Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Pescadores de homens

Quando lemos no Evangelho a frase de Cristo chamando os apóstolos, pensamos que aquilo é um fato histórico longínquo, dirigido aos escolhidos, não tem nada a ver conosco, é para quem tem a vocação de religioso. A nós cabe cuidar das nossas coisinhas e da nossa vida. Os outros que se arranjem lá com o padre. Entretanto, Cristo também deixou bem claro que todos nós somos irmãos e que a caridade é a mais importante das virtudes. Por isso, nós, conhecedores da autêntica felicidade, temos a obrigação de “pescar” os homens para Deus, de aproximá-los da Verdade. Este é o maior bem que podemos fazer aos outros.

Por outro lado, nós somos pessoas comuns, sem vocação para o pastoreio, com o círculo de amizades sempre restrito. Os verdadeiros amigos são raros. São poucas as pessoas com quem podemos ter conversas profundas e sinceras. Temos poucos amigos mas muitos conhecidos, nossos colegas de trabalho, nossos vizinhos, as pessoas com quem travamos relações ocasionais no dia a dia, todos são nossos irmãos. Não podemos fechar os olhos às suas necessidades porque talvez sejamos os únicos cristãos verdadeiros em suas vidas. Temos que dar um jeito de aproximá-los da Verdade também. O que fazer?

Mais uma vez, uma mulher vem em nosso auxílio. Madre Teresa de Calcutá tem uma frase emblemática, um lema para a vida inteira: “Não devemos permitir que ninguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz”. Para isso, basta às vezes um cumprimento, um sorriso, um gesto. Não sabemos o que vai no coração da outra pessoa. Uma simples palavra pode tirá-la do desespero. O segredo para a comunicação é ver no outro a face do Cristo necessitado.

Como a cotovia de Manuel Bandeira, nós, pobres pecadores mas portadores da felicidade cristã, podemos dizer, em nome de Cristo: “sei, no espaço de um segundo, limpar o pesar mais fundo”.

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Madre Teresa

10 de setembro de 1946. No trem noturno para o Himalaia, viajava Agnes. Ao redor, escuridão e dor. “O que fizerdes a um destes pequeninos, foi a Mim que o fizestes.” Naquele momento, ela viu a sua vocação: servir os mais pobres dentre os pobres, aqueles a quem ninguém quer. Adotou o nome de Teresa, Padroeira das Missões. Ficou conhecida pela cidade onde viveu, Calcutá. Teresa de Calcutá, a mãe – madre – de todos.

Dentre tantos ensinamentos que nos deixou, uma frase dá o resumo da sua vida:

“Não devemos permitir que ninguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

Seguíssemos esta norma, a nossa época não seria o século da solidão (João Paulo II), o nosso mundo não seria a civilização do desamor (Bento XVI) e a nossa vida em família seria bem diferente.

Vendo, particularmente, a triste situação da sociedade brasileira, talvez surja a tentação do desalento e do egoísmo. “Eu vou é cuidar de mim… e os outros que se danem” já ouvi muita gente dizer. Equivale a falar “no dia em que todos forem virtuosos, eu também serei” – vai esperar sentado, até o fim do mundo.

O individualismo da sociedade moderna lembra a anedota da festa do vinho numa cidadezinha, onde cada morador contribuía com um litro da bebida, colocado num grande barril coletivo. Um espertinho pensou: vou colocar um litro de água, quem vai notar a diluição em meio a centenas de litros de vinho? No dia da festa, o encarregado abriu a torneira do barril e… só saiu água!

Assim está a nossa sociedade, dando tiro no pé a todo o instante e querendo que no fim das contas as coisas dêem certo; assim anda a sociedade brasileira, onde o egoísmo grassa e a caridade esfriou. Se o desânimo de lutar sozinho abater você, pense nesta outra frase da nossa Madre:

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

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