Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Viktor Frankl e o sentido da dor

Viktor Frankl criou a logoterapia, teoria segundo a qual os problemas psicológicos devem ser resolvidos buscando o sentido da vida. De acordo com Frankl, os acontecimentos, em si, têm importância relativa; muito mais importante é a resposta que damos a eles.

A frase que melhor define a logoterapia é de autoria desconhecida e foi citada por Stephen Covey no prefácio de Priosoners of Our Thoughts, livro de Alex Pattakos.

“Entre o estímulo e a resposta, há um intervalo;

Neste intervalo, reside a liberdade de escolher a nossa resposta;

Na nossa resposta, residem o nosso crescimento e a nossa felicidade.”

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Conheça mais vendo a entrevista A descoberta de um sentido no sofrimento.

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A Única Chance dos Dependentes

Uma ONG holandesa está combatendo o alcoolismo dando trabalho aos alcoólatras e pagando com… cerveja! Segundo a entidade, é melhor dar um trabalho aos dependentes e restringir o seu consumo de bebida do que deixá-los sem emprego e ingerindo destilados prejudiciais.

É a chamada política de redução de danos: dar preservativos para evitar gravidez, seringas para drogados, aprovar alunos incompetentes… e apagar fogo com gasolina!

Todo mundo sabe que um viciado chegou ao fundo do poço pela falta de um sentido para a vida. Todo mundo sabe que só um grande ideal vai poder resgatá-lo. A política de redução de danos pode ser admitida como medida urgente e temporária, e sempre usada como apoio à estratégia principal: dar ao dependente uma razão pela qual lutar. Um ideal que seja maior do que a necessidade física do agente químico, um ideal de santidade, dos santos que fizeram – e fazem! – milagres, ressuscitam mortos e, mediante o amor, conseguem até mesmo reverter a vontade de Deus.

Mas ninguém dá o que não tem, e é por este motivo que a maior parte – não todas! – das campanhas e das entidades dedicadas à recuperação de viciados não funciona.

O sentido da vida está, inevitavelmente, unido à religião. Se não existe Deus, a existência perde a razão de ser, passa a valer a lei do mais forte e a busca do prazer a qualquer custo. Diga-se de passagem, Viktor Frankl ensinou que o prazer não pode ser buscado em si, pois é um subproduto derivado do cumprimento do dever; quanto mais desejado, mais se distancia.

Portanto, os tratamentos que deixam de lado a religião e se baseiam unicamente em remédios e técnicas psicológicas alheias à fé estão fadados ao fracasso. Vale a pena meditar na frase da Escritura:

– Sem Mim, nada podeis fazer.

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Seô Habão

No romance Grande Sertão: Veredas, o principal protagonista é Riobaldo, raso jagunço atirador, que depois vira chefe. O bando dele passava pelas terras de Seô Habão, fazendeiro avarento. Riobaldo observa o homem e compara a luta dos jagunços com a vida mesquinha do fazendeiro, cuja cobiça reduzia toda a criação a coisas a seu serviço.

Os jagunços destemidos, arriscando a vida, que nós éramos; e aquele seô Habão olhava feito o jacaré no juncal: cobiçava a gente para escravos!

A vida é feita de escolhas, disse Viktor Frankl. Entre o estímulo e a resposta há um intervalo; neste intervalo, reside a liberdade de escolher a resposta; na resposta, reside a nossa felicidade.

Ao responder à vida, seô Habão escolhera a cobiça, a avareza, a mesquinharia, o dinheiro a qualquer custo. Como consequência, colheu a frieza do olhar (ele conservava os olhos sem olhar, num vagar vago, circunspecto) e colheu a frieza da voz (e ouvir ele acrescentar assim, com a mesma voz, sem calor nenhum, deu em mim, de repente, foram umas nervosias). Habão reduzia as pessoas a animais, tratava os empregados como se fossem juntas de bois em canga, criaturas de toda proteção apartadas. Cada pessoa, cada bicho, cada coisa obedecia. Nós íamos virando enxadeiros. Tudo se encaixava nos seus tristes cuidados domésticos (E ele cumpria sua sina, de reduzir tudo a conteúdo).

(A expressão “triste cuidados domésticos” é uma frase de Saint-Exupéry, no livro Terra dos Homens, para definir o curto alcance de visão e a falta de ideais.)

Zeca Pagodinho resumiu bem a influência do dinheiro na vida das pessoas “Quando você tem mais poder de grana, a religião fica um pouco de lado. Quanto mais rico, mais descrente.”

Ou, como diz o meu amigo Zé, “quando você encontrar um rico feliz, me mostre, porque eu ainda não vi nenhum”.

Rumo à caduca felicidade deste mundo, Habão se afastava da felicidade eterna. Calculava, conservava e juntava. Certamente, pensava Oh, alma minha, come, bebe e regala-te pois tens bens juntados para muitos anos.

Mas Cristo lhe diz: Habão, seu bobão, quando você morrer, os bens que juntastes, para quem ficarão?

– Esta noite darás conta da tua alma.

 

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