Sete Alegrias

"Alegra-Te, Cheia de Graça…"

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Meus olhos viram a Salvação

O homem é um ser religioso. Aristótoles chegou a esta conclusão observando os povos e percebendo que todos tinham religião. A religião precede e funda as civilizações.

Antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, todos os povos tateavam no escuro, procurando Deus. Ou melhor, quase todos. Israel era o povo escolhido. E, na nação israelita, havia um homem privilegiado chamado Simeão a quem havia sido anunciado que não morreria sem ver o Messias.

Nós somos mais privilegiados do que Israel e Simeão porque conhecemos toda a Revelação e recebemos a graça da fé em Cristo. Privilégio imerecido. Quantas pessoas melhores do que nós desejam saber as coisas que sabemos e, no entanto, desesperam na escuridão?

“Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.” (Mt 13,17)

Este privilégio traz, de imediato, duas consequências: agradecimento e ação. No episódio da cura dos dez leprosos, só um voltou para agradecer. Jesus disse: “Ué, não eram dez? Cadê os outros nove? Só um voltou para agradecer? E, ainda por cima, um estrangeiro?” E concluiu, dizendo ao samaritano: “A tua fé te salvou”. Nâo disse, mas ficou subentendido: “Quanto aos outros, a ingratidão os danou!”.

Agradecimento e… ação! Aqui entre nós, cara leitora, caro leitor, você conhece algum cristão agindo no Brasil hoje? Como diz o padre Paulo Ricardo, dá para contar nos dedos de uma mão aleijada. As nossas lideranças cristãs estão amedrontadas. O avanço do mal as assusta e elas mostram, finalmente, o vazio de que são feitas. Por isso, não espere nada delas. A briga é conosco, somos nós quem devemos dar a cara a tapa. Aos nossos líderes, está reservado o desprezo de Cristo:

– Deixai-os. São cegos e guias de cegos.

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Inês

Hoje é dia de Santa Inês, mártir do século IV. Era muito bonita e por isso não lhe faltavam pretendentes; ela, entretanto, havia decidido consagrar a virgindade a Deus. Um nobre preterido a denunciou. Na época, o cristianismo era proibido.

Levaram-na para um prostíbulo, mas a sua longa cabeleira a ocultou e um anjo a protegeu. Não foi tocada por ninguém. De volta à corte imperial foi indagada sobre a sua religião. Ao confessar que era cristã, deixou ali mesmo a vida, abatida por um soldado.

Inês é um marco na história do cristianismo e na história da mulher. Depois dela, as mulheres começaram a ser tratadas com mais dignidade. Mais do que Maria, foi ela o ponto de inflexão.

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O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

“Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo”

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No Paraíso, a serpente tentou Eva, e Eva pecou. Eva tentou Adão, e Adão pecou. Com o pecado, entraram no mundo a doença, os vícios, o mal e a morte. O pecado é, na verdade, o único mal do mundo.

A ofensa a Deus exigia um sacrifício à Sua altura para sermos perdoados. Por mais que fizéssemos, os nossos pedidos não alcançavam Deus. Deus, na Sua infinita misericórdia, deu uma segunda chance à humanidade enviando o Seu Filho para se sacrificar por nós – só o sacrifício de um deus-homem perdoaria os nossos pecados.

É muito fácil falar “os nossos pecados”, “o pecado do homem“, “o pecado dos outros“. Mas, como diz o ditado, quando a gente aponta o dedo para alguém, acusando, outros três dedos estão voltados na nossa direção. Por isso, em vez de dizer o “pecado dos outros” seria mais sincero dizer: “o meu pecado”.

O meu pecado, um açoite a mais no corpo de Cristo…

O meu pecado, um espinho a mais na coroa de Cristo…

O meu pecado, um peso a mais na cruz de Cristo…

O meu pecado, uma martelada a mais nos cravos de Cristo…

O meu pecado, um escárnio a mais ao Cristo Crucificado…

O meu pecado, o único mal do mundo…

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O demônio-da-guarda do Brasil

Assim como cada um de nós tem um anjo-da-guarda, as nações têm o seu. Nas aparições de Fátima, o anjo disse às crianças “Eu sou o anjo de Portugal”. Assim como há anjos-da-guarda, há os demônios tentadores, vou chamá-los de demônios-da-guarda.

No gabinete do centro, satanás despacha. Rubro de raiva, manda chamar o demônio-da-guarda do Brasil.

– Quantas vezes tenho que explicar? Naquele país, a sua principal arma não é o ataque frontal. Nada disso! Lembre-se do lema escolhido para eles, a frase de Caifás “é conveniente que um homem morra pelo povo” – ah! a conveniência, o bom-mocismo brasileiro, o estar bem com os outros, a preocupação com a aparência… Holanda bem o retratou no homem cordial. Só de pensar, tenho delírios!

Embasbacado, o demônio-da-guarda do Brasil aguarda quieto.

– Outra coisa: nada de dispersão, você está perdendo tempo chutando cachorro morto, quantas vezes já disse para se concentrar nos poucos cristãos remanescentes? Os outros não interessam, não podem fazer nada, não perca tempo com eles. Resumo da lição de hoje: centre fogo nos poucos cristãos que ainda restam soprando-lhes no ouvido que devem fugir da luta frontal, não devem dizer a verdade nua e crua, devem ter dedos e mãos para falar com os adversários daquele-que-morreu-na-cruz, quantos mais respeitos humanos melhor, inspire-os a fazer amizade com bandido com a vã esperança de que assim consigam fazer alguma coisa pelo bem, que pensem “um pouquinho é melhor que nada”, ah! como tem trouxa no mundo, a cada minuto nasce um otário mas no Brasil acho que nasce mais… Hahahaha…

Enquanto deixava o gabinete de satanás, o demônio-da-gurda do Brasil ainda conseguiu ouvir o chefe dizendo:

– Ah! a conveniência brasileira, como adoro o seu bom-mocismo, a auto-enganação, a amizade com os poderosos… ah!

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Ninguém quer pagar o preço

Diálogo de um filme de ação:

– Você é um lutador muito bom!

– Todo mundo quer ser bom mas ninguém quer pagar o preço.

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Ao ver a ação do mal no mundo, não conseguimos avaliá-lo em toda a sua dimensão porque é duro demais, feio demais – ou nos cega ou desviamos o olhar. Tendemos sempre a jogar a culpa pelas barbaridades na sociedade, no sistema, este mundo está perdido, desse jeito não dá pra fazer nada, o inferno são os outros. A natureza humana é assim mesmo; no Paraíso, Adão jogou a culpa em Eva, que jogou a culpa na serpente, nós jogamos a culpa em Deus, no governo, no patrão, no vizinho, no cônjugue.

Só quem consegue  avaliar exatamente o peso do mal é o santo, ou se você preferir, o justo, o homem bom, virtuoso, pois ele sabe que este mundo material, visível, não representa a realidade; a verdadeira realidade está na esfera espiritual; não a carne e o sangue, mas os espíritos que infestam os ares.

Só ele consegue ter a dimensão precisa do comportamento dos outros e do seu próprio comportamento. Às decisões dos príncipes do mundo opõe a santidade da sua vida de justo com a consciência de poder mais frente a Deus, pois Deus é amor. Ele vê, ao longo da história, a influência da atuação pessoal de cada um dos grandes benfeitores da humanidade e sabe que o bem não é obra de governos, de sociedades, de sistemas, é obra da atuação individual de uma pessoa que diz “deixa que eu chuto”.

O homem virtuoso está plenamente consciente da responsabilidade da sua ação. A sua prevaricação é pior do que o mal feito pelos tiranos – os maus sabem da malícia do seu intento e persistem nele; os bons sabem da bondade do seu intento mas muitos desistem dele. O justo sabe disso, da importância das mais mínimas ações, conhece o sentido da sua missão, está disposto a pagar o preço do sacrifício pessoal.

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Todo mundo quer mais bondade no mundo, mas ninguém quer pagar o preço…

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Tu vens a mim?

Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?

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Dá-me de beber… Tenho sede!

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Que lembrança a da Tua realeza – pedir a um mendigo! – Tagore, Oferenda Lírica

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Ana Clara, queimada viva

A menina Ana Clara, de 6 anos de idade, foi queimada viva na onda de violência que tomou conta de São Luís do Maranhão.

Quem a matou?

Dizer que foi morta por ordem dos presos revoltados não é dizer a verdade completa. Também não se pode jogar toda a culpa na cínica mentalidade revolucionária dos discípulos de Marcuse que hoje domina o Brasil, para quem os marginais são a classe revolucionária destinada a fazer da civilização ocidental terra arrasada sobre a qual se construirá a sociedade livre de maldades, a sociedade socialista (ou comunista, é a mesma porcaria).

Quem matou a menina Ana foi a indiferença do brasileiro, a frieza pelo destino do irmão, a frouxidão dos seus ideiais, e a despreocupação com a verdade aliada ao bom-mocismo – o estar bem com os poderosos -, indiferença que permitiu o avanço do ideal de ódio esquerdista traduzido nos mais de 50 mil brasileiros assassinados por ano.

Das duas, uma: ou você sai do imobilismo ou você será cúmplice moral de assassinato.

Eu acuso você, brasileiro omisso e indiferente, pelo homicídio da pequena Ana Clara, queimada viva aos 6 anos de idade.

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Governo Raposão

Como bom tirano psicopata, o rei Herodes ficou com medo ao ouvir a indagação dos três magos “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?”.

Os psicopatas são assim mesmo, pessoas destituídas de sentimentos morais, à exceção do medo. O medo tomou conta do déspota e, como ele não tinha o imenso aparato técnológico de que dispõem os governos comunistas de hoje, ingenuamente pediu aos reis magos para avisá-lo quando encontrassem o recém-nascido.

Quando um povo é governado por um sistema comunista, com todos os meios de bisbilhotar a vida da população, deve dizer ao tirano o mesmo que Cristo mandou dizer a um outro Herodes:

– Ide, e dizei àquela raposa: Eis que Eu expulso demônios, e efetuo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia sou consumado.

O que, de cara, salta aos olhos nesta frase é a coragem moral e a sinceridade de Cristo, virtudes nas quais a sociedade se fundamenta. Ele não tem medo de dar nome aos bois.

“Eis que expulso demônios” – eis que expulso os seus colegas, raposão, eis que expulso os demônios comunistas cujo lema é a cínica frase “a religião é o ópio do povo”.

“Eis que efetuo curas” – eis a tarefa de todos os os Meus discípulos, curar os irmãos que, de boa fé, se deixaram enganar pelo canto de ódio da sereia comunista.

“E no terceiro dia sou consumado” – no terceiro dia consumarei a Minha obra, vencerei a morte, e, Comigo, todos aqueles que acreditarem na minha palavra.

E, se você ainda duvida do que é capaz um psicopata, leia como terminou o epsódio:

“Quando Herodes percebeu que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e ordenou que matassem todos os meninos de dois anos para baixo, em Belém e nas proximidades, de acordo com a informação que havia obtido dos magos.”

Não há limites para um governante raposão.

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Dispostos a tudo

O aluno recusou-se a pagar o que devia ao professor. Má hora. Porque o Caloteiro não era aluno de um curso qualquer, era aluno de karatê, e o sensei, acostumado a se desviar de soco na cara e aparar chute nos países baixos, não ia se deixar abater por uma simples rasteira.

O valor não era pequeno, e o professor não teve dúvidas: reuniu 60 karatecas e foi jantar na churrascaria do Aluno Caloteiro, empresário do ramo grastronômico. Meu amigo Zé, especialista em confusão, era um dos alegres convivas.

Finda a farta refeição, o Caloteiro apresentou a conta ao sensei, uma gorda conta, pois os famintos e insaciáveis praticantes tinham fome de leão já que precisavam repor a energia de quem passa horas dando chutes verticais.

– Mas, o que é isso? perguntou o surpreso sensei. Conta? Que conta, se eu não devo nada? Não estou entendendo…

Enfurecido, o Aluno-Empresário-Caloteiro vociferou:

– Ou paga ou eu chamo a polícia.

– Pode chamar. Mas, antes da polícia chegar, o prejuízo vai ser grande. Eis que estou com 60 karatecas, 60 homens dispostos a tudo. Quando a polícia chegar, vai ter mesa espetada no teto. E, na volta da delegacia, vamos atalhar por aqui…

O apatetado Caloteiro olhou ao redor e não gostou do que viu. Sessenta trogloditas em ponto de bala, molas prestes a pular, esperando feito gatos, prontos para entrar em combate à menor ordem do chefe. Polícia? Talvez um batalhão da tropa de choque para dar conta dos alentados artistas marciais! O Caloteiro achou mais barato, ou mais prudente, deixar pra lá.

Esta singela e construtiva história me faz desejar – a mim e a você, cara leitora, caro leitor –, esta mesma energia para buscarmos a realização de todos os nossos sonhos no novo ano que se avizinha.

E desejar que, pelo nosso ideal de vida, estejamos também dispostos a tudo.

Feliz Ano Novo!

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Procuram o Menino para Matar

José adormeceu sorrindo, pensando nos alegres e recentes acontecimentos: o nascimento do Bebê Jesus, a alegria da sua esposa, a homenagem dos reis magos, o coro dos anjos. Toda a criação rendia glória ao seu filho, até o boi e o burro, até a natureza inanimada, até a estrela do oriente.

Mas, no meio da noite, surgiu a mensagem terrível e urgente trazida pelo anjo:

– Pega o Menino e Sua Mãe e foge! Herodes vai procurar o Menino para matá-Lo!

A reação de José, como sempre, foi de paz e obediência.

Este espisódio, à luz do nosso mundo, do mundo moderno, caracterizado pela rebeldia, parece ainda mais insólito. O homem de hoje, no lugar de José, certamente diria “um momento, não é este o Filho de Deus, o Verbo Incarnado, como assim, fugir? Pelo contrário, vamos já providenciar um bom esquadrão de anjos vingadores e dar uma lição nesse Herodes”.

Este é o pensamento da sociedade atual, da qual fazemos parte, e não é verdade que muitas vezes pensamos assim frente às contrariedades? Não queremos dar ordens a Deus e ditar a ordem dos acontecimentos? Já paramos para analisar a má influência da mídia de massa, do sistema educacional e da indústria cultural – instituições maciçamente dirigidas por inimigos de Deus – na nossa formação? Já avaliamos quantas rebeldias foram plantadas dentro de nós por estes inimigos da fé? Já sentimos dentro de nós o orgulho, a inveja, o despeito, todos estes vapores borbulhando, prestes a explodir frente à menor contrariedade, um incidente no trânsito, um comentário no seio familiar?

José sabia que a sua vida era uma missão, empreitada de amor concebida por Deus, e, tanto quanto ele, todos nós – eu e você – temos uma missão, única, exclusiva, irrepetível e intransferível.

“Ah, mas a tarefa de José era diferente, era cuidar do Filho de Deus, e a minha vida é insignificante…”

Este é mais uma das armadilhas da vida moderna – a arapuca do brilho, da vanglória, da ostentação –, uma bomba-relógio colocada na sua cabeça para explodir quando você se estiver em uma encruzilhada, decidindo entre o bem e o mal. Que sábio pode saber o valor de uma vida? Se for realmente sábio, terá esta pretensão?

Pela sua obediência, José mereceu o mais alto dos céus, ao lado da sua esposa muito amada, a Virgem Maria, a Mãe de Deus. Quem diz isso não sou eu, não. São palavras emanadas da boca de Nosso Senhor Jesus Cristo:

– O que Deus uniu, o homem não separe!

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