Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Madre Teresa

10 de setembro de 1946. No trem noturno para o Himalaia, viajava Agnes. Ao redor, escuridão e dor. “O que fizerdes a um destes pequeninos, foi a Mim que o fizestes.” Naquele momento, ela viu a sua vocação: servir os mais pobres dentre os pobres, aqueles a quem ninguém quer. Adotou o nome de Teresa, Padroeira das Missões. Ficou conhecida pela cidade onde viveu, Calcutá. Teresa de Calcutá, a mãe – madre – de todos.

Dentre tantos ensinamentos que nos deixou, uma frase dá o resumo da sua vida:

“Não devemos permitir que ninguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”

Seguíssemos esta norma, a nossa época não seria o século da solidão (João Paulo II), o nosso mundo não seria a civilização do desamor (Bento XVI) e a nossa vida em família seria bem diferente.

Vendo, particularmente, a triste situação da sociedade brasileira, talvez surja a tentação do desalento e do egoísmo. “Eu vou é cuidar de mim… e os outros que se danem” já ouvi muita gente dizer. Equivale a falar “no dia em que todos forem virtuosos, eu também serei” – vai esperar sentado, até o fim do mundo.

O individualismo da sociedade moderna lembra a anedota da festa do vinho numa cidadezinha, onde cada morador contribuía com um litro da bebida, colocado num grande barril coletivo. Um espertinho pensou: vou colocar um litro de água, quem vai notar a diluição em meio a centenas de litros de vinho? No dia da festa, o encarregado abriu a torneira do barril e… só saiu água!

Assim está a nossa sociedade, dando tiro no pé a todo o instante e querendo que no fim das contas as coisas dêem certo; assim anda a sociedade brasileira, onde o egoísmo grassa e a caridade esfriou. Se o desânimo de lutar sozinho abater você, pense nesta outra frase da nossa Madre:

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

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Duas Coroas

Naquela manhã, ele se preparou para a sua última viagem. Tinha pressa. O dia seguinte era dia de festa, e ele não queria perder. Ao meio-dia, embarcou.

Tudo começou quando o nosso protagonista – Raiumundo Kolbe – tinha 10 anos de idade e rezava à Virgem Negra de Czestochowa. De repente, a imagem ganhou vida e lhe apresentou duas coroas de flores: uma de flores brancas – simbolizando a castidade perfeita – e outra de flores vermelhas – o martírio – e pediu para o menino escolher uma. Movido pela misteriosa intuição polonesa – a mesma de Karol Wojtyła e Joseph Conrad, Copérnico e Marie Curie – o menino pegou as duas.

De fato, em 1912, aos 18 anos de idade, deu o primeiro passo em direção à coroa branca entrando para o noviciado franciscano e recebendo o nome religioso de frei Maximiliano Kolbe.

Em 1917, ano das aparições de Fátima, fundou com a ajuda de confrades franciscanos, a Milícia da Imaculada. A sua intenção foi combater o avanço das idéias socialistas, cujo objetivo é substituir Deus pelo Estado. A partir daí, dedicou-se à difusão da fé católica mediante a palavra impressa, atingindo números impressionantes em tiragens e profissionais envolvidos e chegando a fundar uma cidade para impressão de periódicos e afins – Niepokalanow, a Cidade da Imaculada.

Em 1930 foi para o Japão com três companheiros franciscanos, e em Nagasaki construiu mais uma Cidade.

Em 1941, já de volta à Polônia ocupada, foi preso pelos nazistas e deportado para o campo de concentração de Auschwitz.

Um belo dia, naquele aprazível lugar, um prisioneiro fugiu. Como era regra, o comandante escolheu dez colegas do fugitivo para morrerem de inanição como castigo coletivo. Ao ser selecionado, o sargento Francisco Gajowniczek, desesperado, gritou que tinha mulher e filhos para criar. Maximiniano Kolbe deu um passo à frente e ofereceu-se para morrer no lugar do sargento. O nazista, quando finalmente compreendeu a insólita oferta, autorizou a troca. Depois de duas semanas de fome e sede, como ainda resistisse, o comandante mandou aplicar-lhe uma injeção de ácido fênico.

Na manhã do dia 14 de agosto de 1941, Maximiliano Kolbe se preparou para a sua última viagem. Tinha pressa. O dia seguinte era festa da Assunção, e ele não queria perder. Ao meio-dia, horário do Ângelus, recebeu uma injeção letal. Foi recebido no céu pela Virgem Negra de Czestochowa, com duas coroas de flores.

E foi ao lado de Maria que assistiu lá de cima, num misto de diversão e alegria, à cerimônia da sua própria canonização, oficializada por seu compatriota João Paulo II em 10 de outubro de 1982.

Presente na cerimônia, o sargento Francisco Gajowniczek.

Rumo a Cracóvia

A semana foi dominada pela repercussão da Jornada Mundial da Juventude, seja pelas consequências da entrevista coletiva do Papa Francisco na viagem de volta, seja pela divulgação dos números do evento, seja pelo entusiasmo contagiante dos participantes ao se dispersarem pelo mundo.

Pudemos ver de perto o sucesso do empreendimento sob todos os pontos de vista. Agora, jovens de todas as idades – porque a juventude vem de Deus – se animam para a próxima JMJ. Certamente terá um sabor especial, não só pelo papel histórico do país mas também pela força do pensamento daquela nação.

A intrincada mente dos poloneses sempre fascina. Karol Józef Wojtyła, Copérnico, Chopin e Marie Curie são apenas alguns exemplos da capacidade daquela gente. Uma vez comentei com um amigo, sacerdote e doutor em filosofia, da minha dificuldade em entender os escritos de João Paulo II, e ele me respondeu “eu também não entendo direito”. A ciência da computação é dominada pela notação polonesa, criada por Jan Lukasiewicz, a mesma usada nas calculadoras HP. Joseph Conrad, autor de Lord Jim, era de origem polonesa, e a sua arte reflete bem o modo de pensar daquele povo.

Em O Coração das Trevas, escrito em 1899 e que deu origem ao filme Apocalypse Now, dirigido por Francis Ford Coppola, o autor conta a história de um jovem, ausente da sua terra por uma longa temporada, período no qual lutou e conviveu com tribos primitivas. Ao retornar à civilização, tece as seguintes considerações:

“Achei-me de volta à cidade sepulcral, ressentindo a visão de pessoas com pressa nas ruas para roubar um pouco de dinheiro umas das outras, devorar sua infame cozinha, engolir sua cerveja insalubre, sonhar seus sonhos insignificantes e tolos. Atropelaram meus pensamentos. Eram intrusos cujo conhecimento da vida era para mim uma pretensão irritante, porque me sentia bastante seguro de que não tinham condições de saber as coisas que eu sabia. Suas maneiras, que eram simplesmente as maneiras de indivíduos comuns lidando com seus negócios na certeza da perfeita segurança, eram ofensivas para mim como a escandalosa empáfia dos tolos diante de um perigo que são incapazes de compreender. Não tinha nenhum desejo especial de iluminá-los, mas tinha alguma dificuldade em abster-me de rir nas suas caras tão cheias de estúpida importância.”

Eis o retrato da nossa época. A nós, que queremos a verdade e a coerência de vida para nós, para as nossas irmãs e para os nossos irmãos, resta meditar sobre a fonte da verdade e sobre a missão que nos é confiada. Vamos todos a Cracóvia, vamos todos à Fonte da juventude.

– Irei ao altar de Deus, do Deus que alegra a minha juventude. (Sl 42)

 

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