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O Folheto de Bergonzini

Neste ano de eleições, não podemos esquecer a luta travada por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini na corrida eleitoral de 2010 pela inviolabilidade da vida humana desde a concepção. Por isso, reproduzo o texto do célebre folheto anti-abortista mandado imprimir por Bergonzini naquele ano. A refrega chegou até mesmo a provocar a manifestação do Papa Bento XVI.

A única observação a ser feita no texto, sob o meu ponto de vista, é substituir a expressão “capitalismo internacional” por “meta-capitalismo internacional”. Meta-capitalista é um termo criado por Olavo de Carvalho para definir os bilionários interessados na implantação de um governo mundial socialista.

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Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Reginal Sul 1

Nota da Comissão Episcopal Representativa do Conselho Episcopal Regional Sul 1 – CNBB

A Presidência e a Comissão Representativa dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, em sua Reunião ordinária, tendo já dado orientações e critérios claros para “Votar Bem”, acolhem e recomendam a ampla difusão do “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 que pode ser encontrado no seguinte endereço eletrônico “www.cnbbsul1.org.br”.

São Paulo, 26 de agosto de 2010.

Assinam:

Dom Nelson Westrupp, scj – Presidente do CONSER-SUL 1

Dom Benedito Beni dos Santos – Viceppresidente do CONSER-SUL 1

Dom Airton José dos Santos – Secretário Geral do CONSER-SUL 1

Nós, participantes do 2° Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,

– considerando que, em abril de 2005, no II° Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (n° 45), o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto;

– considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher;

– considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91.

Como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,

– considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2° mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto;

– considerando que, em setembro de 2007, no seu III° Congresso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa;

– considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto;

– considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto – problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional;

– considerando que, em fevereiro de 2010, o IV° Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3° Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto n° 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antissocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País;

– considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República;

– considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto.

RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5° da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de suas convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, dêem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalização do aborto.

Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73a Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010, e a verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de Guarulhos e Taubaté, ligadas à Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, ambos disponíveis no site desse mesmo Regional.

Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB

Rua Conselheiro Ramalho, 726 – Bela Vista – Cep 01325-000 – São Paulo – SP

Tel.: 11 3253.6788 – e-mail: cnbbs1@cnbbsul1.org.br – Site: http://www.cnbbsul1.org.br

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Três Anos Depois…

Em 2010, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, preparou um dossiê sobre a iminente implantação do aborto no Brasil e enviou para o Vaticano. Baseado no estudo de Bergonzini, Bento XVI fez, no dia 28 de outubro daquele ano, três dias antes do segundo turno da eleição presidencial, um pronunciamento no qual deixava bem claro que católico não pode votar em político abortista.

Os católicos brasileiros, entretanto, não ouviram o Papa e elegeram uma representante do Foro de São Paulo.

No aniversário de três anos do histórico pronunciamento de Bento XVI, a consequência da surdez brasileira pode ser vista no banditismo espalhado pela Rodovia Fernão Dias – banditismo revolucionário, desejado, incentivado e criado pelo Foro de São Paulo -, na divisa da capital paulista com a cidade de Guarulhos. Guarulhos, entendeu bem? A cidade de Bergonzini.

Coincidência? Ou um lembrete da Providência?

O pior cego é aquele que não quer ver… o pior surdo, o que não quer ouvir…

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Bento XVI e Bergonzini

“Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas.” – Bento XVI

No dia 28 de outubro de 2010, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial brasileira, quando os abortistas lançavam a ofensiva final para se perpetuarem no Planalto, o Papa Bento XVI entrou na briga. O texto abaixo é o discurso do Papa, dirigido a bispos do Maranhão em visita ao Sumo Pontífice, condenando os políticos que apoiam o aborto.

A participação de um Papa em uma disputa eleitoral foi o acontecimento mais importante da história do Brasil. O texto foi baseado em um dossiê preparado por Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, e contém citações textuais do saudoso bispo.

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DISCURSO DO PAPA BENTO XVI AOS PRELADOS DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (REGIONAL NORDESTE V) EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5. Lendo os vossos relatórios, pude dar-me conta dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. Gaudium et spes, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente má e incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vitæ, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida «não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem,82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. Gaudium et spes 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17 de setembro de 2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baía da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

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fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2010/october/documents/hf_ben-xvi_spe_20101028_ad-limina-brasile_po.html

 

Maria Aparecida

Hoje é dia de Nossa Senhora Aparecida. É dia de agradecer. Gratia plena.

Agradecer pela terra que ela nos deu, por suas belezas naturais – as “belezas sem dono” de Riobaldo – e pela abundância de recursos.

Agradecer pelo povo que deu Villa-Lobos, Gilberto Freyre, Guimarães Rosa e o maior dos poetas – “Só pelo fato de poder ler Manuel Bandeira no original já vale a pena ter nascido brasileiro” (Bruno Tolentino).

Agradecer pelos combativos Olavo de Carvalho, Padre Paulo Ricardo e Padre Lódi. Eu, particularmente, agradeço por Luiz Gonzaga Bergonzini, de quem tive o privilégio de ter sido amigo.

Agradecer pelos incontáveis desconhecidos que ainda lutam pela decência e que ainda conhecem o significado da palavra “Pátria” num país transformado em hospício onde o crime virou norma.

Vamos agradecer enquanto lutamos. Oxalá não ouçamos a frase de Cristo:

– Ué?! Não foram dez os leprosos curados? Só um voltou para agradecer?

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