Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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São Francisco de Assis

São Francisco de Assis é uma das maiores figuras da história da humanidade. Converteu-se aos 24 anos de idade, faleceu aos 44, e, neste meio-tempo, dedicou-se a perscrutar e a fazer a vontade de Deus, numa divina disputa de amor, onde, à medida em que mais conhecia e mais fazia a vontade de Deus, mais era por Ele recompensado com mais amor, mais sabedoria e mais felicidade. Por seguir o ensimento de Cristo “como algúém pode amar a Deus, a quem não vê, se não ama o seu irmão, a quem vê?” ficou conhecido por sua extrema caridade, extensiva às coisas criadas, natureza e animais. A sua festa, no dia de hoje, é também a festa dos animais.

Por isso, é um santo particularmente querido mesmo por aqueles refratários à Igreja.

Conheço muita gente que, compreensivelmente, prefere a companhia dos animais à dos homens.

Compreensivelmente porque as coisas vão muito mal mesmo. Traições, deslealdades, rasteiras, facada nas costas, ingratidões, indiferenças, invejas – barbaridades das quais todo brasileiro é vítima diuturna.

Tudo isso nos leva a pensar no nosso papel de cristãos. Etimologicamente, cristão significa seguidor de Cristo, ou seja, alguém disposto a fazer o que Cristo fez, a dar a vida pelos irmãos. Quantas pessoas você conhece que, num momento extremo, estão dispostas a dar a vida por você?

Hein?!

Nenhuma?

Então você não conhece nenhum cristão!

***

Três Homens Bons

Riobaldo, apelidado de Tatarana por sua habilidade em atirar, é o principal personagem de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Num episódio do romance, participa da preparação para uma batalha. O chefe dos jagunços explica como vai ser o confronto e conclui dizendo que precisa de alguns homens de confiança ao lado dele no momento crítico, no calor da batalha. “Riobaldo, Tatarana, tu vem. Lugar nosso vai ser o mais perigoso. Careço de três homens bons, no próximo do meu cochicho.”

Lembrei-me desta passagem ao meditar sobre a vida de São Francisco de Assis.

Na época de São Francisco, a Igreja também passava por momentos críticos. Deus pediu ao santo que A restaurasse. O Senhor viu nele um homem bom, merecedor da Sua confiança para lutar a difícil luta de reconstruir o Edifício Espiritual. Na sua simplicidade, Francisco interpretou o pedido literalmente e pensou em reformar a igreja onde rezava. Só mais tarde percebeu a imensidão do encargo.

Hoje está chegando ao Brasil outro Francisco, outro homem bom, com uma delicada missão. Os católicos, bem como os nossos irmãos separados, passam por perseguições de todo o tipo, no mundo todo. Pior ainda, o inimigo está dentro; tomou forma na pele de marxistas (leia-se ateus) para quem a Igreja é uma instituição como outra qualquer, um sindicato ou um clube de futebol, alvo das suas maquinações – Maria avisou em Fátima: “Cuidado com a Rússia”. O Papa Francisco, em pouco tempo, já mostrou serviço. Se a tarefa é imensa, o argentino não tem medo dela.

Um Francisco – o santo -, outro Francisco – o Papa – … e o terceiro homem bom, quem é?

Ué!? Está na cara: tem que ser eu, tem que ser você, porque querer que alguém enfrente a parada mas não estar disposto a meter mãos à obra é muita folga, não acha? A nossa missão é bem clara: estudar (para não agir loucamente), orar (para entender a vontade de Deus), se sacrificar (para ganhar força) e agir (“pelos frutos os conhecereis” Mt7,20). O que tinha São Francisco a mais do que você e eu? Não podemos imitá-lo na entrega a Deus e na força de vontade e determinação? O que nos prende?

Vou dizer o que nos prende: quando a gente vê de fora a valentia dos santos em situações perigosas, acha muito bonito todas as peripécias, aventuras e ciladas. Mas quando o enredo é conosco, bom, aí a coisa não é tão bonita assim… O medo e o apego às caducas coisas da terra nos prendem. Bem cedo nos fugirão das mãos, ensina São Josemaría.

Hoje, o Edifício está aos cacos. A perseguição aos cristãos recrudesce. O lugar dos católicos é o mais perigoso. O Chefe olha para a força de homens e diz: “Careço de três homens bons. Lugar nosso vai ser o mais perigoso.” E, com esperança e confiança, diz a você:

– Riobaldo, Tatarana, tu vem.

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