Elementary School, Pine Lawn.

Minnesota: Barack and Michelle Obama Service Learning Elementary, Saint Paul.

New Jersey: Barack Obama Academy, Plainfield; Barack Obama Green Charter High School, Plainfield.

New York: Barack Obama Elementary School, Hempstead.

Pennsylvania: Obama High School, Pittsburgh.

Texas: Barack Obama Male Leadership Academy, Dallas.

Não quero dizer que o presidente Obama seja um Putin ou Ceausescu. O presidente é certamente ele mesmo – bem educado, bem falante, carismático e agradável. Pertence a uma minoria, como eu também pertenço a outra minoria. Mas ele aparentemente caiu no canto da sereia socialista e da glasnost, como eu mesmo e milhões de outros como eu em todo o mundo também caímos naquela idade da vida.

Os Estados Unidos venceram a Guerra Fria porque Ronald Reagan foi eleito presidente bem depois de ter se purgado de uma passageira paixão socialista. Foi então capaz de identificar a glasnost de Gorbachev como a fraude política que realmente era, e assim conseguiu vencê-la. Vamos torcer para que o presidente Obama faça o mesmo.

Em novembro de 2014 enfrentaremos, na minha opinião, as mais importantes eleições da história americana. Aparentemente, os eleitores decidirão quais dos dois principais partidos políticos controlará o Congresso dos EUA. Na realidade, o eleitor decidirá entre manter o nosso país como o líder do mundo livre ou transformá-lo numa irrelevância glasnost.

O PJ Media está unindo forças com o WND (o editor de Disinformation) para ajudar os seus leitores a adquirir o conhecimento para falar franca e abertamente – os inimigos a serem derrotados são o socialismo e a glasnost.

*

Fontes:
[ i ] Glasnost, Britannica Concise, as published on http://concise.britanica.com/ebc/article-9365668/glasnost.
[ ii ] http://dictionary.reference.com/browser/glasnost.
[ iii ] Tolkovyy SlovarRusskogo Yazyka (Explanatory Dictionary of the Russian Language), ed. D.N. Ushakov (Moscow: “Soviet Encyclopedia” State Institute, 1935), Vol. I, p. 570.
[ iv ] http://www.youtube.com/watch?v=oQNkVmdicvA
[ v ] James Joyner, “Obama Che Guevara Flag Scandal,” Outside the Beltway, February 12, 2008, as posted at http://www.outsidethebeltway.com/archives/2008/02/obama_che_guevara_flag_scandal/.
[ vi ] David S. Broder, “Obama’s Enigma,” The Washington Post, July 13, 2008, p. B7.
[ vii ] John Barron, KGB: The Secret Work of Soviet Secret Agents (New York: Reader’s Digest Books, 1974, reprinted by Bantam Books), p. 429.
[ viii ] Zhores Medvedev, Gorbachev. New York: Norton, 1987, p. 37.
[ ix ] Mikhail Gorbachev, Perestroika: New Thinking for Our Country and the World (New York: Harper & Row, 1987), passim.
[ x ] Peter Kinder, “Missourians Reject Obama
[ xi ] Jonathon M. Seidl, Obama Compares Himself Tom Reagan: Republicans Aren’t Accusing Him Of ‘Being Socialist’”, The Blaze, October 5, 2011.
[ xii ] Alexandra`Petri, Obama is up there with Lincoln, Roosevelt, and Johnson,” The Washington Post, December 12, 2011, PostOpinions.
[ xiiii ] David Nakamura, “Obama invokes Teddy Roosevelt in speech attacking GOP policies, The Washington Post, December 6, 2011.
[ xiv ] “How Many Speeches Did Obama Give,” newswine.com, July 16, 2010, as posted on http://joysteele.newswine.com/_news/2010/07/16/4691800-how-many-speeches-did-obama-give.
[ xv ] Thomas Lifson, “Obama’s troop withdrawal speech: when politics triumphs victory,” American Thinker, June 23, 2011.
[ xvi ] “Right-Wing Media Fixated On Obama’s “Shamless” Bin Laden Speech,” MEDIAMATTERS, May 3, 2011(http://mediamatters.org/research/201105030031).
[ xvii ] George Landrith, “The ‘it’s all about me’ president,” The Daily Caller, May 5, 2011, as posted on http://dailycaller.com/2011/05/03/the-its-all-about-me-president/
[ xviii ] http://wiki.answer.com/Q/How_many_speeches_did_Obama_give (as searched in January.)

***

Vada a bordo!

Na noite de 13 de janeiro de 2012, o navio Costa Concórdia bateu numa pedra e adernou. Com medo, o capitão fugiu. O comandante da Guarda Costeira gravou os telefonemas nos quais manda o covardão reassumir o posto. Em fúria, grita:

– Vada a bordo! Volte para bordo! Já há cadáveres!!

Hoje, é Cristo quem grita: volte para bordo, volte para a Barca de Pedro, retome a sua batalha espiritual, já há cadáveres – os milhares de cadáveres dos brasileiros assassinados por ano, dos abortos, dos suicidas, das vidas destruídas dos drogados…

Você não vê o tamanho do buraco? Não vê que a crise mundial coincide com a própria crise da Igreja? Não vê que vivemos a civilização do conforto (ou da indiferença – é a mesma coisa) justamente o oposto da civilização do amor querida por Bento XVI? Nâo vê que a sua inação vai prestar contas destes mortos?

A Igreja está invadida – Maria avisou em Fátima: cuidado com a Rússia – por marxistas infiltrados (os padres pedófilos, os auto-proclamados teólogos da libertação). Se um bandido invadir a sua casa, o que você faz? Deixa ele lá e vai morar na rua? A Igreja é a sua casa, invadida por ladrões, tarados, assassinos e traficantes, e é seu dever expulsá-los a pontapés.

E como é que faz? Em primeiro lugar, santidade pessoal, pois a História é feita pelos santos (Gn 16, 26), com oração e penitência, confissão e comunhão – caso contrário, é hipocrisia. Depois, estudar para conhecer a realidade das coisas e poder AGIR – isso mesmo, o importante é lutar!

Veja o exemplo do Zé. Ouvia Missa e o padre elogiou o abortista e criptocomunista Barack Hussein Obama. Zé não teve dúvidas: finda a cerimônia, foi tirar satisfações com o sacerdote de satanás na sacristia. Ante a resoluta catadura de Zé, o padre balbuciou uma desculpa e se mandou, para nunca mais ser visto por lá.

Entendeu bem? É assim que se faz: pé no traseiro destes canalhas! Chega de bom-mocismo com comunista, chega de andar abraçado com traficante, chega de diálogo com estuprador. Aliás, os comunistas riem da sua ingenuidade burguesa.

Ah! isso é exagero, estas palavras não são para mim, eu sou filho da Igreja, não roubo, não minto, não traio…

“Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda.”

Mas Cristo vocifera: hipócrita, sepulcro caiado, as prostitutas entrarão no Céu antes de você! Em fúria, grita:

– Já há cadáveres! Vada a bordo!

***

O Concílio Amordaçado

O Concílio Vaticano II começou no dia 11 de outubro de 1962. Foi um Concílio amordaçado; amordaçado pelo maldito pacto de Metz, acordo pelo qual o Concílio silenciaria sobre o comunismo em troca da participação de alguns observadores da Igreja Ortodoxa Russa em nome do “ecumenismo”.

As consequências deste silêncio são sentidas por nós até hoje: na América Latina, sob o véu deste silêncio cúmplice, a Teologia da Libertação nasceu, lançou profundas raízes e vai muito bem, obrigado.

O que resta ao católico brasileiro, a mim, a você, cara leitora, caro leitor, pessoas de bem, pessoas simples e sem poder, interessadas no bem comum, inquietas pela pasmaceira que tomou conta da Igreja no Brasil frente ao mal causado aos nossos irmãos indefesos? O que fazer para expulsar da Igreja estes ateus disfarçados de padres?

O de sempre, o mesmo norte que orientou os santos: orar e se sacrificar, estudar e… agir!

Orar e fazer penitência são ensinamentos tirados da própria vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. E repetidos inúmeras vezes por Maria em suas aparições.

Estudar é necessário para não agirmos loucamente e trabalharmos inocentemente para o inimigo. Temos que ter a plena consciência da nossa atuação histórica. Caso contrário, seremos mais alguns inocentes úteis, que faziam a alegria de Lênin. O Catecismo está aí, os ensinamentos de Olavo de Carvalho estão aí, estão aí os combativos padres Paulo Ricardo e Lódi, não falta material de estudo.

E… agir!

Mas quem sou eu, sem dinheiro, sem influência, lutando para pagar as contas, no país do juros mais altos do mundo, da tarifa telefônica mais alta do mundo, da maior carga tributária do mundo, da maior taxa de criminalidade do mundo?

Deus não nos pede impossíveis. Só nos pede para fazermos o que pudermos dentro das nossas possibilidades. Não pense em mudar o mundo, este pensamento é totalitário. Pense em mudar, em primeiro lugar, a você mesmo e em segundo lugar em atuar no seu círculo de relacionamentos.

Veja, por exemplo, a atitude do meu amigo Zé. Ao ouvir um padre numa homilía tecer elogios ao abortista e criptocomunista Barack Hussein Obama, Zé não teve dúvidas: interpelou o sacerdote na sacristia. O padre, ante a resoluta catadura do meu amigo, balbuciou uma desculpa e se mandou, para nunca mais ser visto por lá.

Este padre já prestou contas a Deus. Tenho certeza que, na sua batalha final, valeu mais a dura reprimenda de Zé do que os silêncios cúmplices e covardes de tanta gente que o ouviu e calou por comodismo.

Vamos seguir o exemplo do meu amigo. Vamos agir para livrar a nossa Igreja destes invasores. Ela é nossa, pertence aos homens e mulheres de bem.

– Santa Maria, Mãe da Igreja, rogai por nós!

* * *

O Escudo e a Espada de Obama

O artigo abaixo, de Paul Kengor e Ion Mihai Pacepa, foi publicado no The American Spector em 29 de maio de 2013.

Paul Kengor é professor de ciências políticas, diretor executivo do Center for Vision and Values do Grove City College e escritor. É  autor do livro Dupes: How America’s Adversaries Have Manipulated Progressives for a Century.

O general Ion Mihai Pacepa é o mais alto oficial de inteligência a desertar do antigo bloco soviético. O seu livro Red Horizons foi traduzido em 27 idiomas. O seu novo livro, Disinformation, em coautoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pelo WND Books em junho de 2013.

O Escudo e a Espada de Obama

O nosso presidente tem um ouvido defeituoso, não graças à KGB.

Diga que somos anti-comunistas obcecados. Pode nos chamar de teóricos da conspiração. Diga que talvez tenhamos passado muito tempo vivendo e estudando a Guerra Fria. Seja como for, este é o nosso trabalho, e não podemos deixar de observar estas coisas.

Ao ouvir o presidente Obama falar sobre terrorismo na semana passada, ficamos surpresos ao ouvi-lo dizer que os EUA precisam de um programa anti-terrorista que seja a nossa espada e o nosso escudo. Vindas de um presidente americano, foi uma espantosa escolha de palavras. Você se lembra do emblema da KGB? Talvez não, mas nós lembramos. Um de nós (Pacepa) trabalhou durante duas décadas para a KGB como um dos seus mais altos oficiais de inteligência/militar/política em todo o bloco soviético, e pagou a sua liberdade com duas sentenças de morte. O emblema da KGB era uma espada e um escudo simbolizando os seus dois deveres: colocar os inimigos do país sob a espada e, com o escudo, proteger a revolução comunista.

Quando, pela primeira vez, ouvimos as palavras do presidente Obama, pensamos ter ouvido mal, e aguardamos o texto escrito do discurso. Eis o texto, conforme publicado no Wall Street Journal após o pronunciamento:

“A nossa vitória contra o terrorismo não será medida por uma cerimônia de rendição em um navio de guerra, ou por uma estátua sendo erguida em terra firme. Será medida por pais levando os filhos para a escola, imigrantes chegando às nossas terras, fãs de esportes jogando bola, veteranos iniciando negócios, ruas cheia de gente. A tranquila determinação, a força de caráter e os laços de solidariedade, o dizer não ao medo – estas são a nossa espada e o nosso escudo.”

Repetindo: a espada e o escudo são bem conhecidos como o emblema da KGB. Para dar apenas um exemplo, muitos leitores deste site estão familiarizados com o clássico trabalho sobre os arquivos da KGB, The Sword and the Shield: The Mitrokhin Archive and the Secret History of the KGB.

Por certo, isto pode ser uma simples e espantosa coincidência da parte do nosso presidente. Se for, perdoe-nos por estabelecer uma ligação ou mesmo por permitir um mero pensamento. Publicamente, podemos alegar que isto não passa de uma coincidência. É uma afirmação geral. Mas também é o emblema da KGB. Uma busca no Google sobre “espada e escudo” rapidamente conduz a uma entrada na Wikipédia, que corretamente lista o emblema da KGB entre as principais referências.

Infelizmente, estamos tristemente condicionados – pelo próprio presidente Obama – em notar estas estranhas e frequentes coincidências. Este é um homem que empregou o seu primeiro mandato engajando-se na retórica de luta de classes mais estridente que já ouvimos de um presidente americano. Ele demonizou lucros, corporações, Wall Street, executivos e gatos gordos, ricos, milionários e bilionários, petrolíferas, bancos e bitter-clingers (nota do tradutor: referência a um discurso de Obama durante a campanha de 2008, no qual ele se refere a americanos “amargurados (= bitter) que se apegam (cling) a armas ou à religião ou à antipatia por pessoas que não são como eles ou a sentimentos contra imigrantes ou a sentimentos anti-comerciais como uma forma de explicar as suas frustrações”), enquanto elogiava redistribuição de riqueza, estímulos governamentais, gestão governamental, centralização de governo e mais e mais. A maior parte deste discurso era retória socialista padrão. E então, para slogan da reeleição de 2012, o presidente e seus assessores escoheram o antigo grito de guerra comunista mundial “Avante!”

Por isso, perdoe-nos por sermos sensíveis demais a estas palavras.

Desinformação – De Bengasi ao Terrorismo Nuclear

O artigo abaixo, do general Ion Mihai Pacepa, foi publicado no WorldNetDaily em 25 de junho de 2013.

Desinformação – De Bengasi ao Terrorismo Nuclear

Ion Mihai Pacepa, ex-chefe de espionagem comunista, revela o pior escândalo de Obama

O general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente do bloco soviético que obteve asilo político nos EUA. O seu novo livro, Disinformation, em coautoria com o professor Ronald Rychlak, foi publicado pela WND Books em 25 de junho de 2013.

A politização sem precedentes do IRS (Internal Revenue Service) à moda soviética foi, dentre todos os escândalos que infestam a administração Obama, o que maior indignação popular causou, pois muita gente sentiu na pele a arrogância da IRS.

Entretanto, muito mais importante é o encobrimento da verdade sobre o bárbaro assassinato do embaixador J. Christopher Stevens e de três dos seus subordinados dentro do nosso posto diplomático em Bengasi, cometido na emblemática data de 11 de setembro.

Por que digo isto? Na minha antiga vida como comandante-chefe de espionagem do bloco soviético, passei anos observando, a partir de um ponto de vista privilegiado e exclusivo, como um tipo de maldade rapidamente leva a outra maldade muito maior. Acredito que Bengasi é o escândalo da presidência Obama.

Para resumir: descrevendo de forma enganosa o ato de guerra cuidadosamente preparado contra os EUA como um caso de “violência espontânea”, esta administração provou que não está disposta e nem é capaz de defender o nosso país e as nossas vidas contra o terrorismo externo, que – e aqui está a parte crítica – está agora muito perto de ter armas nucleares para lançar contra nós.

James Woolsey, ex-diretor da Central de Inteligência, publicou recentemente um artigo no Wall Street Journal documentando como os EUA se tornaram tão vulneráveis ao terrorismo internacional, a ponto de até mesmo o ridículo governo norte-coreano poder denotar uma pequena arma nuclear sobre o território americano.

“A Coréia do Norte só precisa de um míssil balístico intercontinental capaz de transportar um única ogiva nuclear para se tornar um perigo real para os EUA” escreveu Woolsey, juntamente com Peter Pry, diretor executivo da Task Force na National and Homeland Security. “A Congressional Electromagnetic Pulse Commission, a Congressional Strategic Posture Commission e diversos estudos do governo americano demonstraram que a detonação de uma arma nuclear sobre qualquer parte do território americano geraria um pulso eletromagnético catastrófico.”

Uma única explosão – algo que a Coréia do Norte é realmente capaz de fazer – constituiria um ataque por pulso eletromagnético capaz de, nas palavras do nosso ex-chefe da CIA, “causar um colapso na rede elétrica e na infraestrutura dela dependente – comunicações, transportes, sistema financeiro, comida e água – necessárias para manter a sociedade moderna e as vidas de 300 milhões de americanos.”

Outra análise bem feita, recém-publicada no Weekly Standard, confirma que em meados de 2014, o fanático e anti-americano governo terrorista do Irã provavelmente será capaz de enriquecer urânio e plutônio de forma tão rápida que os EUA não conseguirão detê-lo militarmente. Quando um regime insano e metastático – obcecado pela destruição (em primeiro lugar) do “Pequeno Satã”, Israel, e (em seguida) do “Grande Satã” (EUA) – tiver um arsenal nuclear, estaremos realmente vivendo em um mundo muito diferente e incerto.

Quando eu era conselheiro de segurança nacional do presidente da Romênia comunista, uma das minhas principais tarefas, era, ironicamente, impedir a ação terrorista. A prevenção, é claro, era muito mais fácil numa ditadura cruel onde a polícia política desfrutava de poder ilimitado. Entretanto, experiências recentes provam o bom funcionamento da prevenção nos EUA. A Heritage Foundation noticiou em 2008 que cerca de 40 ataques terroristas foram evitados desde 11 de setembro de 2001.

Infelizmente, em 2009, por razões sobre as quais podemos apenas especular, a administração Obama descartou a frase “guerra contra o terrorismo” do seu vocabulário, reclassificando um bem sucedido ataque terrorista no território americano (Fort Hood) como “violência no local de trabalho” e abandonou inúmeras medidas anti-terrorismo adotadas após o 11 de setembro. Marc A. Thiessen, colunista do Washington Post, observou: “No seu segundo dia no cargo, Obama encerrou o programa de interrogatório da CIA. (…) Num discurso no National Archives, Obama eviscerou os homens e as mulheres da CIA, acusando-os de “tortura” e declarando que o trabalho deles ‘não ajudou na nossa guerra e nos nossos esforços contra o terrorismo – eles os enfraqueceram.’”

Voltando a 2012: “bin Laden está morto e a General Motors está viva” se tornou um dos mais vibrantes slogans da campanha de reeleição de Obama. A mensagem: o terrorismo e a Al-Qaeda estão derrotados; portanto, reeleja-me. Se a administração tivesse admitido que o embaixador Stevens e os seus três subordinados foram mortos por terroristas dois meses antes da eleição, o slogan mais real da campanha de Obama exporia publicamente o absurdo que realmente era.

Como todos sabem, durante semanas, a administração – incluindo o próprio presidente Obama nas Nações Unidas – bizarramente jogou a culpa por toda a confusão, morte e destruição de Bengasi em uma paródia islâmica no YouTube assistida por pouca gente.

Após o atentado a bomba na maratona de Boston – cujos resultados foram a paralisia de uma das maiores cidades dos EUA, três americanos mortos e cerca de 200 feridos, muitos deles gravemente – o presidente Obama, sob pressão do Congresso, tratou do perigo do terrorismo em um discurso de uma hora no dia 23 de maio. Foi um bom discurso, como os discursos costumam ser, exceto pelo fato de que ele sequer ter mencionou a ameaça real enfrentada hoje pelo nosso país – o risco crescente do terrorismo nuclear – e, em vez disto, menosprezou o perigo de um futuro terrorista. “Extremistas regionais. Este é o futuro do terrorismo” proclamou o presidente. Tudo o que precisamos fazer realmente é fechar Guantânamo e efetuar uma leve mudança no modo como usamos drones.

Com o devido respeito, tenho que contrariar o presidente Obama. O terrorismo anti-americano atual não foi gerado nos EUA. Foi concebido 48 anos atrás em Lubianka, quartel-general da KGB, e tem sido levado a cabo por fascistas islâmicos armados com granadas soviéticas propelidas a foguete, Kalashnikovs e coquetéis Molotov – incluindo os terroristas responsáveis pela morte do embaixador Stevens.

Infelizmente, eu testemunhei o nascimento do terrorismo anti-americano. Anos atrás ouvia o general Aleksandr Sakharovsky, chefe da espionagem estrangeira da União Soviética, pontificar que a nossa maior arma contra o nosso “principal inimigo” (os EUA) deveria ser, a partir de então, o terrorismo, pois as armas nucleares haviam tornado obsoleta a força militar convencional.

Conheci bem Sakharovsky – ele foi conselheiro chefe da inteligência soviética para a Romênia durante cinco anos. A sua aparência não era a de uma pessoa cruel, mas o terrorismo era a sua solução favorita para problemas políticos; durante os seus anos de atuação na Romênia, instigou a matança de cerca de 50 mil anti-comunistas. Depois, Sakharovsky serviu 16 anos – período sem precedentes – como chefe do serviço de inteligência estrangeiro da União Soviética (1956-1972), tempo durante o qual espalhou o terrorismo anti-americano pelo mundo.

Em 1969, Sakharovsky tranformou o sequestro de aviões – a arma escolhida para  o 11 de setembro – em terrorismo internacional. Em 1971, lançou a Operação Tayfun (palavra russa para “tufão”), destinada a transformar o antigo ódio mundial contra os nazistas em um ódio contra os EUA, o novo “poder de ocupação”. Sakharovsky até mesmo estabeleceu uma “divisão socialista de trabalho” com o objetivo de criar e armar organizações terroristas anti-americanas em todo o mundo – a qual chamou “combatentes da liberdade”.

Em meu novo livro, Disinformation, em coautoria com o professor Ronald Rychlak, explico bem tudo isso, em seus diversos aspectos. Aqui, quero brevemente afirmar que o sucesso das operações terroristas de Sakharovsky encorajaram o seu superior, Yuri Andropov, chefe da KGB, a – como costumava dizer – “transformar todo o mundo árabe em um explosivo inimigo dos EUA” recorrendo ao anti-semitismo, arma emocional manejada com sucesso por vários ditadores ao longo do tempo.

A máquina de desinformação de Andropov, naquele tempo estimada em mais de 1 milhão de pessoas (detalhadamente descrita em nosso livro), não mediu esforços para convencer o mundo islâmico de que os EUA eram um país sionista em guerra comercial, financiado pelo dinheiro judeu e administrado por um ávido “Conselho dos Sábios de Sião” – epíteto de Andropov para o Congresso americano.

O objetivo desta imensa operação de desinformação era fazer o mundo islâmico temer que os EUA pudessem tranformar o resto do mundo em um feudo judeu. A manobra de Andropov funcionou. É só lembrar a tomada islâmica da embaixada americana em Teerã em 1979, o atentado a bomba ao quartel dos marines em Beirute em 1983, o sequestro do Achille Lauro em 1985, o ataque terrorista ao World Trade Center em 1993, a destruição das embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia em 1998 e os catastróficos ataques de 11 de setembro.

O sucesso de Andropov fez dele o primeiro oficial da KGB a sentar no trono do Kremlin e a ter o seu escritório na KGB transformado em santuário.

Quando Andropov e a sua União Soviética se foram, uma nova geração de russos lutou para dar àquele país feudal uma nova identidade. Mas o ódio pelos EUA introduzido no mundo islâmico pela KGB de Andropov ainda está vivo e se espalhando.

Na minha outra vida, no topo da inteligência do bloco soviético – o serviço de inteligência estrangeiro romeno (DIE) – eu gerenciava extensas redes de inteligência no mundo islâmico, e conheci muito bem aquela região. O seu povo não odiava os EUA. Milhões deles ainda hoje esperam na fila para serem aceitos nos EUA porque admiram este país. Apenas alguns poucos líderes fanáticos fascistas islâmicos, devido à sua imensa raiva contra esta grande nação de liberdade, sonham em destruí-la.

O prolongado ódio destes líderes islâmicos fanáticos pelos EUA e o fantasma de que consigam poder nuclear mostram, no meu ponto de vista, que é o momento para os líderes do nosso Congresso e dos nossos partidos Democrata e Republicano esquecerem os belos discursos do presidente Obama e começarem a construir uma política única para vencer a guerra contra a praga do terrorismo.

É importante, além de esclarecer totalmente a verdade sobre Bengasi, tomarmos medidas para evitar novos desastres terroristas. A competição pode ser o motor do progresso americano, mas, em tempo de guerra, é a união que faz dos EUA o líder do mundo.

Não sei como deve ser a nova polítca anti-terrorista americana. Na realidade, ninguém em nosso país sabe. Sei, entretanto, como o terrorismo anti-americano foi gerado, e recomendo fortemente, à administração atual e ao Congresso, a análise séria do relatório National Security Council Report 68, do presidente Truman (NSC 68/1950), que definiu a estratégia de contenção e se tornou a nossa principal arma durante a Guerra Fria.

Este documento de 58 páginas não joga a culpa pela Guerra Fria em vídeos do YouTube. Descreve os desafios dos EUA em termos desastrosos.

“Os problemas que enfrentamos são graves”, diz o documento, “envolvendo a sobrevivência ou a destruição não apenas desta República mas da própria civilização”. Assim, definiu uma estratégia política “de dois dentes”: 1) poder militar superior e 2) uma “Campanha da Verdade”, definida como “uma luta, acima de tudo, pelas mentes dos homens”. A propaganda usada pelas “forças do comunismo imperialista” só podia ser derrotada, argumentou Truman, pela “verdade plena, absoluta e simples”. A Voice of America, a Radio Free Europe e a Radio Liberation (logo em seguida chamada de Radio Liberty) tornaram-se parte da “Campanha da Verdade” de Truman.

Esta mesma estratégia “de dois dentes” – superioridade militar total e uma resoluta campanha pela verdade absoluta – permitiu aos EUA vencerem o comunismo, e é hoje igualmente essencial se quisermos assumir a posição de controle em um ameaçador mundo de terrorismo nuclear inimaginável.

 

%d blogueiros gostam disto: